Amor e Conquista
1 Capítulo O1
Notas iniciais
Amu não esperava encontrar ele outra vez. Ficou sabendo que Ikuto havia herdado um título e voltado para Inglaterra, mas mesmo assim surpreendeu-se. Toda a vida achou que o tio de Ikuto era quem iria herdar o título, não ele. Ele nunca fora tratado como um futuro aristocrata, muito menos como um conde. Assim, achou que não o encontraria mais. Agora ele era um muito rico conde e ela apenas uma dama de companhia que estava muito longe da alta sociedade onde Ikuto pertencia.
Quando escutou as fofocas sobre a volta de Ikuto da América, os ânimos da restrita sociedade inglesa agitaram-se. Ficou alegre com a possibilidade de reencontrar-lo, mas seu bom senso a fizeram encarar que aquilo seria quase impossível.
Já tinham se passado muitos anos desde que eram amigos. Caso ele pensasse nela, seria apenas em uma lembrança, de um passado doloroso. O tempo em que passaram na casa Hotori não foi feliz para ela, mas para ele foi muito pior. Amu pensava que ele fez tudo ao seu alcance para esquecer o passado. Nunca a procuraria como havia prometido. Apenas uma idiota romântica teria esperanças nisso.
Ainda mais, as chances de se reencontrarem por acidente eram muitíssimo poucas. A moça para quem trabalhava Sra. Morcerf, apesar de achar que fazia parte da alta sociedade de Londres. Na realidade era fazia parte de uma ramificação distante de uma família nobre, a magnífica beleza de sua filha, Lulu, chamava alguma atenção.
Naquela noite, porém, a família Morcerf recebeu um convite para a festa de Lady Fujisaki, um dos mais importantes eventos da temporada. Tão importante que chamava a atenção até mesmo dos mais ausentes membros da sociedade. Amu acreditava que somente o grande número de pessoas deu chance da presença deles ali, para igualar o número de convidados. Já Lady Morcerf achava que depois de praticamente perseguir Lady Fujisaki a semana inteira tinha se tornado sua amiga, assim sendo convidada para a festa.
Por causa do tamanho da festa, Amu apontava um fino fio de esperança de ver Lorde Tsukiyomi. Mas, seu coração não tinha fé nisso. Pelas fofocas que circundavam entre Lulu e suas amigas, Ikuto raramente aparecia nas festas. Servindo apenas para aumentar o mistério e a curiosidade das pessoas.
Mas lá estava ele. Amu olhava Lulu passear pelo enorme salão nos braços de um de seus vários admiradores e, ao levantar os olhos, viu Ikuto Tsukiyomi no topo da grande escadaria que dava caminho ao salão de festas.
Seu coração parou dentro do peito, e sentiu que faltava ar nos pulmões. Ele estava lindo, muito mais que conseguia lembrar-se. Tornou-se um homem de ombros largos e pernas musculosas. Estava parado, observando calmamente a multidão de pessoas abaixo da escada. Em seu olhar via confiança e arrogância. Os densos cabelos azulados caiam sem cuidado no rosto, os olhos azuis eram quase tão escuros quantos os cabelos.
Ele não parecia em nada com os outros homens presente, e com todos que conhecia. Nem mesmo o sobretudo preto e a camisa alva conseguiam esconder sua fatal aura. Onde Ikuto estivesse, pensou Amu, ele sempre seria o centro das atenções. Imaginou se ele tinha consciência desse fato.
Talvez, já estivesse acostumado com isso. Sempre foi discriminado. O chamavam de perigoso e perverso. Amu suspeitava que os adjetivos ainda fossem adequados.
De repente, percebeu que o estava encarando e mudou o olhar rápido. Torcendo as mãos sem parar, pensava no que faria agora. Precisava sair dali. Lembrava da ultima vez que o viu. Do rosto de um jovem homem de 16 anos, que denunciavam o homem poderoso que viria a ser. Tinha feições fortes, dando ares de cautela devido o seu passado.
Amu o segurava pelo braço fortemente, como se pudesse manter-lo ao seu lado. O coração da menina de 12 anos estava machucado.
- Não vai. Por favor...
- Não posso Amu – respondeu – Já não posso mais ficar aqui.
- Como eu vou ficar? – perguntou – Isso aqui será tão terrível sem você. Ficarei sem ninguém, a não ser eles...
- Vai ficar bem. Vai sobreviver. Não a machucarão.
- Eu sei – sussurrou. Amu sabia que não a machucariam como faziam com ele. Não teria algemas, prisão, fome como acontecia com Ikuto. Mas, somente o pensamento de viver sem ele era doloroso.
Desde que ela e a mãe, chegaram a casa Hotori, quando tinha 8 anos, Ikuto se tornou se amigo companheiro. Foi natural, dois estranhos rejeitados pelos Hotori que não se cansavam de repetir como dependiam da caridade deles. Uma forte amizade surgiu não comum a um menino de 12 anos e uma menina de 8. Mesmo tendo interesses diferentes quando se tornavam adultos, mantiveram uma especial ligação.
- Posso ir junto? – perguntara Amu, já sem muita esperança, sabendo que a resposta seria negativa.
- Iriam vir atrás de mim se viesse junto. Sozinho, tenho uma chance de escapar.
- Promete que vai voltar! – Ele sorriu. Um daqueles sorrisos que poucos conheciam além dela.
- Claro. Ficarei rico e voltarei para levá-la comigo. Você será rica e a chamarão de Lady. E Utau terá que se curvar a você. O que acha?
- Perfeito – Seu coração transbordava de amor por ele, mesmo que sua mente soubesse que seu amor não tinha chance de ser correspondido. Com certeza, ele sairia de sua vida, como o pai dela fez.
- Não se esqueça de mim – falou, recusando as lágrimas. Tirou a corrente que tinha no pescoço e entregou-o. Um pingente de ouro brilhava nela, simples e masculino.
Ikuto a olhou surpreso.
- Não, era de seu pai. Não posso ficar. Sei o quanto é importante para você.
- Enquanto o tiver se lembrará de mim.
Finalmente, pegou o cordão. Com um ultimo sorriso, desapareceu na noite, deixando-a sozinha no jardim. E ela não o viu durante 12 anos.
Olhou novamente para a escada, e percebeu que já não estava mais lá. Seu estomago contraiu-se com a idéia de ela a encontrar ali. Quando escutará a notícia que ele tinha voltado, uma minúscula esperança ressurgiu, mas já haviam se passado dois meses de sua volta sem que ela a procurasse.
Ikuto Tsukiyomi era muito importante para ela. E não agüentaria o olhar de indiferença dele. Por muito tempo, guardava a esperança que ele apareceria e a tiraria da tristeza da mãe, da ridiculização da tia e da idéia de Utau de que Amu estava ali para ser sua empregada. À medida que crescia as imagens de Ikuto inundavam seus sonhos adolescentes aonde ele chegava como um herói em um cavalo e a tiraria da casa Hotori e da vida que odiava. Ele se casaria com ela e a encheria de jóias e roupas.
Claro que não fora idiota a ponto de ter esses sonhos por muito tempo. Ela cresceu e fez a própria vida. Havia muito tempo que deixou de acreditar e desejar que Ikuto voltasse a procurar sua amiga de infância.
Mesmo quando ouviu que ele voltava à Inglaterra, jamais esperou que a procurasse, matou a esperança antes que surgisse em seu coração.
Afinal quando fizeram a promessa, eram iguais, dois indesejados parentes vivendo da suposta bondade dos Hotori, assim pensava ela. Agora, ele era Lorde Tsukiyomi, que se tornou rico sozinho e ainda herdou as propriedades do avô e o título nobiliárquico.
Talvez ele não a reconhecesse como a pessoa que um dia foi sua amiga. Fora contratada para ajudar a tomar conta de Lulu, sua filha teimosa e deverás tola. Que achava que poderia passar por cima de todas as regras de etiqueta da sociedade. Mas a Sra. Morcerf não aceitaria que fosse embora por ela alegar uma dor de cabeça. A Sra. Morcerf acreditava que deveria se considerar de muita sorte por poder acompanhar-los a todos os bailes, onde ficava em meio aos pavões de mães e solteironas enquanto observava as jovens dançando e divertindo-se. Mal sabia que preferia ficar em casa, enrolada no sofá lendo um livro ou brincando com a filha mais nova dos Morcerf, Ami, que tinha mais inteligência de as duas outras mulheres da família. Provavelmente a diria para agüentar como uma boa mulher inglesa e mandasse pegar uma taça de bebida.
A melhor atitude que poderia fazer era ficar olhando para Lulu, assim seu olhar não cruzaria com o de Ikuto. Assim não saberia se quando ele a visse iria ignorar-la. Lorde Tsukiyomi dificilmente olharia para a fileira de mães que olhavam as filhas dançarem.
- Amu? – Uma voz masculina profunda resplandeceu pelo ar, cheia de surpresa e, não poderia estar equivocada, de prazer.
Amu ergueu a cabeça. Apesar dos anos que passaram, ainda reconheceria aquela voz de imediato. Ikuto Tsukiyomi caminhava a passos largos em sua direção, com um sorriso iluminado.
- Ikuto... – O nome saiu de sua boa em um sussurro e sem perceber, levantou-se.
- Amu, é você?
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