Amor e Ódio - sob o fio da espada
9 Sedução
Notas iniciais
Capítulo IX
A pele fria sob suas mãos deveria incomodá-lo, mas não o fez. O cheiro doce repugnar a sua alma, mas não o fazia. A certeza de que apenas um coração batia naquela cela afastá-lo, entretanto, queria estreitá-la tanto que enterrar seu membro em seu corpo certamente seria muito pouco, muito fraco... E tudo!
Acorrentado às suas emoções ele sentia-se perdido. Apesar de estar dominado pelos seus instintos mais primitivos de macho, que lhe ordenavam com brutalidade e incoerência que protegesse a fêmea, que inexplicavelmente escolhera, ele sabia o quão aquilo era errado. Que estava traindo muito mais que a Irmandade e seus membros. Estava traindo toda a sua raça.
Contudo, a dolorosa necessidade de tê-la, não só no sentindo sexual, mas sim de possuí-la por completo, estava aquém de sua compreensão e de sua escolha.
"Deus, seu odor de emparelhamento impregnava todo o ambiente como se tivessem feito amor e apenas a beijara."
Vishous se fora, os irmãos se foram e ele ficara preso não só a ela e ao seu desejo, mas também a sua honra. Não poderia deixar que a lesser partisse, nunca poderia libertá-la, e morreria ali tentando proteger sua fêmea.
Sua fêmea!
Tohr sempre fora um líder nato, sério e caloroso. Estava na Irmandade há muito mais tempo que os outros. Era o mais velho dentre eles. E, nesse momento, comportava-se como um macho jovem e inexperiente.
Devagar afastou os lábios dos dela e encarou a face pálida, seu olhar de jade. Ergueu as mãos, colocando-as em cada lado de seu rosto, quase a cobrindo-a por completo.
"Como era pequena em comparação a ele e seu corpo grande." Pensou.
Parecia frágil, e apesar de toda a sua força e tudo o que ela era, sentia em cada parte de sua alma que Nagisa estava perdida, precisando dele para encontrar-se.
"Nagisa!"
Pela primeira vez, ainda que em pensamento, chamou a mulher pelo nome, fazendo que o mesmo calcasse fundo em sua mente e coração.
Sentiu-se vivo. Depois de um ano de luto, de demência e desolação, em busca da perdição total, sentiu que estava vivo. Por ironia do destino, uma louca paixão por uma não morta o fizera ressuscitar.
— Por favor... Você não entende... Não posso deixar que me proteja. — Ela sussurrou. — Se deixo lhe desgraço e minha perdição e desespero será maior.
Lentamente ergueu as mãos para pousá-las sobre as dele ainda em sua face, entrelaçando seus dedos, deslizando-as até seu peito logo acima do seio esquerdo.
— Sente. — O encarou durante alguns segundos. — Nada. Não há nada dentro.
— Você está aqui. Vejo você, toco você. Se fosse como os outros teria sufocado ao Butch, não tinha nada mais a perder. Teria me golpeado quando lutamos, porque, pela Virgem Escriba, eu te dei muitas condenadas oportunidades para mais do que me machucar.
A lesser empurrou o corpo forte afastando-se.
— Não me use vampiro. Não utilize dessa loucura para conseguir o que parece estar procurando há muito tempo. Se quiser morrer vá e se bata com outros lesseres menos tolos que eu.
Tohr a cobriu com seu corpo, estreitando contra a sua masculinidade pulsante e rija, beijando-a quente e forte, perdendo-se em sua boca.
— Está sentindo maldita? Estou duro por você. E morro por desejo de me encravar fundo em seu corpo.
Ambos estavam tensos. Não poderiam voltar atrás se dessem aquele segundo passo. A traição as duas raças seria completa e irremediável. Para Nagisa não custaria nada, estava morta e sua sentença decretada desde que fosse prisioneira dos vampiros. E, por tudo santo ou maldito a quem pudesse ou quisesse recorrer, nunca pediria que a libertasse, imputando a Tohr mais um crime. Mas para este seria o fim.
Todavia o queria, o queria muito insanamente.
Esqueceram pois os vampiros que poderiam ou não estar no andar superior. Esqueceram o que eram. Esqueceram que aquela provavelmente seria a primeira e única vez. Só pensaram que a sentença de morte de um, ou ambos, acarretaria na separação eterna.
Não possuíam futuro.
Nada, nem ninguém, poderia mudar como as coisas se desenrolaram.
Sôfregos suas bocas duelavam. Os braços de Nagisa de onde correntes pediam, atadas pelos pulsos, rodearam o corpo grande, os dedos frios e delgados se enroscando nos cabelos compridos e desalinhados. As de Tohr procuravam o fecho eclair da blusa, para logo em seguida deslizar o pequeno pingente de metal da altura do pescoço até a cintura, descobrindo a pele descorada, expondo os seios empinados e macios, os bicos duros e excitados. Devagar deixou que uma mão o afagasse cobrindo-o por completo, o polegar acariciando lentamente a turgidez em seu centro.
Um suspiro de inconfundível prazer escapou dos dois ao primeiro toque na pele levemente escurecida. Foi o derradeiro estopim para a liberação total de seus desejos.
Nagisa agarrou mais forte o cabelo do vampiro, puxando-lhe para aprofundar ainda mais o contato de seus corpos. Sua outra mão deslizando pelas costas cobertas pela jaqueta de couro, que em um segundo ele atirou do outro lado da cela, para sentir as mãos em sua pele. Logo seu torso estava nu e seu corpo musculoso e tatuado, mais ainda maltratado pelos meses de quase completa inanição, ficou exposto para as mãos femininas e sua boca.
— Virgem!
— Não, não sou. — Ela gracejou antes de encostar os lábios no mamilo do macho, lambendo-lhe a pele macia e quente.
Deixou que sua boca o provasse. Descendo mais, mais, até estar ajoelhada à sua frente lambendo a pele logo acima do cós da calça. As mãos em sua cintura, os dedos tocando ligeiramente a protuberância sólida logo abaixo de seu queixo.
Fraco e ofegante o vampiro se sustentou com as mãos na parede ao sentir que a fêmea o libertava. Com os olhos embaçados encarou a mulher aos seus pés.
Sua ereção estava plena e gotejante. O membro ereto, obscenamente rígido e grande, parecendo ainda maior ali tão perto do rosto delicado. Viu e sentiu os dedos carinhosos o cercar, sem conseguir fechar-se completamente ao seu redor, deslizando de sua base até a ponta avermelhada e brilhante, uma vez... Outra vez... E de novo...
Pensou que poderia vir só com aquele movimento brando e ao mesmo tempo rude.
Sua cabeça ricocheteou e um urro animal escapou de seus lábios quando algo úmido e apertado o cingiu por completo. Meneou o quadril, para frente e experimentou a deliciosa sensação até a metade de seu pênis.
Não poderia ir mais além.
A mão em sua base o acariciando e mantendo o controle das investidas era firme e dominadora. Mesmo assim empurrou o quadril novamente à frente por instinto. Ela não recuou o tomando mais um pouco. Trêmulo olhou para baixo novamente se deliciando com a visão e sensação da boca macia passeando para frente e para trás. Da deliciosa magia de sua língua quando passeava na fenda de sua glande, dos dentes arranhando gostosamente sua pele sensível e esticada.
Ela o fitou nos olhos enquanto o chupava mais uma vez e Tohr quase gozou em sua boca.
— Quero você. — Sussurrou arquejante puxando o corpo pequeno para cima, encostando-a a parede, deslizando as calças de couro dela para baixo e levando sua grande mão para o lugar onde cravaria dali a pouco o seu membro. — Morro por me enfiar aqui. Quero que grite meu nome... Que se esqueça de tudo que não seja meu sexo cravado no seu... Entrando e saindo de sua abertura.
Enquanto seus lábios sussurravam essas promessas de prazer junto ao ouvido dela, sua mão manipulava seu órgão molhado. Os dedos deslizando em sua pele macia, ora tocando seu centro inchado, fazendo seu corpo dar pequenos puxões de prazer, ora sondando a sua abertura apertada de onde seu mel não parava de verter.
Seu corpo retesou quando um dedo grande foi entrando devagar. Depois eram dois e decididamente sentiu que pulava e gemia enquanto o macho a manipulava observando e adorando cada onda de prazer que seu rosto esboçava.
"Ela é benditamente apertada." Pensou. Poderia gozar só ao tentar se introduzir naquela fenda ensopada.
Ao retirar a mão ela gemeu em protesto e ele, sem desejar, sorriu e lhe beijou. Instintivamente ela ergueu uma das pernas e rodeou a sua cintura, flexivelmente adorável. O sexo exposto e esperando pelo seu para a consumação daquela loucura.
Tohr segurou o rosto dela e a fitou enquanto seu membro, num movimento dolorosamente excitante, a rasgava em prazer.
Completamente plantado nela ficaram ali se olhando, apreciando a ligação. Ela, lhe sentido o gostoso e quente pulsar. Ele, as paredes firmes que encharcadas apertavam sua latejante carne dura.
— Tohr... Por favor... Por favor!
— Isso... Assim... — Ele murmurou quase sem fôlego empurrando forte os quadris contra ela.
Uma das mãos sob o joelho e a outra segurando seu traseiro, trazendo-a para mais perto a cada investida.
A tomava com violência, mais nenhum dos dois se importava. Não queriam brandura, nada de calma. Precisavam gravar as sensações a fogo em seus corpos e em suas lembranças. Necessitavam que tudo fosse extremo e poderoso. Por todos os deuses, precisavam sentir que foram um do outro, que toda aquela paixão não seria esquecida mesmo nos momentos de horrores do futuro.
Como ele desejou, ela gritava seu nome a cada firme estocada, se agarrando e arranhando o vampiro. Mordendo seu ombro, beijando a pele, lambendo, sugando.
— Nagisa... Leelan! — Ele gritou mais forte no primeiro orgasmo, se derramando no interior dela, continuando as investidas até ouvi-la e senti-la gozar também.
Continuando até gozarem mais uma e outra vez e extenuados se aferrarem um ao outro, ainda ligados, a eletricidade da paixão percorrendo seus corpos.
Mesmo quando a luxúria evaporou, e só a sensação de saciedade os dominou, permaneceram unidos. As mãos de ambos se buscando suavemente, gravando cada linha, cicatriz e sensação da pele alheia.
Tohr mantinha a cabeça enterrada no pescoço de Nagisa sentindo seu cheiro. Foi quando se deu conta que ela cheirava, não a talco de bebê, mais a sua essência de emparelhamento.
Tinha se ligado a uma lesser o mais completamente que um vampiro poderia fazer em sua existência.
Lentamente se afastou e com cuidado começou a vestir as roupas nela. Por último puxou o fecho eclair da camiseta até a altura dos seios deixando que sua mão deslizasse para dentro, e ali rodeando a pele macia, ficar por um longo momento.
— Foi...
As palavras que queria dizer não saíam. Sua garganta parecia se fechar e nada poderia pronunciar além de um som estrangulado, que a custo reteve. Não precisava que ela soubesse o quanto aquilo tudo, todas aquelas sensações e seu próprio cheiro impregnado nela o assustava e o maravilhava.
"Poderoso no Fade, a amava!"
***
Os vidros das elegantes janelas da sala de conferências da Irmandade se estilhaçaram em inúmeros pedaços que voaram e se espalharam em todas as direções, cobrindo o chão, os móveis e os vampiros presentes, numa reação ao grito de fúria do vampiro rei.
Fora, a noite ainda estava em seu início, o céu ainda marcado pelo leve tom avermelhado dos últimos raios de Sol.
Dentro, ondas e mais ondas de uma raiva gélida os golpeava como se alguém brandisse um chicote invisível em todas as direções.
O cão guia ao lado do rei se encolheu no chão sem se afastar do dono. O instinto de obediência e lealdade ao Warth mais forte que o medo que lhe gelava os ossos.
Warth derrubara tudo o que havia sobre a mesa, cravando as mãos na madeira lisa, tentando respirar, buscando a calma.
— Ele não fez isso. — Gritou com fúria mais uma vez. — É um irmão, um vampiro, não cometeria essa traição.
Os machos presentes não se ofenderam, pois sabiam que o rei não os chamava de mentirosos, ele apenas não conseguia acreditar.
— Ele sabe o que significaria essa afronta contra o nosso povo. — Gritou. – Sabe que será banimento ou morte!
Butch encarou o rei para em seguida deixar a cabeça pender sobre o peito, os olhos úmidos. Em seu coração a dor da culpa. Não conseguia deixar de imaginar que tudo o que acontecia ao Tohr fora fruto de sua indecisão e covardia.
V segurou seu ombro apertando forte, mas nem o apoio do amigo foi o bastante para suavizar seu lamento.
Ao seu redor cada um dos vampiros emanava um odor de tristeza e raiva contra o macho irmão que tão desgraçadamente os ferira.
Todos estavam ali. Na casa segura apenas Tohr e a lesser permaneciam. Em seus corações nenhum medo que Tohrment a libertasse. Zsadist ainda cogitou permanecer lá, mas à primeira onda de puro desejo que rodeou toda a habitação emanando da cela abaixo, todos os que podiam se desmaterializaram em direção ao Pitt e depois se dirigiram a mansão.
Warth girou para a vista da janela, porém todos sabiam que ele nada poderia apreciar da bela paisagem, nem o brilho das estrelas despontado num céu limpo de um azul escuro profundo poderia acalmá-lo.
Apenas meditava e sofria.
De todos os irmãos, Darius e Tohr eram os mais achegados a ele. Darius morrera e agora, Tohrment, após retornar de meses de alto flagelação em busca da morte, finalmente poderia encontrá-la.
Tinha que tomar a decisão e não precisava de conselho ou ordens da Virgem Escriba para saber qual o castigo a dar aquela afronta a raça, a Irmandade e a natureza.
Porém, quase uma hora depois, ainda estava no mesmo lugar, no que era seguido pelos outros.
A sensação de algo errado atingiu a todos ao mesmo tempo. Foi como uma leve opressão no coração, como se este falhasse uma batida e depois acelerasse.
Nenhum deles precisou falar, nem perguntar, a sensação foi tão forte que todos tinham consciência do sentimento em cada membro ali presente.
E só poderia existir uma explicação possível, alguém muito próximo e amado estava em perigo. E, como o pensamento de todos estavam voltados, dirigidos e fixos em apenas uma pessoa, não foi difícil identificá-lo.
No instante em que pensou em pronunciar suas suspeitas o celular de Warth tocou.
O vampiro rei escutou o toque de Tohr e atendeu rapidamente.
— Maldito Fudido!!!... — Gritou. Parou. E assumiu tal ar de fúria, antes de apertar a tecla do viva-voz, que todos pararam de respirar por um momento.
Uma voz baixa, articulada e suave se fez ouvir por todo o recinto.
—... Se quiser ter a chance de salvá-lo, me rastreie.
As palavras de Nagisa permaneceram no ar mesmo após a ligação ter sido finalizada.
Fale com o autor