Amor não era o plano
70 Apelido carinhoso
Notas iniciais
Jacob
Estacionei em frente à Doce Encanto e desliguei o motor antes mesmo de o carro parar completamente. Não precisei procurar Ethan. Ele estava alguns metros adiante, próximo à entrada da doceria, sendo mantido longe da porta por dois homens da equipe de segurança. Rachel permanecia perto de Alice, enquanto Renesmee estava mais à frente do que eu gostaria, encarando Ethan com os braços cruzados e uma expressão que conhecia bem demais. Ela estava irritada. Não assustada, pelo menos aparentemente, mas irritada o suficiente para ter ignorado a orientação óbvia de permanecer dentro da porra do estabelecimento enquanto um homem bêbado gritava na calçada.
Saí do carro e bati a porta. Renesmee foi a primeira a me ver. Seus olhos encontraram os meus e, durante um segundo, consegui enxergar alívio em seu rosto antes que ela voltasse a atenção para Ethan. Rachel também percebeu minha chegada e deu um passo para trás, como se concluísse que aquela parte do problema acabara de mudar de responsável. Ethan ainda discutia com um dos seguranças e demorou alguns segundos para notar minha presença. Eu não tive pressa. Caminhei até eles ajustando os punhos da camisa, observando o estado do homem que passara meses tentando me convencer de que era algum tipo de adversário.
Ele estava uma merda.
A camisa amarrotada estava parcialmente para fora da calça, os cabelos desarrumados, o rosto vermelho e os olhos denunciavam que a garrafa tinha sido sua principal companhia nas últimas horas. Ethan cheirava a álcool mesmo antes que eu estivesse perto o bastante para ouvir sua respiração. Parei diante dele e passei os olhos lentamente por sua aparência.
– Fitzgerald, você está decadente. – Inclinei a cabeça, examinando-o mais uma vez. – E olha que minhas expectativas a seu respeito já eram consideravelmente baixas.
Ethan soltou uma risada carregada de ódio.
– Claro. O grande Jacob Black chegou.
– Você mandou minha irmã me chamar. Imaginei que estivesse sentindo minha falta.
– Vai se foder.
– Não parece um convite particularmente tentador vindo de você.
Os seguranças continuavam segurando seus braços. Fiz um gesto para que aliviassem a contenção, mas não o soltassem completamente. Não precisava de dois homens quase arrancando os ombros daquele idiota enquanto conversávamos. Ethan olhou para Renesmee e depois novamente para mim.
– Você acha que ganhou, não é?
– Ganhei o quê?
– Para de bancar o filho da puta arrogante.
– Isso vai ser difícil. A parte arrogante talvez eu consiga controlar, mas você já me chamou de filho da puta umas três vezes desde que nos conhecemos. A essa altura, seria estranho mudar.
– Você sabe exatamente do que estou falando.
– Na verdade, não. Você apareceu bêbado na porta da empresa da minha noiva, assustou funcionários, fez minha irmã me tirar de uma reunião e está sendo segurado por dois homens porque aparentemente perdeu a capacidade de se comportar como um adulto. Então faça um favor para nós dois e seja específico.
Ele tentou se desvencilhar dos seguranças.
– Você não vai roubar minha família.
Olhei para ele durante alguns segundos.
– Sua família?
– Renesmee e minha filha.
Meu maxilar endureceu, mas mantive a voz controlada.
– Belinha é sua filha. Isso eu jamais discuti e não pretendo discutir. Renesmee, entretanto, não é sua propriedade, não é sua esposa e não é sua família há muito tempo. Você teve seis anos para construir uma vida com ela e passou esses seis anos mentindo. Não fui eu que tirei Renesmee de você. Você fez isso sozinho.
– Você apareceu quando ela estava vulnerável.
– E lá vamos nós outra vez.
– Ela tinha acabado de perder tudo!
– Por sua causa.
Ethan ficou em silêncio por um instante.
Aproximei-me um pouco.
– Essa é a parte que você sempre convenientemente esquece, Fitzgerald. Renesmee estava vulnerável porque você a deixou assim. Foi você quem mentiu, foi você quem manteve duas famílias, foi você quem mexeu no dinheiro dela, foi você quem ajudou a colocar a casa e a empresa dela em risco. Depois aparece aqui bêbado querendo falar sobre como eu roubei sua família? Tenha pelo menos a dignidade de assumir a merda que fez.
– Você acha que é melhor do que eu?
– Não preciso achar.
Ele riu com desprezo.
– Porque tem dinheiro?
– Você também teve acesso a dinheiro.
– Porque é Jacob Black?
– Você tentou ser um Black durante anos. Deveria saber que o sobrenome sozinho não resolve muita coisa.
– Porque Renesmee está dormindo com você?
Ouvi Rachel soltar alguma coisa atrás de mim, mas não desviei os olhos de Ethan.
– Cuidado com a maneira como fala dela.
– Por quê? Vai fazer o quê?
– Não precisa descobrir.
Ele sorriu.
– Ela estava comigo antes de você.
– Eu sei.
– Durante seis anos.
– Também sei.
– Ela me amava.
Dessa vez assenti.
– Amava.
A resposta pareceu surpreendê-lo.
– Então admite.
– Claro que admito. Eu tenho quarenta e nove anos, Ethan. Não preciso fingir que minha mulher não teve uma vida antes de mim para proteger meu ego. Renesmee amou você. Construiu uma família com você, acreditou em você e provavelmente teria passado o resto da vida ao seu lado se você tivesse sido metade do homem que ela acreditava que era. Você tinha tudo aquilo que agora está bêbado exigindo de volta. E jogou fora.
A expressão dele se tornou ainda mais agressiva.
– Ela ainda me ama.
Olhei para Renesmee por um instante. Ela me observava em silêncio, claramente irritada com a situação. Voltei para Ethan.
– Essa é uma conversa que você deveria ter tido com ela quando ela ainda estava disposta a ouvir. Agora acabou.
– Você não decide isso.
– Tem razão. Renesmee decidiu. – Apontei discretamente para a entrada da doceria. – Ela reconstruiu a empresa, reorganizou a vida, aceitou se casar comigo e está esperando meu filho. Nenhuma dessas decisões precisou da minha autorização, muito menos da sua. Você está discutindo com uma realidade que continuaria existindo mesmo se eu desaparecesse amanhã.
Ele tentou avançar outra vez.
Os seguranças o impediram.
– Você não vai criar minha filha.
– Eu nunca disse que vou substituir você como pai de Belinha.
– Mas é isso que quer.
– Não coloque suas inseguranças na minha boca. Belinha tem pai. Eu deixei isso claro para ela antes mesmo que você tivesse a decência de perguntar o que aquela menina sente no meio dessa guerra ridícula. O fato de eu amar a mãe dela e me importar com ela não apaga você. Quem pode destruir sua relação com sua filha é você mesmo, exatamente como destruiu todo o resto.
Ethan respirava pesadamente.
– Vai se foder, Black.
– Já terminou?
– Está me mandando embora?
– Estou.
– Da empresa dela?
– Sim.
– Você não manda aqui.
Renesmee finalmente falou atrás de mim.
– Nesse momento, ele não precisa mandar. Eu estou mandando, Ethan. Vá embora.
Ethan olhou para ela.
– Nessie...
– Não me chama assim.
A maneira firme como ela respondeu fez alguma coisa mudar no rosto dele. Por alguns segundos, pareceu mais perdido do que agressivo. Mas o álcool e o orgulho venceram rapidamente.
– Ele colocou você contra mim.
Renesmee não respondeu.
Eu respondi.
– Chega. – Dei um passo à frente. – Você vai entrar no seu carro, voltar para onde quer que esteja morando e ficar sóbrio. Amanhã, se ainda tiver alguma coisa legítima para discutir sobre Belinha, faça isso pelos meios adequados. Hoje você não vai falar com Renesmee, não vai entrar nessa doceria e não vai continuar fazendo espetáculo na calçada. Acabou.
Ethan soltou uma risada curta.
– Só isso?
– O quê?
– Não vai me bater?
Olhei para ele.
– Você veio até aqui esperando apanhar?
– Achei que o grande Jacob Black resolvesse os problemas assim.
– Você está bêbado.
– E daí?
– Bater em um homem que mal consegue ficar em pé não provaria porra nenhuma. Seria perda de tempo.
O rosto dele se contorceu.
– Está com medo?
Soltei uma risada.
– Tenho quase cinquenta anos, Fitzgerald. Já passei da fase em que um bêbado precisa me chamar de covarde três vezes para eu sentir necessidade de provar que tenho um pau. Tente outra estratégia.
Paul teria apreciado aquela resposta.
Ethan não.
Ele se lançou para a frente com força suficiente para surpreender um dos seguranças. O segundo reagiu imediatamente e os dois o seguraram antes que conseguisse chegar até mim. Não recuei. Permaneci exatamente onde estava enquanto Ethan tentava se soltar, xingando e me desafiando a mandar que o libertassem.
– Solta! Manda esses filhos da puta me soltarem!
– Para quê?
– Eu vou acabar com você.
– Você não consegue nem caminhar em linha reta.
– Manda eles me soltarem!
– Não.
– Está com medo!
– Não. Estou entediado.
Aquilo pareceu finalmente fazê-lo perceber a própria posição. Havia dois seguranças segurando-o, outros homens próximos à entrada, e ele estava diante de mim mal conseguindo controlar o equilíbrio. Ethan parou de resistir aos poucos, respirou pesadamente e lançou um olhar ao redor.
Então seus olhos voltaram para mim.
– Isso não terminou.
– Para você, aparentemente nada termina. É uma das razões pelas quais sua vida está uma merda.
– Você e Claire vão pagar.
Meu corpo ficou imóvel.
– O que disse?
– Você ouviu.
– Repete.
Renesmee se aproximou.
– Jacob.
Levantei uma mão sem olhar para ela.
– Só quero ter certeza de que ouvi direito.
Ethan riu.
– Sua filha é uma vadia traiçoeira. Uma puta igual a...
Não terminou.
Atravessei a distância entre nós e agarrei a frente da camisa dele antes que qualquer um dos seguranças tivesse tempo de reagir. Puxei Ethan para mim com força suficiente para fazê-lo perder o equilíbrio, e o sorriso desapareceu de seu rosto.
– Escuta com atenção, porque não vou repetir. – Mantive minha mão fechada na camisa dele e aproximei meu rosto. – Você pode me chamar do que quiser. Pode aparecer bêbado, falar merda sobre minha empresa, dizer que vai me destruir e alimentar essa fantasia patética de vingança enquanto tiver dinheiro para comprar bebida. Mas não volte a chamar minha filha disso.
– Ela traiu...
Apertei a camisa.
– Eu não perguntei o que aconteceu entre vocês.
Ele tentou afastar minha mão.
– Solta.
– Você ameaçou Claire.
– Eu disse que vocês vão pagar.
– Eu ouvi. E estou dando a você uma oportunidade que provavelmente não merece. Fique longe dela enquanto estiver nesse estado. Se existe um casamento para terminar, termine por advogado. Se existe dinheiro para discutir, discuta com Solomon. Se existe alguma coisa relacionada à empresa, fale comigo quando estiver sóbrio. Mas se ameaçar minha filha outra vez, a conversa muda.
– Está me ameaçando?
– Não. Estou estabelecendo um limite. Você é adulto o suficiente para compreender a diferença.
Ethan sustentou meu olhar, mas a segurança já tinha desaparecido.
– Jacob, não faça isso!
A voz de Renesmee atravessou minha raiva.
Fechei os olhos por uma fração de segundo.
Ela estava ali.
Grávida.
Depois de tudo que Bree já havia feito, depois de uma arma ter sido disparada dentro daquela mesma doceria, eu estava segurando um homem bêbado pela camisa na frente dela.
Não valia a pena.
Afrouxei os dedos.
– Tem razão, princesa.
Soltei Ethan com um empurrão. Ele estava desequilibrado demais para se sustentar e caiu sentado no chão. Um dos seguranças tentou segurá-lo, mas fiz um gesto para que não interferisse.
– Levanta e vai embora.
Ethan ficou alguns segundos no chão, humilhado demais para aceitar ajuda. Depois se levantou sozinho, cambaleando. Ajustou a camisa e olhou primeiro para mim, depois para Renesmee.
– Isso não acabou.
– Para hoje, acabou – respondi.
Ele se virou e caminhou em direção ao carro.
Foi então que percebi o óbvio.
– Ei.
Ethan virou o rosto.
– Você não vai dirigir desse jeito.
– Vai se foder.
– Chama um carro.
Ele me mostrou o dedo do meio e continuou andando.
– Segura ele – ordenei a um dos homens.
Mas Ethan já havia alcançado o veículo. Entrou, bateu a porta e ligou o motor antes que o segurança chegasse. O carro arrancou com uma cantada de pneus, entrou na rua de maneira irresponsável e desapareceu no trânsito.
– Anota a placa e avisa a polícia que tem um motorista embriagado saindo daqui – falei imediatamente ao segurança. – Passe localização, modelo e direção. Não quero aquele imbecil matando alguém porque está com o ego ferido.
– Sim, senhor.
Somente então me virei.
Renesmee estava alguns passos atrás de mim.
Toda a raiva que eu carregava perdeu importância no instante em que olhei para ela. Atravessei a pequena distância entre nós e passei um braço ao redor de sua cintura, trazendo-a para perto com cuidado. Minha outra mão foi até a nuca dela, e beijei seus cabelos antes de mantê-la contra meu peito.
– Está tudo bem? – perguntei, abaixando o rosto para conseguir vê-la. Passei a mão lentamente por suas costas, verificando mais pela necessidade de tocar nela do que porque acreditasse que estivesse machucada. – Ele encostou em você? Fez alguma coisa além de gritar?
Apertei-a um pouco mais contra mim e beijei novamente o alto de sua cabeça.
– Fala comigo, princesa. Você está bem?
Renesmee permaneceu alguns segundos dentro dos meus braços antes de erguer o rosto. Passei os olhos por ela novamente, procurando qualquer coisa que contradissesse a resposta que eu ainda esperava. Ethan não parecia ter tocado nela, mas isso não significava que estivesse bem. Eu sabia o que aquele homem representava na vida dela e sabia, principalmente, o que significava ouvi-lo novamente gritar que ela lhe pertencia depois de tudo que já tinha feito.
– Estou bem – respondeu, colocando uma das mãos sobre meu peito. – Ele não encostou em mim. Os seguranças não deixaram que chegasse perto, embora eu tenha certeza de que você vai interrogá-los individualmente depois para confirmar.
– Não preciso. Perguntei para você.
– E está acreditando em mim?
– Por enquanto.
Ela estreitou os olhos.
– Jacob.
– O quê? Você tem um histórico bastante consistente de dizer que está bem enquanto está sangrando, desmaiando ou escondendo alguma coisa que vai me dar dor de cabeça. Minha confiança nessa frase específica é limitada.
Renesmee soltou uma risada curta e bateu de leve no meu peito.
– Eu realmente estou bem.
– Ótimo. Porque hoje já tivemos nossa cota de psicopatas bêbados para uma noite.
– Ethan não é...
– Nem termina. Não estou fazendo diagnóstico. Estou insultando. Existe diferença.
Ouvi uma risada atrás de nós e virei o rosto. Rachel vinha em nossa direção com a bolsa pendurada no ombro e o celular nas mãos. Ela parou perto de Renesmee e olhou na direção em que Ethan havia desaparecido.
– Ele está completamente fora de controle, Jake. Eu nunca o vi daquele jeito.
– Então você teve mais sorte do que eu. Eu nunca o vi de um jeito que prestasse.
Rachel riu.
– Eu sabia que você ia responder alguma coisa assim.
– Então não faça observações óbvias esperando profundidade.
– Você consegue ser desagradável até quando concordam com você.
– É uma habilidade.
Renesmee soltou o ar, mas percebi o pequeno sorriso em seu rosto. Mantive minha mão em sua cintura. Talvez estivesse exagerando na necessidade de mantê-la perto depois que o perigo já havia passado. Não me importava. Da última vez que alguma coisa saiu do controle dentro daquela doceria, recebi uma ligação dizendo que Renesmee tinha levado um tiro. Depois disso, qualquer um podia considerar excessivo o quanto quisesse o fato de eu precisar senti-la sob minha mão para ter certeza de que estava realmente ali.
Rachel olhou ao redor e franziu o cenho.
– Onde está Belinha? Perguntei olhando para Nessie.
– Alice saiu com ela antes de Ethan chegar, ainda bem, ela não precisava ver o pai daquele jeito.
Assenti imediatamente. Pelo menos alguém naquela situação tinha pensado antes que eu chegasse.
– Fez certo.
Renesmee me olhou. – Obrigada pela aprovação.
– Não foi aprovação. Foi constatação.
– Claro.
Rachel cruzou os braços.
– Alice me mandou mensagem. Está com Belinha e disse que pode ficar com ela até vocês chegarem.
– Nós vamos buscar – respondi.
Renesmee virou o rosto para mim.
– Nós?
– Sim, nós. Essa palavra também não é complicada.
– Eu sei o significado, Jacob. Só não lembro de ter combinado que você iria comigo.
– Acabou de combinar.
– Você é inacreditável.
– E você está grávida, acabou de passar quase uma hora discutindo com um bêbado e ainda quer ficar aqui trabalhando. Então hoje vamos economizar a discussão sobre minha personalidade.
Rachel levantou a mão.
– Nesse ponto, infelizmente, eu concordo com ele.
Renesmee virou-se para ela.
– Você também?
– Por hoje chega, Nessie. – Rachel se aproximou e tocou carinhosamente seu braço. – A lista dos doces não vai desaparecer durante a noite. Amanhã nós terminamos. Ainda precisamos decidir as quantidades, Alice quer mudar metade da mesa porque aparentemente descobriu alguma tendência nova de casamento nas últimas vinte e quatro horas, e você já fez muito mais do que precisava hoje. Vá com ele, .tome banho, coma alguma coisa e descanse.
– Rachel...
– Ela está certa – interrompi.
As duas olharam para mim.
Rachel piscou.
– Desculpa, pode repetir?
Franzi o cenho.
– Não.
– Eu só quero ter certeza de que ouvi Jacob Black concordando comigo sem discutir primeiro.
– Aproveita porque não vai acontecer novamente.
Rachel abriu um sorriso.
– Isso precisa ser registrado.
– Rachel.
– Estou indo.
Renesmee estava rindo.
Olhei para ela. – Não incentiva.
– Eu não fiz nada.
– Essa sua cara já está incentivando.
Rachel apontou para mim.
– Está vendo? Eu digo que a mulher precisa descansar, você concorda comigo e ainda consegue transformar isso numa ordem.
– Porque alguém precisa ter bom senso.
Renesmee arqueou uma sobrancelha.
– E esse alguém seria você?
– Neste momento, aparentemente.
– Você acabou de agarrar um homem bêbado pela camisa no meio da rua.
– Depois que ele chamou minha filha de puta.
– Eu sei.
– Então não vejo problema.
Rachel soltou outra risada.
– Esse é exatamente o problema, Jake.
– Ninguém pediu uma avaliação psicológica.
Renesmee passou a mão pelo meu peito.
– Não adianta, Rachel. O encanto do príncipe acabou.
Olhei lentamente para ela. – Príncipe?
– Durou pouco.
– Em algum momento eu vendi essa propaganda?
Ela sorriu. – Na noite do pedido de casamento você estava quase convincente.
– Eu ajoelhei, coloquei uma porra de um diamante no seu dedo, declarei meu amor e pedi você em casamento. Se esperava cavalo branco depois disso, devia ter negociado antes de aceitar.
Rachel começou a rir.
– Realmente, Nessie. Você assinou o contrato sem ler as letras pequenas.
– Não existe contrato.
– Ainda – falei.
Renesmee abriu a boca, indignada.
– Jacob!
– Brincadeira.
Rachel olhou para mim com uma expressão teatralmente surpresa.
– Você sabe brincar? Essa família está vivendo uma semana cheia de descobertas.
– Vai embora, Rachel.
Ela se aproximou de Renesmee e lhe deu um abraço.
– Amanhã eu ligo. Se estiver cansada, deixamos os doces para outro dia. O casamento não vai ser cancelado porque ainda não decidimos quantos brigadeiros haverá numa mesa.
– Diga isso para Alice.
– Alice acredita que casamentos são cancelados por guardanapos na tonalidade errada. Ela não conta.
Renesmee riu e beijou o rosto dela.
– Obrigada por hoje.
– Não precisa agradecer. Só descansa.
Rachel então olhou para mim.
– E você, tenta não matar ninguém até amanhã.
– Não prometo coisas que dependem do comportamento dos outros.
– Naturalmente.
Ela deu alguns passos em direção ao carro, mas parou e se virou com um sorriso que eu conhecia desde criança.
– Tchau, Shrek.
Fechei os olhos por um instante.
– Rachel.
Ela já estava rindo enquanto continuava andando.
– Boa noite, Shrek!
– Eu ainda posso tirar você do testamento.
– Você não vai!
– Não aposta!
Rachel entrou no carro ainda rindo.
Olhei para Renesmee e encontrei exatamente a reação que esperava. Ela tinha uma mão sobre a boca e tentava inutilmente conter o riso.
– Nem pense.
Isso piorou. – Desculpa.
– Não está.
– Não estou.
– Percebi.
Ela riu mais. – Shrek?
– Não repete.
– Combina um pouco.
– Renesmee.
– O quê? Ele é grande, mal-humorado, vive reclamando...
– Continua e o casamento...
Ela parou de rir. – Isso era para ser uma ameaça?
– Sim. Caso com você amanhã, tranco você numa casa comigo durante uma semana e desligo seu telefone.
– Nossa, que medo.
– Deveria ter.
– Shrek também era apaixonado pela Fiona.
Olhei para ela durante alguns segundos.
– Você tem uma capacidade impressionante de estragar momentos em que estou tentando cuidar de você.
– Você não estava tentando criar um momento. Estava reclamando. – Eu estava sendo carinhoso.
– Do seu jeito.
– É o único que tenho.
Ela ficou na ponta dos pés e passou os braços ao redor do meu pescoço.
– Está bravo?
Coloquei as mãos em sua cintura. – Com você?
– Sim.
– Estou considerando.
– Posso resolver.
– Duvido.
O sorriso dela se tornou menor. – Me dá um beijo.
Aquela mulher era desonesta.
Eu estava preparado para continuar reclamando por pelo menos mais cinco minutos, e ela sabia perfeitamente que bastava me olhar daquele jeito e pedir uma coisa simples para acabar com qualquer tentativa de resistência.
– Isso é manipulação.
– Aprendi com você.
– Não coloca seus defeitos na minha conta.
– Beijo, Jacob.
– Você é muito mandona para alguém que acabou de me chamar de Shrek.
– E você fala demais para alguém que quer me levar para cama.
Segurei sua cintura com mais firmeza.
– Eu não falei que queria levar você para cama.
Ela arqueou uma sobrancelha.
– Não?
Aproximei meu rosto do dela.
– Eu disse que ia levar.
Renesmee sorriu. – Grosso.
– E ainda assim você aceitou casar comigo.
– Talvez eu tenha um gosto duvidoso.
– Isso eu já sabia. Você passou seis anos com Fitzgerald.
Ela me deu um tapa no ombro. – Idiota.
– Você pediu um beijo. Vai continuar me insultando ou quer receber?
– Cala a boca e me beija.
Finalmente uma ordem que eu não tinha interesse algum em discutir.
Inclinei o rosto e a beijei. Comecei devagar, ainda consciente de onde estávamos e das pessoas ao redor, mas Renesmee apertou os braços em torno do meu pescoço e se aproximou mais. Minha mão subiu por suas costas enquanto a outra permaneceu firme em sua cintura. O gosto dela, o calor de seu corpo e a maneira como relaxou contra mim conseguiram fazer em poucos segundos o que horas de reunião e controle não tinham conseguido durante todo o dia.
Quando interrompi o beijo, mantive a testa próxima à dela e passei o polegar por seu rosto.
– Agora vamos buscar Belinha e você vai descansar.
Renesmee ainda sorria. – Voltou a dar ordens rápido.
– O beijo não provocou traumatismo craniano. Continuo sendo eu.
Ela me deu outro beijo, curto dessa vez.
– Infelizmente.
Apertei sua cintura. – Cuidado, princesa. Ainda dá tempo de eu colocar "Fiona" no convite.
Ela começou a rir novamente, e eu a conduzi para dentro da doceria com o braço ao redor de sua cintura. Depois daquela noite, ouvi-la rir era suficiente para me fazer tolerar até a porra do Shrek.
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