Notas iniciais
Olá lindas pessoas, é com muita alegria que venho aqui com este capítulo. Ele seria postado no domingo, mas por força maior (manutenção do nyah) veio parar hoje...
Bom, pulando esta parte de explicações...
Boa leitura a todas!

Capítulo 16

Os dias que se seguiram pareceram voar. Havia pouco tempo para os preparativos do casamento e os criados insistiam em consultar Amu sobre cada coisinha do comando da casa. Uma situação que ela suspeitou ter sido causada por Yukari. Em outras ocasiões, a Sra. Hotori causava um caos doméstico, dando ordens conflitantes aos empregados.

Amu estava determinada a não tumultuar as coisas, portanto, engoliu a irritação que sentia com a tia de Ikuto e limitou-se a resolver os problemas da melhor forma possível. Ao menos, Utau se revelava amigável o suficiente para não atrapalhar os esforços de Amu, embora não a ajudasse em nada. Ainda possuía a mesma preguiça de sempre e ocupava seu tempo pensando em formas de nada fazer.

A esposa de Tadase se mostrou bastante envolvida. Oferecia da sua maneira tímida ajuda a Amu em tudo que podia. Ficou encarregada de enviar os convites do casamento, o que fez com perfeição, pois possuía uma linda letra. Amu sentiu-se aliviada, pois sempre considerou sua escrita horrível.

Amu sentou-se ao lado dela, passando o mata-borrão, dobrando e selando os convites antes de Yaya endereçá-los e riscá-los da lista. Lançando um rápido olhar à esposa de Tadase, notou que a manga longa da blusa subira com o movimento da escrita, o que revelou o antebraço delicado da moça, que se encontrava pontuado por pequenos hematomas escuros que contrastavam com a pele branca. Abriu a boca para perguntar sobre o que teria acontecido, no mesmo instante em que percebeu que os ferimentos tinham o exato tamanho de pontas de dedos e deduziu que haviam sido produzidos por alguém mais forte.

Devia ter exibido uma expressão de espanto, pois Yaya seguiu seu olhar e percebeu o que lhe chamara atenção. A moça corou e, com um movimento rápido, puxou a manga para baixo, cobrindo os hematomas, e concentrou-se de novo na tarefa que executava.

Amu desviou o olhar, não contendo a raiva que crescia dentro de si. Estava certa de que aqueles ferimentos tinham sido provocados pelo marido de Yaya. Por várias vezes testemunhara a impaciência de Tadase em relação à esposa e não a surpreenderia o fato de ele tê-la apertado ou mesmo surrado. Sentiu-se forçada a ajudar a moça. Protegê-la de alguma forma.

Mas o que poderia fazer? Aquela era uma questão entre marido e mulher e Amu sabia que em relações conjugais, o homem gozava todos os direitos. Yaya se mostrara claramente envergonhada ao perceber que ela lhe notara os ferimentos e odiaria aumentar-lhe o embaraço, questionando-a sobre o que acontecera. Porém, tampouco poderia ignorá-los.

— Yaya — chamou-a em tom suave. — Você está bem? Posso fazer algo para ajudá-la?

A esposa de Tadase lhe devolveu o olhar com a face rubra.

— O quê? Estou bem.

— Mas seus ferimentos...

Oh, isso... — Yaya forçou um sorriso. — Não é nada. Acho que sou muito desajeitada. Estou sempre tropeçando em tudo...

— Mas esses hematomas parecem...

— Oh, sim! — interrompeu-a a moça, forçando outra risada. — Quase caí e Tadase teve de me segurar com força pelo braço para evitar o tombo. Fico marcada com muita facilidade... tem uma aparência péssima, não?

— Sim — concordou Amu, certa de que a jovem estava mentindo, porém indecisa sobre o que deveria fazer, quando a própria Yaya partia em defesa do marido. — Saiba que se... precisar de ajuda, pode conversar comigo. Ikuto iria...

— Oh, não! — exclamou a jovem, parecendo assustada. —Peço que não fale nada com Lorde Tsukiyomi sobre isso. Eu só ... sou sempre tão idiota. Mas... não há razão para incomodá-lo.

Amu enxergava uma boa razão para contar aquilo a Ikuto. Mas, o olhar suplicante de Yaya a impediu. A jovem por certo sustentaria a versão falsados fatos e negaria que o marido tivera a intenção de feri-la. Embora tivesse certeza que Ikuto acreditaria: nela tanto quanto Amu, não havia nada que pudessem fazer para provar o contrário.

Ikuto, no entanto, iria se sentir compelido a tocarno assunto com Tadase, e dada a tensão existente entre ambos, não queria pôr mais lenha na fogueira. Além disso, se o noivo perguntasse ao primo sobre a brutalidade; com que tratava a esposa, Tadase descontaria a raiva: contida na mesma mulher que ela estava tentando proteger. E se Ikuto o expulsasse daquela casa, Yaya ficaria sem lar, ou pior, completamente à mercê daquele bruto, que por certo a culparia de seus problemas.

Pensando assim, Amu deixou escapar um suspiro resignado.

— Está bem. Não contarei a Ikuto... por enquanto.

Tadase continuava a se comportar de maneira odiosa. Era rude com todos, inclusive com a mãe, e por mais de uma vez Amu testemunhou uma expressão desgostosa na face de Yukari, em reprimenda ao comportamento do filho. Algo que nunca presenciara quando morara com os Hotori anos atrás.

Havia uma tensão declarada entre Tadase e a irmã. Ele sempre tecia comentários sarcásticos sobre ela ou lhe lançava olhares maldosos. Amu não os compreendia, mas a irmã sim, já que Utau o apontava com ódio ou o ignorava.

A relação de Tadase com o cunhado não era melhor. Sir Kukai parecia evitá-lo sempre que possível e, durante as refeições, quando forçado a suportar sua presença, raramente lhe dirigia a palavra. Por mais bizarro que pudesse parecer, o marido de Utau era a única pessoa com a qual Tadase parecia ser civilizado.

Amu veio a entender o comportamento de ambos dias depois, quando ouviu uma conversa entre eles. Para se livrar dos preparativos do casamento por algum tempo e desejando ficar sozinha, dirigiu-se ao banco próximo à janela no fim do corredor. Uma vez lá, com um livro em uma das mãos e uma maçã na outra, sentou-se com as pernas cruzadas sob o corpo, fora do alcance dos olhares.

Passados alguns minutos, ouviu o som de vozes e, temerosa de que pertencesse a alguém que a procurava, puxou o a cortina da janela um pouco à frente, ocultando-se sob ele.

Contudo, as vozes se aproximaram e Amu descobriu que pertenciam aos dois homens que conversavam em tom baixo, porém intenso.

— Eu pagarei, juro. — Aquelas foram as primeiras palavras que ouviu, ditas por uma voz profunda que não podia distinguir.

— Mas você não está compreendendo — a primeira voz continuou, dando-lhe a oportunidade de reconhecê-la como sendo de Tadase. — Sir Kukai, tem de conseguir o dinheiro. Estou em apuros.

— Não me importa o quão desesperado esteja. Não lhe emprestarei mais um tostão.

— Eu pagarei. Cobre os juros que achar necessário. Os dois homens pareciam estar a poucos metros do banco onde Amu se encontrava escondida. Ela se espremeu por trás da cortina o quanto pôde, desejando desaparecer. Não podia mostrar onde estava, pois descobririam que havia escutado ao menos parte da conversa e seria vergonhoso. Mas seria ainda pior se a descobrissem ali. Fechou os olhos, rezando para que seguissem adiante.

— Estou devendo muito dinheiro. Não posso repor sequer um terço dessa quantia.

— Não estaria nessa situação se não esbanjasse seu dinheiro em jogatina — retrucou Sir Kukai. — Emprestei dinheiro muitas vezes, e sempre me disse a mesma coisa. Que me pagaria e pararia de jogar. Entretanto nunca fez.

— Farei desta vez. — Era evidente o desespero que pontuava o tom de voz de Tadase. — Você verá. Mas tem de me dar uma chance. Não são apenas os agiotas. Endividei-me com muitos cavalheiros. Se não pagar , meu nome será arruinado.

— Pelo que sei, seu nome já se encontra na lama — rebateu o cunhado.

— Somos parentes! Como pode permitir que o irmão de sua esposa seja expulso de toda a alta sociedade? Serei conhecido como aquele que não honra seus compromissos. Dei minha palavra àqueles cavalheiros!

— Não conhece o significado da palavra \\"cavalheiro\\" — retrucou Sir Kukai. — Deus do céu, homem! Como tem coragem de pedir qualquer coisa a mim? Usar seu parentesco com minha esposa como razão para ajudá-lo? É por sua causa que Utau está em apuros. Por que acha que resolvemos vir para o campo no auge da temporada? Porque ela pegou tantas dívidas que tive de colocar todos os meus recursos para pagar todas! Gastou toda a sua mesada e o dinheiro destinado ao pagamento dos criados. Utau devia dinheiro a agiotas e empresas de jogo. Nunca me senti tão envergonhado em toda minha vida quando um dia Lorde Fujisaki chamou-me em particular e disse que minha esposa lhe devida duas mil libras.

— Mas você as pagou, não? — indagou Tadase, incomodado. — Por que não fica na cidade? Ela não precisa evitar a alta sociedade.

— Claro que sim! Não posso deixá-la solta em Londres, já que Utau não consegue se controlar. Não permitirei que ela estrague a vida dela como você fez com a sua. Como se não bastasse o que causou a si mesmo, resolveu destruir sua irmã também.

Eu não fiz isso!

— Como pode negar? Você apresentou-a às pessoas com quem andava. Levou-a àquela casa de jogos femininos. E a encorajou a voltar, dizendo que sua sorte mudaria, convencendo de que a única forma de ela pagar as dívidas que contraíra era jogando mais. Se não soubesse que é um imbecil, que gerencia as próprias finanças da mesma forma, diria que estava recebendo propina daquele tubarão!

Houve um longo instante de silêncio. Amu aguardou, imaginando o que estaria acontecendo no corredor.

Aparentemente, Sir Kukai identificara algo na expressão de Tadase pelo que ouviu a seguir.

— Deus! Então era isso, não? Recebia dinheiro quando lhe trazia novas vítimas. Guiava as ovelhas a matança!

— Não queria lhes causar nenhum mal — explicou Tadase, em tom débil. — Elas queriam jogar cartas. Apenas as levava aos clubes mais sofisticados. Utau pediu-me para levá-la.

— Você é irmão dela! Deveria tê-la protegido e não a levado para se acabar — rosnou o cunhado, indignado. — Traidor demoníaco ! Deveria lhe dar uma lição.

— Gostaria de vê-lo tentar — desafiou-o Tadase. Houve um impacto quando algo atingiu a parede ao lado do banco de Amu, e em seguida o som de passos retornando ao mesmo caminho por onde os homens tinham vindo.

— Fique longe de minha vista, Hotori! — gritou Sir Kukai a centímetros de distância dela. Amu supôs que Tadase havia empurrado o cunhado contra a parede e se retirado pisando duro.

Depois de alguns instantes, Sir Kukai deixou escapar um suspiro exasperado e se precipitou pelo corredor.

Só então Amu conseguiu respirar aliviada.

Agora ficara clara a razão pela qual Sir Kukai desprezava o cunhado. E, sem dúvida, por que Utau demonstrava tanta aversão ao irmão. Amu sentia-se perplexa com a extensão da maldade de Tadase — levar a irmã a se endividar com jogos e depois fazer piadas sobre o assunto.

Tadase não compareceu ao jantar naquela noite, o que foi gratificante, não só para Amu como para todos que se encontravam à mesa. A conversação durante a refeição tinha um tom quase normal. Yukari encontrava-se controlada e fria como sempre, mas ao menos Yaya, Utau e Sir Kukai abordavam vários assuntos com ela e Ikuto sem parecerem estar pisando em ovos.

Não houve sequer sinal de Tadase durante toda a noite ou no café-da-manhã do dia seguinte — o que não era anormal. Tampouco Amu o viu durante toda a manhã, portanto a relativa paz que envolvia a casa se estendeu até a hora do almoço.

Toda a família, com exceção de Tadase, sentou-se à mesa no horário usual e os criados começaram a servi-los. Naquele instante, Tadase entrou na sala de jantar. Amu ergueu o olhar ao som dos passos e seu queixo quase caiu. Do outro lado da mesa, Yaya ofegou.

A face de Tadase estava ferida e os lábios inchados. A pele ao redor da boca esfolada e sangrando. O olho direito roxo e fechado pelo inchaço.

Num gesto involuntário, Amu voltou o olhar para Ikuto.

Notas finais
A todas que chegaram aqui, deixem seus reviews, apenas para dizerem "eu passei por aqui" e coisinhas do gênero.
Por favor apontem algum erro que encontrarem...
Sem mais o que dizer, até o décimo sétimo capítulo!
Beijos, Lady.