Amor e Luxúria
5 Erza vs juvia
Notas iniciais
Chamas enormes cobriam as redondezas de Veritas, casas sendo destruídas, plantações devastadas. Homens de tudo quanto é tipo lutando para defender sua terra natal, eles lutavam bravamente sem temer a morte. Rogue estava tão furioso por ter sido pego de surpresa que acabou ignorando os conselhos de Erza.
O movimento da garota foi tão suave e rápido que os olhos dos presentes naquele momento mal conseguiram acompanhar; em um só movimento, Erza pegou Rogue pelo pulso e o puxou para trás, ao mesmo tempo se colocando bem a frente dos guardas. Alguns tentaram se aproximar, mas Rogue quase perdeu o equilíbrio, ele tateou uma porta logo atrás, ao tentar fugir Erza o surpreendeu com um golpe.
– Leve-o para um lugar seguro, eu assumirei daqui! Papai, por favor, auxilie os demais durante a batalha.
– Erza o que irá fazer? – Perguntou o pai.
– Irei localizar a pessoa responsável por tudo isso e depois libertar minhas amigas! – Ela olhou no fundo dos olhos do pai demonstrando sua determinação. Pela primeira vez, ela sentiu que seu pai estava orgulhoso. Finalmente a menininha cresceu e se transformou em uma grande mulher.
A verdade é que tudo foi longe demais, pensou ela, — agora irei mais longe ainda! — Erza corria pelos corredores largos do castelo até uma saída pelos fundos. Ela sabia que por ali poderia ter uma armadilha feita pelas tropas inimigas, mas mesmo assim iria arriscar. Sempre armada com sua katana, ela aumentava a velocidade. Seus olhos estavam cada vez mais sombrios e os seus pensamentos estavam uma bagunça. – Se eles tiverem a audácia de tocar nelas... – Imagens lampejaram em sua cabeça, rápidas demais para contar – eu não sei o que faria com eles. – Em outra hora, ela podia ter ficado chocada com o surto de adrenalina, com a empolgação que tomava seus pensamentos.
Ao sair do castelo, lá estavam eles esperando por ela. É como se eles já soubessem que Erza Scarlet iria sair a qualquer momento por ali, estavam todos bem equipados com espadas, rifles e armaduras. Ela parou de correr e apenas sorriu de canto, era como um clarão vermelho de fúria. A ferocidade dentro de Erza acolheu bem aquele momento, poderia até se dizer que ela estava feliz com aquela emboscada. Ela saltou e gritou enquanto manejava sua katana de forma graciosa. Havia pelo menos 10 soldados ali, e ela derrotou os 10 sem nem sofrer um arranhão se quer. Terminou numa postura agachada de predador, mas agora sua face era séria.
Ela estava sendo aplaudida por uma mulher jovem e bonita de cabelos cacheados e azuis, trajando um vestido comprido e alguns diamantes no pescoço e orelhas. Seu olho era geométrico, com uma forma perfeita e o sorriso melancólico. Ela aproximava-se lentamente ainda chocando suas mãos uma na outra.
– Então os rumores que ouvi sobre a Titania são reais... Impressionante como seus ataques são rápidos e precisos. Confesso que mal conseguir acompanhar seus movimentos, e também nunca pensei que acabaria assim com meus homens em menos de cinco minutos. Seria essa a sua fúria, porque raptei suas amigas? – As palavras saíram com um tom de deboche misturada com uma leve dose de humor.
– O que fez com Bisca e Kagura? – Perguntou ela rispidamente.
– Hmm, ainda nada... mas quem sabe o que pode acontecer com elas?
Erza aproximou-se da mulher e avançou com sua mão esquerda o pescoço, apertando-lhe com tanta força que rapidamente a mulher de cabelos azuis perdeu a respiração. – ONDE ESTÃO MINHAS AMIGAS? ESSA É A ULTIMA VEZ QUE PERGUNTO!
Com dificuldades, a garota respondeu – S-s-se me matar você nunca saberá! – Erza a empurrou com tanta força que Juvia caiu no chão. Ao voltar seu olhar para Erza, ela sorriu diabolicamente e pegou uma espada que estava caída por perto e apontou para a jovem de semblante sério. – Acha que não posso lutar também?
Erza arfou, ela só percebeu isso naquele momento, mas a tensão que sentia, a sensação de urgência, não vinha de dentro. Vinha de fora, estava em volta dela. O ar se adensava com isso. Com um golpe pesado, Erza arrancou a espada que a moça segurava e logo em seguida disse: — Você deve ser Juvia, a mulher que Rogue viu mais cedo em seu quarto!
Juvia gemeu ao sentir o golpe, desfazendo o sorriso arrogante que se formava. Agora seus olhos estavam serenos e a face pálida, tapada por uma mecha rebelde de seus cabelos. – Vejo que ele falou sobre mim! – falou com rispidez.
A garganta de Erza doía, como se ela tivesse gritado. Também estava seca.
Ela girou seu corpo e escolheu uma espada pesada e bem feita e jogou em direção a Juvia. – Se eu te derrotar tudo isso acaba e você devolve minhas amigas. – Disse Erza em tom de negociação.
Após se levantar e observar a arma, Juvia recuou com uma risada vibrante. – Está tentando negociar? Minha querida, não há negócios que você possa fazer comigo.
– Então não posso fazer mais nada! – Erza empunhou sua espada com as duas mãos e saiu correndo em direção a mulher. Ela sentia suas bochechas queimarem de tanto ódio que ela estava sentindo.
Com agilidade, Juvia pegou a espada que Erza havia lhe jogado e defendeu-se de um golpe forte e preciso. Ela arregalou os olhos aos ver que uma mecha de seus cabelos havia sido cortada, sua respiração passava de controlada para descontrolada. Juvia observava Erza com um pavor mudo enquanto se defendia, mas logo a mesma derrubou a ruiva com uma rasteira.
A espada de Erza voou para longe e uma lamina afiada foi apontada para seu pescoço. Com a pontinha, Juvia fez um pequeno corte. Um acanhado filete de sangue escorreu pela lateral do seu pescoço até tocar o chão, ela fechou os olhos e pensou – me desculpem meninas, eu falhei com vocês. Desculpe-me papai, Rogue e todos os moradores da vila. Eu falhei com todos! – ela engoliu seco, mas logo abriu seus olhos. A mulher a encarava com um ar de decepção.
Atrás de Juvia, havia uma lua cheia e reluzente. Era a mesma lua do dia em que os quatro melhores amigos juraram fidelidade um ao outro quando crianças, até a data do dia se coincidia.
“Eu, Erza Scarlet, juro proteger meus amigos até não me restar mais força alguma, juro jamais desistir!”
– Eu não posso desistir! – ela murmurou enquanto fixava seu olhar em Juvia, feito uma felina ela derrubou a mulher com um chute e levantou-se. Ainda desarmada, a garota pegou Juvia pelos cabelos e a puxou forçando-a levantar.
– NUNCA BRINQUE COMIGO, SE FOR PARA ME MATAR, NÃO HESITE! – Erza rosnou as palavras, fazendo com que a oponente sentisse medo.
Agora ela batia na mulher de mãos limpas, utilizando apenas sua força e a fúria que estava sentindo ao seu favor. Juvia permanecia imóvel, assustada feito uma gatinha que acabou de ser jogada em agua gelada. A autoconfiança havia desaparecido da sua face. Com uma combinação de socos e chutes, Erza encurralou Juvia contra uma arvore, prendendo o pescoço com o salto de sua bota de couro preto. — Agora responda, onde está Kagura e Bisca?
Juvia respirava com dificuldade, suas forças tinham a deixado, qualquer movimento que ela fazia não surtia efeito algum em Erza. Ela tentou se soltar, mas o salto da bota estava bem preso entre seu pescoço e a árvore.
– Elas estão à salva no calabouço do castelo de Veritas. – Sua voz saiu em sussurros forçados.
– E como conseguiu pegá-las? – Perguntou Erza.
– Meu marido infiltrou homens de sua confiança. Eles usaram uma erva para fazer com que elas – cof cof cof – ela tossiu sangue.
– Continue! – Erza disse sem demonstrar emoção alguma.
– Para que elas perdessem a consciência. – Com muito custo, Juvia abriu os olhos.
– E quem é seu marido? – Ela estreitou os olhos.
– O nome dele é Gray... isso – cof cof cof – é tudo o que irei dizer.
Erza puxou sua perna com força e Juvia caiu ao chão agoniada, levou suas mãos até seu pescoço e com dificuldade respirava. Erza tombou a cabeça para o lado e observou o pequeno buraco que seu salto havia feito na árvore. – Humm, interessante! – Ela virou-se e rumou até sua katana, ao pegá-la Erza sentiu que alguém estava logo atrás. O sangue do pequeno buraco que Juvia havia feito com a lâmina em seu pescoço, não parava de escorrer. A ferida era mínima, mas estava doendo. Ela girou o seu corpo e deu de cara com Rogue.
Ele não estava satisfeito com o que ela havia feito, seu semblante estava tão escuro quanto seus cabelos.
– Eu já sei onde as meninas estão! – disse Erza tentando quebrar à tensão.
– Você sabe que não deveria ter me tirado da jogada. – Ele falou como se as palavras fossem facas.
– Rogue, não foi a minha intenção...
– NUNCA É SUA INTENÇÃO! – Ele a interrompeu, suas enormes mãos a segurou pelos braços e apertou com tanta força que por alguns segundos Erza pensou que seus ossos iriam se partir.
– Rogue, acalme-se! Você está me machucando, eu não sou sua inimiga. – sua voz falhou ao pronunciar a palavra “inimiga”. – Somos amigos desde que éramos pequenos. Prometemos cuidar um do outro, se lembra? Aquela noite de lua cheia, fizemos juramento de sangue. Eu só estava te protegendo! – De repente sua voz se calou, e uma corrente elétrica percorreu por seu corpo. Quando percebeu, seu rosto e de Rogue estavam mais próximos.
Por fim, Rogue a abraçou com força. Ele percebia que ela tinha agido certo em golpeá-lo. Mas não a soltou, ainda não. Simplesmente ficou ali por intermináveis minutos aconchegando a cabeça nos ombros de Erza, curtindo o conforto e a segurança de sua presença. A garota por sua vez retribuiu, só não o abraçou mais forte, porque estava muito cansada da luta contra Juvia.
– Juvia! – ela sussurrou, por alguns minutos ela havia se esquecido da mulher caída no chão. – Ela está fugindo, temos que pegá-la!
– Não se preocupe com ela, deixe-a ir. Assim eles saberão com quem estão lidando! – Rogue falava em tom reconfortante, e Erza deixou-se levar por aquelas palavras.
Depois ela levantou a cabeça para olhar nos olhos dele e sorriu tristonha.
– Tudo ficará bem, não é?
– Sim! – Foi tudo o que ele respondeu.
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