Amor e Ódio - sob o fio da espada
5 Samaritana
Notas iniciais
Capítulo V
Ainda um pouco desnorteado pela visão da lesser Thor estancou ao ouvir Butch gritar seu nome. Aproveitando-se da diminuição da pressão em seu peito e pulso, Nagisa deu um golpe com o joelho nas costas do vampiro, libertou o braço esquerdo e deu-lhe um golpe no peito, logo se livrando do seu domínio e lançando-se para trás.
Ofegou, apoiada em um dos joelhos, a espada preparada aguardando um novo ataque de Thor.
O vampiro rapidamente recuperou-se do golpe, mas sob a presença de Butch ao seu lado esperou.
O tira olhava a fixamente com semblante carregado de inegável tristeza.
— Não vai funcionar O’Neal. – Disse encarando o velho parceiro. – Já lhe disse antes que seus truques de Destruidor não funcionam comigo. Não vai conseguir me dominar.
Veloz ergueu-se e amparou um novo golpe de Thor. Mesmo não estando em toda a sua forma física, o vampiro era um adversário forte e de golpes metódicos.
Nagisa recuava e atacava, recuava e se defendia numa sucessão de golpes e contra-golpes de suas lâminas. O vampiro não era mais forte que a lesser, mas era tão ágil quanto.
Enquanto lutavam, surgido do nada outro vampiro com uma longa cicatriz no rosto a atacou. Com o sabre e a espada continuou se defendendo agora de uma ataque duplo. Com leveza apartou-se de uma adaga e girando o corpo acertou o pé no joelho do primeiro vampiro. Abaixou-se para escapar do ataque do vampiro de cabelo raspado, o atingindo do estômago com o cotovelo, e no queixo logo em seguida.
Recuou aguardando um novo ataque. As chamas que consumiam a casa agora maiores e intensas, iluminando as quatro figuras como se fosse dia.
Butch, durante toda a luta permanecera parado a distância observando.
Sabia que Thor ainda não estava com todas as suas forças, mais ainda era um páreo duro para qualquer pessoa. E Zsadist, bem... Zsadist era implacável. Fora com surpresa que vira Nagisa lutando de igual para igual com eles, mesmo sabendo quão fortes os lesseres podiam ser.
Todavia, vendo como ela se livrara de seus irmãos, sacara as adagas e começou a se aproximar a encarando.
"Estou em desvantagem." A lesser pensou observando os três vampiros.
Alerta tentou manter os olhos no da cicatriz. Seus instintos lhe diziam que, dos três, ele era o mais perigoso. Mas seu olhar teimava em se dirigir e fixar no outro...Tohr!
Não sabia o que estava acontecendo com sua mente e seu corpo. Não poderia descrever seus sentimentos conturbados. Parecia que ele despertava uma parte sua que julgava mais morta que sua alma. A visão dele parecia atingir aquela pequena parte dentro de si onde guardara os seus sentimentos para David. E toda a sua confusão foi refletida durante aqueles breves segundos em que lutaram antes e durante a chegada do outro vampiro. Houvera inúmeras oportunidades de machucá-lo, de feri-lo, mas não tivera coragem, ou desejo de fazê-lo.
Poderia matar ao O’Neal tinha certeza, mas não o vampiro moreno. Observou seu antigo amigo se aproximar com as adagas preparadas. Ou talvez não conseguisse machucar o Butch.
Suas atitudes desde o começo desta noite foram todas fora do normal para alguém que, literalmente, não tinha coração.
— Por quê? – Ouviu Butch perguntar parando. – Por que você se aliou ao Ômega?
— Por que foram os vampiros que mataram meu marido. – Cuspiu com ódio.
Butch se surpreendeu por um breve momento, para logo depois concluir que a morte de David fora realmente estranha.
— Você sabe o que o Ômega é? Sabe que ele é o Mal? Que todos os lesseres são seres da escuridão? Sabe que ao destruirmos você terá que fazer parte dele e sofrer para o resto de sua existência no Dhund? – Butch mal conseguia respirar com a raiva. – Soube disso e mesmo assim fez o acordo?
— O desejo de vingança O’Neal é um conselheiro muito cruel. – Respondeu.
Com o canto do olho viu o vampiro da cicatriz se desmaterializar para logo em seguida sentir o leve deslocamento do ar de seu lado esquerdo.
Como todos os eventos naquela luta entre os membros da Sociedade e a Irmandade, tudo aconteceu muito rápido. Nagisa sabia onde o vampiro apareceria e que a atacaria.
Porém nesse mesmo instante observou a menina vampira correr em sua direção. Não saberia dizer o porquê dela fazer aquilo, qual era sua intenção, mas sabia como extrema clareza, nos cinco segundos em que tudo ocorreu, que a menina estaria entre ela e o golpe do vampiro quando este se materializasse.
Sem realmente pensar, e guiada pelo instintos adormecidos que haviam aflorado no momento em que viu as três crianças, deu dois passos para frente, agarrou a garotinha pelo braço, amparando-a junto ao peito, recebendo no segundo seguinte um golpe certeiro das duas adagas, como um longo e fundo xis nas costas.
Seu grito de dor foi intenso. E não saberia dizer o que ocorreu em seguida, pois com um golpe na cabeça, desmaiou.
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