Amor e etc.
2 02 – Sorriso de vidro
Notas iniciais
02 – Sorriso de vidro
▪ Kentin x Alexy ▪
Sabia que sentia seu coração pulsar mais intenso após o ápice do desejo, do amor.
As mãos segurando firme a cintura ligeiramente delgada, a forma que o corpo dele contorcia-se abaixo do seu em busca de controlar – inutilmente – a insanidade do prazer, da satisfação. Os lábios perfeitamente desenhados abria-se para gritar seu nome, chamar por si enquanto deixava-se derramar sob seu corpo a luxúria do ato consumado.
Aquela era, certamente, a cena mais bela que Kentin poderia deslumbrar. A visão que fazia seu prazer elevar-se á níveis absurdamente incríveis. E bons, e perfeitos. Intensos, eróticos, apaixonantes. Alexy era apaixonante.
Mas o melhor vinha após o momento de clímax. A calmaria após as ondas de luxúria que lhes invadiam os corpos, acalmando-lhes a alma e aconchegando os amantes num abraço sereno e quente. Sentir a respiração descompassada do amado e sorrir para ele. E vê-lo sorrir de volta.
Ah, sim. Esse era o melhor momento. O sorriso. Aquele sorriso. O sorriso de Alexy.
Jamais cansaria de admirar o sorriso daquele que ama.
Sorria-lhe de volta e se aproximava para beijá-lo. E beijar, beijar e beijar... Tocava a pele suada e quente, sentia o peito do mais alto subir e descer com a respiração descompassada, saboreava de sua pele e de seus lábios com sua boca sedenta.
Sempre tinha sede de senti-lo. De vê-lo sorrir daquela maneira enquanto acariciava-lhe a face.
Mas, o melhor de tudo, era saber que aquele sorriso era único e exclusivo seu.
Engraçado como tudo começou com aproximações suaves, nada muito impactante. Pouco á pouco tudo se modificava. Kentin notava o sorriso de vidro, frágil, prestes á estilhaçar.
Mas, por mais que fosse um sorriso de vidro, ele sempre estava ali, presente na falsa alegria de Alexy. Um sorriso que á qualquer momento poderia se despedaçar. Um sorriso que, se exposto á uma agressão mais forte da melancolia, quebraria em milhões e milhares de pedaços. Estilhaçados, que a qualquer momento poderia virar apenas cacos.
Não mais.
Agora aquele sorriso era feito do vidro mais resistente. Era um sorriso sem medo de preconceitos, sem medo de julgamentos e olhares tortos. Era um sorriso para o amor, feito de amor, o seu amor para ele, com ele.
E era nesse momento que seus lábios traidores deixavam escapar a velha história do “eu te amo”.
Um “eu também” seria a resposta ideal. Mas não com Alexy. Ele brincava consigo, fazia piadas bobas, ria e sorria de forma abundante e feliz.
E, naquele momento, Kentin sabia que aquele era o sorriso de vidro mais bonito e mais resistente que já viu.
End.
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