Amor espelhado

1 Capitulo Único


— Nee... Rin? – Um menino de cabelos dourados perguntou.

— Hm?

— Você acha que eu sou muito feminino? Kaito-nii disse-

— Kaito-nii é um idiota. – A garota cortou o discurso do irmão. – Você é muito bonito.

— Obrigado, Rin. – O menino sorriu.

Dois pares de olhos cerúleos, idênticos, se encararam com amor e carinho.

—X-

— Morra, Maou! – Um pequeno menino de cabelos dourados, o mesmo da cena anterior, somente um pouco mais velho, gritou ao avançar contra um oponente imaginário, espada de madeira brandida na mão e um grito infantil de guerra nos lábios pequenos e rosados. Ele sorriu vitoriosamente, erguendo a espada de brinquedo no ar e sorrindo para uma menina quase que idêntica a ele, ao seu lado. – Minha princesa está salva.

— Meu herói. – O dito herói quase foi derrubado como um mini tufão de cabelos dourados atirou-se em cima dele. Ele simplesmente riu, apesar disso. – Minha princesa. – Ele repetiu suas palavras, por algum motivo elas soavam... certas.

—X-

Quatro olhos azuis, idênticos, encararam a sala com uma pequena pontada de apreensão, duas mãozinhas segurando-se firmemente. Eles trocaram sorrisos, idênticos e carinhosos, sabendo que se um precisasse o outro estaria lá. – Prazer em conhecê-los. Eu sou Kagamine Len/Rin

—X-

— Eu prometo que sempre vou cuidar de você, Rin. – Disse Len ao abraçar firmemente a irmã. – Eu prometo que sempre vou estar ao seu lado, eu prometo que, se você se machucar, eu vou ser o primeiro a te ajudar, eu prometo que vou sorrir quando você sorrir e te confortar, mesmo que eu também chore, quando você chorar. Eu prometo que vou te abraçar quando você tiver pesadelos e que se alguém for louco o bastante para te magoar, eu prometo que vou ir até o inferno para fazê-lo pagar. Tudo por você, Rin. Vamos estar juntos para sempre, eu prometo.

— Sempre?

— Sempre.

—X-

Len acordou assustado. Ele praguejou baixinho ao sentir seu coração, acelerado, batendo fortemente em seu peito. Um rastro fino de lagrimas escorria por suas bochechas e seus olhos eram insuportavelmente úmidos e pesados. Embora – ele pensou – talvez fosse o resultado de despertar tão abruptamente. O quarto estava escuro, mergulhado em um breu de escuridão pálida, e a única coisa que ele conseguia enxergar era o contorno do guarda roupa no canto e, se ele apertasse seus olhos, uma escrivaninha bastante simples no outro extremo de sua visão. Ele não contou, no entanto, o pequeno corpo – embora ele não fosse muito maior, de qualquer maneira – envolvido contra o seu. Pertencia a uma menina esguia e de aparência sapeca. Seu cabelo, loiro, brilhava levemente em um tom um pouco mais claro que o seu – não que alguém pudesse dizer, além dele – e um pequeno sorriso emoldurou seu rosto. Seus olhos estavam fechados, mas Len sabia que duas esferas de um azul muito bonito espreitavam por ali.

Kagamine Rin, sua irmã, em seu estado adormecido e sereno, era a coisa mais bela que Len já havia visto.

Ele, sendo alguns centímetros mais alto que ela, conseguiu envolver completamente seu corpo, cobrindo-a em um manto de calor confortável. Os dois não eram muitos diferentes, realmente. Como Len dormia com o cabelo solto e Rin não estava usando seu laço branco habitual, a forma como os fios se contorciam em um penteado bagunçado era inegavelmente idêntica. Sob a escuridão, seus traços eram os mesmos, também. Assim como ambos tinham olhos azuis, faiscantes e marotos, que cativavam qualquer um. Ela tinha, é claro, seus seios e atributos femininos que contribuíam para minimizar esse fato, mas eles eram definitivamente gêmeos. Qualquer um podia ver isso.

Se não fosse sua aparência – o que era dolorosamente óbvio – isso se fez certo por seus gestos. Len e Rin nunca tiveram uma relação exatamente normal, como irmãos. Uma fácil desculpa pode ser arranjada citando o fato de que eles eram gêmeos e que, como tal, compartilhavam de uma conexão desde que nasceram. Não era incorreto, na verdade. O loiro amava sua pequena princesinha mais do que tudo, e faria qualquer coisa para protegê-la. Não que Rin não o pudesse, ela era uma garota forte e hiperativa, e sabia muito bem sobre como bater onde doía. Mas ele meio que se sentiu responsável, irmão mais velho e tudo, mesmo que dez segundos não fizessem diferença. Depois de tanto tempo era apenas natural, supôs. Eles sempre foram próximos, muito próximos, e cuidavam uns dos outros como ninguém. Se um chorasse, o outro estaria ali para conforta-lo. Se um se machucasse, o outro estaria ali para ajuda-lo.

A relação que eles possuíam era altamente auto dependente, mas Len não faria nada para mudá-la.

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