Amor infernal
4 Capítulo 4
Notas iniciais
Os dois caminhavam até a praça mais próxima dali, Natsu havia dito "Vamos ali à praça que eu te conto tudo" e ali estavam eles. O local estava apenas com alguns casais e crianças no parquinho. Logo Natsu e Lucy sentaram-se em um banco qualquer
–Então... — Lucy disse esperando que Natsu começasse a história.
–Lucy no dia em que eu te conheci... — ele contou toda a história, nos mínimos detalhes. Há oito dias o pai de Natsu havia desaparecido e ele não pode fazer nada. Há cinco dias ele não recebera mais nenhuma carta. E a única salvação que ele conseguia ver era rezar e pedir a Deus que o ajudasse e que todo aquele sofrimento acabasse logo.
–Natsu você tem que contar a polícia! – Lucy disse
–Não! Vão matar meu pai se eu fizer isso... – a loira ficou sem palavras. Ela sabia exatamente o sofrimento que Natsu passaria se seu pai morresse. Essa era a ultima coisa que ela gostaria de ver.
–Conte sempre comigo... – Lucy disse abraçando o rosado. Este ficou surpreso com a ação dele – Obrigado – ele disse afundando o rosto no colo da loira.
Passaram-se alguns minutos e uma criança que estava no parquinho saiu correndo em direção aos dois adolescentes que haviam se separado do longo abraço e agora apenas olhavam-se. Natsu estava começando a sentir algo por Lucy que só havia sentido por Lisanna quando era criança e Lucy sentia-se da mesma forma que ele. Os corações dos dois disparavam quando estavam juntos, e eles se sentiam alegres juntos. Um ajudava o outro, um se preocupava com o outro. “Será isso amor?”- Lucy perguntava-se. Natsu segurou a mão de Lucy e disse:
–Lucy eu – foi interrompido quando um garotinho loiro, de olhos de um azul intenso, pele clara como mármore cutucou Natsu e disse:
–Moço,Moço.- Os dois adolescentes se entreolharam com uma interrogação na cara.
–Oi – Natsu disse olhando diretamente para o garoto.
– Um senhor pediu para te entregar esse papel – o loirinho disse entregando um envelope para Lucy. Agora os dois adolescentes arregalaram os olhos surpresos.
– Quem te deu isso? – Lucy perguntou séria.
–Um senhor. Ele tava ali no parquinho agora mesmo. Ele me deu um pirulito e disse que em troca eu entregaria essa carta para vocês. — Natsu serrou os punhos e saiu correndo em direção ao local. Lucy tentou acompanhar o passo do rosado, mas ele era muito rápido – Calma Natsu! – ela gritou.
–Onde ele está? – Natsu gritava enquanto corria pelo parquinho. Ele simplesmente não fazia idéia de como o homem poderia ser. O seqüestrador poderia estar em sua frente e ele não saberia.
–Natsu nós não o encontraremos assim... – Lucy disse baixinho e colocou uma de suas mãos levemente no ombro do garoto. – Calma...
– Não! – ele gritou afastando-se de Lucy – Eu quero meu pai de volta! Você não me entende,Lucy!- ele disse sem pensar. A forma de como as palavras foram ditas deixaram Lucy com um pouco de medo. Ela ficou com os olhos arregalados, mas logo disse:
–Sabe Natsu – ela começou – Acho que eu sei bem o que você esta sentindo... –foi então que o rosado lembrou-se da morte de Layla.
–Me desc- ele foi interrompido
– Não se desculpe você não disse por mal. – ela disse com uma voz doce e gentil. — Vamos embora para minha casa... Ainda temos isso aqui – ela disse levantando certa carta que estava segurando em uma de suas mãos – “Ainda tem isso” – Natsu pensou um pouco esperançoso, o que ele não sabia era que o conteúdo que havia dentro da carta mudaria sua vida para sempre.
–Vamos... – ele disse.
Então os dois seguiram para casa de Lucy. Já eram 14 horas. O sol estava ardendo de tão quente. Os dois estavam cansados e suados da caminhada.
–Hoje você vai entrar pela frente – Lucy disse sorrindo
–Mas seu pai ... – ele disse preocupado
– Não se preocupe. Com ele eu me acerto mais tarde – ditas palavras os dois caminharam até o quarto de Lucy. Ficaram sentados na cama da garota olhando o envelope que estava em cima da cama- Então,leia- ela disse séria. Natsu pegou o envelope rasgou-o logo pegou um papel amarelo que estava dentro deste. Começou a ler silenciosamente:
“Deu com a língua entre os dentes moleque. Nós avisamos que se contasse para alguém sobre seu pai ele morreria. Acho que não sabe ler, não é mesmo? Mas não vamos matá-lo. Queremos algo muito melhor vindo de você... Essa garota loira na qual você contou sobre nós. Eu a quero... me de ela e devolveremos seu pai. Isso é um acordo. Amanha na mesma praça que você estava hoje, no mesmo local, as 23horas. Sem atraso. Me entregue à garota e terá seu pai vivinho novamente. Mas não pense em acionar a polícia se não, o acordo será desfeito... eu pegarei a garota de todo jeito e seu pai estará morto.”
–Não! – Natsu disse baixinho amassando o papel que estava segurando. – Nunca farei isso.
–Natsu, o que estava escrito ai? – Lucy perguntou assustada para o rosado que estava muito mais sério do que normalmente.
–Eles... — Natsu não deveria contar-la, mas ele precisava – Eles querem você em troca do meu pai. — Lucy congelou. Ela não sabia se havia escutado direito, eles realmente queriam fazer uma troca de Igneel por ela? Pelo que tudo indicava sim. A loira ficou um tempo em silencio. Natsu estava cabisbaixo, seu pai estaria morto amanha as 23horas. Foi então que Lucy falou:
–Eu aceito. — Natsu arregalou os olhos, ficou alguns segundo sem ar. “O que ela esta falando?” – ele se perguntou – “Eu nunca deixaria isso...”
–Eu aceito a troca. Vou no lugar de seu pai... – ela disse séria.
–Não, você não vai acabar com sua vida por minha causa. Eu não vou deixar. Esse é um problema meu. Você não pode simplesmente ir lá e trocar de lugar com meu pai...
–Na verdade Natsu eu já estou nisso desde o momento em que você se tornou meu amigo. Desde o momento em que começamos a conversar... Você se tornou a pessoa mais importante para mim, e sempre esta me ajudando... Não vou perder essa chance de te ajudar.
–Mas você esta me ajudando todos os dias, não posso deixar que você faça isso..
– Não só pode como vai. A escolha é minha e eu aceito a troca.
–Lucy, eu não posso te perder... – ele disse abraçando a garota.
–Você não vai Natsu... Eu sei que no fim tudo vai dar certo... Eu tenho fé. – ela disse baixinho enquanto uma lagrima escorria em sua face.
–Porque fazer isso tudo por mim?- ela não sabia se deveria. Ela não sabia se era o momento certo, mas ela precisava contar para ele o que sentia. Mas não conseguia “Quando tudo acabar eu vou te contar”
–Estou fazendo isso porque eu quero... Nada mais nada menos. Eu não vou perder nada Natsu. Já você pode perder a vida de seu pai.
–Você não tem nada a perder? Você tem uma vida inteira a perder...
– Não importa, minha escolha já foi feita. Amanha as 23horas vou estar na praça.
–Lucy eu... eu não posso deixar...
–Você não tem o que deixar, a escolha é minha..- ao dizer isso Natsu abraçou Lucy mais fortemente. Os dois ficaram ali por um longo tempo. Ela a amava muito, mas não poderia a contar naquele momento. “Obrigado” – foi a ultima coisa que pensou. Lucy acabou adormecendo em seus braços, e ele sabia que era o melhor. Afinal ela passaria por péssimos momentos no próximo dia. – Durma com os anjos Lucy..- Natsu disse deitando a garota na cama e dando-lhe um doce beijo em sua testa. Logo ele saiu do quarto dela pela janela e foi embora.
Lucy estava dormindo serenamente, seus sonhos costumavam sempre serem os mais lindos que uma pessoa poderia ter,mas aquele dia ela havia sonhado com algo completamente diferente...
~ Sonho ~
A loira estava em um lugar completamente branco. Ela estava andando sem rumo. A sua frente era o infinito. Ela pisava no chão duro, mas parecia estar flutuando. – Onde estou? – ela disse para si mesma. Foi então que viu de longe uma garotinha de cabelos negros como a noite e olhos vermelho sangue.
Sua pele clara e provavelmente esta possuía apenas 10 anos. A garota estava em um carrossel girando sozinha cantando e rindo “Carrossel, em um mundo onde os sonhos giram. Eu persigo a lembrança de seu rosto em meus sonhos, seguindo para um amanhecer...” – a garotinha parou de cantar quando viu Lucy.
–Quer brincar, Lucy? – ela perguntou inocentemente para a loira que ficou perguntando-se como a menina sabia seu nome. – Quer??-ela perguntou novamente.
–Não obrigado!-Lucy respondeu com um largo sorriso.
– Que pena, eu queria te mostrar algumas coisas onde apenas nesse carrossel você veria..
–Coisas? Que tipo de coisas?
–Sonhos que um dia talvez serão realizados, lembranças esquecidas. Um futuro que já foi escolhido, um presente que não poderá ser evitado. Pesadelos que serão vividos... — a menina disse séria- Então, quer brincar?- agora disse alegre como toda criança faria.
–Como você me mostraria isso?
– Suba e veja... — Lucy subiu por impulso e novamente o brinquedo girava. A criança havia voltado a cantar e rir.
–Não estou vendo nada... – Lucy disse séria.
–É porque você não quer ver... Cante comigo e quem sabe você verá... – então Lucy cantou junto com a menina e esta disse baixinho – Que venham as lembranças esquecidas — e a loira viu alguns flashes de quando era criança. {1} Ela estava no jardim da mansão com sua mãe e com uma menina de cabelos negros como a noite e olhos vermelhos como sangue. As duas meninas corriam de um lado para o outro rindo como duas crianças normais. {2} Quatro anos depois. Lucy tinha 10 anos juntamente com sua meia irmã, Alice. Sangue. Havia muito sangue no chão da mansão. {3} Lucy e Layla estavam chorando. Alice estava morta e elas não puderam fazer nada para evitar que aquele homem não a matasse. Lucy abriu os olhos e viu a menina rindo e cantando novamente então disse:
– Alice? Porque eu não me lembrava de você?
–Porque sua mãe havia pedido para ela.
–Ela quem?
– Sophia Morgan, uma anja,minha mãe biológica. A mesma mulher que falou com você estes dias e que perguntou sobre sua escolha de futuros.
–Como sua mãe poderia ser uma anja sendo que você morava comigo? E como minha mãe conhecia uma anja?
– Aparentemente alguém me derrubou dos céus. Sua família foi escolhida a ser protegida pelos anjos. Então, minha mãe pediu a sua que cuidasse de mim, e que ela cuidaria de você para toda eternidade. Layla aceitou o acordo. Então eu me tornei sua meia irmã, mas o destino nos pregou uma peça e eu acabei por ser assassinada. Por ser filha de uma anja eu desapareci como pó, mas eu não desapareci e fui para o ‘céu’, como vocês dizem, na verdade minha mãe transportou minha alma para dentro de você. Eu estive junto com você Lucy desde a minha morte. Nunca a abandonei. Só precisava ser despertada e isso aconteceu hoje com sua escolha...
– Então, você esta dentro de minha mente? – Lucy perguntou com os olhos arregalados. Tudo aquilo era muito estranho. Tudo aquilo era algo impossível de se acreditar.
–Basicamente... – a menina voltou a rir – Então, quer saber sobre mais coisas?- Perguntou alegremente.
–Eu estou sonhando néh?- Lucy perguntou
–Sim. Mas o fato de ser um sonho não quer dizer que não seja real.
–Como assim?
–Você só poderá me ver em sonhos. Mas tudo que esta sendo dito aqui é a mais pura realidade.
– Então realmente existem anjos, demônios e um Deus?
– Anjos e Demonios vivem mais perto de você do que você posso imaginar. Eu mesma fui assassinada por um demônio.
–Que demônio?
– Você saberá mais para frente...- a garotinha disse enquanto afastava-se de Lucy.
–Onde você esta indo?- Lucy gritou
–Em lugar nenhum, é você quem esta acordando. Lucy estarei aqui sempre. Se precisar de algo fale comigo mentalmente.Futuramente você saberá de muitas outras coisas... Até mais... – Lucy estava distante da garotinha que estava novamente girando no carrossel, cantando e rindo. –Até mais minha irmã! – Lucy disse.
~ Fim do sonho
Lucy abriu os olhos lentamente. Tudo o que ela havia sonhado estava agora passando em sua mente. “Alice..” – Lucy pensou. Logo sentiu uma lagrima escorrendo em sua face. Aquela garotinha era sua irmã, como Lucy podia ter esquecido de sua irmã?? Agora as lembranças vieram comtudo em sua mente. Sentiu uma forte dor “Mas o que diabos?” – a loira pensou colocando a mão na cabeça que doia.Eram tantas perguntas, Porque Layla havia pedido para que Sophia a fizesse esquecer-se da irmã? Porque um demônio matou Alice? As perguntas ficaram rodando na mente de Lucy .
A loira sentiu-se tonta. Então foi olhar o relógio que marcavam 23 horas. “Amanha nesse horário acho que não estarei mais aqui...”- Lucy pensou. Foi então que a porta de seu quarto abriu abruptamente.
– Senhoria Lucy! – Romeo era um serviçal da mansão, este havia entrado sem consentimento no quarto da loira. Ele estava coma respiração acelerada, seus olhos estavam opacos e ele tremia.
–O que aconteceu? – ela perguntou ainda deitada.
– A minha mãe...-ele disse tentando engolir o choro
–O que aconteceu com Marie? – Lucy perguntou nervosa sentando-se em sua cama.
–M-Mataram minha mãe !- o garoto disse enquanto algumas lagrimas caiam de seus olhos. Lucy estremeceu. “O que esta acontecendo aqui? Porque mataram minha mãe e agora Marie? Não faz sentido..”- Venha aqui Romeo.- O garoto de 8 anos caminhou cabisbaixo até Lucy. Chegando próximo a ela a garota o abraçou fortemente e disse:
–Não segure as lagrimas. Estou aqui, pode chorar. Eu sei exatamente o que você esta sentindo- o menino não disse nada. Ele apenas aceitou o abraço e chorou. Ficaram ali abraçados. Romeo era como um irmão mais novo para Lucy. Os dois sempre conversavam, brincavam e riam juntos. Aquele momento Lucy jamais o deixaria sozinho.
– Oe Lucy? –ele disse limpando as lagrimas. – Deixaram essa carta em cima do corpo de minha mãe. O destinatário é para você. -ele entregou o envelope para a loira
–O-Obrigado Romeo. Vou lê-la... Depois te conto o que é. Agora vá limpar as lagrimas no toalete e pegue suas coisas para dormir aqui comigo!
–Ma- ele foi interrompido por Lucy
–Nem mais nem menos, isso é uma ordem. Agora vá pegar suas coisas...
– Sim senhora – Romeo disse com um sorriso suave na face enquanto saia do quarto. Lucy ficou olhando aquele envelope por alguns segundos. “O que esta acontecendo aqui?”- ela pensava então abriu o papel e começou a leitura...
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