Notas iniciais
Oii, bom dia, boa tarde, boa noite, ou boa madrugada!
Para mim é boa madrugada, de novo...
Espero que gostem do capítulo, e boa leitura!

Capítulo 20

Ikuto e Amu pareceram congelar. Ele levantou a cabeça e a fitou, surpreso, enquanto o grito continuava, antes de soltá-la e se correr em direção à porta. No caminho, puxou a camisa pelos ombros e a abotoou. Amu se abaixou, pegando a camisola e a jogou por cima da cabeça, sem perceber que a vestira ao contrário. Ikuto disparou pelo corredor e ela, após pegar o penhoar e vesti-lo, seguiu-o, apressada.

Ao longo do corredor, portas se abriam e as pessoas apareciam, assustadas, perguntando o que tinha acontecido. Ikuto desceu os degraus da escada de dois em dois, com Amu atrás de si, e todos os outros seguindo-os. No andar térreo, agrupados no corredor principal, estavam alguns criados e outros tantos correndo naquela direção, vindos da parte posterior da casa.

O mordomo estava segurando uma das serventes pelo braço, enquanto a mulher urrava histérica e outras duas criadas os fitavam com os olhos arregalados de pavor.

— O que foi? O que aconteceu? — inquiriu Ikuto. Rinji se voltou para ele com expressão de alívio.

— Milorde! Hyori encontrou... aconteceu uma tragédia!

— O quê?

Como resposta, o mordomo o guiou pelo corredor até uma das pequenas salas de recepção em direção aos fundos da casa. Amu os seguiu, liderando o grupo de criados.

O aposento era lindamente mobiliado em nogueira e bastante escuro. Uma lamparina a querosene em cima de uma das mesas, dava um círculo de luz à volta. O sofá se encontrava voltado para a lareira e o espaço atrás dele levava às janelas que davam vista para o jardim.

Lá, Tadase estava no chão com a cabeça virada para baixo e os cabelos ensangüentados.

Amu prendeu a respiração e Ikuto deixou escapar um xingamento. Em seguida virou para trás, tentando parar o avanço dos demais, mas era tarde. Yukari se encontrava parada atrás deles, fitando o filho no chão. A face pálida e os olhos sombrios.

— Tadase... — sussurrou ela, voltando o olhar para Ikuto. — O que aconteceu? Ele está...

— Amu... — chamou ele e a esposa respondeu de imediato, levando Yukari para fora da sala

O estado de choque dela deixou que deixasse se levar sem resistência. Utau estava parada atrás do marido e Yaya surgiu ao lado deles. Amu levou Yukari ao encontro das outras duas mulheres.

— Utau — começou ela. — Por que você e Yaya não levam sua mãe para a sala de visitas?

— O que aconteceu? — perguntou Utau, parecendo assustada.

— Por quê? O que há ali? — quis saber Yaya, com expressão confusa. — Ela falou o nome de Tadase?

Tadase foi ferido.

— O quê? —disse Yaya dando um passo à frente, mas Amu bloqueou a passagem— Não entre aí. Não gostará do que irá ver.

— Ver o quê? — A esposa de Tadase parecia cada vez mais assustada. — O que aconteceu com ele?

— Não sei — retrucou Amu. — Ikuto nos dirá. Neste momento, não sabemos nada. — Olhou ao redor, vendo o grupo de serviçais, e gesticulou para sua criada pessoal.Ela, ao menos, tendo trabalhado para Rima, não cederia à histeria. — Poderia cuidar das damas? Traga- um copo de conhaque.

Ela concordou, sem fazer perguntas, obedeceu. No momento em que as mulheres saíram, Amu passou por Hisagi Shuuhei e Sir Kukai.

Ikuto se encontrava ajoelhado ao lado do primo e se levantou quando Amu entrou na sala.

— Está morto.

— O que aconteceu? — perguntou Sir Kukai.

— Parece que alguém o acertou na cabeça pelas costas. O atiçador da lareira está ao lado dele e manchado de sangue.

— Deus do céu! — Sir Kukai parecia chocado.

O Sr. Shuuhei piscou várias vezes, e lançou um olhar nervoso ao corpo estirado ao chão.

— O que vai fazer?

— Chamar o magistrado. O juiz Yamamoto veio ao casamento. — Ikuto se virou para o mordomo, que aguardava por perto. — mande um dos criados à casa dele.

— Sim, milorde.

— Mas antes diga-me o que sabe sobre o que aconteceu.

— Muito pouco —falou o mordomo. Embora se expressasse em tom calmo, Amu percebeu que o homem parecia mais pálido do que o usual. — Havíamos acabado a limpeza da casa e estávamos nos preparando para dormir. Uma das criadas percebeu luz no aposento e veio até aqui apagá-la. Foi quando encontrou o Sr. Tadase...

— Aquela que gritou?

— Sim, milorde.

— Viu alguém entrar ou sair desta sala? Rinji balanço cabeça em negativa.

— Não. A sala não foi usada esta noite. Todos os convidados ficaram no salão de baile principal e, havia os convidados na parte de fora da casa. Qualquer pessoa poderia ter entrado aqui, mas não vi ninguém fazer.

— Incluindo Tadase?

— Não. Sim. Quero dizer, não o vi também.

— Quando foi a última vez que o viu? — questionou Ikuto.

— Não estou certo, milorde. Estávamos muito ocupados, saindo e entrando da casa.

Ikuto se voltou para os outros dois cavalheiros.

— Sir Kukai? Sr. Shuuhei ?

O marido de Utau se moveu, apreensivo.

— Bem, suponho que tenha sido quando ele, hã... quando da briga entre vocês dois. Ele deixou o salão logo depois.

— Eu o levei para fora do salão — interveio Hisagi . —Fomos ao andar de cima até o quarto dele. Tadase iria lavar o rosto. Sugeri que se deitasse e dormisse, mas... — O homem deu de ombros. — Não sei se seguiu meu conselho. Voltei à festa e não mais o vi.

— Quero falar com todos os criados — comunicou Ikuto ao mordomo. — Reúna-os todos na cozinha depois de mandar um deles chamar o magistrado.

— Pois não, milorde. —Rinji se curvou em uma mesura e deixou o aposento.

Os cavalheiros trocaram um olhar significativo. Amu podia quase adivinhar o que ia na mente de ambos. Tadase e Ikuto se odiavam. Tinham brigado e se batido, naquela mesma noite. Quem teria motivos para matar Tadase senão o próprio LordeTsukiyomi?

A ansiedade a consumia por dentro. Não fora Ikuto. Não podia ser. Ele havia subido com ela e estavam juntos quando ouviram o grito. Mas, quem poderia dizer por quanto tempo Tadase estivera ali antes de a criada o encontrar? Poderia ter acontecido muito antes de... até mesmo durante o tempo em que Ikuto deixara o próprio quarto. tinha na inocência do marido, não poderia prová-la.

Os homens voltaram mais uma vez o olhar para Tadase. Amu fez o mesmo e um arrepio gélido lhe percorreu a espinha. Sempre detestara Tadase — não conseguia se lembrar de um único momento em que lhe teve um pensamento amigável — mas era terrível vê-lo deitado ali, inanimado e ensangüentado. Aquela fora uma morte horrível.

Ikuto atravessou o aposento em direção à pequena mesa e ergueu a lamparina, trazendo-a até o corpo. Os três homens se agacharam, fitando a forma sem vida. O sangue que brotara da nuca brilhava escuro e úmido.

Amu sentiu o estômago revirar e, desviou o olhar. Quando o fez, avistou algo que brilhava. Deu um passo à frente, aproximando-se da parede e deslizou o olhar pelo chão, em torno do conjunto de estantes. A princípio nada viu, mas então Ikuto moveu a lamparina mais uma vez e o reflexo da luz captou algo pequeno e brilhante.

Ela se inclinou, avistando um pequeno pedaço de vidro. Segurou-o entre os dedos. Era vermelho e, com a proximidade, percebeu que não se tratava de um vidro, como pensara, mas de uma jóia. Um rubi.

Amu entreabriu os lábios para anunciar o que havia descoberto, mas mudou de idéia, lançando um olhar aos homens presentes. Nenhum deles a estava observando. Sem dizer uma palavra, guardou a pedra no bolso do penhoar. O rubi poderia ter se despregado da jóia de alguém, mas também poderia ter caído de algo que estivesse em poder do assassino. Talvez constituísse uma pista que levasse à pessoa que matara Tadase e, se fosse esse o caso, não queria que ninguém soubesse que o havia achado. Desde que o assassino não se desse conta de que perdera a pedra, não se desfaria de qualquer jóia de onde ela tivesse se despregado.

Era possível que Hisagi ou Sir Kukai fossem Culpados. Amu sabia o quanto o marido de Utau detestava o cunhado e testemunhara o Sr. Hisagi discutindo com Tadase naquela noite. Mesmo que nenhum dos dois fosse o assassino, poderiam comentar com alguém que ela encontrara a pedra noticia se espalharia por toda casa.

Ikuto levantou e levou a lamparina de volta à mesa e os dois homens se afastaram do corpo. Amu percebeu que Hisagi franziu o cenho, fitando seu marido, mas nada disse.

Deixaram a sala, fechando a porta atrás deles, e Ikuto postou um dos criados de Libre em frente ao aposento, instruindo-o a não deixar ninguém entrar até a chegada dos policiais. Em seguida, dirigiu-se à cozinha para conversar com os empregados que se encontravam lá reunidos, enquanto Amu saia à procura das outras mulheres. Encontrou na sala de estar. Matsumoto, sua empregada, tinha acendido a lareira e o aposento se encontrava aquecido. Yukari, no entanto, estava sentada perto do fogo, um xale envolvendo-lhe os ombros.

A mãe de Tadase tinha a aparência desfigurada. A face parecia acinzentada e os olhos duas poças de desespero. Amu foi tomada de piedade pela mulher. Entre todas as pessoas daquela casa, Yukari era a única que de fato lamentaria a morte de Tadase. Embora demonstrasse desaprovação ao modo do filho agir, em seu coração de mãe nunca o vira como ele realmente era, mas como o bondoso e honesto filho que criara em sua mente. Ela era responsável por uma boa parte dos desvios de caráter de Tadase, pensou Amu, por tê-lo mimado e lhe aumentado a arrogância, nunca acreditando em nenhuma verdade que ouvia sobre ele e aceitando a versão distorcida que o filho lhe apresentava. Mas ninguém podia negar que Yukari amava Tadase e que deveria estar arruinada com sua morte.

Utau, que se encontrava bem distante da lareira, ocupava o mesmo sofá que Yaya e, abanando-se, ergueu o olhar quando Amu entrou na sala de estar e lhe dirigiu um sorriso abatido. Em seguida, voltou o olhar para a mãe, que fitava o fogo como se alheia ao mundo ao redor. Amu seguiu-lhe o olhar. Não sabia ao certo o que fazer. Falar com Yukari agora era algo que nunca pensara fazer na vida.

Ainda assim, atravessou o aposento e acomodou-se em uma cadeira diante de Yukari, esforçando-se para ignorar o calor que emanava da lareira.

— Tia Yukari...

A mulher lhe devolveu um olhar vago, como se não a reconhecesse.

— Sinto muito. — Amu se limitou a dizer. Yukari continuou a encará-la, silente.

— Talvez fosse melhor se recolher a seu quarto e descansar.

— Não conseguiria dormir — replicou a senhora.

— Posso pedir que lhe preparem uma xícara de leite quente.

— Não quero dormir — afirmou Yukari.

Amu não conseguia se lembrar de nada mais que pudesse sugerir. Porém não poderia abandonar a mãe sofredora. Sendo assim, permaneceu sentada como a filha e a nora, sem dizer mais nada.

Passado algum tempo, Sir Kukai e o Sr. Hisagi adentraram a sala de estar. Parecia que ninguém conseguira se recolher, porém eles também não tinham nada a fazer. Mais tarde, ouviram o som de vozes estranhas no corredor e Amu concluiu que o magistrado havia chegado. Isso se confirmou quando o juiz Yamamoto, executando uma profunda mesura diante de Yukari, e depois para as outras.

— Um episódio lamentável — comentou ele.

Juiz Yamamoto. — Yukari ergueu-se e caminhou em direção ao magistrado. — O que descobriu?

O homem parecia um tanto agitado em ter de encarar a mãe do homem assassinado.

— Bem... hã... o Sr.Hotori é... a senhora deveria estar recolhida. Esse não é um assunto agradável aos ouvidos de uma dama.

— Ele era meu filho —respondeu Yukari. — Tenho o direito de saber.

— Bem... um... certamente. Parece-me um homicídio acidental — declarou o juiz. — Claro que não podemos afirmar até a visita do médico legista, mas acho que ele não discordará de mim.

— Sim, mas quem o matou? — indagou Utau, com as mãos espalmadas no vestido. — Tem idéia de quem poderia... — O magistrado começou a menear a cabeça, mas a mãe de Tadase continuou sem lhe dar tempo de responder. — É óbvio, não acha? Quem odiava meu filho a esse ponto? Quem o bateu esta noite na pista de dança?

O juiz parecia desconfortável. Fora um dos convidados do casamento e, como os outros presentes, testemunhou a briga entre Ikuto e Tadase.

— Bem, isso não significa que Lorde Tsukiyomi tenha algo a ver com...

— Ele não poderia ter — afirmou Amu. — Esteve comigo o tempo todo depois da briga.

— Bem, aí está — começou o juiz Yamamoto, parecendo aliviado. — Lorde Tsukiyomi tem um álibi. Disse durante toda a noite?

— Era nossa noite de núpcias — retrucou Amu, firme.

— Claro... óbvio — concordou o juiz, mostrando estar mais embaraçado do que Amu ao tocar no assunto. Em seguida, voltou para Yukari. — O médico-legista levantará uma investigação detalhada, Sra.Hotori . A morte de seu filho não ficará impune.

Yukari fitou o juiz por um longo instante e em seguida voltou o olhar para Amu.

— Acho que vou me recolher agora. Damas, sugiro que deixem os cavalheiros fazerem seu trabalho.

Amu não se sentia disposta a acompanhá-la, mas quando Yukari estendeu a mão à procura de seu braço, não pôde se furtar a acompanhá-la. As mulheres se encaminharam ao andar superior, em silêncio. Amu, concluiu que, assim como ela, encontravam-se por demais chocadas pelos acontecimentos da noite para pensarem claramente.

Uma vez em seu quarto, Amu deslizou a mão para o bolso do penhoar e retirou de lá o rubi. Dirigindo-se à lamparina do toucador, inclinou-se e examinou a pedra contra o reflexo da luz. Não poderia dizer se o tinha visto antes e por fim o guardou na parte superior de sua caixa de jóias. Retirou o penhoar e o colocou de lado, lançando um olhar à cama. Não conseguiu evitar recordar o que ela e Ikuto estavam fazendo ali quando foram interrompidos pelo grito. Baixou o olhar para a própria roupa e só então percebeu que havia vestido a camisola ao avesso. A frente da peça ficara à mostra no decote do penhoar, o que deixava óbvio que a vestira às pressas e todos deviam ter deduzido a razão. Um vermelho intenso subiu ao rosto

Ao menos, pensou enquanto deslizava para baixo das cobertas, sua aparência teria emprestado veracidade à versão que contara ao juiz o sobre o paradeiro de Ikuto na hora do crime.

Virando para o lado, tentou emendar os pensamentos, mas descobriu que estava muito distraída. Não conseguia se fixar em nada por mais de um minuto.

Por fim, ouviu o som de passos subindo a escada. Deveriam pertencer aos cavalheiros, pensou, ao perceber que nenhum adentrou o aposento contíguo. Continuou aguardando, incapaz de pegar no sono.

Mas a próxima coisa que percebeu foi a manhã.

Notas finais
Quem não vestiria a camisola ao contrário depois de ser "despertada" de um momemento especial com Ikuto por um berro de um desconhecido... ^.^
Quem é o assassino de Tadase? Palpites? Quem adivinhar ao final da história ganha um pirulito #brinks.
Deixem reviews!!!
# E quem assiste outros animes alem de Shugo Chara percebeu algumas semelhanças?
Beijos, Lady.