Notas iniciais
Dizem que na guerra e no amor tudo é válido. Darcy e Elisabeth já conheciam o calor da guerra. Agora o amor aqueceria seus corações..

Em silencio, os dois subiram as escadas em direção aos quartos. Os dois pararam diante de suas portas e olharam-se. Quase que instantaneamente os olhares se desviaram.

Elisabeth e Darcy entraram em seus quartos. Ambos começaram a se despir para banharem-se. A tina cheia de água trazida pelos criados ainda estava quente devido o fogo da lareira.

Os dois afundaram-se na água como se isso pudessem aliviar a tensão de seus corpos. Darcy passou a mão pelos cabelos olhando o fogo pensativamente. Elisabeth olhava o movimento da água contra seu corpo.

Ambos se ensaboaram e se lavaram. Se secaram e se vestiram. Darcy olhou para a porta de comunicação como se pudesse ver através dela. Sua respiração tornou-se profunda ao pensar na jovem do outro lado da porta. Ele aproximou-se da porta esperando adivinhar pelos ruídos se ela já estava pronta para recebe-lo. Passos. E mais passos.Silencio. Mais passos.

Ele resolveu abrir a porta. Elisabeth estava de costas para ele. As velas do aposento iluminavam o corpo dela através do tecido diáfano da camisola.

—Sra. Darcy. — ele a chamou.

Elisabeth se voltou assustada. A adaga em sua mão não era um bom indício.

— Sr Darcy! — ela escondeu a arma atrás de si.

— Eu vim para lhe desejar boa noite. Er... Boa noite.

Darcy se virou rápido demais ao mesmo tempo que estendia a mão para a maçaneta da porta. Ainda se recuperava dos ferimentos causados pela explosão da ponte Hingham. A luta contra os mortos-vivos e o treinamento com Elisabeth cobrava agora o seu tributo. Ele se paralisou, apertando os lábios para não gemer de dor.

Elisabeth ficou esperando ele se mover e sair. Como isso não acontecia, ela colocou a adaga sobre a mesinha e foi até ele.

— O que aconteceu?

— Uma pequena lembrança da explosão da ponte Hingham. — Darcy revelou coma voz enrouquecida.

Ela oobservou atentamente. Sua rigidez denunciou o problema. As costas.

— Euacho que posso ajudá-lo. Venha.

Com cuidado, ela o levou até a cama e o sentou. Darcy estava rígido devido a dor, mas também devido a algo que ele nunca contara a ninguém, nem mesmo a Bingley, seu melhor amigo. Sempre entregue ao dever de proteger a Grã-Bretanha, Fitzwilliam Darcy nunca havia se relacionado com mulher nenhuma. Ou seja, era tão inocente quanto a jovem que agora vasculhava um pequeno baú.

—Aqui está! — ela anunciou triunfante, — Mestre Liu me deu a receita desse óleo para massagem. Eu e minhas irmãs sempre o usamos para qualquer contusão depois do treinar ou combate.

—Mais um ensinamento chinês?

—Sim. E muito bom por sinal. Agora vou ajuda-lo a tirar sua camisa

Devagar ele ergueu os braços e ela tirou a camisa dele passando pela cabeça e pelos braços erguidos.

Quando se olharam novamente, os dois coraram e desviam o olhar. Elisabeth se deteve avaliando o corpo diante dela. Darcy tinha os músculos firmes, resultado do treinamento intensivo que se utilizava. Seus dedos formigavam com a vontade de sentir-lhe a textura da pele.

—Er... Sra. Darcy?

— Ah sim. — ela despertou de sua contemplação. Moveu-se rapidamente para trás dele. — Eu vou passar esse óleo em suas costas.

Ato continuo, ela derramou o liquido nas mãos. Um odor penetrou as narinas de Darcy.

— Que cheiro é esse? Lembra lavanda com hortelã.

— É uma das espécies de flor lótus existente na China.

— É um aroma quente, reconfortante. Mas como o consegue? Nenhum navio aporta na Inglaterra desde muito tempo.

— É verdade. — ela esfregava as mãos uma na outra para aquecer o óleo.- Mas quando voltamos da China, nosso mestre nos deu mudas das principais plantas medicinais. Graças ao conhecimento de minha irmã Mary, conseguimos reproduzir o ambiente perfeito para cultiva-las. E assim extrair o óleo.

—Impressionante... Cada vez eu surpreendo mais com o conhecimento que sua família adquiriu no Oriente.

—Quem sabe um dia, o treinamento adquirido na China tenha o devido respeito.

— O meu já o tem. — assegurou Darcy. — Desde o momento em que a vi lutar pela primeira vez.

Elisabeth parou de esfregar as mãos e parou a centímetros das costas dele. Apele das costas era imaculadamente branca. Ela sentiria vergonha de lhe mostrar as suas, marcadas da castigos e provações a que era submetida devido ao seu comportamento intempestivo.

Ela tocou as costas dele e sentiu elas se moverem quando ele respirou fundo.

—Está tudo bem? Está sentindo alguma dor.

Ele responderia qualquer coisa para que ela não parasse de lhe massagear.

—Ainda um pouco de dor.

— Não se preocupe. Logo irá passar. — ela continuou a passar o óleo. Suas mãos deslizavam pelas costas dele ora suaves, ora energéticas.

Darcy sentia as mãos dela em sua pele. E, ao invés de relaxar com otoque, ele sentia a tensão em cada fibra de seu corpo a níveis astronômicos

—Pronto, terminei.

—Ótimo! — ele se virou e colou seus lábios aos dela.

Ajovem sentiu o ar lhe faltar devido a surpresa. Darcy lhe beijou comos lábios, com o coração, com sua alma de guerreiro.

—Elisabeth... Amor de minha vida. — murmurou contra os lábios dela

—Darcy...

—Fitz. Ou Fitzwilliam, se preferir.

—Prefiro Darcy. — ela acariciou o rosto dele. — É forte, lembra o guerreiro por quem eu me apaixonei.

Ele a beijou novamente inclinando o corpo dela para trás deitando-a contra os travesseiros. O perfume do óleo medicinal fluía entre os dois os sensibilizando ainda mais. Era como se, além de curar os males do corpo, o óleo também tivesse o poder de estimular o amor.

Ele desatou o laço da camisola dela, acariciando a pele com a ponta dos dedos. Elisabeth suspirou diante da carícia, ansiosa por descobrir os mistérios do amor entre homens e mulheres tantas vezes imaginadas entre sussurros com as irmãs.

Darcy encostou os lábios onde os dedos percorreram.

— Eu matarei Wickham de mil maneiras por ele ter ousado encostar em você.- ele rosnou.

Elisabeth segurou o rosto dele nas mãos.

—Sim. Nós o faremos.

Darcy fitou os olhos negros que tanto o enfeitiçaram e retomou o caminho rumo a descoberta dos mistérios que existem entre um homem e uma mulher na noite de núpcias.