Notas iniciais
Estou muuuito feliz de finalmente poder postar esse capítulo, onde é agora que a história começa mesmo.

Espero que gostem, tanto quanto eu dele.

Sem mais delongas
Boa leitura.

Capítulo O9

Ikuto subiu os degraus da casa alugada dos Morcerf, ansioso com a respiração controlada. Havia esperado o que julgou serem dois dias bastante sérios antes de visitar Amu novamente. Para ser aberto, tinha achado aquele intervalo bastante deprimido e pensou mais de uma vez na asneira que era ter de esperar durante tanto tempo quando desejava falar com alguém, apenas por tratar-se de uma mulher.

Embora as regras ditadas pela sociedade significassem muito pouco para ele, era obrigado a segui-las, não por sua própria causa, mas por Amu. Então, resolveu passar os últimos dois dias fazendo o tipo de coisas que os cavalheiros de folga faziam em Londres e achando tudo muito tedioso. Vendera boa parte dos negócios e quando decidiu deixar a América e aceitar o título, sabia que isso o traria de volta à Inglaterra. O restante de seus interesses seria eficientemente administrado por seu procurador, o que não exigiria mais de uma visita sua de vez em quando. A quantia de dinheiro advinda com o título estava vinculada à propriedade na casa Hotori e era conduzida pelo administrador, sob a supervisão de Tadase Hotori. Ainda teria que viajar até a mansão, evitando o encontro inevitável com os parentes.

Sua batida à porta foi atendida por uma criada que sorriu e o conduziu até a sala de visitas da frente, onde ele lhe pediu para ver a Srta. Hinamori. Após alguns minutos, a Sra. Morcerf apareceu na sala com um enorme sorriso nos lábios.

— Lorde Tsukiyomi! Que prazer! Lulu descerá dentro de alguns instantes. Sabe como são as moças. Talvez aprecie uma xícara de chá?

— Obrigado. — Ikuto se conformara em ter que aturar a presença das Morcerf durante a visita a Amu. Era uma chateação, claro, mas não desejava criar problemas com a patroa. Porém muito o aborrecia saber que Amu tinha que se preocupar com a opinião daquela mulher. Desejou saber onde ela estaria. Provavelmente, ajudando aquela jovem arrogante a se enfeitar.

A Sra. Morcerf o envolveu com uma conversa fútil durante os minutos seguintes e Ikuto começou a ficar impaciente. Então, Lulu apareceu na sala e ele se ergueu para cumprimentá-la, olhando além dela para ver se avistava Amu.

— E a Srta. Hinamori? — perguntou, enquanto Lulu se sentava em uma cadeira próxima a sua. — Onde ela está? Espero que não esteja indisposta.

— Oh, não. Acredito que tenha que conversar apenas comigo e Lulu esta tarde. — A Sra. Morcerf sorriu. -A Srta. Hinamori não está.

— Ah, entendo... — respondeu Ikuto, embora não estivesse dizendo a verdade. — Ela vai demorar? — Parecia o cúmulo da falta de sorte ter vindo visitá-la, justamente quando Amu tivera que sair. Ponderou se deveria suportar a companhia daquelas mulheres durante mais alguns minutos na esperança do retorno de Amu, ou simplesmente partir e voltar outro dia.

— Creio que não. Posso lhe servir mais um pouco de chá, milorde?

— Não. — Ikuto percebeu que sua paciência estava chegando ao fim. — Onde a Srta. Hinamori foi?

A Sra. Morcerf olhou ao redor da sala como se a resposta para aquela pergunta pudesse surgir diante de si. Por fim, com um pouco de relutância, confessou:

— A Srta. Hinamori não trabalha mais aqui.

— Como? — Os olhos de Ikuto se estreitaram ao olhar para a mulher. — Ela deixou o emprego?

— Sim, sim, deixou — disse a mulher, assentindo com a cabeça.

— Para onde ela foi?

— Não sei lhe informar.

— Ela não deixou um endereço? — perguntou Ikuto, descrente.

— Não, não deixou. Para ser franca, fiquei surpresa com o seu comportamento. Esperava mais da Srta. Hinamori — disse a Sra. Morcerf, para dar mais confiança a sua história.

— Por que ela partiu? — perguntou Ikuto, encarando a mãe com olhar penetrante.

A Sra. Morcerf engoliu em seco e se remexeu incomodamente no assento.

— Ah, bem, é que, não estou bem certa. Humm...

— Ela estava nos roubando — declarou Lulu. — Mamãe teve que despedi-la.

Ikuto se virou na direção da jovem, fazendo-a sentir toda a força do seu olhar.

— Roubando? Amu? Sugiro que repense essa resposta. Se eu ouvir essa história se espalhar pela cidade, vou tomar providências em relação a vocês duas.

Lulu corou. De repente, suas mãos ficaram úmidas de suor.

— Quem pensa que... Como ousa me ameaçar dessa maneira? — concluiu num fio de voz.

— Não a estou ameaçando. Estou lhe dizendo de modo direto que se ouvir essa mentira sobre a Srta. Hinamori mais uma vez, saberei quem a espalhou e posso lhe garantir que qualquer esperança que tenha de fazer um casamento vantajoso cairá por terra. — Ele deixou Lulu boquiaberta e se virou para a mãe. — Fui bem claro, senhora?

A Sra. Morcerf assentiu com a cabeça, incapaz de falar.

— Agora, vou perguntar mais uma vez. Para onde foi Amu?

— Não sei — lamentou a mulher. — Isso é verdade. Ela fez as malas e partiu. Não sei para onde foi.

Ikuto levantou-se. Não era de bom-tom perguntar às mulheres por que Amu havia partido, sabia disso. Tinha certeza de que a culpa caía sobre as Morcerf, mas estava certo de que não poderia ter uma resposta honesta da parte delas. Não que isso tivesse importância, pensou. Deviam estar falando a verdade quando disseram que não sabiam para onde Amu tinha ido e isso era tudo que importava. Perdera-a mais uma vez.

Deixou a sala, cruzou o corredor e se dirigiu à porta da frente, ouvindo as vozes da Sra. Morcerf e Lulu protestando.

— Lorde Tsukiyomi! Espere!

Ikuto saiu, contendo-se para não bater a porta com força atrás de si. Estava furioso, ainda mais porque sabia que fora o causador daquilo tudo. Ignorara a jovem Morcerf, tinha sido rude com ela desde o dia em que convidara Amu para um passeio em sua carruagem. Tudo porque só havia pensado nele. A fedelha o estava irritando e ele desejava ficar sozinho com Amu, então lhe deu um basta e mandou-a ficar em casa. Não pensou nas conseqüências de suas atitudes, nem considerou a possibilidade de a jovem idiota vingar-se daquela humilhação.

Amu fora expulsa da casa e estava só no mundo, sem qualquer meio de sobrevivência, por causa das suas palavras afoitas. E ele nem sequer sabia para onde a amiga tinha ido.

Permaneceu parado por um longo momento no degrau da porta da frente das Morcerf, mergulhado em seus pensamentos confusos. Por fim, com um suspiro de desgosto, desceu a escada e chegou à calçada. Não havia andando muito, quando uma voz o fez estacar.

— Lorde Tsukiyomi! Lorde Tsukiyomi! Espere!

Era a voz de uma menina, um pouco ofegante, e vinha da casa. Ikuto virou-se e a viu correndo em sua direção pelo passeio estreito que conduzia à porta lateral. Era a entrada dos criados, mas era óbvio que não se tratava de uma criada. Ainda era uma adolescente, porque usava os cabelos presos para trás em tranças, mas o vestido de musselina simples era de boa qualidade.

Lembrou-se de Amu ter dito que havia outra menina na casa dos Morcerf de quem gostava, e sua esperança reacendeu.

— Srta. Morcerf? — perguntou ele.

A menina parou ofegante na sua frente.

— Sim. Meu nome é Ami Morcerf. Sei o que realmente aconteceu.

— Com a Srta. Hinamori? — Ikuto deu-lhe toda a atenção e se aproximou.

Ami assentiu com a cabeça.

Sim. Não foi como minha mãe lhe contou. Amu não partiu apenas. Ela não faria tal coisa.

— Tenho certeza que não. A Sra. Morcerf a despediu?

— Sim. Houve uma grande discussão. Minha mãe e Lulu estavam furiosas. Lulu disse que Amu tentou roubá-lo dela e a mamãe disse... -A menina hesitou, com a face ardendo de embaraço. — Ela acusou Amu de... De usar de malícia...

— Posso imaginar bem o que ela disse — Ikuto falou em tom brusco. — Não precisa tentar descrever mais nada. Apenas me diga se sabe para onde Amu foi.

— Sei — respondeu Ami, parecendo contente em esquecer o assunto das acusações absurdas e difamadoras da mãe. — Amu me deixou o endereço para que eu pudesse ir visitá-la. Foi para a casa de uma amiga. Lady Sanjou. Disse que a conhecia da escola. –A menina entregou um pedaço de papel. — Aqui está, pode copiar o endereço, se quiser.

Ikuto pegou o papel. Era apenas um endereço que ele rapidamente memorizou e devolveu a Ami.

— Obrigado. Estou em dívida com a Srta. E se desejar visitá-la... — Ele enfiou a mão no bolso, retirou um cartão de visitas e entregou à menina... — só precisa me avisar e enviarei uma carruagem para buscá-la.

— Verdade? — Ami pegou o cartão da mão dele e o brindou com um sorriso deslumbrante, que o fez pensar que um dia a jovem excederia em brilho e beleza a irmã mais velha.

Com um toque na ponta do chapéu, Ikuto se despediu e partiu para o requintado endereço em Mayfair, que estava escrito no pedaço de papel. Caminhou à distância a pé, mergulhado em pensamentos. Sua mente se debatia entre as dificuldades que causara a Amu e o que poderia fazer a esse respeito. No momento em que alcançou a elegante casa branca, onde lady Sanjou vivia, tinha chegado a uma conclusão aceitável.

A porta foi aberta por um criado, ou assim ele achou embora não usasse libré, mas sim um terno preto simples. O homem lhe lançou um olhar e o conduziu aos degraus em direção a uma sala de visitas espaçosa e graciosamente decorada que conseguia ser ao mesmo tempo acolhedora e elegante.

Amu estava sentada com outra mulher, uma bela loira com impressionantes olhos mel e, ambas riam de algo com a facilidade e o afeto de velhas amigas. A mulher de cabelos claros olhou para a entrada da sala e Ikuto sentiu-se perfurado por seu olhar inteligente e vivido. A face de Amu permaneceu curvada e ela não olhou até o criado anunciá-lo.

Então sua cabeça ergueu-se de imediato e ela o fitou, formando um "Oh" de surpresa na boca.

— Ikuto! Como conseguiu me achar aqui?

— Estava se escondendo de mim? — replicou ele, debochado. -Nesse caso, não fez as coisas direito. Sua amiga, a senhorita. Ami Morcerf deu com a língua nos dentes.

As faces de Amu ficaram vermelhas.

— Não, eu não quis dizer isso. Claro que não estava me escondendo. Apenas... Não sabia como avisá-lo. Foi tudo muito rápido.

— Eu soube.

— Lorde Tsukiyomi. — A outra mulher ergueu-se, cruzou a distância até ele, oferecendo-lhe a mão. — Sou Rima Sanjou.

Sinto muito — disse Amu depressa, também se pondo de pé. — Lorde Tsukiyomi, permita-me apresentar-lhe minha amiga, Lady Sanjou. Lady Sanjou, Lorde Tsukiyomi.

Amu sentiu-se inexplicavelmente agitada pela presença de Ikuto. Quando ele entrara na sala, a alegria a dominou, deixando-a zonza. Havia se convencido dois dias atrás de que teria que abdicar da amizade dele, contudo, no momento em que o viu, seu coração disparou dentro do peito.

— É um prazer conhecê-lo, Lorde Tsukiyomi — disse Rima. — Então, com um olhar rápido a Amu, acrescentou: — Sinto muito, mas tenho um negócio a tratar e preciso ir até o meu estúdio. Mas, tenho certeza de que a Srta. Hinamori ficará feliz em conversar com o senhor. Se me dão licença...

Amu sabia que a amiga estava discretamente lhe dando uma chance de falar com Ikuto a sós, mas, devido ao seu tumulto interior, desejou que Rima não tivesse sido tão atenciosa. Não estava certa a respeito do que deveria dizer. Sabia que precisava explicar-lhe a inutilidade de manter aquela amizade, mas tinha um medo terrível de começar a falar e sua voz entupir com uma enxurrada de lágrimas. Estava igualmente alarmada de que ele sentisse em sua voz o grande prazer que a visita lhe proporcionara. Não era aconselhável exibir tanta emoção, especialmente pelo fato de que a face de Ikuto parecia fechada em uma expressão severa. Estaria irritado com ela? Desejou saber.

— Tenho que me desculpar pelo que aconteceu -começou ele abruptamente, assim que Rima deixou a sala.

— Por quê? — perguntou Amu confusa.

— Pelo comportamento daquela mulher tola — respondeu ele, sucinto.

— A Sra. Morcerf? Ela não é responsabilidade sua — replicou Amu, admirada.

— Não, mas você é. E ela não a teria demitido se eu não tivesse dispensado ela e a filha naquela manhã. Deveria ter sido mais cuidadoso. Não pensei como isso poderia afetá-la.

— Está tudo bem — disse Amu, enrijecendo. Não queria pensar que Ikuto a considerasse como uma responsabilidade, principalmente uma responsabilidade onerosa como sua expressão parecia indicar. — A culpa não é sua. Logo arrumarei outro emprego.

Amu já visitara uma agência de empregos, e embora não houvesse nenhuma vaga disponível para uma dama de companhia, tinha esperança de que em breve apareceria algo.

A expressão de Ikuto ficou sombria.

— Não. — Parecendo perceber o quão ditatorial aquela única palavra soou, acrescentou depressa: — Não precisa ser dama de companhia de ninguém.

Amu ia começar a falar, mas antes que pudesse proferir uma palavra, ele continuou:

— Tenho a resposta para o seu dilema.

— Tem? — ela o encarou, desejando saber do que ele estava, falando.

— Sim. É bastante simples. Você se casará comigo.

Notas finais
Ele pediu ela em casamento, apesar de não ter sido muito romântico, minha amiga disse que pagaria para estar no lugar dela, mas isso não importa muito... Quem não gostaria de se casar com o Ikuto... lalala

Espero que tenham gostado, e encontro vocês no próximo capítulo, assim espero.

Beijos, Lady.