Amor e Rock
3 Há pessoas boas no mundo
Notas iniciais
Angel caminhava até o ponto, ansiosa para pegar o ônibus e conversar com Henrique. Mas, para sua tristeza, ele não estava lá. De fato, ela havia saído cedo demais. Porque para ela, quanto mais tempo ficasse fora de casa, sentia-se melhor.
Entrando na sala, notou que só haviam chegado três pessoas: Sthefany, Gabriel, e Louise. Sthefany e Gabriel estavam sentados na frente, como de costume, em seus respectivos lugares, conversando e rindo. Já Louise estava sentada na última carteira, excluída, isolada, quase invisível, perante os outros. Angel cumprimentou os dois. E percebeu que Sthefany não parava de olhar para seu rosto, até que por fim, perguntou:
— Que mancha é essa no seu rosto, Angel? — certamente era um hematoma, o coração de Angélica disparou, ela não sabia o que responder. Que desculpa daria?
— Ér... Não é nada! — envergonhada, seus olhos encheram de lágrimas — Com licença.
Para evitar mais perguntas, saiu andando para o fundo da sala. Decidiu sentar na última carteira, atrás da de Henrique. “De agora em diante, sentarei aqui! Perto de quem realmente é meu amigo” pensou Angel. Teve a sensação de estar sendo observada, olhou pro lado, e se assustou com o olhar penetrante daquela garota. Angel a achava estranha, e se perguntava o porquê dela a observar tanto.
Bate o sinal, o professor entra na sala. E nada de Henrique! Angel já estava perdendo as esperanças de vê-lo. Com decorrer da aula, Henrique realmente tinha faltado, e Angel não conseguia se concentrar matéria... Se lembrava da briga que tivera no dia anterior com seu pai. Ela se perguntava "por que tinha de ser assim?”, “Por que ele simplesmente não poderia ser um pai normal?” Em meio a esses pensamentos, sentiu seus olhos encherem de lágrimas. Saiu apressadamente da sala.
Angel não podia segurar mais, precisava chorar. Foi para o banheiro, entrou na ultima cabine. Abaixou a tampa do vaso sanitário, sentou, com roupa, e deixou fluir todas as lágrimas que não podia mais evitar. Logo em seguida ouviu passos... Alguém se aproximava. Ela enxugou os olhos, mas logo as lágrimas transbordaram novamente. Pôs as mãos no rosto para que ninguém a reconhecesse. A pessoa se aproximava cautelosamente. A garota parou em frente a cabine de Angel. Angel foi subindo o olhar, e de repente viu longos cabelos loiros. — Por um instante pensou que fosse a loira do banheiro, mas logo viu o rosto... Era Louise. Ela se ajoelhou em frente a Angel, e a abraçou. Como uma mãe, como uma irmã, como uma amiga. Angel a abraçou também, e as duas ficaram ali, abraçadas, em silêncio. Silêncio breve, que foi interrompido pelo soluço de Angel, seguido do seu intenso choro, doloroso. Suas lágrimas caiam no sedoso cabelo de Louise. Após algum tempo, Angel sentiu um perfume maravilhoso invadir-lhe as narinas, então, começou a se acalmar. O perfume era de Louise. Angélica nunca mais esqueceria este perfume. Com o tilintar do sinal, as duas se soltaram. Louise se levantou e estendeu a mão para Angel. Angel aceitou e se pôs de pé. Louise levou sua mão até o rosto de Angel, e limpou suas lágrimas, dizendo:
— Vamos. Temos que ir pra aula. — Com um tom de voz doce e acalentador. Angel acentiu com a cabeça. Louise saiu andando.
— Espera. — disse Angel — Obrigada. — Louise virou-se e sorriu.
E as duas foram pra sala.
Angel não parou de pensar em Louise. Em como seu gesto foi bom. “Ela não me conhecia, eu nunca havia falado com ela, e mesmo assim, ela foi tão gentil, tão carinhosa." "Ela não quis saber o porquê, ela não me incomodou com perguntas, não quis nada em troca. Apenas, me serviu, me ofereceu seu ombro-amigo, me aconchegou." pensou Angel, e soube que, naquele momento, a desconhecida foi sua melhor amiga.
No dia seguinte. Angélica estava disposta a deixar “o seu passado para trás”. Quando entrou no ônibus, Henrique estava de pé no fundo do, pois, não havia bancos vazios. Ele fixou seus olhos nela, ela fingiu não vê-lo. Ficou parada perto da catraca, olhando para a janela lateral. Henrique não conseguia entender sua atitude. Por que ela o estava evitando? Mas no fundo ele a entendia. Ela queria se fechar para o mundo. Essa é atitude que muitos tomam quando estão passando por dificuldades: Se isolar, e se afastar das pessoas. Mas, o papel do verdadeiro amigo é ir atrás dessa pessoa, não á deixar sozinha, justo em uma hora ruim. Henrique não a deixaria sair de sua vida, por mais que ela o evitasse. Ele já gostava demais dela para isso. Então, foi para junto de Angel, e começou à contemplar o seu rosto. Esta que ainda estava com o olhar distante. Depois de alguns instantes, Angélica olhou para ele e disse:
— Não precisa ficar aqui, se não quiser.
— Nunca vou te deixar só. — Com a sua voz calma, olhando-a fixamente nos olhos. Angel sentiu seu coração se aquecer, seus olhos encheram de água. Como existiam pessoas boas. Ela desviou o olhar, na tentativa de controlar suas emoções, e não chorar. Pelo menos, não na frente dele, não no ônibus. Ele pegou em sua mão, ela a segurou firme.
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