Amor e Ódio
10 Um novo sentimento
O despertador tocou em seu habitual horário, Bakugou se levantou para o treino matinal e assim que colocou os pés em contato com o chão pôde sentir o frio percorrer sua espinha.
— Merda – exclamou – Vai ser um ótimo dia – revirou os olhos.
Nem precisa dizer o quanto ele odeia o frio, né? O loiro fez todas suas higienes matinais e foi para a cozinha, sem dúvidas esse horário era um dos seus favoritos, não tinha mais ninguém acordado além dele, não precisava se preocupar com alguém o incomodando ou até mesmo ser observado.
Tomou um café da manhã reforçado e foi para o seu treino, era ali onde iria esvaziar sua mente e tentar organizar seus pensamentos. Como esperado, não tinha mais ninguém além dele na arena. Uma coisa pela qual ele prezava eram seus treinos matinais, eles quem definiam como seria seu dia.
Bakugou precisava daquele treino, precisava entender tudo o que estava acontecendo. Se perguntava se realmente estava gostando de Ochako, logo agora, não poderia ser possível.
{…}
Uraraka acordou pela manhã sentindo uma angústia em seu peito, passou a noite inteira se remoendo pelo quase beijo da noite anterior. Olhou para o relógio e marcava 6:00 AM, sabia que logo Bakugou iria retornar do seu treino e sua missão do dia seria evitá-lo, correu para o banheiro fazer suas higienes e logo foi para a cozinha.
Quase todos estavam por lá, faltavam só Denki e Kirishima, os dois tinham o hábito de acordar tarde. A morena olhou ao redor buscando pelo loiro, mas não o encontrou, suspirou aliviada por isso. Estavam terminando de comer suas panquecas quando Iida e Midoriya apareceram.
— Bom dia, Uraraka — o representante de sala se apressou para cumprimentá-la.
— Bom dia, Ocha — Izuku sorriu tímido para a menina.
— Bom dia, meninos — sorriu para os dois.
Ochako era assim, o mundo poderia estar desabando à sua volta que ela continuaria com um sorriso no rosto e a gentileza na ponta da língua.
— Vocês já estão indo? — perguntou curiosa, seria bom ter companhia e ter alguém para se esconder atrás caso Katsuki aparecesse.
Eles acenaram que sim com a cabeça e seguiram para a sala de aula, Uraraka tentava se distrair com os amigos, mas seus pensamentos a traíram levando-a para Bakugou.
Seria um dia difícil, sua mente se ocupava em focar no quase beijo deles, a castanha desejava mais do que tudo que aquilo realmente tivesse acontecido, pelo menos assim teria um motivo para pensar nele.
Quando chegaram ao bloco de aula, a menina seguiu sozinha para sala, Izuku e Iida precisavam resolver alguns assuntos antes da aula começar. Seria bom ficar um pouco sozinha, talvez conseguisse organizar seus pensamentos nesse meio tempo. Cruzou os braços sobre a mesa e abaixou a cabeça, tentava pensar nas aulas do dia, nas tarefas e organizar sua semana, precisava finalizar alguns trabalhos.
Katsuki chegou a sala um tempo depois, ficou surpreso quando reparou que ela estava sozinha ali e ainda por cima dormindo. Se aproximou devagar e colocou uma embalagem de Mochi sobre sua mesa, fazendo com que ela se assustasse.
— AAAH — gritou assustada — Katsuki, que susto! — levou sua mão ao peito.
— Tsc, se estivesse com a cabeça erguida não teria se assustado — deu de ombro — Trouxe essa porcaria para você, bochechuda.
A garota levou o olhar para a sacola e pode ver o slogan da sua padaria favorita no pacote, seus olhos brilharam e um sorriso brotou em seu rosto — Katsuki, eu não acredito — falou animada — Você comprou Mochi pra mim e ainda por cima do meu lugar favorito — em questão de segundos a castanha já estava lhe abraçando e dando um beijo em seu rosto — Obrigada, obrigada — disse dando pulinhos ao seu lado.
Bakugo estava estático, ele odiava que invadissem seu espaço pessoal e aquela menina tinha acabado de fazer aquilo e ele nem se importava, muito menos ela, que continuava tagarelando sem parar. Sentir seu cheiro de framboesa entrando por suas narinas logo pela manhã era maravilhoso.
— Que seja Buzz Lightyear, come logo essa porcaria antes que fique ruim — não podia negar que sua nova visão preferida era ver Ochako comendo algo que goste.
— Com certeza — sorriu abrindo a embalagem — Você quer um pedaço?
— Não gosto dessa merda.
Ochako dava uma mordida e ficou surpresa quando ouviu ele dizer isso, não deu nem tempo de ele reagir e a castanha enfiou um pedaço de Mochi em sua boca — Experimenta antes de falar, Katsuki — riu da cara do maior.
— Porra, cara de lua — disse terminando de mastigar — Quer ser explodida logo cedo? Puta merda.
— Aaah Kacchan, vai falar que não gostou?!
Ele revirou os olhos, como era possível alguém ser tão animada e gentil logo pela manhã? Que inferno — Não é tão ruim assim — ela sorriu para ele, com certeza aquele sorriso era a razão pelo seu dia estar melhorando — Tsc, eu vou para o meu lugar, até qualquer hora — pode ouvir a castanha se despedindo alegremente enquanto terminava seu Mochi.
{...}
O dia de Bakugou estava sendo um inferno, seus poderes estavam fracos por conta do frio e sua mente não se concentrava no treino. Maldita Uraraka, aquela menina não tinha nem tamanho direito e conseguia tirar seu foco mesmo de longe.
Desistiu do treino assim que errou o alvo pela décima vez, não era normal o que estava acontecendo e ele sabia. Depois de muitos gritos e palavrões, decidiu dar uma volta para tentar esfriar a cabeça.
Tomou um banho e se arrumou no vestiário mesmo, não queria voltar para o dormitório e aguentar aqueles inúteis, vulgo seus amigos. Saiu andando sem nenhuma direção específica, estava muito perdido em seus pensamentos para definir algo, só parou quando sentiu um cheiro gostoso do lugar a onde estava em frente.
Na mesma hora, seus pensamentos vagaram para noite passada e o lembraram de que a maldita garota tinha ficado sem seu Mochi. Sabia o quanto a menina era viciada nessas coisas e resolveu agradá-la, comprou um de morango, tinha suas suspeitas de que fosse seu preferido.
Não sabia o porquê de estar fazendo aquilo, talvez fosse só para agradar, talvez para se desculpar ou até mesmo para criar um laço antes de enchê-la de porrada. Sua consciência gritava que aquele ato era movido por culpa, mas culpa pelo o que? Por ter despertado possíveis expectativas na garota depois de um quase beijo? Ou por estar quase a beijando? Bom, isso nem ele sabia explicar ao certo.
{...}
Já era fim da noite e todos se encontravam em seus quartos, Uraraka agradecia por aquele dia ter passado rápido e sem nenhum incidente, quer dizer quase nenhum.
Na hora do almoço, a castanha sentiu o olhar de Katsuki sobre ela e acabou se atrapalhando, resultando em um esbarramento com um menino do terceiro ano. A menina ficou mais vermelha do que a bandeira do Japão, pediu mil e uma desculpas, o rapaz com quem ela esbarrou foi super atencioso também, o que gerou um pouco de conversa.
Um menino do terceiro ano se preocupando com uma menina do primeiro ano? Ainda querendo levá-la para enfermeira para ter certeza de que nada tinha acontecido a ela, certamente isso atraiu vários olhares, até mesmo de um loiro em questão. Depois do incidente, a morena pensou duas vezes antes de agir.
Já para o estressado, ver aquele cara perto de Uraraka fez o sangue ferver. Xingou tanto a pobre coitada em sua mente, se perguntava como uma futura heroína poderia ser tão atrapalhada daquele jeito.
"Nota mental: questionar Uraraka sobre sua desatenção" — disse para si mesmo deitado em sua cama.
Sua mente vagou para o acontecimento da manhã, aquele maldito abraçou tinha mexido com ele. Ela não sentia medo de estar perto dele e nem repreendida, por mais que ele a insultasse com os apelidinhos, que eram bem leves para alguém estilo Bakugou ... Tá aí uma coisa que ele não conseguia fazer com Uraraka, não conseguia ofender.
Tentando desviar sua atenção de seus sentimentos, começou a pensar em alguns treinos para a garota, precisava pensar em algo que combinasse os dois poderes. Só de pensar em treinar junto à ela, seu corpo se arrepiou inteiro, não tinha como fugir, qualquer caminho levava a ela.
Não era muito diferente para Ochako, seu estômago estava se revirando só de se lembrar do treino com Bakugou.
— Até parece que eu estou com borboletas no estômago — ela riu de si mesma.
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