Amor e ódio
1 Capítulo único: Amor e Ódio
Notas iniciais
"De todas as pessoas, logo você!"
"Kin-chan..."
"Conquiste seu maior desejo!"
Eram as três frases mais relevantes daquele momento, uma de cada um dos presentes. Ao ser tomado pelo poder sombrio, o albino avançou contra o moreno atordoado pela transformação repentina daquele diante de si. A gola de Epinard fora agarrada de súbito, o erguendo um pouco — quase nada pelas alturas semelhantes -
- Conquistar o meu maior desejo!
Com o forte brado de Aurite, Epinard fechou os olhos, esperando ser golpeado de alguma forma, porém o que recebeu na verdade fora um beijo.
O moreno não relutou — pelo menos, não muito — enquanto tinha a boca violentamente invadida pelo albino faminto. Gemia desconfortável, tentava expulsá-lo mas mais parecia retribuir o beijo faminto.
Aurite afastou-se pouco depois, sem cerimônia alguma.
- E pensar que aquilo que tanto ansiei teria o sabor que eu mais detesto. — Disse como se cuspisse as palavras ásperas.
Epinard, por sua vez, por pouco perdera a compostura, deixando-se levar pelos sentimentos pessoais. Corou, e quis esconder a boca sem chegar a fazê-lo, mas mantinha-se encarando o albino.
- K-Kin-chan...
Aurite avançou outra vez, porém não alcançou seu destino — a boca do outro — porque Epinard virou o rosto no último instante. E agora, o moreno evitava o olhar do albino.
- Por que? — Perguntou insatisfeito, deixando também transparecer desespero em sua voz. Amedrontado soando como furioso.
- Eu não posso correspondê-lo. — Respondeu temeroso; sua voz tremia. — Eu estou com o En...
Antes que completasse a frase, que desse um sufixo carinhoso àquele nome, Aurite o jogou no chão. Um urro de dor escapou de Epinard, que logo depois teve o peito pisoteado uma vez.
- Por que ele!? Por que logo ele? — apontara a mão aberta contra o moreno, a ponto de disparar seu poder — O que há de tão especial nele? O que ele tem que eu não tenho?!
Todo aquele poder o consumia, extinguindo sua racionalidade aos poucos. Aurite movia-se puramente pelo emocional conturbado, pela dor da rejeição ainda não superada. Para aquele coração ferido, carente de um amor negado, restava a raiva daquele quem um dia se atrevera a amar tão intensamente.
Aurite disparou energia uma vez, sem acertar o adversário caído.
- Eu te conheço melhor do que qualquer um, e ainda assim...! Eu só posso vê-lo sorrir ao lado dele! — mais disparos foram feitos, nenhum acertando o alvo que apenas piscava por reflexo; Epinard não podia se mover pois Aurite o mantinha no chão, ainda pisando em seu peito.
Epinard não compreendia toda aquela raiva. E se era raiva de verdade, se era uma briga de verdade, por que Aurite não o atacava pra valer? Estaria ele hesitando?
- K-Kin-chan... — Tentou chamá-lo ao abrir um dos olhos.
O guerreiro do amor pôde ver por suas lentes embaçadas a expressão frustrada no rosto do albino. A face corada, os olhos inchados, as lágrimas correndo por suas bochechas
- Quem me dera ser capaz de odiá-lo. — A voz do albino falhou por um instante. E ao percebê-lo, Aurite recuou e deu as costas ao adversário. Tapou a boca, contendo um soluço.
Epinard enfim pôde se recompor, por-se de pé com alguma dificuldade, e mirar as costas do albino em pranto.
- Eu não quero lutar com você, eu não te odeio. — Arriscou um passo adiante — Nós podemos voltar ao que éramos antes, podemos ser bons amigos outra vez!
Não obteve resposta, então avançou mais um passo.
- Kin-chan!
- Não me chame por este nome! — bradou enfurecido.
E virou-se de volta, pomposo como de costume, mirando Epinard com olhos que queria fossem de ódio, mas que não passava de uma profunda melancolia.
"Conquest" ele invocou, por fim, o poder supremo. Perdendo, assim, sua razão e lançando-se numa batalha que só despedaçaria mais seu coração partido.
Porque, apesar de tudo que dizia, e de tantos ataques lançados contra, Kinshiro continuava incapaz de odiar Atsushi. O doloroso amor que sentia por ele ainda era forte.
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