Notas iniciais
Esta fic surgiu a partir de um sonho que tive. Espero que gostem!

A nevasca chegou forte naquela madrugada. Meu pai me pediu que ficasse em casa o dia todo, o que não foi nem um pouco divertido. Todas as minhas amigas haviam comparecido ao festival da neve enquanto eu lia junto à lareira, bebericando o chá que madame Daisy fez para mim. Agora, estava sem sono, olhando os flocos de neve chocarem-se furiosamente contra o vidro da janela de meu quarto, usando uma fina camisola branca de linho que roçava o piso da madeira quando eu andava.

Papai disse que amanhã será um dia especial, pois um visitante importante vai chegar para tratar de negócios sérios com ele. Meu pai é o prefeito da vila onde vivemos, o que quer dizer que é ele quem tem que zelar pela segurança e bem estar das pessoas que aqui vivem. Por essa razão, vários comerciantes e mercadores chegam para fazer negócios com ele. Esse visitante que está chegando provavelmente é um desses homens de negócio, mas não entendo por que papai me quer em casa quando ele chegar. É frustrante ser a única garota da vila – e a filha do prefeito – a não ir ao festival mais tradicional de Arendelle.

Minha gata, Lana, espreguiça-se aos meus pés e mia, pedindo por comida. Deixo meu lugar na janela e a pego no colo.

– Está tarde para me aborrecer, não acha, lady Lana? – sussurro para ela, rindo.

Ela ronrona.

– Um dia serei uma lady, sabia? Nós duas seremos. Vamos à cidade grande, aos bailes e chás de lá, e todos os rapazes vão implorar por nossa atenção, Lana – olho para ela e beijo seu nariz molhado. – Bem, no seu caso os gatos é que vão cortejá-la.

Eu sempre quis deixar a vila, nem que fosse por um dia. Queria conhecer a vida na metrópole, ir a eventos sociais importantes e flertar com lordes bonitos. Mas papai diz que meu papel aqui em Arendelle é importante, e que nossa vila precisa de mim. Bobagem.

Vou à cozinha com Lana nos braços e encho sua tigela de leite fresco. Ela agradece com um miado entrecortado e mata sua sede avidamente. É uma linda gata branca de olhos azuis e, quando a ganhei e ela era só um filhote, pensei que havia nascido da neve e que no inverno era ela quem fazia a neve chegar.

Ouço de repente sussurros na sala de estar e vou até lá nas pontas dos pés.

Aparentemente papai e madame Daisy, minha governanta, ainda estão acordados, discutindo diante da lareira. Permaneço escutando escondida atrás das escadas de madeira, pois quero saber o que eles conversam tão tarde da noite.

– Ele é um ótimo rapaz, senhor – diz madame Daisy, gesticulando com as mãos enluvadas. – Posso garantir que não há melhor parceiro para nossa menina, não se preocupe.

– Não é com o filho dos Bjorgman que me preocupo, Daisy. É com Anna – rebate papai, irritado. – Você sabe como ela é teimosa e impulsiva. Uma gafe dela e tudo vai pelos ares.

Franzo a testa, tentando compreender aquelas palavras. Bjorgman? Seria a família do comerciante que estava chegando? Por que meu pai estava preocupado com meu comportamento?

– O senhor a criou bem, senhor Agdar. Anna é uma boa moça e compreenderá que esse casamento é para o melhor.

Casamento?

– Vou contar a ela logo pela manhã – ouço papai levantar-se de sua poltrona favorita. – Você deve deixá-la absolutamente deslumbrante, Daisy. Os Bjorgman são exigentes quanto à aparência.

– Oh, claro – madame Daisy bate palmas. – Anna será a jovem noiva mais fascinante que Arendelle já viu!

– Sim, de fato. Tenha uma boa noite, Daisy.

– O mesmo para o senhor.

Cubro a boca com as duas mãos para não gritar. Mal consigo respirar. Assim que vejo meu pai se aproximar das escadas, corro de volta para meu quarto sem fazer barulho e me enfio debaixo das cobertas. Meu coração está inquieto.

Quando a palavra casamento foi citada pela primeira vez, achei que papai é que estava pensando em se casar – ele parecia tão ansioso! Agora tudo parecia de pernas para o ar, completamente sem nexo e sem sentido. Eu completei dezoito anos há apenas um mês e meu pai já quer que me case? Com um Bjorgman, um estranho forasteiro? E a minha opinião a respeito disso? O que sinto não é levado em conta?

Não consigo impedir que as lágrimas cheguem. Não quero me casar. Não ainda. Não com alguém que não conheço.

Lana salta em minha cama e eu a abraço, chorando baixinho.

– Não podem fazer isso comigo, lady Lana – soluço, sentindo as lágrimas quentes escorrerem. – Não vou permitir.

Notas finais
Gostaram? Continuem acompanhando! Beijos!