Amor e Conquista
29 Capítulo 29
Notas iniciais
Não vou colocar as justificativas deste "atraso" imenso...
Melhor nem falar...
Mas, fiquei muito feliz que de saber que muitos gostam da história e a esperavam ansiosamente.
Não estou ignorando os reviews de vocês, leio a todos com muito carinho, mas o nyah não colabora comigo neste últimos tempos, tenho problemas pra responder... ¬¬
Espero que gostem do capítulo.
E entramos na reta final da história!
Boa leitura.
Na tarde seguinte, Ikuto e Amu foram ao vilarejo visitar a casa dos pais de Oto Tachibana, onde, surpresos, descobriram que a ex-criada não estava.
A mãe, excitada pela chegada de tão nobre visita, mostrava-se incapaz de dizer sequer duas palavras com sentido. Caminhava, limpando o pó de algumas cadeiras, antes de se decidir onde eles deviam sentar. Por fim, saiu à cozinha para preparar o chá. Só então, quando as formalidades haviam sido observadas e recebidas os elogios de Amu quanto à residência e à qualidade dos biscoitos é que a senhora se acalmou o suficiente para revelar que Oto partira um dia antes.
— Ela foi para a casa da prima em Bridgewater — informou a Sra. Tachibana, lançando um olhar à filha caçula como se a pedir apoio.
— Bridgewater? — perguntou Amu. Ikuto assistiu e disse:
— Fica a oeste daqui. Mais ou menos duas horas a cavalo.
— Sim — confirmou a Sra. Tachibana. — Insistiu tanto para ir. Para lhes dizer a verdade, minha filha nunca mais foi à mesma depois da morte do Sr. Tadase. Tem estado nervosa e amedrontada.
— Ela falou alguma coisa? —perguntou Ikuto.
— Disse que estava com medo porque ele tinha sido assassinado. Perguntei se não havia razão de uma coisa daquelas acontecer com ela, mas Oto não me disse mais nada. Tentei convencê-la a voltar a Casa Tsukiyomi, disse que lhe dariam o emprego de volta. Que entenderiam que estava assustada, mas minha filha não concordou. E então, quando recebeu aquele dinheiro ontem... Simplesmente partiu.
— Dinheiro? Ela recebeu dinheiro?
A mãe assentiu.
— Oh, sim, milady. Muito dinheiro.
— Como? Quem deu dinheiro a Oto?
— Não sei. Estava embrulhado num pacote do lado de fora da porta, quando saímos ontem de casa. O nome de Oto estava escrito nele. Ela ficou pálida e tive de obrigá ela a abrir. E quando o fez, encontrou cinqüenta libras esterlinas dentro!
— Havia alguma carta no pacote? — Ikuto quis saber.
— Não. Nada, milorde. Não sabia o que fazer com aquilo. Perguntei quem havia mandado aquela soma, mas Oto não disse. Só falou que era melhor que eu não soubesse. Depois disso, juntou suas coisas e tomou a carruagem do correio quando passou. Não consegui arrancar nada dela. — A senhora fitava-os, ansiosa. — Ela não está metida em alguma encrenca, está? Minha Oto é uma boa menina... De fato é.
— Acho que ela não fez nada de errado — assegurou Ikuto. — Mas é possível que saiba algo sobre a morte do meu primo.
— Oto? Como poderia saber qualquer coisa? — A mãe parecia bastante apreensiva.
— Não sei, mas preciso falar com ela. Se de fato sabe de algo sobre o assassino de Tadase, pode estar correndo perigo.
A Sra. Tachibana ofegou, os olhos dilatados.
— Minha Oto? Em perigo? Vai encontrá-la? Irá ajudá-la?
— Sim — prometeu Ikuto. — Farei todo o possível para ajudá-la.
— Acha que Oto sabe quem matou Tadase? — indagou Amu minutos depois, quando ambos se encontravam acomodados na carruagem a caminho a Casa Tsukiyomi.
— Não sei, mas é óbvio que sabe de algo que a assustou. O que quer que ela saiba, o assassino está com medo que Oto conte. Deve ter sido ele a que mandou o dinheiro.
— Como o assassino pode ter certeza de que ela não vai contar o que sabe? Como pode saber se daqui a alguns dias, meses, ou mesmo anos, Oto ficara com remorso e conte o que sabe seu nome?
— Ele não pode. E é por esse motivo que Oto está em perigo e continuará até que revele o que sabe. Uma vez que tenha contado, não haverá razão para o assassino persegui-la. Mas enquanto permanecer em silêncio, o criminoso estará seguro... E pode tentar assegurar o silêncio eterno de Oto, matando-a.
— Então podemos procurar-la amanhã — opinou Amu.
Ikuto concordou pensativo.
— Mas acho melhor não falarmos a ninguém aonde vamos e o por que.
— Acha que é alguém da casa, não? — questionou Amu, em tom calmo.
— Não tenho certeza. Pode ter sido alguém de fora. Mas Oto estava com medo de permanecer naquela casa, o que me leva a pensar que pode ser um de nós e não alguém do vilarejo, do contrário, não procuraria refúgio na casa dos pais.
— E não podemos esquecer o dinheiro.
— Sim. Tem de ser alguém que tenha recursos. O ferreiro tem uma boa renda, mas não os imagino com condições de arranjar cinqüenta libras de uma hora para outra.
— Acho que será melhor dizermos a todos na Casa Tsukiyomi que ela foi embora do vilarejo. Assim, quem quer que seja o assassino, pensará que o dinheiro deu certo.
Ikuto concordou com um gesto afirmativo de cabeça.
— Sim. E gostaria de ver a expressão de cada um quando ficarem sabendo do desaparecimento de Oto.
Sendo assim, durante o jantar, quando a sopa foi servida, Amu tomou a palavra em tom casual.
— Fomos visitar Oto Tachibana esta tarde — declarou, olhando em torno e avaliando a reação de cada um. A maioria a fitou, com expressão indiferente.
— Quem? — perguntou Utau.
— Uma das criadas — explicou Yaya. — A jovem que pediu demissão outro dia.
— Oh. — Utau limitou-se a dizer, voltando à atenção ao próprio prato.
— Sim — confirmou Amu, incapaz de definir se o olhar de Yaya fora de ansiedade ou surpresa.
— Ela voltará a trabalhar aqui? — indagou a esposa de Tadase. — Acho que estava apenas aborrecida com o que... Bem, com o que aconteceu.
— Bobagem. Eu não a aceitaria de volta – discordou Yukari, com desdém. — Obviamente não é confiável.
— Acho que ela não voltará — interveio Ikuto. — Ela saiu da cidade.
— Que diabos estão falando? — indagou Sir Kukai. — Para onde ela iria?
— Não faço idéia — replicou Amu. — A mãe não soube nos dizer. Contou que ela tomou a carruagem do correio ontem. Disse que estava muito assustada, o que me faz imaginar o que a teria apavorado tanto.
— Por que estamos falando de uma criada? – inquiriu Utau, entediada.
— Aquela jovem é uma idiota — afirmou Yukari. — Tinha medo de fantasmas ou coisa parecida. — Uma boa surra a faria esquecer essas bobagens.
— Sim. Sei como é afeita a esse tipo de solução — retrucou Ikuto, em tom frio, os olhos negros impassíveis e duros como aço.
Yukari ergueu as sobrancelhas e voltou à atenção à sopa.
— Acho que ela sabe de alguma coisa — comentou Amu.
— Sabe de alguma coisa? — repetiu Yaya, parecendo desconcertada.
— Quer dizer sobre o assassino? — indagou Sir Kukai.
— O quê? — quis saber Yukari, aparentando surpresa.
— Acha que Oto matou Tadase?
— Bem... — Sir Kukai voltou o olhar para Yaya, e em seguida o desviou, remexendo-se um tanto desconfortável na cadeira. — Acho que isso seria impossível. Tadase, bem, ainda tinha certa reputação.
Utau pareceu, enfim, se interessar pelo assunto, pois anuiu em concordância com o marido antes de acrescentar:
— Oto é uma bela jovem.
— Acha que Tadase tomou liberdade com a criada? — falou Hisagi. — E ela o matou?
— Quanta bobagem! — exclamou Yukari, os olhos faiscando de raiva. — Como pode dizer uma coisa dessas? Acha que pode denegrir a reputação de meu filho dessa forma só por ele não estar mais presente para se defender? Não admitirei isso!
Amu apressou-se em intervir.
— Asseguro-lhe que não estamos tentando difamar Tadase. Não creio que Oto o tenha matado. Mas e se ela viu algo? Ou descobriu alguma coisa que incrimine alguém? — indagou, alternando o olhar entre os presentes, esperando vislumbrar um sinal que traísse algum deles. Se estivesse certa e o assassino tivesse perdido o rubi, ele ou ela teria se dado conta de que a gema desaparecera. Porém não conseguiu perceber nada no olhar dos presentes.
— Mas se fosse esse o caso, por que Oto não teria dito? — perguntou Sir Kukai.
— Não sei. Obviamente estava bastante assustada. Deve ter imaginado que o assassino iria atrás dela se revelasse algo — argumentou Ikuto.
— Mas se ela foi embora. Como saberemos o que viu? — disse Utau.
— Acho que não será possível — replicou Amu, franzindo o cenho. Não era difícil transparecer frustração, já que não conseguira divisar nada suspeito nos semblantes à mesa.
— Bem — começou Yukari em tom firme. — Esta não é uma conversa apropriada para a hora do jantar.
Amu desistiu. Concordando, pegou a colher e a discussão teve fim.
Ambos não revelaram a ninguém os planos de viajar para Bridgewater. Quando desceram para tomar o café da manhã, encontraram Yukari e Hisagi sentados à mesa juntos com Kukai. Falavam sobre assuntos de pouco interesse. Comentaram sobre o tempo e os planos de Sir Kukai de comprar dois cavalos para sua carruagem.
Yukari educadamente de maneira calma, sem mostrar muito interesse, quais seriam os planos de Amu para aquele dia.
— Acho que irei visitar a Sra. Nelliel — mentiu ela. Era a melhor desculpa em que podia pensar para justificar sua ausência na maior parte do dia.
Yukari assentiu.
— Mais chá?
— Sim, obrigada — agradeceu Amu, estendendo a xícara.
Yukari parecia estar bem disposta naquela manhã. A face estava mais corada e se mostrava mais participativa na conversação.
Comentavam sobre a colheita e Sir Kukai se mostrou bastante interessado no assunto, ao contrário do Sr.Hisagi. Amu imaginou por quanto tempo a falta de dinheiro suportaria o tédio que o amigo de Tadase mostrava por estar preso no campo.
Amu remexeu a comida no prato. Estava ansiosa para conseguir comer. Tomou alguns goles do chá, mordiscou uma torrada e observou os demais pratos à mesa, na esperança de que em breve terminassem o café da manhã. Não via à hora de tomar a estrada, temendo que Oto pudesse pensar em ir para outro lugar antes de a encontrarem.
Por fim, os demais terminaram o desjejum.
— Se me dão licença... — manifestou-se Amu.
— Claro, minha querida. — Ikuto levantou de imediato para lhe puxar a cadeira.
Amu se pôs de pé num impulso. Quando o fez, sentiu uma leve vertigem e oscilou. O marido se apressou em segurá-la pelo braço.
— Você está bem? — indagou, franzindo o cenho.
— Sinto-me... Um tanto... Tonta — declarou Amu, surpresa. Em seguida, levou a mão ao estômago, que parecia revirar.
— Talvez seja melhor se deitar — sugeriu Yukari.
— Sim, apenas por um minuto — concordou Amu. Ambos deixaram a sala com Amu amparando-se no braço do marido. O chão parecia se mover debaixo de seus pés, tremular e ondear...
Estacou, levando a mão à boca. Engoliu em seco, esforçando-se para não vomitar. Seria humilhante despejar o café da manhã na frente de todos, especialmente de Ikuto.
— Desculpe-me — sussurrou.
— Não há do que se desculpar — garantiu-lhe o marido. — Está muito pálida. Vou carregá-la pela escada.
— Não. Posso andar — protestou Amu, mas ele ignorou a negativa, erguendo-a nos braços e subindo os degraus.
Amu fechou os olhos e apoiou a cabeça ao ombro largo, tentando desesperadamente controlar a náusea. Teria comido algo estragado? Ou estaria... Oh, não. Seria muito cedo... Mesmo que tivesse engravidado, os enjôos matinais não começariam tão depressa. Ainda assim, não conseguiu conter a pontada de prazer. Um bebê... De Ikuto.
Continuou engolindo em seco e percebeu surpresa, que salivava em excesso.
Havia acabado de entrar no quarto, onde o marido a pousou na cama, quando a criada chegou, apressada.
— A Sra. Hotori me chamou e me disse que estava doente! —falou chegando perto da beirada da cama e estendendo a mão para tocar a testa da patroa para se certificar de que não estava febril.
O quarto parecia rodar violentamente e Amu trincou os dentes.
— Estou nauseada...
— Vou providenciar uma bacia — anunciou Matsumoto em tom calmo, saindo em seguida.
Amu lançou mão dos últimos resquícios de força. Não demoraria muito e estaria vomitando. O estômago parecia se contorcer. Não queria que Ikuto a visse naquele estado.
— Acho que é melhor você ir — aconselhou-o Amu, esforçando para soar normal.
— Não. Iremos outro dia — retrucou Ikuto, decidido. A face máscula se encontrava mais pálida do que o normal. — Ficarei a seu lado.
— Não, por favor. Ficarei bem. É apenas um enjôo, provavelmente por algo que comi. Matsumoto cuidará de mim.
— Mas eu...
— Não é preciso que fique — interrompeu ela, estendendo a mão
— Quero que vá. Precisa conversar com ela. Não podemos deixar que escape por entre nossos dedos. Estarei recuperada quando voltar. Acho que de fato não podemos esperar.
Ikuto parecia indeciso.
— Não posso deixá-la nesse estado.
— É apenas um enjôo, senhor — afirmou Matsumoto, retornando com a bacia. — Acho que em breve teremos boas notícias — garantiu sorridente.
— O quê?
— São recém-casados. Não seria nenhuma surpresa — continuou a criada, com um olhar de sabedoria.
— O quê? — repetiu Ikuto, parecendo confuso.
— Está brincando? — Voltou o olhar à esposa sem conseguir conter o sorriso que lhe curvava os lábios. — Será? Acha que pode ser?
— Não sei — retrucou Amu. Esperava que aquele não fosse um enjôo matinal de gravidez. Não estava certa se agüentaria se sentir daquela maneira deplorável por vários meses.
Ikuto exibia um sorriso radiante e inclinou-se para lhe beijar a fronte.
— Está bem. Eu vou. Mas talvez fosse melhor chamarmos um médico.
— Ainda é muito cedo para sabermos — murmurou Amu, antes de trincar os dentes quando uma nova onda de náusea a atingiu, inflexível.
Ikuto se encaminhou para a porta, prometendo voltar o mais breve possível. Amu resmungou algo incompreensível e tão logo ele partiu, voltou-se agradecida à criada, que segurava uma bacia, antes de esvaziar o conteúdo do estômago.
Ikuto preferiu cavalgar a viajar de carruagem, ansioso que estava por chegar a Bridgewater e voltar o mais breve possível. Encontrava-se dividido entre a alegria ante a possibilidade de Amu estar grávida e um medo profundo de ela estar doente. Testemunhara a palidez acentuada da face delicada e o suor que lhe assomava à testa. Por certo um enjôo matinal de gravidez não seria tão violento.
Seu desejo era ficar ao lado da esposa e ajudá-la no que pudesse, mesmo que fosse apenas para lhe segurar a mão. Percebeu que pela expressão de seu rosto que Amu desejava que ele partisse. Tentara disfarçar o mal-estar. Podia compreender por que ela agira assim. Sabia a quão orgulhosa e independente ela era. Seria uma humilhação para Amu vomitar em sua presença. Ela se sentiria melhor se ele não estivesse lá. Por aquela razão, ele concordara em partir, embora a curiosidade em saber quem matara Tadase não se comparasse nem de longe com a preocupação em relação a Amu.
Notas finais
Prometo que será.. logo!
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Beijos, Risette(Lady).
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