Amor e orgulho
4 Capítulo 4 : Decepções
Notas iniciais
O apartamento da senhora Benson estava bastante animado na noite de sábado. Ela preparou um jantar de boas vindas para seu filho e convidou seus amigos de infância e alguns poucos atuais que ela conhecia. Freddie estranhava o bom humor e a descontração da mãe que finalmente o tratava como um adulto. Ele não levou mais ninguém, as pessoas que conheciam em Seattle eram todas as que estavam ali.
–E então, como vai o grande programador? –Perguntou Carly sentando no sofá ao seu lado.
–Melhor impossível, e a grande jornalista?
–Muito bem. E então vai fechar com a Apple?
–Sem dúvidas. Foi a melhor proposta que recebi, terei total autonomia promovendo meu projeto com eles!
–E você já conversou com a Sam sobre...
–Nããão. A Sam não pode ver esse projeto agora em hipótese alguma!
–Mas uma hora ela vai ver de qualquer jeito...
–É. Mas se ela tomar conhecimento agora, vai querer me barrar, me processar ou algo do tipo. Se ela fizer isso agora, pode me prejudicar, a companhia jamais se arriscaria a comprar um projeto vinculado a qualquer escândalo. Mas quando o meu jogo estiver no mercado, não terá mais volta, meu projeto é tão bom que a repercussão dele ofuscará qualquer polêmica. E de todo modo eu estarei rico e poderoso o suficiente para enfrentar qualquer briga jurídica!
–Freddie...
–Sem essa, Carly dessa vez sua amiga perdeu.
–Perdeu? Mas se não fosse ela...
–Freddie! –Brad apareceu por trás do sofá tocando em seu ombro. –Cara foi mal, mas eu já estou indo!
–Mas você acabou de chegar, ainda nem jantamos!
–Desculpa, mas a Melanie não ta se sentindo bem aqui, disse que se sente traindo a irmã, tenho que ir com ela!
–Eu vou la falar com ela.
–Tudo bem, mas garanto que não dará em nada. –Brad se sentou ao lado de Carly.
Freddie se levantou e se dirigiu até Melanie que estava na porta de braços cruzados esperando o namorado. Ela e Brad se conheceram numa festa de aniversário de Carly e já estavam de casamento marcado.
–Mel, por que já vai? –Perguntou Freddie carinhosamente sentindo uma pontada de angustia diante daquela cópia de Sam.
–Estou com dor de cabeça. –Respondeu desviando o olhar e forçando um riso de canto.
–Olha, se for pela Sam, eu queria dizer que você não tem nada a ver com nossos desentendimentos, você é minha amiga também e...
–Freddie você não é o centro do mundo, ta bem? Não tem nada a ver com você! –Ela falava tranquimente. -Agora se importa de ir chamar o Brad antes que a minha cabeça exploda?
–Claro. –Disse sem graça. –Tenha uma boa noite.
Freddie se afastou aborrecido e meio cabisbaixo e se despediu de Brad que já aguardava o termino da conversa no sofá ao lado de Carly.
–Sua noiva esta irredutível.
–Eu avisei. –Brad se levantou sorrindo.
–Lamento que ela esteja tão brava comigo...
–Relaxa ela só ta chateada por que você não convidou a irmã, e fala serio Freddie, olha em volta, ta bem estranho todo mundo aqui menos ela!
–Foi o que eu disse. –Completou Carly.
–Eu tentei convidar e sai com a cara quebrada, tão satisfeitos?
Carly e Brad riram.
–Não tem graça!
–Tem sim. Mas me deixem ir antes que a Mel encrespe comigo...
–Thau!- Disseram os dois em uníssono quando Brad se afastou.
–Sério que a Sam fez isso? Carly ainda ria.
–É. Agora eu é quem não quero mais voltar a falar com ela.-Disse voltando a sentar ao lado de Carly.
–Acredito. –Ela revirou os olhos. -Deixa de exagero, ela já fez coisa pior.
–É, mas era uma menina!
–É, mas ainda é a Sam.
–Deve ser por isso que... –Ele deixou escapar um sorriso acompanhado de um olhar distante.
–Por isso que...
–Que... que... –Ele recompôs a expressão aborrecida. -Não conseguimos nos entender!
–Sério que não sentiu nada quando a viu? A Sam está tão linda... Não sei como ainda não casou com tantos pretendentes lindos e ricos atrás!
Freddie a olhou de modo desconfiado.
–Como assim tantos?
–Deixa pra la, e você, não deixou ninguém em Paris?
–Não. Tava namorando, mas terminei antes de vim pra ca. A garota era uma mala, só falava futilidades. Mas era linda!
–Mas bonita que a Sam?
–Impossível. –Disse sem pensar, Carly riu surpresa com o comentário, ele não ficou nem um pouco constrangido, mas Carly foi impedida de continuar por Marissa.
–Querido, vamos, dê atenção aos outros convidados, Gibby e Tasha já estão jantando por que vocês também não vêm?
–Amei a ideia! –Carly afirmou sorridente.
–Onde esta o Griffin querida? –Perguntou Marissa docemente.
–Ele esta trabalhando disse que se der passa aqui mais tarde!
–Tudo bem, não demorem! –Ela se afastou sorrindo.
–De certa forma foi bom a Sam não vim, pelo menos não aborrece a minha mãe que esta tão feliz com minha volta...
–Não tenha tanta certeza disso!
–O que quer dizer?
–Elas não gostam de admitir, mas depois que você partiu elas se tornaram grandes amigas!
–Minha mãe e a Sam? Grandes amigas? Conta outra!
–Você mal a visitava, só ligava em datas comemorativas e soube que a tratou mal quando ela foi te visitar no seu segundo ano de faculdade. –Carly de repente adquiriu uma expressão sombria.
–Ela apareceu no meio de uma festa me chamando de bebe da mamãe com cuecas anti bacterianas! Não me controlei! Eu já pedi desculpas!
–Mas depois disso ela nunca mais quis ir la, e quando Spencer se mudou aqui da frente, quase entrou em depressão. –Ela baixou o tom de voz.
–Não brinca...
–Eu estava fazendo intercambio no Amazonas, três anos depois que você foi em bora, a Sam é que me contou que quando vinha visitar a mãe nos fins de semana vinha ver ela e ela tava super pra baixo. Ai a Pam foi morar com um namorado no Canadá. A Sam não tinha mais motivo pra vir aqui com tanta frequência, e levou a sua mãe pra morar com ela por um tempo.
Freddie estava estático. Olhou para a mãe que sorria ao lado de Gibby e pensou no quão decepcionado ela deveria estar com a ausência de Sam.
–Ela já tinha estabilidade financeira e morava em Chicago, já estava na pós-graduação. -Continuou Carly. -Ela e sua mãe moraram juntas por uns quatro anos, mas a sua mãe arrumou um namorado la que mora aqui, e voltou pra ca com ele assim que a Sam acabou o doutorado. A Sam voltou pra Seattle a um ano atrás quando foi promovida e transferida em definitivo. As duas mal falam nisso. Mas não há como negar que estão super apegadas.
Freddie não tirava os olhos da mãe. Ela e Sam viviam brigando então por que...
–Mas, mas...
–Freddie por que a surpresa? A sua mãe viu a Sam crescer, é claro que gostava dela, e a Sam, sempre sentiu falta de uma mãe mais presente, e a Marissa de um filho que correspondesse, alem disso ela sempre quis uma menina então...
–E por que elas fazem segredo disso?
–Elas não fazem segredo só não gostam de falar sobre isso, é um direito delas... Principalmente pela Sam que não quer que pensem que ela esta forçando algum vinculo com você.
–Eu... Nem sei o que dizer, não sabia que minha mãe sentiria tanto a minha falta.
–Sua sensibilidade é comovente. Então a mulher passa a vida se colocando em segundo plano por você e você não sabia que ela sentiria sua falta...
–E por que ela não foi morar com algum parente?
–De favor? Com a Sam ela conseguiu uma nova vida, Freddie, ela era como uma secretária, organizava a vida pessoal da Sam que estava uma bagunça por causa do trabalho, foi a mãe que a Sam nunca teve, cuidava da alimentação e da saúde dela, pelo que a Sam me contou, se não fosse por ela o trabalho teria sugado todas as forças dela! Se ela é diretora executiva de uma multinacional aos 27 anos ela deve isso em grande parte a senhora Benson!
–Tenho que agradecer a Sam...
–Tenta e vai sair dela sem os dentes dessa vez... Só to te contando pra você saber o quanto foi estúpido e vê se tenta ser menos bocó pelo menos com sua mãe!
Diante da expressão triste de Freddie Carly exclamou sorrindo:
–Vem relaxa, já passou, vamos comer.
–É...-Ele suspirou pensativo.- agora é seguir em frente, logo vou estar muito rico e darei a minha mãe uma mansão digna de rainha! Espero recompensá-la!
Carly olhou com desprezo para Freddie diante daquelas palavras.
–As vezes acho que não há tapa suficiente nesse mundo pra você!
–O que esta dizendo?
–Nem tudo se compra nessa vida, Freddie e pode ter certeza de uma coisa, as melhores coisas da vida nós recebemos dando, não comprando... –Carly corou com o duplo sentido da frase.
Freddie se recostou novamente no sofá e viu a estupidez eu fez tentando comprar o perdão da amiga.
–Acho que mereci levar um grampeador na cabeça... –Disse vagamente.
–Foi um grampeador? –Carly sorria já de pé. –Caramba, ela podia ter te cegado!
A segunda estava chuvosa e Freddie sabia que tinha uma verdadeira missão a cumprir. Já havia encaminhado no sábado um email a companhia comunicando sua vontade de aumentar o sigilo em torno do projeto reduzindo drasticamente o número de membros da reunião expositiva. Mas pra tirar a diretora executiva e chefe do departamento da jogada ele precisava de mais do que isso. Ele decidiu sugerir que só participassem da reunião os presidentes, acionistas majoritários e o pessoal do marketing. Estava esperando o email de confirmação naquela manhã chuvosa, sabia que aquilo causaria a fúria eterna de Sam, mas não havia outro jeito, se ela participasse seria pior. O email chegou. Ele leu com atenção.
–Foi mal Samy. –Disse sorrindo largamente.
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