Amor entorpecido pelo tempo
1 Capítulo Único
Notas iniciais

Miya Atsumu nunca foi conhecido por tomar boas decisões. Isso era algo que Osamu insistia em lembrá-lo desde quando aprenderam a falar e entender o significado de suas palavras. Os dois eram assim, Osamu era a razão, enquanto Atsumu seguia a emoção. Ao menos no vôlei, isso foi o suficiente para levá-lo ao topo, sendo um dos levantadores mais populares do país.
Osamu não podia reclamar disso, mas Atsumu fazia de tudo para irritar o seu gêmeo, fazendo com que ele dissesse apenas palavras ruins em seus jogos ou saques. Pelo menos, ao final do dia, ele entregava uma caixa de onigiris gratuitos como uma recompensa por um jogo.
Atsumu era assim, bonito, engraçado, divertido, excelente como levantador, e uma companhia desejada. Sempre com um sorriso em seu rosto e uma língua que nunca parava na boca, insistindo em deixar sua boca aberta, falar palavras sem sentido e frases que levavam seu nome aos trends topics do twitter em menos de uma hora.
Todos do MSBY sabiam como ele era e o treinador Foster apenas desistiu de tentar segurar as rédeas com Atsumu, já que suas palavras nunca alcançavam o lado consciente do levantador.
Foi assim durante meses, até eles receberam o aviso de que um novo jogador estaria treinando com eles em poucas semanas. Atsumu foi o primeiro que ficou contente, já que isso significava que ele poderia colocar o jogador novo em forma, correr com o ritmo de jogo, mas o que ele queria saber era se o novo jogador pediria para sair, ou para ficar de reserva, por não aguentar o lado ambicioso dele.
“Tenho certeza que ele está pensando em inúmeras maneiras de como tratar mal o jogador novo.” Bokuto comentou enquanto via o sorriso no rosto de Miya aumentar. “Você é péssimo.”
“Disse o garoto que assustou o próprio reserva e fez ele correr com o rabo entre as pernas.”
“Eu não fiz isso!” Bokuto gemeu fraco ao receber uma toalha em seu rosto vindo de Hinata que ria com a interação dos dois.
“Claro que fez.” Shouyou riu enquanto terminava de se vestir e respondia alguma coisa em seu celular. “Mas eu digo que não fez se me pagar uma bebida.”
“Uma? Não sabia que era tão barato assim, Shouyou-kun.” Atsumu sorriu ao ver o ruivo revirar os olhos e mostrar o dedo do meio para ele. “Mesmo bar de sempre?”
“Acho que sim, Meian e os outros estão lá nos esperando.”
“Apareço em alguns minutos, preciso deixar isso com Osamu.”
“Não se atrase, seu estúpido!”
Atsumu acenou em despedida aos dois restantes no vestiário antes de seguir seu caminho para fora da quadra e ir em direção ao Onigiri Miya. Ele respondeu algumas (inúmeras) mensagens de seu irmão avisando que já estava a caminho e que não era necessário tanta reclamação por uns minutos de atraso.
“Você está uma hora e meia atrasado, eu deveria fazer você engolir todas essas comidas e pagar um por um.”
Atsumu ignorou a última mensagem, decidindo apertar seu passo para o estabelecimento de seu irmão. Queria ir ao bar o mais rápido possível e ficar até um horário que desse certo para não fugir tanto de seu descanso comum, já que sempre que ele e Bokuto saiam, os dois de alguma forma ficavam presos no bar até o amanhecer. Ele diria que a culpa era dele, mas, na verdade, era do ruivo que sempre os provocava até tarde da madrugada.
Não era como se ele achasse ruim, gostava de passar horas com o seu time fora da quadra e dos treinos, porém durante a semana gostaria de poder enfiar a cara de Hinata em um lixo qualquer. Eles podiam ser bem parecidos em relação à animação, mas certos dias não aguentava tamanha energia que Shouyou carregava mesmo após treinos exaustivos ou partidas complicadas.
Assim que abriu as portas do Onigiri Miya, viu Suna e Osamu conversando enquanto outros clientes ficavam em mesas afastadas. Quando os olhos cansados de seu gêmeo pousaram nele, Atsumu sorriu e sentou-se ao lado de Suna, ouvindo o murmúrio baixo do amigo.
“Também senti sua falta, Rin.”
“Cala a boca, Atsumu.”
“Você nunca consegue ser pontual, qual o seu problema?”
“Eu cheguei, não cheguei?” Atsumu murmurou pegando alguns dos onigiris no balcão, colocando as duas caixas fechadas em sua mochila, ignorando o xingamento do seu irmão por isso. “Obrigado pela comida de graça.”
“De graça onde?” Osamu deixou duas pranchetas na sua frente, fazendo Atsumu agonizar fraco com isso. “Preciso que tome conta daqui esse final de semana, estarei indo para casa da mãe e vou viajar com Rin depois.”
“Coloque algum de seus empregados para isso, eu tenho treino.”
“Foda-se seu treino, eu te dou comida de graça.”
“Não faz mais que sua obrigação?”
“Desde quando isso é minha obrigação?”
“Desde quando é o caçula, tem uma loja de comida e deixou de jogar comigo.” Atsumu mostrou a língua ao receber luvas jogadas com excesso em seu rosto. “Isso dói, por que é sempre tão rude comigo?”
“Porque você é horrível.”
“Eu sou o melhor, você que é feio.”
“Eu sou a sua cara!”
“E eu ainda consigo ser o gêmeo mais bonito!”
“Vocês dois adultos não conseguem ter um diálogo decente?” Suna resmungou mexendo em seu celular e ignorando a interação dos dois idiotas.
“Ele não consegue.”
Suna revirou os olhos ao ouvir os dois dizerem ao mesmo tempo. “Mas é sério, Samu, não consigo vir de manhã, tenho treino e chegará um jogador novo.”
“E eu com isso?”
Atsumu continuou reclamando e rebatendo tudo o que Osamu dizia, mesmo quando os clientes pagaram no caixa ou buscaram seus pedidos. Suna continuou alfinetando ambos os lados, com suas provocações baratas, fazendo os dois começarem a brigar com ele.
Para quem assistia de fora, podia ver três crianças que não sabiam quando ceder ou parar de reclamar, mas para eles isso já era comum, mais ainda em noites que Osamu pedia favores a Atsumu, que sempre fazia, mas não sem reclamar por horas por Osamu o fazer de empregado.
Quando os clientes saíram e a placa ao lado de fora do Onigiri indicava que o estabelecimento estava fechado, Osamu começou a servir doses de bebidas para os três beberem antes de irem embora. Rintarou havia começado a falar sobre a proposta de emprego recebida após seu trabalho acadêmico ser procurado por algumas empresas e colocarem em prática. Atsumu estava feliz, mas não deixaria tão barato, assim como ele não deixou quando a proposta do MSBY chegou em sua casa.
Osamu tinha oportunidades em expandir a Onigiri Miya para outras cidades, assim como propostas de abrirem em outros lugares não tão populares, mas com um interesse genuíno em seu negócio. Atsumu estava contente que todos eles começaram a conquistar mais coisas com seus trabalhos e com o que gostavam, mesmo que resultasse em horas de piadas ou xingamentos por terem demorado tanto tempo.
“Quando Atsumu fez aquele saque horrível em seu primeiro jogo aberto, eu tive a certeza que MSBY só o procurou porque ele jogava bem apenas comigo.” Osamu sorriu ao ver Atsumu revirar os olhos, enquanto virava outra dose em sua boca.
“Todos sabemos que eu era o melhor.”
“Só porque era o único levantador do nosso time.” Suna riu antes de continuar. “Convenhamos, você nem deixava seu substituto entrar na quadra. Mesmo se estivesse doente ou com merda na cabeça você jogava, mas jogava que nem um gato perdido.”
“Eu não tenho culpa de ser bom.”
“Você é horrível, até Kageyama é melhor do que você.”
“Não cita esse merdinha, temos que quebrá-lo daqui dois meses, não suportarei perder para aquele modelo de riquinho.” Atsumu riu quando ouviu as notificações alcançarem seu telefone.
Ele deixou os dois conversando sozinhos antes de abrir as mensagens em seu celular. Algumas eram de Hinata e Bokuto perguntando que horas ele chegaria no bar,às quais respondeu dizendo que sairia em breve, pois estava apenas esperando seu irmão fechar o caixa para deixá-lo no local. Depois que respondeu às outras mensagens, como as de sua mãe e seu pai, seguiu para uma mensagem de número desconhecido.
Arqueou a sobrancelha, não reconhecendo o número, mas sabendo que era de Tóquio pelo número de área. Ele não lembrava de ninguém do lugar que poderia ter seu número. Talvez jornalistas ou amigos de seus antigos companheiros do Inarizaki, mas ninguém em específico alcançou sua mente.
“Quem é?”
Ele respondeu e antes que bloqueasse o celular, a resposta alcançou seu celular.
“Quem você acha?” Atsumu riu, vendo de canto os dois olhares nele, curiosos sobre.
“Quem você tanto responde nesse celular?” Suna se esgueirou do seu lado, vendo o número desconhecido na tela e a resposta fraca de Atsumu para aquela resposta. “Quem é esse?”
“Não faço ideia, mas parece que acredita que eu saiba quem é.” Atsumu deu de ombros, mas viu que a resposta estava sendo escrita.
“Provavelmente é um dos homens que ele passa o número, mas não leva para cama no fim da noite.” Osamu comentou enquanto fechava o caixa e guardava outras coisas em sua mochila, para saírem do restaurante.
“Não, não passo meu número para qualquer um, Samu.”
Quando a resposta alcançou, Suna resmungou, o que fez Osamu puxar o celular da mão de Atsumu, ouvindo um ei em resposta e revirando os olhos. “Bloqueie.”
“Não é como se não conversássemos mais, Samu.”
“Eu não irei ouvir o seu choro quando tudo der errado de novo.”
“Não irá.”
Atsumu sorriu fraco e respondeu quando viu o nome em seu visor. “Oh, olá Omi, quanto tempo, não?”
“Me deixe no bar, Bokuto e Hinata estão me esperando lá.”
“Quer pedir mais alguma coisa? Que eu pague seu aluguel, que eu te dê um abraço, que eu te leve para o Brasil?” Osamu resmungou enquanto saia do restaurante, ouvindo Atsumu começar seu monólogo atrás dele.
“Uma viagem boa assim, seria maravilhosa, você adoraria ir também.”
“Foda-se, Atsumu.”
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“Demorou tanto que imaginei que teria ido embora para casa.” Bokuto gritou e Atsumu sorriu, sentando ao seu lado e jogando seu braço para o dele.
“Achou mesmo que eu deixaria meu companheiro de copo sozinho?”
“Não tem só você aqui!” Hinata resmungou abraçando os dois pelos ombros e sorriu antes de Kita deixar os três copos na frente deles. “Pedi a nossa primeira dose da noite.”
“Diga por vocês, o lixo do meu irmão já começou a me embebedar lá mesmo.” Atsumu sorriu vendo os dois fingirem que acreditavam no que ele dizia.
“Eu tenho certeza que foi você quem começou a servir a própria bebida.”
“Não, dessa vez foi ele.”
“Então, saúde!”
Os três brindaram antes de virar a dose de tequila em seus lábios, resmungando após o quente rasgar suas gargantas, rindo em seguida. “Ele só fez isso para me pedir serviço no final de semana.”
“Será que isso não foi porque sempre pega comida de graça lá?” Kita perguntou, fazendo Atsumu sorrir e olhar em sua direção, começando a conversar com ele, enquanto Bokuto e Hinata conversavam com outros de seu time.
“Não é como se ele não me devesse.”
“Ele não deve.”
“Sabe, você poderia ser um pouco mais leve com esse assunto. Ele me deve por ter me largado sozinho no vôlei.”
“Você ainda não superou isso, Atsumu?” Kita sorriu vendo as bochechas dele começarem a tomar uma coloração vermelha. “Pegue leve na bebida, ainda é metade da semana e eu sei que vocês treinam amanhã.”
“Você poderia ser só o barman hoje.” Atsumu fez um beicinho antes de ser puxado por Hinata e suas inúmeras palavras seguidas.
Aran chegou momentos após, conversando com todos e começando a jogar alguns jogos de bebidas enquanto conversavam sobre quem seria o novo integrante do time. Sabiam de alguns nomes já procurados pelo técnico e outros jogadores, mas ninguém havia confirmado nada. Então, era normal que todos ainda tivessem suas dúvidas sobre quem seria, mas se estavam vindo ao seu time, só poderia ser alguém bom.
“Espero que não seja outro levantador, Atsumu se tornaria mais infantil do que já é para não o tirarem do lugar principal.” Aran comentou vendo o loiro o encarar irritado. “Não era isso o que fazia quando jogávamos juntos?”
“Nunca fiz isso.” Atsumu terminou o copo em seu balcão e se levantou indo em direção ao banheiro, ignorando os outros comentando sobre ele ter feito isso.
Quando alcançou o banheiro, lavando seu rosto e jogando um pouco de água gelada em seu pescoço, o que o acordou um pouco da forte embriaguez, sentiu seu celular vibrar novamente com a mensagem de Kiyoomi.
"Precisamos conversar."
Atsumu riu fraco ignorando a mensagem, decidindo responder no outro dia se lembrasse. Mas não naquela noite.
Eles não conversavam há anos. A última vez que se lembrava de terem conversado, havia sido anos atrás, meses após se formarem no ensino médio.
Atsumu havia acompanhado certas notícias dele, tudo em prol da carreira e em saber se Kiyoomi se tornaria o jogador que ele almejava ser. Miya não lembrava ao certo qual time ele tinha escolhido naquele ano para ingressar, mas imaginava que ele tinha opções de sobra.
Todos queriam um rebatedor decente em seu time, ainda mais em uma nova temporada começando. Kiyoomi sempre jogou bem, então teria diversas opções o esperando.
Atsumu não sabia o que Kiyoomi queria conversar com ele, especialmente por eles estarem anos sem trocarem um simples emoji ou uma menção decente.
Talvez algo sobre escolher um time? Não, Motoya o ajudaria, já que são mais próximos e com certeza não quebraram o contato e continuaram aparecendo juntos por aí.
Atsumu ficou contente em receber uma mensagem de Kiyoomi, mais feliz por ver que ele continuava sendo tão direto quanto no ensino médio, no acampamento e nos torneios que jogavam. Ele não havia mudado nada, aparentemente.
Quando saiu do banheiro e alcançou o restante dos seus colegas no bar, se despediu, alegando estar começando a sentir as dores em seu corpo e que iria descansar para chegar cedo no treino. Bokuto e Hinata foram os primeiros a reclamar de sua atitude, mas Kita apaziguou os dois em seguida. O que ele se lembraria de agradecer no outro momento que aparecesse ali.
Atsumu não morava muito longe, na verdade, o prédio dos dormitórios da MSBY não era longe dali. Ficavam a alguns quarteirões de distância da Onigiri Miya e da quadra onde treinavam.
Ele gostava de estar morando sozinho e mesmo que isso soasse solitário algumas vezes, não se importava tanto . Era mais fácil de receber seus colegas, seu irmão, Suna ou qualquer outra pessoa que o visitasse. Já estava acostumado com a rotina de viver sozinho, mas caso viesse o momento de dividir com alguém, não se importaria também. Apenas se a pessoa não fosse Bokuto. Nada contra o amigo, mas algumas vezes ele só queria não passar momentos perto dos clichês românticos dele.
Assim que destravou a porta de seu apartamento e entrou no mesmo, relaxou indo direto a um banho, deixando a luz do corredor acesa enquanto se arrumava para dormir.
Seu celular havia tocado mais algumas vezes, com notificações de mensagens e das redes sociais . Ignorando todas, Atsumu deitou em sua cama e respondeu as mais importantes, mas parou antes na aba de conversa com Kiyoomi e sua curiosidade foi mais alta do que esperava.
"Pode me dizer, Omi-omi, estou aqui."
Não demorou muito para a resposta aparecer, contudo seu grunhido insatisfeito tomou conta do quarto antes dele adormecer e ignorar a mensagem do outro homem.
"Conversamos amanhã, após o treino."
Ele iria até lá conversar com ele depois do seu treino? Não poderia ser mais simples uma mensagem qualquer?
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Atsumu é apaixonado por Kiyoomi desde o ensino médio. Apaixonado não, essa não é exatamente a palavra correta. O loiro teve uma grande queda pelo homem, mas nunca passou disso. Até o último torneio onde eles perderam para Karasuno e minutos depois Kiyoomi foi consolá-lo. Leia-se rir de sua cara e depois passar um pano em cima da ferida.
Não que ele tivesse sido rude ou estupido, era normal de Kiyoomi apontar fatos e os falar, mesmo que não fosse a melhor hora. Isso era uma coisa que ele gostava e odiava dele. Mas, naquele dia, foi quando Atsumu entendeu que a queda dele por Kiyoomi era um pouco mais do que uma mera queda.
Ainda mais quando Kiyoomi apenas o disse que ele não havia feito um mau papel como levantador e havia jogado muito bem.
Coisas raras de se ouvir de Kiyoomi.
Então a coisa mais estúpida que podia acontecer em sua vida, aconteceu.
Meses após sua formatura do ensino médio, Kiyoomi e Atsumu ficaram meses sem conversar ou saber um do outro, até que Sakusa o chamasse para algo importante. Quando Atsumu ouviu sobre o que era, ele pensou que era uma piada, mas depois que Kiyoomi o deixou a par dos detalhes, ele percebeu que não era brincadeira.
Kiyoomi e Atsumu fingiram estar namorando desde o acampamento e, como todo casal, precisavam conhecer seus sogros. Mais especificamente, Atsumu só precisava convencer os pais de Kiyoomi de que eles estavam juntos e tudo se resolveria. Era fácil.
Ao menos deveria ser fácil.
Atsumu acordou com a mera lembrança de quão estipido foi a última conversa deles após o quarto ou quinto jantar juntos, ele já havia perdido a conta. Atsumu sabia que havia esperado mais, mas quando Kiyoomi o disse que não era mais preciso ele aparecer porque já haviam conversado sobre seus caminhos no vôlei e seus pais já haviam entendido que ele ficaria ocupado demais.
Miya não sabia porque esperava que fosse diferente, ainda mais vindo de Kiyoomi, quem nunca teve sentimentos por ele ou que sequer se importava com relacionamentos. Sakusa sempre foi conectado com o vôlei, já o resto não importava para ele. Foi isso que machucou Atsumu. Foi Kiyoomi não ter entendido pelo menos uma coisa do que ele disse aqueles dias.
Hoje em dia, ele agradecia por isso, mas também sentia um incômodo por pensar em não ter sido claro o suficiente para ele. Mas não era Kiyoomi que ele queria convencer, e sim seus pais. E ele conseguiu fazer, já que a Sra. Kiyoomi o enviava mensagens de boa sorte ou parabenizando por suas vitórias até meses atrás, quando finalizava sua primeira temporada.
Ele achava fofo e sempre respondia com um carinho enorme. A mãe de Kiyoomi era uma pessoa um pouco bruta e dura em certos momentos, mas ela apenas se importava com a felicidade do seu filho e ficava contente com o fato dela estar feliz com o que ele fazia. E não fazia. Mas ele não ousaria contar isso a ela.
Enquanto se arrumava para o treino, Atsumu recebeu a ligação de seu irmão, que passou minutos preciosos reclamando e falando sobre o que deveria ser feito naquele final de semana na loja dele.
Ele realmente acreditava que Atsumu iria.
A triste notícia é que ele realmente iria.
Atsumu apenas anotou em sua mente suas tarefas para não esquecer depois e provocar seu irmão quando ele voltasse de sua viagem com Suna, mas não faria nada que comprometesse a loja. Se ele tivesse paciência, não faria.
Quando ele entrou na quadra, Bokuto e Hinata foram os primeiros a cumprimentá-lo. Mas antes de seguir ao vestiário, Hinata o puxou e Atsumu o encarou antes de reclamar, ouviu a voz do ruivo perto de si.
"O novo jogador está aqui, ele está se trocando no vestiário." Atsumu respirou fundo, pensou que só o receberiam no final de semana, mas pelo jeito foi antes do pensado.
"E o que tem? É só jogarmos."
"Você conhece ele, ficaram juntos no acampamento. Achei que gostaria de saber."
Atsumu parou para pensar. Seu colega novo seria Kiyoomi? O único que ele jogou e treinou no acampamento e ainda não tinha um contrato, era ele. Fora que Kiyoomi disse que iriam conversar depois do treino. Era sobre isso?
Miya só acenou para Shouyou, mostrando que havia entendido o que ele havia dito, virando e entrando no vestiário, não vendo ninguém, mas escutando o barulho do chuveiro ligado. Ótimo.
Quando terminou de se despir e vestiu a toalha em sua cintura, puxando seu uniforme para o banco em frente ao seu armário, viu Kiyoomi saindo do box e parando em sua frente. Seu corpo estava vestido com um roupão e uma toalha em seus cabelos, diminuindo o tanto de água nele.
"Quanto tempo, Omi!" Atsumu sorriu, vendo Kiyoomi o ignorar e ir direto ao seu banco.
"Olá, Miya."
"Voltamos aos sobrenomes, que gentileza." Atsumu cantarolou enquanto entrava em seu chuveiro, ignorando o murmúrio que veio dele, sem entender o que fora dito.
Atsumu se dava o luxo de ser infantil em alguns momentos e com Kiyoomi em seu time, não seria diferente.
-
"Atsumu você continua a mesma merda de sempre." Meian comentou enquanto sorria, vendo Atsumu revirar os olhos para ele.
"Por favor, você só está com inveja porque passei menos bolas para você hoje."
"Sua atenção ficou toda no Kiyoomi. Por que?" Bokuto resmungou enquanto a risada acompanhava todo o vestiário sem antes ouvir Hinata responder.
"Ele gosta de chamar atenção das pessoas para suas infantilidades."
"Não funciona assim!" Atsumu fingiu estar ofendido quando jogou a toalha em suas costas e foi ao box novamente. "Omi apenas precisa começar a me acompanhar na quadra, nada melhor do que colocar esse ritmo desde seu primeiro dia."
"Como se você fosse difícil de se acompanhar, Miya."
Atsumu riu, antes de colocar sua cabeça para fora do box e ver Kiyoomi sentado em seu banco, o encarando mortalmente e com seu rosto enrugado.
"Omi, por que tanto estresse, sabia que isso faz rugas de expressões aparecerem em seu rosto? Vai estragar seu rosto bonito."
"Foda-se."
"Não ligue para ele, Atsumu sempre dá um jeito de tudo se tornar sobre ele."
Atsumu ignorou todos eles enquanto tomava o seu banho. Ouvia as vozes se dissipando, assim como as despedidas do restante do pessoal. Ele suspirou pesado antes de encostar sua cabeça na parede e respirar fundo enquanto a água caía em seu corpo.
Ele estava morto.
Fazer Kiyoomi o acompanhar o cacete. Desde quando Kiyoomi era tão mais ágil e difícil nas partidas? Isso não parecia nada com as últimas partidas que ele havia visto.
Kiyoomi parecia um animal na quadra, como se estivesse pronto para atacar qualquer um que fosse atrás do ponto em seu lado da quadra e o arrancaria a garganta fora.
Seus braços estavam mais cansados, assim como suas pernas, por pular tanto e forçar corridas que não precisavam.
Definitivamente, ele não faria isso outra vez com ele.
"Não sabia que conseguia ficar em silêncio por muito tempo."
Atsumu abriu os olhos quando ouviu a voz do seu pesadelo. Ele riu antes de fechar o chuveiro e se enrolar na toalha e sair do box, não sem antes encarar o homem que já tinha sua roupa vestida e sua máscara em seu rosto
"Omi, eu consigo fazer o que eu quiser."
Ele sorriu e terminou de se secar enquanto vestia a roupa para sair e ir direto ao Onigiri Miya. Ele veria o que tanto precisava escolher com a família de Kita para repor os ingredientes em falta e isso ele faria mais rápido indo lá, do que esperar seu irmão responder.
Enquanto arrumava o cabelo, não deixou de se sentir curioso.
"Por que o MSBY? Não é como se você não recebesse proposta de todo lugar do país."
"Eram os melhores atualmente."
"Adlers estão com nomes muito bons, pensei que fosse gostar de jogar lá, com as pessoas que têm mais contato"
"MSBY está melhor."
"Oh, posso perguntar o por quê?"
"Porque eles têm, infelizmente, um bom levantador. E pelo que vi hoje, ele não está tão lento quanto algumas notícias diziam."
"Você lê elas, então? Deveria tomar cuidado com alguns sites de notícia, Omi, nem todos dizem a verdade, você sabe."
"Sim, eu sei."
Atsumu sorriu fraco antes de fechar seu armário e começar a arrumar sua mochila. Kiyoomi já estava do outro lado do vestiário, puxando sua jaqueta de sua mochila, a vestindo antes de Atsumu voltar a falar.
"Ainda me esperando? Não precisava, isso é tão fofo, Omi"
"Cala a boca." Kiyoomi retrucou rápido, o encarando rápido, antes de desviar a atenção dele. "Eu disse que precisávamos conversar."
"É verdade. Você pode me dizer, de qualquer forma, pois saindo daqui eu preciso ir para a loja do meu irmão resolver algumas coisas."
"Preciso que você finja ser meu namorado em um jantar com minha família, de novo."
Atsumu travou quando ouviu a frase dele.
“O que você está dizendo?”
Miya havia escutado, mas queria ter certeza de que sua mente não estava o fazendo sonhar acordado mais uma vez.
“Estou pedindo para fingir, mais uma vez, estar namorando comigo, Miya.” Kiyoomi estava parado, em pé, do outro lado do vestiário, fechando sua jaqueta quando o encara novamente. “Eles ainda pensam que estamos juntos, então…”
Atsumu franziu as sobrancelhas ao ver Kiyoomi desviar o olhar e ajeitar a mochila ao redor de seu corpo. “Tudo bem se não se sentir confortável, eu posso dizer que terminamos recentemente e-”
“Tudo bem, Omi.” Atsumu sorriu e encarou o homem antes de respirar fundo e relaxar. “Tudo bem, tudo bem, mas apenas me leve para sair antes? Você acabou de vir para cá e já me pediu isso. Foi repentino demais."
"Minha mãe está tentando marcar um jantar com você há quase dois meses, eu só enrolei." Kiyoomi encarou Atsumu, agora em sua frente o encarando como se estivesse lendo sua reação.
"Tudo bem, Omi." Atsumu fechou os olhos e levou sua mão até a cabeça, mexendo em seus cabelos enquanto pensava em algo. "Apenas me diga o que preciso dizer a ela, o que ela vai querer saber e coisas assim. Porque aí não faço nós dois fazermos um papel idiota lá no jantar."
"Não é nada diferente das últimas vezes, ela só está mais curiosa sobre o motivo de não termos assumido oficialmente nosso namoro."
Atsumu riu antes de o encarar de novo. "Ela vai me perguntar isso? Por favor, não me deixe responder isso, sabe que vou ser sincero com isso."
"Não precisa. Eu só preciso que você esteja lá."
"Ok, Omi, eu vou."
Atsumu percebeu Kiyoomi relaxar o corpo, assim como suas expressões visíveis no rosto. Mesmo depois de meses sem o ver, era engraçado como ele podia ler as expressões de Kiyoomi.
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"Você só pode estar fodendo com a minha cara!" Atsumu ficou em silêncio enquanto ouvia a voz de Oikawa irritado do outro lado da linha. "E você concordou com isso? Quem mente para os pais durante anos sobre relacionamento?"
"Kawa, você sabe que Kiyoomi foge de conversas importantes assim."
"Isso não é um motivo de merda. Você ao menos avisou seu irmão?"
"Não, ainda não."
"Você nem ia avisar. Você só está se afundando nisso, Atsu, qual o problema de verdade?"
"Nenhum. E também, estou com saudades da minha não-sogra."
"Mentiroso de merda."
"É verdade, ela fazia um ótimo café da manhã quando eu dormia lá."
"Pelo amor de Deus, Atsumu, eu quero arrebentar a sua cara, eu juro."
"Não faça isso, vou aparecer muito feio na câmera do nosso primeiro jogo."
"Atsumu! Agora eu estou falando sério, por que está fazendo isso se não vai ter retorno algum? Fora que ele vai acabar te machucando mais ainda."
"Não vai, eu já disse que superei isso." Os dois sabiam que era uma mentira descarada, mas eles fingiam que acreditavam no que era dito. "É só um jantar e acabou, sério, não vai acontecer mais nada."
"Atsu, isso não é bom para você. Mas eu não vou dizer mais do que já falei esses últimos anos todos. Você sempre está voltando para ele, quando ele ao menos se preocupa em te procurar. Isso não é bom."
"Kiyoomi é difícil, Kawa, sério, eu estranharia mais se ele me procurasse direto. Isso sim seria estranho."
Os dois riram, porque mesmo que Kiyoomi e Atsumu não estivessem na mesma página, se Sakusa mudasse sua forma de agir, ele com certeza seria mais amedrontador do que na sua forma normal.
"Sério, eu vou ficar bem."
"Não, não vai. Porque assim que terminar o jantar e ele te deixar em casa sem dizer que o seu sentimento é recíproco, você vai afundar em uma choradeira como um bebê e eu e Osamu teremos que te tirar dela."
"Não vai acontecer de novo, sabe, eu não tenho mais dezenove anos."
"Mas parece que é uma criança ainda."
"Você me ofende assim."
"Que bom, porque assim você me entende."
"Mas me conta, como estão os preparativos para seu casamento com o Hajime?"
"Porra, está um inferno!"
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Quando terminaram o último treino da semana, assim que Atsumu saiu do vestiário, correu atrás de Kiyoomi, que já andava mais para frente dele, ignorando qualquer outro assunto com seus colegas.
"Omi!" Atsumu o chamou e parou ao seu lado, andando junto dele, evitando o encarar diretamente. "Então, preciso saber o dia."
"Ela disse que sábado."
"Hum" Atsumu pensou e virou seu corpo de frente a Kiyoomi, parando e o fazendo encarar seu rosto, sério e irritado. "Sabe, tenho que cuidar da loja do meu irmão, mas posso fechar um pouco antes se você me buscar."
"Por que seu irmão não vai cuidar?"
"Ele vai viajar com o Suna, viagem de merda de casal. Mesmo que vá visitar minha mãe, ele ainda vai viajar com Suna."
"Pensei que ele estava perto de morrer por te deixar tomar conta da loja."
"Omi?" Atsumu resmungou ao ver os olhos quase fechados de Kiyoomi e as bochechas dele mexer por trás da máscara. Ele relaxou ao perceber o fraco sorriso em resposta a sua indignação. As coisas não haviam mudado tanto assim. "Eu fiquei muito mais responsável com o tempo, ok?"
"Claro, eu acredito."
"Ao menos dê o benefício da dúvida, Omi."
"Eu disse que acredito, Miya." Kiyoomi comentou fraco enquanto caminhavam e continuavam seus assuntos diversos, mais ouvindo Atsumu falar sobre Suna, a loja de seu irmão, vôlei e mais algumas curiosidades estúpidas sobre assuntos que eles gostam em comum.
"Por isso que eu sempre escolheria uma raposa." Atsumu falou alegre antes de parar em frente ao portão da loja e encarar outra vez Kiyoomi. "Você pode entrar se quiser."
"Não, eu preciso ir para casa."
"Continua nunca fugindo do seu roteiro, não é?" Atsumu riu fraco antes de virar o corpo em direção a loja e acenar em seguida para ele, se despedindo. "Te vejo amanhã, então."
"Te busco às oito, não se atrase."
"Tentarei me atrasar, então."
Atsumu viu Sakusa revirar os olhos e arrumar sua máscara outra vez antes de seguir seu caminho para o estacionamento da avenida. Ele respirou fraco, sentindo seu corpo amolecer em questão.
Kiyoomi não havia mudado nada e ele percebeu isso nos treinos. É claro que ele está mais sociável, mais aberto e suscetível a conversas, a interação e consegue conversar melhor sobre jogadas ou ideias.
O time estava indo bem para os primeiros dias com ele. Não foi tão difícil, quanto no acampamento deles, começarem a entrar em um ritmo decente, o time conseguiu acompanhar e entender o que Kiyoomi queria. Os olhares e os sinais eram rápidos e fáceis de entender.
Atsumu sabia quais movimentos de Kiyoomi deveriam seguir seu comando. Conhecer a forma de jogo dele, assistindo sempre que podia, ver os vídeos gravados ou treinar com ele no acampamento o fez ter uma resposta automática na quadra com ele. E ocasionalmente, isso se passou na vida cotidiana.
Era automático ele fazer Kiyoomi evitar multidões, dar desculpas para festas ou junções em comemorações, trocar os lenços que ele deixava em seu armário ou mochila, trocar as luvas descartáveis dos vestiários e comprar garrafas de água novas para ele.
Ao menos ele fez isso por meses.
E em menos de quatro dias, ele já havia retomado o ritmo deles tão rápido quanto se podia esperar. Atsumu sentiu um pequeno incômodo, tornando visível em seu rosto, numa carranca que ele percebeu ter quando Osamu apareceu em sua frente, o encarando sério.
"Vocês estão juntos?"
"Não, não estamos."
Osamu suspirou fundo, o puxando pela manga da jaqueta para dentro da loja, decidindo que não brigaria com Atsumu por estar rondando em uma situação que ele já sabia não ser boa. Mas como nada havia sido feito, ele não precisava se intrometer.
"Vai me dizer o que é?" Osamu perguntou calmo, muito mais calmo do que Atsumu imaginaria vê-lo. O loiro só deu de ombros e começou a ajudá-lo a montar os onigiris pedidos para uma festa.
"Ele está no time." Atsumu começou, cantarolando e ignorando o olhar sorrateiro do irmão. "Ele está jogando no time titular, voltou a morar aqui em Tóquio, terminou a faculdade, vamos jantar com a mãe dele amanhã, estamos com uma nova posição de ataque e-"
"Você vai jantar com a mãe dele e com ele, de novo?"
"Por que você só presta atenção nesse ponto?"
"Porque isso é o mais absurdo!"
"Não é, sinto falta da mãe dele também, se for para ser honesto." Atsumu resmungou, trocando a luva para começar a mexer com outros recheios da lista. "Estou falando sério dessa vez, não é só porque ele pediu para mantermos a farsa, mas eu realmente gostaria de ver a minha não-sogra."
"Você é mais idiota do que eu pensava." Osamu encostou no balcão e encarou Atsumu, segurando seu pulso e o fazendo encarar seus olhos. "É sério, Atsumu, por que está fazendo isso de novo?"
"Porque sim, Samu." Atsumu respondeu em tom de pirraça, deixando a comida de lado e sentando ao lado dele, respirando fundo. "Kiyoomi é assim. Ele é complicado, é difícil em usar as palavras, não sabe quando falar não para sua família e não faz ideia do que acontece ao seu redor. Ele não quer uma família agora ou um relacionamento, mas a mãe dele se preocupa com a possibilidade dele ficar sozinho o resto de sua vida. Em certo ponto, eu entendo ela."
"Claro que ele ficaria sozinho, ele não tem responsabilidade afetiva."
"Não funciona assim, Samu. Ele nem sabe que eu gosto dele. Não se esqueça que foi eu quem disse para não nos apaixonarmos e que deveríamos deixar isso apenas como fingimento."
"Você é um idiota. Qualquer pessoa veria isso dando errado."
"Mas eu não vi. Eu não achei que fosse me apaixonar por ele e que fingir estar em um relacionamento me deixaria tão ruim quanto deixou." Atsumu mexeu entre seus dedos, evitando olhar seu irmão e ver o olhar de reprovação estampado em seu rosto. "Eu não vou levar para um lado ruim, ok?"
"Você vai, já está, na verdade."
"Está ok, nós só iremos jantar."
"Faça o que quiser, mas não me procure quando for machucado outra vez."
"Não irei."
Osamu finge que não deixaria a chave reserva de seu apartamento nos próximos dias no chaveiro da loja e Atsumu finge que não colocou novamente o número de Osamu na discagem rápida.
-
Quando estava próximo das oito horas, Atsumu já havia fechado a loja de Osamu e estava no escritório dele terminando de se arrumar.
Ele não costumava usar ternos, gravatas e camisas sociais. Não que não gostasse, mas preferia suas roupas casuais. Porém, ele era obrigado a concordar que o gosto de Kiyoomi para seus ternos eram sempre impecáveis.
De todos os jantares com seus sogros, Kiyoomi sempre fez questão de enviar uma peça de terno para ele. Atsumu guardou todos, mesmo que eles não coubessem mais nele, já que sempre foram feitos sob medida, ele ainda mantinha guardado no fundo de seu guarda-roupa, jogado no quarto de hóspedes de seu apartamento.
Ele não acreditou que Kiyoomi enviaria um, mas quando recebeu a roupa embalada e o cartão de bom uso assinado por Kiyoomi, ele quis rir sobre quão estupido aquilo parecia.
Terminando de arrumar a gravata na sua gola, ele deu uma última olhada no espelho em seu corpo inteiro para ver como havia ficado.
Atsumu vestia um conjunto de terno preto, com uma camisa lisa branca e uma gravata dourada fosca, dando um destaque e um foco maior em seu peito. O relógio em seu braço foi um presente dado pela mãe de Kiyoomi em seu primeiro jantar. Ele sempre usava quando podia, mas naquela noite ele fez questão de usar, já que desejava ver um sorriso, mesmo que breve dela para ele.
Miya aprendeu a ler a mãe de Kiyoomi com o tempo, afinal, quando se conhece as pessoas, com o tempo, aprende coisas sobre elas que tornam mais fácil de entender o que sentem ou o que falam. Então, ele aprendeu que a mãe de Kiyoomi dizia que gostava das pessoas através de presentes ou gestos simples como um breve sorriso ou um aceno mais aberto. Ela fez ambos com ele.
Perdido em seus pensamentos, ele só ouviu quando o celular tocou, sendo o nome de Kiyoomi no televisor, indicando que já estava o esperando.
Assim que deu mais uma conferida para ver se a roupa estava boa e estava vestido corretamente, Atsumu pegou seu celular e os dois pequenos presentes separados e foi em direção ao carro que o aguardava do outro lado da calçada.
Trancou a loja, deixando a chave guardada com ele, até se aproximar do carro e um dos motoristas sair para abrir a porta para ele entrar na parte de trás do carro. Assim que ele entrou e se sentou, Atsumu viu Kiyoomi do outro lado do banco, próximo a janela o encarando.
Atsumu sentiu-se sem fôlego por um breve momento. Fazia tanto tempo que não via o outro homem arrumado para um jantar e nem lembrava de como ele era tão bonito. Claro que Atsumu sabia disso, sua mente parecia focar apenas nisso nos últimos dias e todas as horas. Mas ver isso de uma forma mais direta, era totalmente diferente.
Kiyoomi usava um terno preto escuro, com uma camisa branca e uma gravata preta, assim como suas luvas pretas e máscara em seu rosto estavam destacadas. Os cachos dele pareciam maiores do que o último treino, então ele acreditou que Kiyoomi se dedicou um pouco mais na finalização de seu cabelo para encontrar sua mãe.
Os dois se encararam por um longo momento, mesmo após o carro começar a dar partida e começarem a dirigir em direção ao restaurante já conhecido por eles.
Atsumu estava perdido nas linhas do rosto que podia ver de Kiyoomi. Como alguém podia ser tão bonito e perfeito? Não existia e era impossível. Mas Kiyoomi estava ali, então isso era possível.
Miya sentia o olhar quente e quase gentil, podia dizer ter um brilho de admiração no fundo, em seu corpo. Mas ele não se deixou pensar demais naquilo.
"Então, preto?" Atsumu riu quando Kiyoomi desviou o olhar e relaxou um pouco no banco. "Estou brincando, você sabe disso!"
"Eu sei." Kiyoomi respondeu, voltando a encará-lo outra vez. "A roupa ficou bonita em você."
"Qualquer coisa ficaria bonito em mim, Omi." Atsumu sorriu, mexendo na manga do terno, arrumando os botões não fechados da camisa e finalizando, empurrando o relógio para mais perto do pulso. "Apenas a sua mãe vai estar lá? E eu… Omi?"
Atsumu viu os olhos de Kiyoomi presos em seu pulso, então ele lembrou do relógio. Na verdade, lembrou que na última vez que eles conversaram, ele tinha dito que havia se livrado do relógio e que não precisava se preocupar com nada do que a mãe dele havia lhe presenteado. Atsumu sentiu sua garganta fechar ao ver o misto de dúvidas nos olhos dele.
"Eu posso explicar."
"Pensei que havia se livrado disso."
"Eu. Eu não poderia!" Atsumu sentiu a voz ficar mais alta, pela provocação barata. "Foi um presente, eu não iria me desfazer de um presente desses."
"Fico feliz que tenha ele ainda."
Atsumu responderia se ele tivesse encontrado as palavras certas para isso. Ver um sorriso por detrás da máscara o quebrou ao ponto do silêncio ser a única coisa que poderia usar.
Kiyoomi percebeu o movimento estranho de Atsumu, especialmente quando ele encostou na porta e ficou encarando a avenida pela janela. Mas ele não comentou nada, evitando criar uma situação como da última vez que eles fizeram um jantar juntos.
Atsumu podia ver as casas decoradas com o natal, assim como as inúmeras pessoas com suas roupas coloridas e prontas para a data importante do ano. Aquela semana havia sido a última de treino, já que a maioria voltaria para casa e ficaria o começo do ano novo com seus parentes, a maioria não estaria na cidade para treinar.
Miya estranhou a mãe de Kiyoomi querer se encontrar próximo a uma data comemorativa, mas conhecendo Kiyoomi, ele sabia que não passaria com sua mãe, a evitaria o máximo que pudesse, já que odiava festas assim.
"O Natal continua tão bonito quanto se podia esperar." Atsumu comentou rápido, sorrindo enquanto abria a janela e dava uma visão melhor de como estava a rua para Kiyoomi. "Você gostaria se desse uma chance."
"Não vejo motivo para isso."
"Sempre terá um, se você se permitir ter."
Kiyoomi não respondeu, então Atsumu deixou por assim mesmo.
Quando eles chegaram na entrada do restaurante, Atsumu sentiu seu corpo travar, assim como seu coração acelerou. Ele nem mesmo combinou com Kiyoomi o que diriam para as perguntas da mãe dele, como ele queria não fazer os dois passarem vergonha na frente dela?
Ao abrir a boca para dizer algo, a porta estava sendo aberta e a mão enluvada de Kiyoomi estava estendida para ele pegar. Atsumu o encarou vendo os olhos sutis o encarando de volta. "Vamos."
"Ok." Atsumu engoliu em seco, segurando a mesma e se levantando, saindo do carro e ficando próximo dele na calçada.
Atsumu sentiu seu rosto queimar quando as mãos de Kiyoomi alcançaram seu peito, arrumando mais firme a gravata na gola. Fazendo o nó ficar fixo e não correr risco de afrouxar durante o jantar. "Você continua sem saber fazer um nó firme." Kiyoomi comentou casualmente, arrumando a gola da camisa e descansando sua mão no peito dele, fechando o terno e o encarando.
"Não é como se você me levasse para jantar com frequência, Omi-omi, então eu não tenho como treinar isso tão bem." Atsumu se permitiu sorrir, sendo levado pelo momento em que fingia estar tão apaixonado por ele.
Miya podia dizer que o brilho nos olhos de Kiyoomi eram bons, quase como se correspondesse a sua provocação. O que era verdade.
"Então você quer que eu te leve a encontros?" Ele perguntou, sorrindo ao ver os olhos arregalados de Atsumu e suas bochechas vermelhas. "Vamos, minha mãe está nos esperando."
"Okay."
Os dois entraram em seguida, entregando seus nomes e foram levados até a mesa onde a Sra. Sakusa estava sentada, conversando com dois dos garçons do restaurante. Atsumu sentia seu coração doer de tanto bater, mas pareceu piorar quando seus olhos se encontraram com o da mulher. Ainda mais quando ela sorriu tão alegre, que ele sentia pena por estar mentindo para ela.
Não era como se ele não quisesse estar com Kiyoomi, mas ele queria estar de verdade com ele e não fingindo como estavam fazendo há tempos.
"Miya! Quanto tempo, você cresceu tanto!" Sakusa levantou, indo até os dois, abraçando primeiro Atsumu, em um carinho doce. Quando ela se afastou, segurando os braços de Atsumu, sorrindo e o encarando, ela começou a implicar com ele, como sempre fazia. "Você continua fugindo de nossos jantares, a última vez que nos vimos foram anos atrás!"
"Me desculpe." Atsumu sorriu, fazendo um carinho no braço dela e relaxando antes de responder. "Mas o tempo está tão curto que quase não tenho tempo para o meu irmão."
"Ele está com a Onigiri Miya, certo?" Ela perguntou e Atsumu concordou. "Eu compro comidas com eles, a loja do seu irmão é maravilhosa e de boa qualidade, isso é ótimo."
"Fico feliz por isso, é o negócio dos sonhos dele."
"E quanto a você, Kiyoomi…" sua mãe virou o olhar ao mais novo, que evitava encará-la, com as sobrancelhas franzidas. "Isso é jeito de cumprimentar sua mãe?"
"Oi, mãe." Kiyoomi murmurou, encarando ela de volta, vendo um sorriso estampar em seu rosto novamente. "Por que você sempre faz isso?"
"Talvez assim você se sinta culpado por me evitar tanto tempo."
Atsumu riu ao ver Kiyoomi o encarar bravo e o ignorar, sentando na mesa logo após sua mãe voltar ao lugar onde estava. Ele sentou ao lado de Kiyoomi, também, começando com o jantar deles.
Quando começaram as perguntas sobre a carreira deles, Atsumu ficou mais leve para conversar, então pode se encaixar melhor no personagem que pensou estar criando. A mãe de Kiyoomi sempre gostou de ouvir Atsumu falar, desde o primeiro encontro ela deixou isso claro, então ela sempre fez Atsumu falar mais do que eles dois.
Atsumu aproveitava isso facilmente, afinal, era fácil conversar e falar sobre a vida deles que ele desejava ter. Não era como se esse filme já não tivesse passado em sua mente, sonhos ou no dia a dia.
Ele só aproveitou que isso voltou mais forte agora do que meses atrás.
Assim que a comida chegou, os três conversaram menos, focando mais em terminar de jantar, mas acabaram ocasionalmente conversando. Atsumu descobriu que ela havia finalizado o projeto no qual estava trabalhando e conseguiu finalmente começar a produzir fora da cidade. Também descobriu que o irmão mais velho de Kiyoomi havia se formado e estava trabalhando com o pai deles na empresa. Assim como a irmã de Kiyoomi que estava fora do país em uma pesquisa científica.
Atsumu ficou contente em ouvir ela conversar e contar sobre os resultados das conversas anteriores. Ele gostava de ouvir ela conversar, porque em especial, ela lembrava a sua mãe e sua animação em dizer as coisas. Kiyoomi era difícil de se manter uma conversa longa, mas ele entendia quando Kiyoomi desejava ouvi-lo ou não. Novamente, ele aprendeu a ler Kiyoomi.
"Mas eu quero saber" Sakusa comentou assim que terminou de beber seu vinho e encarou os dois "quando vão assumir o relacionamento para as pessoas."
Atsumu sentiu seu coração ser devorado por um vazio frio. Isso provavelmente estampou em seu rosto porque Sakusa o encarou preocupada. Ele tossiu fraco, abrindo um sorriso falso no rosto, bebendo a água e encarando Kiyoomi de canto, como se dissesse que era a vez dele de tomar as rédeas da conversa.
O que foi ótimo ele ter feito, porque Atsumu sabia que estragaria tudo.
"Nós não temos prioridade nisso, agora que eu entrei no time, também não queremos que as pessoas comentem que só entrei no MSBY por causa do Atsumu."
Atsumu sentiu seu corpo arrepiar ao ouvir seu primeiro nome sair da boca de Kiyoomi. Fazia quanto tempo que ele não ouvia seu nome sendo falado por ele?
Ele sorriu fraco encarando Kiyoomi conversar com sua mãe. Atsumu entendia o ponto da mãe dele, mas se eles assumissem algo que não existia para a mídia, eles não conseguiriam fingir por mais tempo.
Fingir para uma pessoa era fácil, agora para várias, era impossível. Ainda mais quando ele nutria sentimentos por alguém que não queria um relacionamento.
"Eu entendo o que querem dizer, mas eu gostaria que assumissem por vocês mesmos do que alguém falar sobre isso." Sakusa comentou sorrindo para os dois. "Vocês dois sabem como é a mídia sobre assuntos assim, ainda mais com vocês dois sendo nomes famosos no vôlei."
"Nós estamos bem, Sra. Sakusa." Atsumu sorriu a encarando e viu a mesma retribuir o gesto. "Nós apenas estamos levando em nosso tempo."
"Assim eu confio em vocês."
Os três conversaram mais um pouco, assuntos indo e vindo e quando perceberam já estar tarde, os três seguiram para o carro que esperava a mãe de Kiyoomi.
Assim que os dois a esperaram ali, ela deu um abraço em Kiyoomi sussurrando algo que Atsumu não entendeu, mas decidiu ignorar, a encarando quando ela se aproximou dele e o abraçou forte.
"Obrigada por estar ao lado do meu filho todos esses meses." Ela se afastou e apoiou suas mãos no rosto dele, acariciando suas bochechas, arrancando uma risada dele. "Seu amor por ele é bonito e eu sou feliz por Kiyoomi ter uma pessoa tão adorável e incrível como você ao lado dele."
"O seu filho me faz muito feliz e sou feliz por ter meu amor correspondido." Atsumu comentou fraco, mas sentindo o amargo em sua língua ao dizer isso. Seus olhos vacilaram levemente, tentando fingir por mais um breve momento que estava tudo bem e esperar ela ir embora. "Oh, antes que eu esqueça." Atsumu tateou dentro do terno, puxando a caixinha rosa dele e entregando a ela, vendo um sorriso estampado em seu rosto. "Espero que tenha boas festas este ano, quero te dar um presente como lembrança."
"Obrigada, Atsumu." Ela sorriu e o abraçou mais uma vez, antes de se despedir e entrar no carro, segurando a caixinha em suas mãos, com um sorriso doce no rosto.
Quando o carro dela virou a avenida, Atsumu suspirou pesado, sentindo o peso começar a tomar conta de seu corpo, suas costas e seus ombros.
Ele respirou fundo, encarando o céu, com poucas estrelas à vista, sentindo a temperatura cair e o frio começar a se fazer mais presente agora nessa época. Ele deveria ter pego um casaco mais quente antes de sair de casa.
"Você não precisava ter feito isso." Kiyoomi comentou, chamando a atenção de Atsumu para ele. "O presente."
"Eu sei que não, mas ela ficou tão feliz. Isso já é o suficiente"
"Sim."
Os dois ficaram em silêncio, Kiyoomi encarando a rua, enquanto Atsumu encarava o céu. Miya sentia vontade de chorar, uma vontade absurda que ele não sentiu desde o último encontro deles. A sensação de ter um relacionamento falso para uma pessoa importante como a mãe de Kiyoomi, era tão ruim quanto ele podia imaginar.
Mas nada doeu mais do que ele dizer que Kiyoomi correspondia aos seus sentimentos. Ele sabia que Kiyoomi iria perguntar sobre isso, então ele começou a fazer de tudo para ir embora e evitar que isso acontecesse.
"Acho que vou para casa." Atsumu comentou, sem encarar Kiyoomi, evitando olhar para o rosto do homem e fingiu não notar o mesmo o encarando.
"Eu posso te levar."
"Eu posso ir a pé." Atsumu sorriu fraco, encarando Kiyoomi antes de começar a andar para ir em direção ao centro da cidade. "Você sabe, eu gosto dessa época."
"Atsumu, eu deixo-"
"Não precisa, Omi." Atsumu virou de costas e acenou em sua direção, começando a andar devagar. "Sério. Boas festas, Omi, qualquer coisa você tem o meu número."
Atsumu não ficou para ouvir a resposta dele, apenas apertou os passos para ir embora e ir para sua casa. Ele queria deitar, ficar enrolado em suas cobertas e fingir que aquela noite não havia acontecido e que no dia seguinte, não teriam mensagens da mãe de Kiyoomi o chamando e agradecendo pelo presente e o jantar. Como sempre fazia.
Miya sentiu seus olhos arderem com as lágrimas que queriam cair em seu rosto. Ele abraçou seu corpo, esquentando suas mãos uma na outra, enfiando no bolso e sentindo o par de luvas ali.
Atsumu parou de andar e tirou o par de luvas, as pretas que Kiyoomi estava usando antes do jantar. Ele sentiu o lábio tremer quando as lágrimas começaram a descer por suas bochechas. Ele tinha a certeza de que se fosse chorar, seria apenas em sua casa, mas Kiyoomi precisava fazer tudo ao contrário, não era?
Ele vestiu emburrado as luvas, sentindo ainda as lágrimas descerem por seu rosto, o deixando mais irritado por ser tão bobo.
"Atsumu."
Atsumu levantou o rosto quando ouviu seu nome e a pessoa parada em sua frente. Kiyoomi.
Ele sentiu-se pior do que já estava, ainda mais quando viu a preocupação estampada no rosto dele. Atsumu estava se sentindo tão estúpido por ter concordado com aquilo, por estar chorando e por estar parado no meio da avenida com o motivo do seu triste choro o olhando.
Quando ele sentiu o polegar passar por sua bochecha, limpando as lágrimas em seu rosto, seus olhos se encontraram com os dele. "Por que está chorando?"
Atsumu riu fraco, antes de fechar os olhos e respirar fundo. "Porque eu menti para sua mãe."
"Isso nunca-"
"Porque eu menti para sua mãe, dizendo que eu era feliz com você correspondendo meus sentimentos, quando isso não é verdade."
Atsumu suspirou fundo, sentindo o peso dos seus olhos cobrir e o deixar com eles fechados. O medo e a covardia de olhar nos olhos de Kiyoomi depois de falar o que sentia, era tão forte que ele preferia fingir que poderia desmaiar a qualquer momento.
"O que isso quer dizer?"
"Quer dizer que meus sentimentos por você não são correspondidos, porque você não me ama também."
Atsumu podia dizer que passaram segundos, minutos, horas, ele não sabia. Mas sabia que o silêncio entre eles foi grande, até Kiyoomi acariciar sua bochecha novamente, e seu braço abraçar sua cintura, o segurando mais perto.
"Isso não é verdade."
Atsumu abriu os olhos, encarando Kiyoomi, agora reparando que ele não usava sua máscara, e sua mão estava sem luva, segurando diretamente seu rosto, assim como seu corpo. Atsumu sentiu seu rosto esquentar e antes que começasse a dizer algo e afastar o outro homem dele, sentiu os lábios do outro sob os seus. Um selinho simples e rápido, deixando seus rostos próximos um do outro.
"O que?"
"Eu disse que não é verdade sobre seus sentimentos não serem recíprocos."
"Você." Atsumu começou, mas a frase morreu, não sabendo o que dizer. "Desde quando?"
"Não sei, desde quando você começou a se sentir assim?" Kiyoomi sorriu ao ver a irritação surgir totalmente no rosto de Atsumu. "Acho que sempre esteve ali, eu só não assumi."
"Mas você sempre me afastava."
"Eu não sabia como lidar com você."
"Você me odiava."
"Você me fazia ficar irritado facilmente."
"Você pediu para fingir namorar com você para sua mãe parar de falar sobre relacionamentos com você!"
"Ela já sabia que era falso nossos encontros."
"Tudo bem, eu sei, mas, espera, o que?" Atsumu o afastou, encarando seus olhos e sentindo uma vergonha tomar conta dele. "Como assim ela sabia? Você não disse que teria outro encontro. Sakusa, que porra é essa?"
"O que houve com Omi?" Atsumi bateu levemente no braço dele, ouvindo a risada de Sakusa em resposta à atitude infantil. "Ela me contou hoje, ela perguntou aquilo de propósito."
"Sua mãe é pior do que você."
"Ela é. Acredite." Kiyoomi murmurou, mas encarou Atsumu de volta, segurando seu rosto outra vez, agora que não foi empurrado de volta. "Por que você nunca me disse nada?"
"Como eu poderia? Eu mesmo disse para não nos apaixonarmos, com que cara eu chegaria em você e diria que estava apaixonado por você?"
"Desde quando?" Kiyoomi perguntou e Atsumi sentiu o amargor, mesmo que pouco, na fala e rosto dele. "Desde quando você sente isso?"
"Por você?" Atsumi riu, deitando seu rosto contra a mão de Kiyoomi em sua bochecha. "Desde o primeiro encontro, eu acho."
"Foi por isso que você nunca mais me chamou desde a última vez?"
Atsumu reparou na decepção nos olhos de Kiyoomi, sabendo que errou sutilmente por não ter dito nada a ele, apenas sumindo de sua vida e aparecendo ocasionalmente. "Sim."
Kiyoomi mexeu em seu terno, tirando uma caixinha pequena de presente, entregando a Atsumi, que encarava curioso com o presente. "O que é?"
"Abra."
Atsumu abriu e sorriu ao ver uma miniatura de uma raposa do ártico, branca como a neve. Ele lembrava que aquela raposa foi um dos últimos tópicos que eles conversaram no jantar com a mãe de Kiyoomi, mas não acreditou que ele ainda se lembrava disso.
"Era para eu te entregar naquele dia, mas você foi embora e eu não tive notícias suas por alguns meses." Kiyoomi murmurou, vendo Atsumu sorrindo enquanto mexia a miniatura em suas mãos, a observando atentamente. "Então eu guardei para quando eu te encontrasse novamente."
"Eu amei, Omi." Atsumu o encarou outra vez, vendo os olhos duvidosos dele. "É verdade, eu realmente amei"
"Ok."
Atsumu riu ao ver Kiyoomi desconfortável, sem saber o que falar ou fazer. Atsumu se aproximou dele, focando seu olhar no dele e segurou a miniatura em suas mãos mais forte, um pouco nervoso. "Então."
"Então."
"Você gostaria de sair para algum lugar?" Atsumu arriscou perguntar, vendo o outro concordar e virar seu corpo para andar ao seu lado. "Então posso considerar isso um encontro?"
"Sim, um encontro de verdade."
Atsumu sorriu, antes de deixar um beijo na bochecha de Kiyoomi, que devolveu um olhar gentil em sua direção.
"No próximo jantar com sua mãe eu irei pedir desculpas."
"Ela não vai deixar você fazer isso."
"Por que?"
"Porque ela é ela. Apenas ignore e ela vai saber que estamos em um relacionamento de verdade."
"Você tem certeza?"
"É claro que eu tenho, Miya, agora fique quieto e vamos."
"Não me chame de Miya, você já me chamou de Atsumu, continue assim."
"Não."
"Sim, Omi!"
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