Notas iniciais
Vou deixar para conversar nas notas finais, nos vemos lá! A G Mars, espero que goste! Escrevi de coração ♥ 19/03/2019.

Nós nos conhecemos quando éramos crianças, no primeiro dia de aula. Fui muito estabanado e deixei que meu lanche caísse no chão, você dividiu o seu comigo e logo depois fomos brincar juntos. Não nos separamos mais.

Quando eu tinha oito anos e quebrei meu braço você foi o primeiro a assinar meu gesso e me ajudou em tudo o que precisei, anos depois quando o mesmo aconteceu com você fiz o mesmo. Criamos a tradição de cuidar um do outro, não importa o quê, sempre estaríamos lá.

Durante a puberdade percebi que não me interessava por garotas como todos os outros garotos, eu preferia a masculinidade, barbas e braços fortes, estava mais interessado em bundas do que em peitos, mas isso não me assustou. O que me assustou foi perceber que era em você que eu pensava quando estava excitado, você protagonizou mais de meus sonhos molhados do que qualquer celebridade, me perceber apaixonado por você foi desesperador. Eu pensei que seria passageiro, mas não foi.

Fomos juntos em nossa primeira festa, naquela noite eu vi você beijar sua primeira garota e naquela mesma noite me assumi para você. Você me abraçou e disse que tudo ficaria bem, que continuaria me amando não importa o que acontecesse e estaria ao meu lado. Nós dormimos abraçados. Enquanto você dormia eu pensava em minha vida, não esperava que você demonstrasse tanta compreensão e menos ainda que continuasse a dormir na mesma cama que eu. Naquela noite eu me apaixonei mais por você.

No dia seguinte você me perguntou para quem mais eu tinha contado e ao ouvir que você foi o primeiro seu sorriso iluminou o quarto todo. Você começou a me fazer perguntas sobre garotos: Quais celebridades eu gosto? Qual meu tipo de homem? Tem algum garoto na nossa escola por quem eu tenho uma queda? Nós passamos a tarde conversando sobre garotos e garotas e você admitiu que detestou o beijo da noite anterior, eu não deveria, mas fiquei feliz com isso.

Quando tínhamos dezesseis anos fomos aquelas festa e bebemos mais do que deveríamos, chegamos em sua casa e nos jogamos sobre a cama, você me contava sobre seus flertes, eu fingia não me importar e inventava os meus. E então você me beijou, meu primeiro beijo, babado e com gosto de álcool, eu estava em uma posição desconfortável, mas ele foi perfeito porque foi com você. Assim que você se afastou você me pediu desculpas, disse que estava muito bêbado e não se repetiria. Eu te perguntei por que me beijou e corado você disse que achava que também se atraia por garotos. Eu disse que tudo bem, eu também estaria lá por você como você por mim e que não via problemas em te beijar.

Nos beijamos de novo, e de novo, e de novo, suas mãos se tornaram ousadas e começaram a passear por meu corpo, você já tinha feito isso antes, eu não. Entreguei-me sem restrições, eu não sabia muito bem o que fazer, mas confiava em você. Confiava em nós. Foi desajeitado, suado, sentimos dor, tínhamos que controlar nossas vozes para ninguém ouvir, mas foi perfeito. Minhas primeiras vezes não poderiam ter sido com ninguém melhor, eu te amava, e você me amava também.

Na manhã seguinte acordei pronto para me declarar para você, você acordou e disse que aquilo foi um erro, que não deveria ter me usado daquele jeito, eu era como um irmão para você. Eu me calei, disse que ninguém havia se aproveitado de ninguém, adolescentes são assim mesmo, são os hormônios.

Passaram-se dias até que você parasse de se sentir culpado, dias em que tentei a todo e qualquer custo te fazer sorrir, fazer com que parasse de me olhar daquele jeito estranho, dias até que você finalmente você conseguisse falar sobre o assunto. Nunca mais dormimos na mesma cama.

Na próxima festa que fomos eu finalmente fiquei com outra pessoa que não você, ele era bonito, galanteador e educado, mas não era você, seus lábios não me faziam sentir sequer um quinto do que os seus embriagados me fizeram. Então eu o dispensei, logo depois vi você se agarrando com outro rapaz, fui para casa e passei o resto da noite chorando, finalmente comecei a me dar conta que nunca passaria de um amigo para você.

Fui me acostumando a ideia de estar com outros rapazes, aos poucos aprendi a separar amor de prazer e parei de compará-los a você, nenhum teria sequer uma chance. Você também se relacionava com outros, garotas e garotos sem rosto que me causavam dor ao ter que ouvir sobre eles, me assustava com a ideia de que você se apaixonasse. Então aconteceu, você conheceu uma linda garota e se apaixonou, como um bom amigo eu escutei, mesmo aquilo me matando por dentro.

Estava tão ocupado sofrendo por você que me descuidei e fui descoberto, cada soco, tapa e chute que levei de meus pais me tiraram mais um pouco de minha vontade de viver, já não tinha mais nada. Mas você cuidou de mim, atendeu quando te liguei aos prantos após ter sido jogado para fora de casa, minhas roupas e objetos arremessados por toda a rua enquanto me xingavam e deixavam claro que eu iria para o inferno.

Você chegou em poucos minutos, me colocou dentro do carro de seus pais enquanto pegava todas as minhas coisas espalhadas pelo chão. Não dirigiu sequer uma palavra ao casal que antes chamava de tios e não ligou para as ofensas que dirigiram a você, enquanto isso eu chorava copiosamente no banco do passageiro.

Você me levou para sua casa, me abraçou até que eu parasse de chorar e então passou pomada em todos os arranhões pelo meu corpo, me deu remédios para dor e prometeu que tudo ficaria bem. Naquela noite você se assumiu para seus pais e contou o que tinha acontecido comigo, eu ouvi seu choro desesperado e chorei juntamente, ficarei bem por você.

Me mudei para sua casa, tive total apoio de seus pais e seu pai disse que sempre quis ter mais um filho, agora eu oficialmente o era. Vocês garantiram que nunca mais meus genitores me machucassem e jamais fui tão grato.

Sua namorada a cada dia ficava mais enciumada, você passava mais tempo comigo do que com ela, falava mais de mim do que sobre qualquer outra coisa e sempre tentava me levar em seus encontros. Foi demais, ela lhe pediu para escolher entre nós dois, “ele é seu amigo, eu sei, mas essa situação está nos atrapalhando. O mande para outro lugar, você não é instituição de caridade”. Você terminou o namoro, me escolheu em detrimento dela, você não deixaria ninguém se interpor entre nós dois de nenhum jeito possível.

Nós começamos a faculdade, você se dedicou os números e eu aos seres vivos, os dois se dedicaram a encontrar novos relacionamentos. Já não me doía tanto ver você com outras pessoas, sabia que seriam passageiras e me entreguei aos prazeres da carne também. Em alguns meses você começou a namorar outra garota, impossível não gostar dela, mesmo tentando, mas como eu sabia: ela foi passageira.

Então ele apareceu, tão apaixonado por números como você, bonito, simpático e uma boa pessoa. Vocês tinham muitos colegas em comum, cada vez mais você passava mais tempo com ele do que comigo, ele te deu um cachorro, você sempre quis um. Seus pais o adoraram, como poderiam não? Como alguém além de mim poderia não gostar?

Foi impossível para mim não me apaixonar por você, e foi impossível para você não se apaixonar por ele.

O relacionamento de vocês dois foi diferente de qualquer um que você já teve. Você não se cansou de ouvir suas histórias e nem suas reclamações, aprendeu a conviver com seus defeitos e a admirar cada vez mais suas qualidades, comentava sobre como ninguém te tocou como ele, te fez sentir tão bem e sentir tanto prazer. Ele era perfeito.

E eu aguentei, não importa o quanto te quisesse só para mim não poderia estragar sua felicidade, mesmo que ela me estraçalhasse por dentro. Quando você o pediu em casamento minhas últimas esperanças se foram, eu sorri por vocês e fiz um discurso memorável, mais tarde naquela noite sua mãe me disse que sempre pensou que seria eu a me casar com você.

Agora estou aqui na frente do altar relembrando toda nossa história enquanto se casa com outro homem, me pergunto qual é o meu problema por passar tanto tempo apaixonado por alguém que nunca me olharia do mesmo jeito, por que eu não consigo simplesmente seguir em frente?

Não importa quantas lágrimas eu derrame, nem quantos sorrisos falsos terei que dar, não importa o sofrimento que ver você com ele me cause, estarei a seu lado cuidando de você, pois eu te amo. E amar e deixar livre, é aceitar o melhor para a pessoa mesmo que esse melhor não seja você.

Lágrimas caem por todo meu rosto, fico feliz que seja aceitável chorar em casamentos.



Notas finais
Espero que tenha gostado da história! Confesso que foi um desafio me encontrar nos temas, não tenho muito costume de escrever histórias angst, dark ou até mesmo aventura, apesar de gostar. Eu pensei em vários enredos, comecei alguns, mas acabava me desanimando e não conseguindo chegar ao que queria, até que essa ideia surgiu e fluiu muito bem. Ela ficou pequenininha e peço desculpas por isso, aliás, desculpa qualquer coisa! Como eu disse foi um desafio, agradeço por isso, foi bom sair da minha zona de conforto e acabei me divertindo! Adorei ter te tirado, foi uma boa experiência.| Beijos e até uma próxima!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!