Amor internacional

24 É só o amor


Notas iniciais
GENTE VOCÊS SÃO DEMAIS! Eu recebi mais uma recomendação da linda da Liza, obrigada mesmo, você é maravilhosa :D E adivinha quanto eu tirei em física? Nove! Isso, nove, tô feliz demais. Logo vou sair desse castigo. Meus pais deixaram eu postar hoje ;D AVISO: Gente, é difícil fazer P.O.V's de personagens que não são meus, então gostaria de saber se vocês (principalmente Lori e Lunna, as inventoras das personagens Lorenza e Meg, respectivamente) estão gostando dos Pontos de Vista. Beijos e espero que gostem!

Lori P.O.V.

Eu precisava ir naquela festa imediatamente.

Não que eu fosse festeira nem nada, mas era meu dever impedir que Meg fizesse algo com Peter. Bem, ela não faria nada demais (se é que você entende), mas com certeza iria espalhar pra todo mundo que fez, principalmente pra Celina. E eu não poderia deixar, poxa, a garota parecia tão franzininha que poderia quebrar em pedacinhos se soubesse de algo assim. Embora fosse uma anã braba, ia ficar bem deprimida.

Me levantei da cama quente que ainda clamava por mim e abri o armário. Tinha umas roupas de dança, roupas normais e — wow!- um vestido de festa. Mas, infelizmente, de quando eu era criança.

Revirei os olhos. Fala sério, que pseudo-adolescente era eu? Nem um vestidinho de festa! Isso significava... Oh-oh.

Me dirigi até a sala, onde mamãe e papai assistiam aquele filme hiper meloso do século passado, Love Story, e a chamei.

– Mãe? — Chamei. Minha cópia mais velha, dona Iva, virou o rosto pra me ver.

Mamãe era doidinha de pedra. Ela tinha a mente madura, mas jovem. Ela adorava me dar conselhos -sobre garotos, acredite -, me vestir como uma pop star e tudo mais. Todo mundo amava ela. Mamãe, definitivamente, era demais. Só que as vezes ela era demais demais, entende? E eu sabia que ela ia adorar a ideia de que eu pedisse um vestido pra ela.

– Sim, mia bella?

– Roupa, festa, agora. — Disse, esperando o chilique. E, como eu disse, ele veio.

– Per la Madonna, uma festa! Sempre esperei o momento que você iria pedir conselhos de moda pra mim. Nostra figlia è ora una donna*, Otto! — Exultou ela, olhando pro meu pai.

– Festas? Com meninos e tudo? Bebidas? Lorenza, eu não quero ser avô ainda, não se meta em enrascadas. — Papai me olhou, sério.

– Também acho. — Assentiu minha mãe, soturna. — Embora eu sempre tenha querido um neto chamado Mario.

– Mario, Iva? Não, Enzo. — Contestou.

– Epa, Mario sim. Mario é bonito, mas Enzo... É, Enzo também. E ele teria que estudar em uma creche italiana. — Opinou.

– Verdade. Imagina que lindo, nosso neto com uma roupinha de escola! Ele vai ter que dormir às seis, já que a creche italiana mais próxima é longe e ele precisa acordar cedo.

– Verdade. E ele teria que comer vegetais no almoço. Precisamos de uma escola que tenha vegetais no almoço, Otto. Não me olhe assim, vegetais são bons.

Meus pais estavam doidos, com certeza.

Quando os dois começaram a planejar a cor da colcha de cama do filho que eu ainda nem tinha pensado em ter, puxei mamãe pro quarto. Ela me mostrou vários vestidos, inclusive um de tantas lantejoulas que poderia até iluminar a face escura da lua. Atá que...

– Per la Madonna! Perfetto, magnifico! — Tirei um vestido azul de dentro de lá.

– Praga, Lori. Esse é o mais sem graça que tenho. — Reclamou mamãe.

– Ou seja, o único que não daria pra vestir uma drag queen, né mãe.

– Lorenza, me respeite!

Peguei o vestido e fui me trocar. Ele tinha um leve decote, era relativamente curto, mas elegante, e perfeito pra mim. Me vesti, arrumei o cabelo e depois de garantir pro meu pai que só engravidaria depois de casada, ele me levou pra festa.

Já deviam ser umas onze e meia, quando finalmente cheguei. O pessoal já estava dormindo no quintal, com copos de bebidas no gramado e uma música tão alta que acordaria até minha avó com problemas de audição. Parecia o clipe de Last Friday Night.

Quando entrei, alguns meninos assobiaram e jogaram algumas cantadas de pedreiro, que ignorei solenemente.

– Lori? — Chamou alguém. Me virei e dei de cara com Carlos.

Acho que meu coração deve ter acelerado à ponto de bater na velocidade de mil batimentos por minuto. Ok, se fosse isso eu teria morrido, mas você entendeu.

– Carlos, oi! Você viu a Meg? — Perguntei, nervosa. Ele estava vestindo uma camisa social roxa e uma calça jeans. Seus cabelos estavam bagunçados, e ele exibia seu melhor sorriso.

– Você está perfeita. — Corei como um tomate, com certeza. — E sim, ela está em algum lugar por Peter.

A cor que meu rosto havia adquirido se esvaiu em um segundo. Peter e Megan... Niente, niente buono.**

– Carlos, você precisa urgentemente me ajudar na tarefa de procurar esses dois. — Pedi, exasperada.

– Mas... — Olhei suplicante pra ele, e o garoto se calou e assentiu.

O puxei pela mão quente e macia por entre as pessoas dançantes. Passamos mais ou menos vinte minutos procurando pela casa inteira, mas nem sinal dos dois. Estava ficando nervosa quando finalmente me passou pela cabeça o lugar perfeito: o quarto de Meg.

– Ali. — Apontei na direção. Carlos me seguiu.

Nem bati na porta. Quando entrei, Peter estava sem sapatos dormindo como um bebê na cama de Megan, enquanto ela lia uma revista de fofocas qualquer no sofá macio do quarto. Seu vestido vermelho estava em ótimas condições assim como seus cabelos, o que significava que ela ainda não estava totalmente maluca.

– Que m... — Começou Carlos, mas eu pedi para ele se calar e Meg levantou a cabeça, com uma amável carinha inocente.

– Carlos, oi! Lori, minha linda, como vai? Que bom que você decidiu vir! — Ela se levantou, sorrindo e vindo até nós. Me deu dois beijos, um e cada bochecha, assim como em Carlos.

– Você está doida. — Eu disse, negando. — Doidinha. O que faz com Peter aqui?

– Você sabe... Ele estava tão bêbado... — Fez carinha de triste para depois dar uma risada e piscar pra mim.

Sinceramente, eu não sei muito bem como aconteceu, ou exatamente porque eu fiz isso. Mas só lembro de estar gritando em italiano com Meg, em cima dela e a estapeando, enquanto Carlos tentava me tirar de lá.

– Vattene, stupido, mi permetta***! — Eu gritava.

– Celina — Balbuciou Peter, dormindo como se tivesse tomado tranquilizantes de cavalo, totalmente alheio à confusão.

Carlos conseguiu me tirar de cima de Meg, que se levantou ajeitando o vestido, e me olhou furiosa com o rosto vermelho de tapas. Nós ficamos nos encarando, em silêncio.

– Você acha que ele vai chegar a ser seu? — Perguntei, em voz baixa. — Não importa, Meg. Ele não te ama. E me deixa tão furiosa saber que você sabe disso e ainda quer ele, só pra atingir alguém que você não gosta e que é uma pessoa maravilhosa.

– Eu amo ele. — Ela disse, com lágrimas nos olhos, depois de um tempo.

– Não. Você não ama ninguém.

Por um segundo, achei que ela iria me dar um soco. Mas só me encarou duramente, e não era raiva que eu via em seus olhos, e sim dor. A máscara havia caído.

– E você acha que alguém me ama, Lori? — Perguntou ela, já chorando. — Se meus pais me amassem eu não estaria dando essa festa agora, com adolescentes que nem se importam comigo bebendo e comendo com o meu dinheiro. Se meus irmãos me amassem eles estariam aqui, me dando atenção. Mas é sempre "depois, Megan, depois, Megan"! Minha família não está nem aí, meus pais muito menos. Eles só me dão coisas e mais coisas pra me deixar calada. Eles não se importam. Ninguém se importa!

Nessa altura, Meg já gritava em altas vozes. A festa parecia agora algo distante. Eu estava tão atônita que nem consegui falar nada. Eu sempre achei que Meg simplesmente não sentia, mesmo com nossa amizade de meses, e então eu percebi que ela nunca tinha me mostrado nem metade do que ela realmente era.

– Megan, eu...

– Você se sente tão superior, não é? Acha que eu não entendo nada? Pois eu entendo. E quando eu finalmente acho alguém que me dê atenção e seja como Peter é comigo, eu quero isso. Porque é isso que eu quero, caramba, eu quero ser amada!

Meg se sentou no sofá, em prantos. Troquei olhares significativos com Carlos antes de ir até Meg, sentar ao seu lado e a abraçá-la.

Ela era má, ela era esperta e era terrivelmente geniosa, mas a culpa não era dela. E eu não seria mais uma a abandona-la, e sim conseguir fazer com que mudasse.

Notas finais
Não foi bem o que vocês esperavam, não? Mas e então, gostaram? Deem suas opiniões! Beijoos. * Nossa filha já é uma mulher! ** Nada, nada bom. ***Me deixa, estúpido, me solta!