Amor e Caos

1 O começo de tudo


O ano é 2007.

Amanda é artista desde sempre. Cresceu nos palcos, cantando, dançando e atuando. Conhece muita gente e está sempre rodeada de gente igualmente conhecida. Agora, adulta, vem buscando conectar-se mais consigo mesma, com a natureza, viver uma vida mais reservada..., mas ela mesma sabe que isso e quase impossível.


Em março de 2007, após sair de uma apresentação de sua peça de teatro, foi para uma festa em comemoração ao aniversário do amigo querido Henzo, acreditando que era uma reuniãozinha com poucas pessoas. Enganou-se. A casa estava lotada de gente. Muitas pessoas que ela conhecia e algumas que ela nunca tinha visto antes. Amanda entrou na casa acompanhada por Juninho e logo trataram de cumprimentar as pessoas com quem cruzavam. Henzo apareceu e deu um longo e caloroso abraço nela, como sempre fazia quando se encontravam. Eles se conheciam há tempos e mantinham uma amizade sincera, como se fossem irmãos.


- Dinha, meu amor, que bom que você veio, que saudade eu estava de você!

- Meu amor, feliz aniversário! De jeito nenhum eu deixaria de te ver hoje! E que festão hein, achei que seria uma reuniãozinha para poucos amigos.... não estou nem bem vestida para uma festa assim.

- Acha, você está linda como sempre. Uma diva!

- ahahaha, você mente bem, meu amigo!

- E como estão as coisas? Cadê a Roberta? Quero cumprimentá-la também.

- Sabe que não sei... ela estava aqui agora, disse Henzo olhando em volta procurando a esposa.


Era de se esperar que não pudessem conversar muito, já que a casa estava lotada. Então, Amanda se serviu de uma bebida e foi conversar com algumas pessoas. Perto das 02h da manhã, Amanda já estava exausta e se sentou em um sofá próximo da piscina. Alguns minutos depois, sentou-se ao seu lado um rapaz. Amanda sorriu, fez um sinal positivo com a cabeça e voltou aos seus pensamentos. Mas podia sentir o olhar do rapaz nela. Fez força para não dar bola, afinal, já tinha enrosco demais na vida, não desejava conhecer mais ninguém..., mas não podia negar que ele lhe chamava a atenção.

Nesse momento, Henzo tira Amanda do sofá, chamando-a para cantar ao lado dele. Ela sem poder dizer não, foi levada ao palco. Cantaram 3 músicas animadas. E tão rápido quanto se levantou, retornou ao mesmo sofá com dores nos pés. Novamente, o rapaz se aproximou, mas dessa vez, puxou assunto imediatamente.

- Oi, muito prazer, eu sou Renan.

- Olá, Amanda, muito prazer.

- Eu acho que te conheço, você é cantora?

- Também sou, sou mais atriz que cantora agora..., mas, me desculpe, eu não te conheço. Você é amigo do Henzo?

- Sou amigo dele sim, e sou cantor. Faço dupla com meu irmão Tiago. Somos Renan e Tiago.

- Nossa, que legal. E vocês cantam sertanejo universitário também?

- Não. Eu gosto de cantar sertanejo raiz, músicas românticas..., mas estamos engatinhando ainda.

- Entendo. É, música exige dedicação, estudo, treino, tempo...é cansativo, mas vale a pena.

- E você então, não canta mais?

- Eu canto, ajudo meu irmão em novos arranjos...acabei de sair do estúdio, gravei meu primeiro CD independente. Devo lançar ainda este ano. Eu gosto de tudo um pouco, desde mpb, pop e até samba. Vocês já gravaram?

- Sim, temos 2 CDs e em breve gravaremos nosso primeiro DVD!

- Puxa, então não estão engatinhando, me conta sobre suas músicas, quem sabe já ouvi e não estou relacionando...

- Bom, tem algumas que já tocaram bastante em rádios...deixa ver... “que vida boa, que vida boa, sapo caiu na lagoa, sou eu no caminho do meu sertão...”

- Olha só, eu já ouvi essa música..., mas era o Sérgio Reis cantando...você compôs essa música?

- Sim, também compus.

- Que legal, sua voz é muito bonita, gostei muito.

Renan corou com o comentário, Amanda percebeu. E ficou confusa, dificilmente vira um homem corar frente a um elogio tão bobo. Fingiu não ter percebido e continuou a conversa, agora mais interessada em saber mais sobre aquele homem que se mostrava tão diferente.


A conversa estava tão boa que não viu o tempo passar, quando se deu conta eram quase 5h da manhã. Olhou em volta e viu Henzo olhando diretamente para os dois com a cara fechada. Amanda não entendeu nada. E continuou lá. Trocaram número de celular e ele prometeu assistir sua peça na próxima semana. Juninho estava tenso e com cara de poucos amigos quando veio chamá-la para irem embora. Ela se despediu dele, disse que gostou muito de conhecê-lo, aproveitando o momento para apresentá-lo ao Luca. Antes de irem, despediu-se de Henzo.


- Meu amigo, obrigada pelo convite. Me diverti muito.

- Eu agradeço que tenha vindo e percebi que se divertiu muito mesmo.


Amanda não entendeu o tom.


- Eu me diverti sim, mas seu tom não parece normal.

- Está normal sim, por agora está tudo bem. Mas conversaremos durante a semana, vou te ligar, pode ser?

Amanda achando aquilo muito estranho, resolveu só aceitar e ir.


Já no carro com Luca, o clima estava igual ou pior. E ela continuava sem entender.

- O que foi, Luca? Tá cansado?

- Você vai mesmo fingir que não entendeu?

- Mas gente, o que eu perdi?

- Perdeu o bom senso... de vez! disse Luca alterando a voz.

- Nossa, por que você está bravo?

- Dinha, não é possível que você não percebeu que o cara tava dando em cima de você descaradamente e você lá dando corda.

Mas Amanda não tinha mesmo percebido. Parou para pensar e não estava vendo nada daquilo.

- Acho que não, Lu. Nós conversamos sobre música, sobre cantar, ele me falou das músicas dele, falei do que estava fazendo agora, do meu CD... nós nem falamos nada sobre vida pessoal...enfim, acho que é impressão de vocês.

- Você não o conhecia?

- Não Lu, não sabia quem ele era, mas depois de conversar bastante, sei que já o ouvi cantar.... mas nunca tinha visto o cara. E mais, estávamos em uma festa e ficamos conversando, só isso...você e o Henzo estão imaginando coisas.

- É sim, Dinha, é sim....eu adoro imaginar coisas, sou ótimo nisso.


E assim, continuaram o trajeto até a casa da Amanda em silêncio. Mas, dentro da cabeça dela, o barulho estava exageradamente alto.


Como assim não vi isso, como assim continuo não vendo isso?

E com os pensamentos longe, se deu conta de que não pegou o telefone uma única vez na mão...quando foi olhar, um monte de ligações.


- Nossa, 15 ligações perdidas.

- Pois é, quando não conseguiram falar com você, ligaram para mim...sua mãe, Alana, Daniel, seu marido...

- Nossa, Enrique te ligou tb? Mas que insistência..., e você disse que estávamos na festa do Henzo?

- Falei sim, para todos eles, mas ele ficou meio bravo.

- Não aparece, não liga, não dá notícias há tempos e quando resolve, acha que estou à disposição.


Amanda fechou a cara e os olhos...não queria pensar nisso, ainda estava com o barulho na cabeça e só queria desligar todos os sons.


Ao chegarem no apartamento, logo na sala, já deram de cara com Enrique. Ele não estava com uma cara boa, mas Amanda estava cansada e resolveu que não se estressaria naquele momento, deu bom dia e foi para o quarto tomar banho e se deitar.

Ele foi logo atrás.


- Você se esqueceu que eu vinha? Por que não ficou em casa para conversarmos? Eu avisei que vinha e queria conversar, que era importante.

- Eu fui trabalhar e de lá fui direto para a festa, não me lembrei que era hoje que você viria.

- Voce já não é mais a mesma.

- Eu posso dizer o mesmo para você, faz tempo que não te reconheço mais.


Enrique não acreditou no que ouviu...primeiro porque Amanda não é muito de conflito, ela dificilmente discute com alguém. Segundo, porque foi pego de surpresa. Não conseguiu responder...Amanda percebendo sua surpresa, continuou:

- Eu preciso tomar um banho, podemos conversar depois?

- Não se preocupe, vou resolver coisas na rua e quando eu voltar, se você estiver disponível, conversaremos.

- Ok, até mais tarde então.

Amanda entrou no banheiro fechando a porta atrás de si e deixando um Enrique totalmente perdido no quarto.


Notas finais
Olá! Sejam bem vindos. Esta é minha primeira publicação neste modelo e gostaria muito de saber o que acharam!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.