Amor imperfeito
1 Parte 1, 2, 3
Parte 1
Um dia Fernando se encontrava no escritório junto com seu tutor, falando sobre uma moça que ele vira algumas horas antes no baile. Alice era o nome dessa moça. Ela era uma muito linda. Os homens nunca deixavam de olhar quando ela passava, porém Alice era uma moça pobre, muito pobre. Ela trabalhava fazendo bico como garçonete nos bailes de classe alta da cidade. Esses bailes sempre contavam com a presença de um jovem empresário, muito bonito, considerado rei dos bailes, Fernando Santos era o nome desse jovem. Em um baile especial de aniversário de um dos guerreiros na guerra, Fernando se encontrava no centro do baile, Alice como garçonete passava de vez em quando por perto da mesa do Fernando, pois era a mesa das pessoas mais importantes da cidade, ele a olhava para a ela com um olhar que já mostrava que estava interessado.
Fernando em seu escritório teve uma conversa com seu tutor para que ele falasse algum conselho. Seu tutor se chamava Lemos, era um homem de meia idade, com personalidade muito rígida, e ao saber que a moça que Fernando estava interessado era pobre disse:
— Fernando, sabe que essa moça é pobre certo?
— Sim, eu sei por isso vim aqui conversar com você – Respondeu Fernando.
— Fernando, vá para casa, pense um pouco sobre o assunto.
— Por quê? Você está falando isso só por que ela é pobre?
Lemos voltou a repetir – Vá para casa, amanhã nós conversamos sobre isso.
Quem observasse Fernando naquele momento, não deixaria de notar a nova fisionomia que tomara o seu belo semblante e que influía em toda a sua pessoa. Era uma expressão fria, pousada com que parecia ele uma estatua. Fernando em outro dia foi falar com o seu tutor, querendo novamente discutir seu namoro com a Alice.
— Olá Lemos, vim aqui para voltarmos a discutir o nosso papo de ontem.
— Hum, já não gostei desta conversa logo pelo seu tom de voz Fernando, espero que você tenha pensado bem no assunto.
— Eu pensei, não gosto do jeito em que você às vezes fala comigo, Lemos.
— Lemos não! Seu tutor
— Pois bem, Lemos! A partir de agora você não vai ser mais meu tutor – Disse Fernando com um olhar agressivo e com certeza em cada palavra que falava
— Fernando, você tem apenas dezoito anos... – Fernando o interferiu dizendo
— Dezoito não, dezenove.
— Que seja! Sabe que não está pronto para seguir sem mim, sem meus conselhos e minha ajuda você irá fazer besteira.
— Posso seguir muito bem, você apenas me da conselhos e fala coisas que eu já sei, ou que não preciso
— Você sabe como é o mundo lá fora Fernando? Conte-me...
— Irineu, você não sabe nem eu. – Resmungou Fernando.
— Oque? – Perguntou Lemos
— Eu sei muito bem como é o mundo lá fora. Agora se você não se importa eu vou sair por aquela porta – Fernando apontou o dedo para a porta
— E eu quero que você não cuide mais da minha vida.
— Tudo bem, mais você vai se arrepender de falar assim comigo, e me afrontar desse jeito.
— Que bom, não ligo – Fernando respondeu Lemos.
Fernando chegando em casa logo depois dessa discussão, deitou no sofá e caiu no sono.
Fernando tinha duas irmãs, uma era a Ricota e a outra era Variquinha. Fernando acordando se deparou com a sua irmã Variquinha, trazendo uma xicara de café e um pedaço de pão. Ela o deu um bom dia e Fernando deu outro. Sua irmã Ricota passou pela porta olhando com uma cara fechada para os dois.
— Variquinha me faça um favor? Busca a ricota aqui?
— Tudo bem meu irmão
Variquinha foi até a cozinha e trouxe para o Fernando um tipo de queijo em que a consistência é cremosa. Fernando olhando aquilo disse:
— Não essa Ricota, a outra.
Variquinha ouvindo isso se desculpou com seu irmão e se virou para chamar a sua irmã, vendo ela se virar com a ricota na mão ele disse:
— Já que você está com essa ricota na mão, me dê para que eu possa passar no pão.
Então ela foi chamar a irmã. Quando Fernando viu suar irmã ricota ele disse:
— Oque faz você ficar chateada irmã?
— Nada! Apenas... – Interrompeu um barulho.
Fernando saindo para olhar viu que era apenas um galho de árvore que tinha caído, e viu que o galho tinha caído em sua pequena plantação de alface então foi ver se tinha quebrado alguma muda, visto depois a plantação percebeu que a maioria de suas alfaces morrera e algumas telhas tinham se quebrado, ele ficou bravo e logo pegou sua jaqueta e saiu na rua pensando na única coisa que te fazia se acalmar, essa coisa era a Alice.
Parte 2
Alice era filha de um antigo catador de lixo chamado Gilberto, era um rapaz bem conhecido na cidade onde trabalhava, era um rapaz brincalhão respeitado por todos os que o via. Ele era alto, forte e com olhos castanhos claro, desejado também por muitas mulheres, porém se interessou apenas por uma e essa mulher era a Isabela a mãe de Alice.
Gilberto trabalhando pela cidade viu uma linda moça, alta e com um corpo que era raro de se encontrar naquele tempo, saindo de uma grande cafeteria localizada a esquina de uma rua pouca movimentada em uma pequena cidade do Afeganistão, Gilberto olhou para moça e ficou a admirando por uns longos 40 segundos até ela virar o rosto e também olhar para ele, Gilberto desviando a visão começou a seguir com o seu trabalho, mal sabia ele que Isabela ficava admirando também enquanto ficava cansado limpando a beirada do outro lado da rua em que ela estava, ele pensava que ela era uma moça rica, com vários bens por sair de uma cafeteria de alto nível em uma pequena cidade, mais ele não sabia que era ali que ela trabalhava.
A partir daquele dia Gilberto passou a trabalhar naquela rua todos os dias no mesmo horário apenas para ver aquela moça saindo dali, e em alguns dias ele a seguia na rua só para garantir que ela chegaria bem até seu destino, que era um apartamento que ia de vez em quando, ela fazia bico de faxineira no período da tarde na casa de uma família rica. Isabela percebendo isso foi devagarinho tendo interesse em Gilberto, por ser um homem forte, humilde e sempre andar com um sorriso no rosto, ela gostava do jeito que ele olhava para ela.
Num dia qualquer Gilberto decidiu chegar naquela rua um pouco mais cedo e entrar naquela cafeteria apenas para falar com Isabela, quando entrou teve a surpresa vendo Isabela de touca na cabeça, com um avental e atendendo um rapaz pegando pães e colocando na sacola, mais sabia que uma hora ou outra Gilberto iria ver ela assim, ela achava que iria perder o interesse, mais muito pelo contrario, Gilberto chegou na bancada e pediu um café, mais o café era só uma forma de chamar Isabela para perto dele, eles ficaram conversando por alguns minutos até o Gilberto agradecer pelo café pagar uma moeda de 50 Afeganes (Moeda do Afeganistão), então ela pegou o dinheiro olhou com um olhar sedutor para ele e colocou a moeda em uma caixinha que tinha embaixo do balcão. Isso virou uma rotina para o Gilberto sempre antes de ir para trabalhar. Em pouco em pouco Isabela foi tento mais e mais interesse nele. Um dia Gilberto decidiu a acompanhar até sua casa, era uma casa muito humilde mais isso não influenciou nada ao que ele sentia por ela, então Gilberto já na porta da casa dela concedeu uma boa noite e a beijou, ele nunca tinha ficado tão feliz. No outro dia voltou a leva-la para a casa e em seguida ela o convidou para entrar.
Em umas duas semanas depois ela percebeu algumas diferenças em seu corpo, Alice estava chegando. Então foi correndo contar para o Gilberto, sabendo disso ficou feliz e preocupado ao mesmo tempo, feliz porque iria ter uma filha, e preocupado por não saber como sustenta-la. Isabela precisava de cuidados extras então eles decidiram a morarem juntos. Passado nove meses seguidos de vômitos, desejos, Alterações de humores, e com isso foi gerando medo em Gilberto. Mais finalmente logo depois de nove longos meses Alice nasceu. Dias depois de nascer seus pais tiveram um grave acidente, eles estavam felizes conversando na beira de uma pedra, não muito resistente em cima de um rio, uns cinco minutos depois de eles sentarem na pedra, ouviram um barulho, mais era tarde de mais, a pedra escorregou e eles caíram de um precipício de uns quinze metros de altura bem em cima do rio onde possuía algumas pedras escorregadias e outras pontiagudas. Dês de então Alice sempre viveu com sua tia, Firmina.
Parte 3
Fernando estava começando a realmente gostar de Alice sem ao menos ter conversado com ela profundamente, ele queria alguma coisa com ela, mais não sabia se ela queria o mesmo. Então Fernando sendo rico procurou o chefe de Alice para saber qual será o próximo baile que estaria trabalhando, Fernando estava se aproximando e o chefe se espantou.
— Oque eu posso fazer para o grande Fernando? O rei dos bailes.
Fernando abriu um sorriso na cara e disse:
— Queria saber daquela moça que trabalha como garçonete para você
— Ah, a Alice? Oque deseja dela?
— Ela é muito educada, muito bonita, eu a vi em um grande baile que teve a algumas semanas atrás, e queria ver ela novamente
— Pois bem, ela irá trabalhar amanhã, porém não sei se o Baile irá ser do seu agrado.
— Se ela estiver lá qualquer baile é do meu agrado – Disse Fernando
— Se o senhor diz, irá ser em um baile num asilo.
— Pensando melhor onde eu posso encontrar ela sem ser em bailes?
— Ela mora em um lugar no Subúrbio, perto da antiga base abandonada.
— Beleza, Obrigado!
Fernando sabendo que ela sai do trabalho por volta das 22h00min ficou esperando no único caminho que levava ao subúrbio. Alice chegando se deparou com o Fernando encostado em seu carro, era um Cadillac Deville 1959, todos que passavam olhavam admirando o carro, não deu para ela não perceber que era Fernando ali, Alice ficou tímida na hora porém Fernando olhando para ela a chamou, ela sabia que Fernando a admirava, noticia como essa se espalhava fácil ainda mais em lugares pequenos como a que morava, Alice tímida porém foi até Fernando com um olhar e uma postura firme, com ela se aproximando Fernando começou a ficar nervoso com Alice na sua frente ele disse:
— Oque faz essa hora sozinha por aqui? É muito perigoso
— Já sou acostumada e todos me conhecem por aqui – Disse Alice
— Não posso deixar uma moça linda como você andar por aqui sozinha, entre, eu te dou uma carona até sua casa
No caminho eles foram conversando, e Alice foi contando sobre o trabalho, Fernando achava a conversa chatíssima mais ele gostava dela, então se interessava a cada palavra que dissesse, Alice surpresa com o Fernando disse:
— Você é muito legal, do jeito que tinha te visto naquele baile pensava que você era apenas mais um cara rico que ficava olhando para as mulheres, mais eu estava enganada.
Fernando sem nada oque dizer apenas retribuiu com um obrigado. Quando eles chegaram a Alice já ia saindo do carro apenas dizendo um simples ’tchau!’, então Fernando a tocou e disse:
— Espere, preciso contar uma coisa.
— Oque?
— Dês que eu te vi te achei linda e pensava que a gente poderia ter algo em comum
— Você é um cara maravilhoso Fernando eu achei também que a gente poderia ter algo em comum, sabe oque?
Fernando ansioso pela resposta disse:
— Não, me fale.
— O que a gente tem em comum é a distância!
— Você é um cara descente, porém eu não acho que eu possa ficar com você, do jeito em que você ficou me espionando, perguntando ao meu chef, e procurando em bailes, não acho que você seria o rapaz ideal para mim.
— Mais isso não tem cabimento, essa não pode ser a questão do porque você não me quer.
— Tem razão, seu tutor Lemos me veio procurando a um tempo atrás falando que você queria ficar comigo para ter controle sobre a minha terra que vai ser deixada para mim de herança da minha tia Firmina, para construir sua empresa. Agora tudo oque ele falou da para saber que é verdade. Aonde um empresário bem sucedido como você iria querer vir atrás de mim.
Fernando sem saber oque falar apenas disse:
— Oque ele falou era mentira!
Mais já era tarde demais. Logo depois desse dia Fernando nunca mais encontrou o Lemos. E a Alice não queria mais olhar para a cara dele.
Fale com o autor