Notas iniciais
Ai, ai. Cá estamos com o décimo capítulo de Amor e Conquista. Não sabem o quanto estou alegre de ter chegado a este marco, digamos assim.
Amo responder cada review, sempre com todo carinho e atenção, apesar da falta de tempo as vezes. Por isso, deixem reviews.

Depois do nada romantico pedido de casamento de Ikuto, temos a continuação, e uma cena que acho que irão gostar.

Amo escrever cenas de beijo.

Pulando toda essa parte, boa leitura a todos e nos vemos lá em baixo.

— Sim. É bastante simples. Você se casará comigo. — Houve um grande momento de silêncio. Amu o olhou, no início, tonta demais para falar. Ficou surpresa com a repentina onda de desejo que a acertou. Percebeu que queria desesperadamente aceitar a oferta. Mas logo, junto com a emoção, veio a dor forte de raiva e humilhação.

Ikuto não podia ter sido mais claro. Não tinha nenhum desejo de se casar com ela. Estava pedindo, ou melhor, comunicando que se casaria com ela, apenas porque, de alguma maneira, se sentia responsável por sua situação.

— O que disse milorde? — perguntou Amu num tom frio, erguendo o queixo em desafio. — O senhor pode ter herdado um título, mas isso não lhe dá o direito de me dar ordens. Não sou sua criada.

— Claro que não é — respondeu Ikuto, um pouco impaciente. — Não estou tentando lhe dar ordens. Mas esta é a resposta mais clara.

— Resposta? Não percebi que havia lhe feito uma pergunta — replicou. — É sobre a minha vida que estamos discutindo, não sobre algum "problema".

— Sei que estou falando sobre a sua vida — respondeu ele, parecendo atordoado. — Estou lhe pedindo que se case comigo.

— Pedindo? Não ouvi nenhum pedido. Tudo que ouvi foi uma declaração. Tornou-se tão arrogante durante todos esses anos desde que o conheci? Esperava que eu desmaiasse a seus pés porque disse que se casaria comigo?

— Arrogância? -As sobrancelhas de Ikuto se contraíram e os olhos escuros brilharam. — Chama de arrogância eu lhe oferecer o meu nome?

— Chamo de arrogância pensar que um casamento é a única coisa que pode me salvar. Que minha vida é um... Um problema porque sou uma mulher solteira. Sim, tenho que ganhar meu próprio sustento, mas pelo menos sou independente. Escolho o que quero fazer.

— Chama de independência viver sob as ordens de outra pessoa? — rebateu Ikuto.

— Pelo menos sou recompensada financeiramente. Tenho um dia de folga a cada duas semanas, e se meus deveres se tornarem muito chatos, sou livre para ir embora. Não vivo sob as ordens de algum homem 24 horas por dia, sete dias por semana, sem um ordenado e nenhuma possibilidade de partir!

— É isso que pensa que aconteceria caso se casasse comigo? —perguntou Ikuto. — Que eu tentaria controlar sua vida e a forçaria a me obedecer? Estou lhe oferecendo uma chance de escapar de uma vida de trabalho penoso e me atira isso na cara, como se eu estivesse tentando prejudicá-la.

— Não pedi sua ajuda! — exclamou Amu, levando os punhos fechados aos quadris. — Você se meteu. Sem me perguntar, disse que eu me casaria com você. Disse que minha vida é uma miséria e que você daria um jeito.

— Amu deu alguns passos à frente até ficarem a centímetros de distância um do outro e o encarou obstinada.

— Bem, muito obrigada, mas a miséria é minha e lhe agradeceria se mantivesse seu nariz fora disso.

— Ingrata! — disparou Ikuto, indignado.

Por um longo momento ambos ficaram imóveis, simplesmente fitando um ao outro, irritados demais para falar. Ikuto estava de frente para ela, com as mãos nos quadris, a cabeça erguida, e ela se encontrava de pé em uma posição quase idêntica, praticamente tremendo de indignação.

Então, para surpresa de Amu, de repente o humor se refletiu nos olhos de Ikuto e ele relaxou. As mãos caíram ao longo do corpo e uma risada escapou dos seus lábios.

— Você sempre foi brava, não é?

Amu tentou manter a expressão fechada, mas sentiu que ela se dissolvia. Depois de um momento, teve que rir, também.

— Não sou a única.

— Ah, Amu! Por favor, não fique zangada. Não quis insultá-la. Se fui arrogante, peço que me desculpe. Não é por causa do título, acredito que é fato de que cresci acostumado a dar ordens. Só queria ajudá-la. Mas, como bem sabe, nunca permiti que me obrigassem a aprender boas maneiras.

— Talvez suas maneiras fossem bem melhores se eles não tivessem tentado obrigá-lo — respondeu ela. Então, com um suspiro, se moveu, dizendo: — Sei que se preocupa comigo, Ikuto, mas...

— Mas o quê? Por favor, Amu, apenas me escute. Não estou tentando forçá-la a nada. Não tenciono controlá-la e nem desrespeitá-la. Estou lhe oferecendo somente uma... uma vida mais tranqüila. Pense nas vantagens. Teria dinheiro, roupas, e liberdade para fazer tudo que quisesse. Seria um casamento de conveniência. Eu não a obrigaria a ser minha esposa em todos os sentidos.

— Mas, Ikuto, isso é uma loucura. Por que está me oferecendo tal coisa?

— Seria vantajoso para mim, também. Preciso de uma esposa. Agora tenho um título e há certas obrigações sociais advindas desse fato. Sabe que sou completamente inexperiente nessas coisas, como já testemunhou. Cometeria uma série de erros, provocando a antipatia de toda a sociedade.

— Você se preocupa com isso? — perguntou Amu instintivamente.

Ele riu.

— Talvez não muito. Mas pode ser. Como envelheci um pouco, lamentaria ganhar a inimizade de todos os meus semelhantes. — Ikuto fez uma pausa e sua face assumiu uma expressão mais séria. — Sei o que as pessoas pensam a meu respeito. Selvagem e perverso. Na maioria das vezes isso não me aborrece. Mas... — Ele encolheu os ombros. — Ainda não me habituei totalmente. Acho que posso desejar não ser uma... uma criatura sem esperanças. — Algo chamejou nos olhos dele e desapareceu em seguida. — Você poderia me fazer respeitável. Saberia o que dizer e fazer, como promover festas e quem convidar. Assim eu não teria vontade de uivar virado para a lua em vez de ouvi-los. Amu quase sorriu.

— Não sei se há alguém na sociedade que se ajustaria a essa descrição. Porém, assim como você, também sou uma excluída.

— Talvez. Mas você, pelo menos, é uma boa pessoa. Sabe o que é certo e errado.

— Você também, Ikuto. Se não fosse bom, não estaria aqui se oferecendo para me dar tudo isso.

— Não tão bom. Ambos sabemos que preciso de uma esposa. Tenho duas casas para administrar. E preciso de alguém para aparar meus cantos.

— Mas por certo precisa de alguém de seu próprio nível social. Uma moça de uma excelente família.

- Não há nada de errado com a sua família. Seu pai era somente o filho mais novo.

— De um filho mais novo — acrescentou Amu. -Sim, nosso nome é bastante honrado, porém não possuímos riqueza. Nem posição social.

— Não deixe tia Yukari ouvi-la manchar a família dela.

— Sou apenas uma prima.

— Mas vale cem vezes mais do que ela. Isso é o que importa para mim. Não tenho nenhum interesse em riqueza. Já sou rico o suficiente. Com quem deveria me casar Amu? Diga-me. Com uma dessas moças idiotas que me perseguem? Onde as mães põem armadilhas para solteiros desavisados no mercado do casamento? Talvez com uma beldade como Lulu Morcerf?

— Ikuto! Claro que não. Mas há outras mulheres...

— Quem? Não estou interessado em moças dando risadinhas ao meu lado. Eu conheço você e sei que faria um trabalho excepcional e que sabe tudo o que é esperado da esposa de um nobre. E se você se casar comigo, não serei mais perseguido pelas jovens casadouras da sociedade, o que será um grande alívio para mim.

— Ikuto... Isso é ridículo.

— Não. Pense um pouco, terei que viajar em breve para a Casa Hotori e enfrentar meus parentes. Sei que não é tão cruel a ponto de me deixar encontrar tia Yukari e Tadase sozinho, não é?

Amu o fitou. Apesar da maneira engraçada de Ikuto, sentiu que havia um fundo de verdade naquele argumento.

Então, com um sorriso perverso, ele continuou:

— Venha, diga-me a verdade. Não gostaria de enfrentar tia Yukari como a nova dona da casa?

— Mas e o amor? — perguntou Amu bruscamente. Em todos os seus argumentos, ele não falara nem uma vez sobre isso.

Ikuto lançou-lhe um olhar sarcástico.

— O que tem isso?

— Não gostaria de se casar com uma mulher a quem amasse? Não é o objetivo principal do casamento? Estar com quem se ama para o resto da vida?

— É? — replicou ele, virando-se e fechando a expressão com a carranca habitual. — Não acredito no amor.

— Não diga isso.

— Por que não? É a verdade. — Ele se virou de frente para encará-la. — O amor é um conto de fadas na maioria das vezes, com poucos propósitos, exceto fazer as pessoas se sentirem bem com elas mesmas. É verdade que não se vê isso em todos os casamentos.

— Mas seus pais...

— Lembro muito pouco de meus pais. – O rosto de Ikuto se fechou. E ele parecia, pela primeira vez, muito estranho. — Mas lembro-me de minha tia e meu tio e não havia nada entre os dois, além de orgulho e antipatia.

— Não pode usar Yukari e Kazuomi Hotori como exemplo! Aliás, eles não eram bom exemplo nem de marido e mulher, nem de pais e nem mesmo de pessoas. Minha mãe e meu pai se amavam demais. Viviam juntos e felizes.

— E sua mãe se transformou em um fantasma durante todos os anos em que a conheci — respondeu Ikuto.

Amu sabia que aquelas palavras eram verdadeiras. A mãe vivera os últimos tempos da sua vida em uma nuvem de tristeza e não havia nada que a filha fizesse podia fazê-la feliz de novo.

— Pelo menos teve amor por algum tempo — replicou obstinada.

— Amu... — Ikuto cruzou a sala na sua direção. -Você é a única pessoa neste mundo em quem confio. A quem de fato considero minha família. Quero que seja bem tratada. Tenho meios e vontade de cuidar disso, mas não há outro modo de conseguir tal feito sem desonrar o seu nome. O casamento seria a única solução para que eu possa lhe dar o que merece o que desejo que você tenha. Além do mais, não possuo nenhum sentimento por outra mulher. Nunca senti nada alem de luxúria, facilmente satisfeita.

Os olhos de Amu se arregalaram e ela pôde sentir o rubor queimar-lhe as faces.

— Eu sei — continuou ele, um pouco impaciente — que não deveria falar de tais coisas com uma dama. Mas devo ser honesto com você. Tenho de fazê-la acreditar que não ligo a mínima para o amor. Não vou me arrepender mais tarde. Lidarei sem problemas com uma relação sem paixão. Desejos da carne podem ser satisfeitos fora do casamento. Discretamente, é claro. Eu não a envergonharia.

— Bem, e quanto a mim? — rebateu Amu, ignorando o rubor intenso que lhe tingiu a face. Seria tão direta quanto ele, pensou. — Poderei agir da mesma maneira, com discrição, é claro?

Um brilho frio flamejou nos olhos de Ikuto e por um momento sua expressão tornou-se fria e perigosa. Parecia o pirata que alguns diziam que ele fora no passado.

Então, com um esforço visível, relaxou.

— Confiarei no seu bom senso, é claro.

Ele ergueu uma das sobrancelhas e lhe enviou um olhar desafiador. Amu percebeu que Ikuto estava completamente dentro do fato que ela nunca procuraria um relacionamento ilícito, mesmo preso em um casamento sem amor.

— Bem, sejam quais forem os seus pensamentos sobre o assunto, ainda espero me casar com alguém que eu ame.

— E como vai encontrar essa pessoa? — perguntou ele, sarcástico . — Seja prática. Como pensa em encontrar alguém passando o tempo todo cuidando de moças tolas ou velhas ricas?

Ao ouvir aquelas palavras, lágrimas molharam os olhos de Amu. Ikuto estava certo. Durante todos os anos em que fora dama de companhia, não conhecera um único homem qualificado ou, para ser mais franca, um que considerasse a possibilidade de casar-se com ela. E era realista o suficiente para admitir que dali por diante, só envelheceria e cada vez mais se tornaria improvável que alguém a pedisse em casamento, mesmo se encontrasse um homem para amar. Era uma realidade desanimadora e que mais de uma vez a havia feito chorar à noite, quando deitava a cabeça no travesseiro.

Virou-se, lutando para conter as lágrimas que agora ameaçavam sufocar-lhe a voz.

— Sei que não tenho muita chance. Mas... — Amu endireitou os ombros, orgulhosa, e voltou-se para encará-lo de queixo erguido. — Pelo menos detenho o controle da minha vida.

A face de Ikuto amoleceu seus olhos de repente ficaram tocados de pesar.

— Sinto muito se a feri. Minhas palavras foram brutas demais. Jamais pretendi provocar esse sofrimento em seus olhos.

— Não tem culpa por ter falado a verdade — respondeu Amu.

Ikuto a alcançou e tomou-lhe as mãos, olhando-a fixamente.

— É uma mulher valente e maravilhosa. Se o mundo fosse justo, você seria uma duquesa e todas as Morcerf e Lulus da vida estariam a seu serviço. Não posso mudar o que lhe aconteceu. Mas estou lhe oferecendo o que posso. Terá dinheiro para fazer o que deseja e comprar o que quiser. Terá criados para cuidar dos seus interesses e não haverá ninguém a olhando de cima e lhe dando ordens. Não serei um marido controlador e exigente. Prometo. Seríamos como sempre fomos amigos. E você seria livre e independente. Eu jamais tentaria lhe pôr rédeas.

Amu sentiu um aperto no coração. Estava adorando a proximidade de Ikuto, a aspereza das mãos em sua pele macia, o metal fresco do anel de sinete, o cheiro másculo do sabão de barba que lhe enchia as narinas, o calor do corpo rijo perto do seu. Se pelo menos ele lhe estivesse oferecendo seu coração... Se pelo menos fosse amor e não apenas bondade que via naqueles olhos escuros.

— E sobre filhos? — disse bruscamente, pegando a si mesma de surpresa.

— O quê? — Ikuto a fitou assustado. Embora envergonhada, Amu continuou:

— E se eu quisesse ter filhos? É bastante natural uma mulher desejar ter um bebê. Uma família para amar e cuidar.

Ikuto a contemplou por um longo momento.

Amu esperou. O rubor de embaraço começando a se misturar com outro tipo de calor completamente diferente.

— Quando sentir essa necessidade — disse ele em um tom sensual — é só me falar. — Ikuto se aproximou e curvou a cabeça. Os olhos de Amu involuntariamente buscaram os lábios dele. — Se decidir que quer um tipo diferente de casamento — murmurou ele -, isso pode ser arranjado.

Ela ofegou e fechou os olhos.

No momento seguinte, os lábios de Ikuto tocaram os seus. A princípio suaves e depois se movendo com mais intensidade contra os dela. De repente, Amu sentiu a cabeça girar e os sentidos a abandonarem. As mãos fortes seguraram seus braços, dedos firmes apertavam-lhe seu corpo e o calor de Ikuto eera quase palpável, tocando-a e aquecendo-a.

Um pouco trêmula, jogou a cabeça para trás e entreabriu os lábios. O gosto da boca de Ikuto era como mel, intoxicante. Não conseguia respirar, não podia reclamar. Sentia-se como se estivesse balançando na beira de um enorme precipício e sabia que só queria se atirar e afundar naquela brecha escura de desejo e ficar lá para sempre.

Ikuto se afastou e a contemplou. Os olhos escuros brilhavam como fogo.

— Pense sobre assunto — disse num tom rouco. — É tudo que lhe peço. — Com essas palavras, se virou rapidamente e saiu da sala, deixando-a estupefata atrás dele.

Notas finais
Gostaram?
Finalmente o primeiro beijo deles, primeiro de muitos *-*
Como estou morrendo de sono, dia longo e extremamente cansativo não estou com muita criatividade de escrever aqui então ficamos assim por hoje.

Deixem reviews.

Até o décimo primeiro capítulo.
Beijos, Lady.

(E eu ainda disse que estava sem criatividade, varias linhas de pura baboseira...)