Amor em Roma

1 Capítulo único


Notas iniciais
Esta história teve inspiração na música Imbranato (Tiziano Ferro). Então sugiro que a ouçam enquanto leem ♥ ~ Espero que gostem.

Sabe o amor? Sim... ele aparece quando você menos espera.

Estou aqui sentado em frente à Fontana di Trevi esperando a mulher que me virou a vida de cabeça para baixo.

Parece bobo e até antiquado dizer que vou me declarar. Mas o sentimento é algo inexplicável. Algo tão forte que preciso expressar, compartilhar, demonstrar. E olha que isso não é algo típico da minha pessoa. Meus relacionamentos anteriores foram bons, cheios de carinho e cumplicidade, mas não de amor.

Por ser extremamente racional e reservado em relação aos sentimentos, eu jamais pensei que fosse me apaixonar, mas simplesmente aconteceu. Agora estou eu aqui, com 30 anos na cara, sentindo o coração acelerado e as mãos suando de nervosismo como se eu fosse um adolescente de 15 anos, cheio de expectativas. A ideia de tê-la ao meu lado e de ser somente dela, me aquece o peito. Se não for amor, não sei o que pode ser.

O engraçado é que tudo aconteceu de maneira tão aleatória. A conheci por meio de amigos em uma festa. Amigos estes que me desafiaram a beijá-la naquela noite, fizeram isso de propósito, sabendo que ela própria havia apostado com as amigas que não ficaria com ninguém. Tirando a parte de que fui feito de bobo por meus amigos, foi uma noite divertida. Em seu olhar eu consegui perceber o interesse que ela sentia, no entanto, não me deu nenhum tipo de abertura para que eu me aproximasse.

Apenas no final da noite, antes de ir embora, ela se aproximou sorrindo e colocou um guardanapo com seu número de telefone no bolso da minha camisa:

— Hoje você me ajudou a ganhar 50 euros. Pode deixar que na próxima vez eu pago a bebida. – ela disse num sussurro divertido com seu forte sotaque estrangeiro.

E assim ela se foi, me deixando atônito.

Como prometido, no encontro seguinte ela comprou o vinho tinto que acompanhou o jantar que preparei para ela em minha casa. E a noite acabou exatamente como eu havia imaginado, com o calor de nossos corpos sobre a cama.

Dois meses se passaram desta forma. Minhas noites se alternavam entre longas conversas ao telefone e o sexo intenso. Quando eu me dei conta o verão já havia acabado e eu estava completamente apaixonado.

— Rafaello! – ela sorriu se aproximando com passos rápidos.

— Que bom que veio, Luna. – a cumprimentei com um beijo rosto e tive o olfato presenteado por seu perfume floral.

— Apesar de estar frio, hoje a noite está tão linda! – ela comentou esfregando as mãos cobertas por luvas na tentativa de esquentá-las – E a Fontana está incrível como sempre. Fiquei feliz por você ter me convidado para te encontrar aqui.

— Que bom que gostou. – respondi estendendo a mão à ela – Vem aqui.

Segurei uma de suas mãos e a coloquei dentro do bolso do meu sobretudo, esquentando-a enquanto caminhávamos juntos até a borda da fonte.

— Como foi o seu dia? – perguntei. Depois percebendo que a pergunta era boba, afinal, minutos antes, quando conversávamos por mensagem, ela me respondera isso.

A pergunta foi inútil, mas fazer o quê? O amor me deixou previsível. Imaginei aquele momento centenas de vezes, só que na versão da minha mente eu não havia conversado com ela por mensagem. Porém, como eu estava seguindo o roteiro previamente estabelecido por mim, acabei por fazer a pergunta mesmo que não fosse necessária.

— Tive bastante trabalho, mas consegui dar conta de tudo. – ela respondeu com simplicidade, enquanto enlaçava meu braço em um abraço lateral. – E o seu? Você comentou mais cedo que estava preocupado com a data de entrega do seu último trabalho.

— Consegui conversar com o cliente e expliquei a situação. Então ele me deu um prazo maior. – respondi sorrindo de canto, então me prontificando a mudar de assunto, pois aquele era o momento. O nosso momento. — Me deixa te mostrar algo. Está vendo aquela moeda brilhante ali dentro? – apontei para a moeda que se destacava no meio das demais no fundo azul da fonte – Fui eu que joguei antes de você chegar.

— O que você pediu? – ela perguntou com curiosidade ao mirar a água.

— Pedi que você aceitasse o que sinto por você. – respondi.

Meu coração batia tão forte que eu pensei que, àquela distância, Luna pudesse ouvi-lo. Um segundo eterno se passou até que ela respondesse com cautela.

— Rafallo, você sabe que vou embora após o inverno. Tenho que voltar para o meu país para defender a dissertação na minha universidade de origem.

— Eu sei disso. – apertei de leve a mão dela dentro do meu bolso – Mas sei também que quem joga uma moeda na Fontana di Trevi sempre volta à Roma.

Ela sorriu ao ver que eu havia estendido uma moeda brilhante para ela.

— Grazi. — respondeu ao pegar a moeda, fechar os olhos e respirar fundo antes de joga-la na fonte.

— Se aceitar o que sinto, deixo você jogar todas as moedas do meu cofrinho aqui. Só para garantir. – brinquei antes de abraça-la por trás, apoiando o queixo no seu ombro.

Ela sorriu ainda mais e então se aconchegou no meu abraço.

— Você está sorrindo, mas mesmo sem olhar seu rosto, sei que suas bochechas estão vermelhas. – ela implicou divertida.

— Claro que estão. Estou nervoso. – declarei baixinho, percebendo que ela se arrepiou por eu falar próximo ao seu ouvido. Então prossegui – Principalmente porque você ainda não me respondeu.

Ela se virou dentro do abraço e em seguida levou as mãos ao meu rosto numa breve carícia.

— Não precisa me dar suas moedas – ela me olhou nos olhos com carinho e ternura – Eu voltarei para cá de qualquer jeito.

Antes que eu pudesse dizer qualquer coisa, aquela mulher preciosa, determinada e feliz se pôs na ponta dos pés e selou-me os lábios.

No final das contas percebi que eu não precisava falar “eu te amo” para que ela entendesse o que eu sentia, mesmo porque sem falar nada, eu percebi que ela sentia o mesmo.

Notas finais
Então, o que acharam da história?
E da música, gostaram?

Aceito todo tipo de críticas e sugestões! ♥

Aguardo seus lindos comentários ♥

Beijinhos :3
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!