Alguns raios de sol entravam pelas brechas da cortina, a sala se encontrava quieta, todos dormiam, notava-se os resquícios da noite passada. Bakugou foi o primeiro a acordar, mas se manteve de olhos fechados, sentia um peso em seu braço e alguns fios de cabelo lhe faziam cócegas no nariz.

Respirou fundo e sentiu o aroma de framboesa invadir suas narinas, abriu os olhos lentamente e a viu adormecida em seus braços, sentiu uma sensação estranha. Era aconchegante ter a paz de Ochako em seus braços, ao mesmo tempo era estranho também.

Ele não pode negar que no primeiro momento queria gritar e tirá-la rapidamente dali, Bakugou não fazia esse tipo de coisa, não combinava com ele. Respirou fundo novamente e percorreu o olhar pela sala, todos em sua volta dormiam, voltou novamente sua atenção para a pequena em seus braços e passou a admirá-la.

Inalou o topo da cabeça da castanha e percorreu levemente a mão sobre seu rosto, queria sentir sua pele macia. Katsuki não podia negar, a pequena surtia tantos efeitos sobre ele, algo totalmente inexplicável.

O loiro já havia olhado para ela outras vezes, mas só a via como amiguinha do Deku, a mocinha que quer ser heroína, mas totalmente em defesa. A luta mudou algo, a forma como ela o desafiou … Depois de tudo aquilo, como ele não poderia olhar para ela diferente?

Ochako se mexeu em seus braços chamando sua atenção, Bakugou tinha uma rotina para seguir: café da manhã, treino e estudos. Além do mais, não iria aguentar a zoação por parte dos seus amigos idiotas se vissem aquela cena.

Bakugou lentamente tentou retirar o braço que estava embaixo da castanha, mas ela se movimentou jogando seu braço direito em volta do seu pescoço, fazendo com que seus corpos se aproximassem e sua cabeça pousasse sobre o peitoral dele.

Aquela nova posição o desarmou completamente, ele conseguia ver perfeitamente o rosto da castanha que dormia com tanta paz, de forma involuntária depositou um beijo em sua testa e novamente tentou se retirar dali, mas dessa vez obteve sucesso.

Se levantou e a olhou pela última vez, era uma manhã fria e agora sem o calor de seu corpo, com certeza ela iria sentir frio. Ele a cobriu por completo com o cobertor que estava ali, colocou um par de meias em seus pés e se retirou da sala.

{...}

A luz do sol entrando na sala estava atrapalhando o sono de Ochako, a castanha murmurou um pouco antes de abrir seus olhos. Ela se espreguiçou pelo tapete e depois olhou pela sala, era engraçado ver como seus amigos estavam dormindo.

A lembrança da noite anterior veio em sua cabeça, ela deitada sobre o peitoral de Bakugou, ele fazendo carinho em seus cabelos e a protegendo dos susto, Ochako a procurou pela sala, mas não o encontrou.

Talvez ele não quisesse passar a noite aguentando ela, só foi educado o suficiente para se retirar assim que ela dormisse, ou talvez tudo não tenha passado da sua imaginação.

A castanha respirou frustrada, pegou seu celular para ver as horas e olhar as redes sociais, o relógio marcava dez e meia, o tempo ainda continuava frio e propício para passar o dia inteiro embaixo das cobertas.

Coberta.

Um estalo veio em sua mente, ela direcionou o olhar para a coberta que estava perfeitamente colocada em cima do seu corpo, Ochako não tinha o costume de ficar coberta durante a noite, ela costumava se descobrir.

Oh — sussurrou baixinho.

Não foi sonho nenhum, Bakugou realmente tinha dormido ali com ela e por incrível que pareça, eles só tinham dormido. Ochako sentia um misto de emoção, se levantou tentando fazer o mínimo de barulho possível , não queria acordar os outros, recolheu suas coisas e o cobertor de Bakugou e caminhou em direção ao seu quarto, necessitava de um banho quente.

Entrou embaixo do chuveiro e deixou que água quente caísse pelo seu corpo, a quentura da água a lembrava da temperatura do corpo do loiro, recordou-se dos músculos em volta de seu pequeno corpo e até mesmo de passar a mão naquele cabelo espetado, se surpreendeu ao ver quão macio era.

Uraraka conheceu um lado diferente de Bakugou, um que ela pensava não existir: Bakugou cuidadoso e carinhoso. O que estava acontecendo com ela? Por que estava pensando tanto nele ultimamente?

A castanha não podia negar que já tinha olhado diferente para ele antes, Bakugou era bonito e chamava atenção, talvez mais por causa de sua gritaria e grosseria. Foram poucas vezes que ele era gentil com ela, poderia enumerar todas as vezes.

Ochako fechou o chuveiro e caminhou pelo pequeno banheiro, penteou os cabelos e decidiu colocar uma roupa mais aconchegante, pelo jeito iria fazer frio o dia inteiro. A castanha olhou em seu relógio e já estava na hora de começar a fazer o almoço, se perguntava se seus amigos tinham acordado.

Se surpreendeu ao descer e ver que eles ainda dormiam, ficou na dúvida entre acordá-los ou se esperava, resolveu que iria esperar mais um pouco, afinal ela também não estava com tanta fome também.

{...}

Katsuki deu tudo de si naquele treino, não sabia de onde vinha tanta força e motivação, geralmente aos domingos ele só treinava para manter o ritmo. Talvez estivesse dando tudo de si para não pensar em Uraraka, ele de fato não sabia lidar com aqueles sentimentos. Qualquer oportunidade que aparecia, seus pensamentos voltavam-se para a castanha.

O relógio soou avisando que seu tempo de treino tinha acabado, pensou em ficar por ali mais um tempo, porém seu estômago já estava se revirando de fome, foi para o vestiário e tomou um banho rápido.

Bakugou andava rápido e se sentia angustiado para ver Ochako logo, mas não queria passar essa impressão, tentou ir devagar para o alojamento, mas suas pernas continuaram o traindo, era como se não houvesse controle sobre seu próprio corpo.

Parou em frente a porta de entrada e respirou fundo, prometeu a si mesmo se controlar, caso contrário iria passar o resto do domingo no quarto — Não seja idiota, Katsuki.

Respirou fundo pela última vez e entrou, andou até a sala e pode perceber Denki e Kirishima deitados no chão com as "namoradas", sempre soube que Mina tem uma queda pelo ruivo, mas agora Jiro era uma novidade. Buscou por Ochako na sala, porém não a encontrou, caminho até a cozinha e pode ver revirando a geladeira.

— Você não vai encontrar nada saudável para almoçar aí.

Ela se assustou e acabou batendo a cabeça na parte de cima da geladeira — Aí — exclamou — Poxa Katsuki, não é legal assustar as pessoas assim — disse, fechando a geladeira envergonhada.

— Não podia evitar — deu um leve sorriso de canto — Então, o que vai ser?

— O que vai ser o quê? — perguntou confusa.

— Porra bochechas — reclamou — Você é lerda pra caralho, qual será o almoço?

— Ah sim — coçou a cabeça envergonhada — Não sei, estava esperando alguém acordar para definir juntos, mas pelo jeito não vão acordar tão cedo ... Podemos definir juntos, o que achar? — perguntou animada para ele.

— Tsc ... Tanto faz — deu de ombros — Vamos fazer algo logo, eu to morrendo de fome.

Os dois procuraram alguns ingredientes na dispensa, mas não tinha muita coisa para ser usada, no fim decidiram fazer macarrão.

— Alguém precisa avisar aquele inútil do Aizawa que precisa fazer despesa — reclamou o menino — A única coisa que restou foi o macarrão e ainda bem que estamos em menor número.

— Deixa de ser reclamão, Katsuki — a castanha disse a ele — Depois eu o aviso que está acabando os mantimentos.

— Tsc.

Os dois almoçaram conversando e em seguida se dividiram para lavar a louça, assim que terminaram o silêncio reinou sobre o ambiente. O loiro olhou no relógio e marcou 13:00 PM, a morena percebeu sua ansiedade para ele sair dali e resolveu facilitar para ele.

— Eu já vou indo — sorriu desajeitada — Tenho que terminar as tarefas de matemática, estou com tantas dificuldades ... Até mais, Kacchhan — disse saindo.

— Hey, cara de lua — ele a chamou — Se tiver algo que não conseguir fazer, pode me chamar que eu te ajudo.

A menina tentou esconder a cara de espanto, mas foi em vão, o loiro em sua frente riu da expressão da mesma — O-okay ... Obrigada, Katsuki — se retirou do ambiente tão rápido para que ele não visse o rosto vermelho como pimentão.

Entrou no seu quarto e focou nas tarefas, já era fim de tarde quando ela chegou à conclusão que não iria conseguir fazer sozinha, estava com muita dificuldade. Suspirou e olhou para o celular, mandou mensagem para Tsuyu, mas ela tinha saído com os pais e não tinha voltado ainda.

Pensou em Mina, mas sabia que ela também não havia feito e provavelmente estava esperando para copiar de alguém, se lembrou de Iida e Deku, mas os dois não tinham retornado também. Só restava ele, o foguetinho.