Amor e Ódio
23 Formatura
Finalmente eles tinham se acertado, finalmente tinha chegado o fim de todo aquele sofrimento. Tudo ficou mais leve, todos sentiam isso. Era nítido a felicidade dos dois, claro como a luz do dia que Katsuki amava Ochako.
Mina se sentia orgulhosa, desde quando conheceu Ochako sabia que ela daria certo com o loiro rabugento, mas a castanha sempre negava e vinha com o papinho de que gostava de Deku. Ela riu sozinha, quem diria que no fim estava certa.
— Tá rindo do que, amor? — Kirishima a abraçou por trás.
— Eu sempre tive razão — ela olhava para o casal em sua frente, eles estavam perdidos em um mundo só deles falando sobre um anime — Disse que eles iriam dar certo, só precisavam de um empurrãozinho — beijou a bochecha do namorado.
— Você e seus empurrõezinhos — ele riu — Quem será o próximo alvo?
— Jiro e Denki parecem ser uma ótima escolha — ela riu arrancando um sorriso de ruivo.
Com certeza Mina conseguia tudo o que queria, por meses ficou no pé do poste elétrico até que ele tomasse coragem suficiente para chamar Jiro para sair. Aos poucos, a rosada conseguiu juntar até mesmo Tsuyu e Tokoyami.
Os anos se passaram tão rápido, era difícil de acreditar que hoje eles se tornaram heróis. Todos evoluíram e se tornaram pessoas melhores, até mesmo Mineta, que todos desacreditaram. Como poderiam se despedir assim? Muitos ali conviveram mais com os colegas do que os próprios pais, se tornaram uma verdadeira família.
Se despedir de seus amigos não estava sendo uma tarefa fácil, eles fizeram valer o último ano juntos, todos os fins de semana faziam algo juntos, até mesmo Bakugou, bom, talvez ele só fosse por causa de Ochako, mas ele sempre ia e acabava se divertindo. Ela e as meninas vinham sofrendo há cerca de um mês, os corações apertavam só de lembrar que não as teriam por perto mais.
Uraraka terminava de empacotar suas coisas em seu quarto, não tinha muito, mas eram coisas importantes, algumas contavam sua trajetória até ali. Estava melancólica, como seria sua vida a partir de agora? É claro que com uma ajudinha de Bakugou, ela se tornou uma das melhores da sala e com isso já saiu empregada na agência de Gunhead, realmente lhe rendeu bons frutos. Porém agora eles iriam para o mundo real.
Com Katsuki o caminho não foi diferente, como o esperado, ele conseguiu emprego na agência de Endevor, a melhor agência. Ele estava feliz, conseguiria ficar perto de sua garota, trabalharia com o melhor e Kirishima também estaria junto. Tudo estava perfeito, bom, quase perfeito.
— BakuBro — seu melhor amigo entra animado — Tudo certo para amanhã?
— Claro seu idiota — deu de ombros — Só temos que vestir uma beca e foda-se, qual a dificuldade em fazer essa merda?
— Perguntei por conta da Ocha mesmo.
Com certeza o loiro queria explodi-lo por chamar sua namorada com um apelido tão íntimo, mas depois de muita terapia ele entendeu que não podia sair explodindo as pessoas assim. Agora ele precisava ser uma pessoa mais calma, que tipo de herói seria se fosse tão agressivo? Nunca poderia ser o número um.
— Tsc, ela está sendo ela — deu de ombros — Como sempre.
— Surtando como sempre — riu arrancando um sorriso do amigo também — Você não deu nenhuma bisbilhotada no discurso? — perguntou curioso.
— Fui tentar e quase parei na lua — fechou a cara, odiava ter a treinado tão bem.
— Ela é foda — riu imaginando a situação.
{...}
Uraraka estava nervosa, de quem foi aquela maldita ideia de ela ser a oradora? Pior de tudo, como foi concordar com isso? Queria matar Katsuki por não a ter impedido. Maldita hora em que foram descobrir seu tumblr.
Ela perdeu as contas de quantas vezes escreveu seu discurso, nunca parecia bom o suficiente para descrever seus amigos, sua família. Afinal, foi isso o que eles se tornaram, uma família. Todas as histórias que fizeram juntos, todas as risadas e lágrimas, o elo entre eles se tornou inquebrável.
Sentada ao lado de seu namorado, sentia seu estômago se revirar, estava chegando a hora. Sentiu a mão quente do loiro sobre a sua e então um leve aperto, ele tentava acalmar.
— Você vai arrebentar, bochechas — sussurrou em seu ouvido a fazendo arrepiar — E quem não gostar vai se ver comigo — depositou um beijo em sua bochecha.
Esse era o jeito dele e nunca mudaria, iria protegê-la para sempre e de quem fosse. Ele a amava, ela o fazia feliz como ninguém tinha feito.
Ela sorriu nervosa e de longe viu a heroína Midnight acenando, era sua deixa para ir para trás do palco. Respirou fundo e tomou coragem, de longe pode observar o Bakusquad fazendo joia para ela.
Vasculhou o auditório rapidamente em busca de seus pais e os encontrou pertinho do palco, estavam em um ótimo lugar, logo ao lado deles estavam os pais de Katsuki. As duas mães sorriam de orelha a orelha, a castanha se sentia tão feliz por vê-las ali.
— Ochako — All Might a chamou — Está pronta, pequena?
— Claro — sorriu nervosa.
Pronta.
Como alguém pode estar pronto para encerrar um ciclo de sua vida? Como alguém pode estar pronto para dizer adeus a seus amigos? Pronta era algo que com certeza ela não estava. Mais uma vez xingou todos que votaram nela ao invés de Momo, que provavelmente iria discursar melhor.
Ainda dava tempo de inventar alguma desculpa? Fingir estar passando mal? Sair correndo? Olhou para os lados e sentiu o olhar de Bakugou sobre ela, com certeza ele iria chutar seu traseiro se ela se autossabotar.
— Vamos? — o antigo símbolo da paz a guiou até a coxia e deu passagem a ela — Boa sorte — sorriu para ela.
— Obrigada — murmurou nervosa enquanto ajeitava sua beca.
— E Ochako — ele a chamou novamente — Não se preocupe com os olhares, é a sua hora de brilhar — sorriu e se retirou.
Uraraka ouviu seu nome ser chamado, era agora. A castanha respirou fundo e deslizou pelo palco, todos a aplaudiram, seus amigos gritavam seu nome e até mesmo alguns elogios. Saudou seus professores e caminhou até o palanque, olhou com um sorriso para os amigos que ainda batiam palmas e gritavam.
— Obrigada — sorriu tímida e viu que o Bakusquad ainda fazia joia para ela, dessa vez até o loiro fazia e com um sorriso no rosto — É uma honra estar aqui representando minha sala — nesse momento todos gritaram "Viva 1-A", fazendo com que todos rissem — Eu prometo que tentei escrever o mais belo discurso, mas nem as mais belas palavras estão aos pés de pessoas tão maravilhosas como vocês — sorriu — Não tem como resumir três anos vividos com vocês em um singelo discurso, mas eu tentei.
A castanha olhou uma última vez para o papel em sua frente limpou a garganta, respirou fundo e se concentrou em sua sala, era para eles que ela estava ali naquele momento.
— Eu sei que todos pensam que somos imortais. Era para ser assim, afinal temos superpoderes, mas acontecimentos durante nossa formação nos provaram o contrário — um flashback da morte de Best Jeanist veio em sua mente — Acontecimentos que nos provaram o quanto podemos ser frágeis, nos ensinaram a ter cuidado. Acontecimentos que nos mostraram o quanto é importante termos em quem nos apoiar. Estamos nos formando, assim como nossos três anos de U, A, o que torna a vida tão valiosa é não durar para sempre. O que torna preciosa é que ela termina — mantinha seu olhar firme em seus colegas — Sei disso agora mais do que nunca. Hoje é um dia especial, para nos lembrar que tempo é sorte — sorriu — Hoje eu sei a quão sortuda fui por ter passado três anos com vocês. Então, não desperdice tempo vivendo a vida de outro — olhou para Deku e Iida, algumas semanas atrás eles conversaram sobre estarem tentando viver a vida de outros heróis — Faça a sua vida valer alguma coisa, lute pelo o que você acredita. Seja o que for. Porque mesmo que tenhamos dúvidas, não há melhor jeito de viver — sorriu para eles — É fácil se sentir esperançoso em um dia lindo como hoje, mas haverá dias sombrios à nossa frente — agora fixou seu olhar em Bakugou e Todoroki, ela sabia que deveria dizer isso a eles. O loiro passou por maus bocados durante a graduação e só foi melhorar depois de fazer terapia — Dias em que você se sentirá sozinho, e é nesses dias em que precisamos de esperança. Não importa o quão ruim fique ou o quão perdido você se sinta, me prometa que terá esperança. Mantenha-a viva. Temos que ser maiores do que o que sofremos — sorriu para ele — Meu desejo é que você se torne esperança. As pessoas precisam disso — respirou fundo — E mesmo se falharmos, não há forma melhor de viver — seu olhar vagou para suas amigas — Como vemos aqui hoje, todas as pessoas que nos ajudaram a formar quem somos, todos os nossos amigos, pais e professores, todos que nos apoiaram. Eu sei que parece que estamos dizendo adeus — sorriu e olhou para os professores — Mas carregamos cada um de vocês em todas as coisas que fizemos, para nos lembrar de quem nós somos e de quem nós deveríamos ser — fez um gesto de agradecimento — Passei ótimos anos com vocês, eu vou sentir muito a falta de todos — seus olhos marejaram — Obrigada por terem me ensinado o verdadeiro sentido de amizade — sorriu emocionada — Hoje, nós nos tornamos heróis — a castanha encerrou seu discurso e foi aplaudida de pé pelos colegas e professores.
Ela os saudou e iria se retirar do palco, mas o professor Aizawa a chamou — Uraraka, espere — ela se virou para ele — Seu discurso foi muito bonito, venha me ajudar a fazer o juramento de herói — todos foram a loucura, agora era o momento mais importante de toda a cerimônia — Bom, vamos lá — limpou a garganta.
— Meus queridos alunos — fingiu desânimo de sempre — Estou muito feliz por estar compartilhando este momento com vocês — todos sabiam que as palavras eram sinceras — Estão prontos para o juramento? — todos responderam sim — Ótimo, agora todos levantem o braço direito e repitam comigo — ele deu alguns segundos para todos se ajeitarem — Prometo regularizar a minha conduta pelos preceitos da moral, cumprir rigorosamente as ordens das autoridades a que estiver subordinado e dedicar-me inteiramente ao serviço de herói, à preservação da comunidade, mesmo com o risco da própria vida — todos repetiram as frases junto à ele — Hoje, vocês se tornam heróis. Parabéns!
Os alunos comemoraram jogando os chapéus para cima e se abraçando, Bakugou se direcionou até a frente do palco e estendeu os braços para a castanha, ela se jogou em seus braços e ele a girou — Você um belo discurso, meu anjo — depositou um beijo em sua testa e sorriu carinhosamente.
— Obrigada, leãozinho — retribuiu o sorriso.
— Nossos pais estão nos esperando, vamos? — perguntou colocando-a no chão.
Foi difícil caminhar até eles, todos queriam parabenizá-la pelo discurso, foram muitos abraços e lágrimas, o loiro segurava a mão da castanha e ia guiando-a pela multidão. Seus pais conversavam animadamente, pareciam estar se dando tão bem e isso os deixava felizes.
A mãe da castanha chorou ao vê-la e seu pai tentou manter a pose, mas algumas lágrimas se formaram em seus olhos. Eles a abraçaram apertado e o pai da menina puxou Bakugou para o abraço também.
— Você promete que vai cuidar da nossa menininha? — o pai dela perguntou a ele.
— Papai! — ela exclamou.
— Claro — tentava não usar seu tom ríspido de sempre — Como o bem mais precioso do mundo — sorriu para ela
— Ele vai cuidar muito bem dela — Mitsuki assegurou — Ou vai se ver comigo — puxou a orelha dele.
— Caramba, velha — reclamou enquanto massageava a orelha — Vai queimar meu filme com os coroas da Ochako.
Os pais da menina riram, achavam engraçado o jeito dos Bakugo's, tinham o jeito grosseiro e briguento um com os outros, mas se amavam muito. Achavam Katsuki um bom menino, sempre ajudou a castanha em tudo o que precisava e cuidou dela muito bem. Para eles isso que importava, ele a amar e respeitar.
— Uma pena vocês não poderem ficar para o baile — a castanha disse triste.
— Precisamos voltar, pequena — seu pai acariciou seu rosto.
— Obrigada por terem vindo — sorriu enquanto uma lágrima escorria pelo seu rosto — Eu sei que foi difícil para virem e sou grata por isso — os abraçou.
— Você é a nossa menininha — sua mãe acariciou seu rosto.
— Não perderíamos por nada — o pai completou.
— Amo vocês — a garota desabafou.
Eles e a família Bakugou passaram a tarde juntos, uma tarde divertida e com vários planejamentos por parte das mães. Mitsuki apoiava a relação deles e tratava Ochako como uma filha, o pai de Bakugou também, apesar de ser um homem de poucas palavras. As mães já conseguiam visualizar bons frutos daquela relação.
Eles levaram os pais da menina até o aeroporto e observaram de longe a despedida, partia o coração de qualquer um, eles sabiam as dificuldades para a menina ver seus pais. Por mais que Uraraka não fosse falar muito, eles sabiam que ela sentia falta.
O baile iria acontecer em dois dias, todos terminaram de retirar suas coisas dos dormitórios. Katsuki estava adiantado e suas coisas já estavam nos carros, só faltavam de Ochako. Agora com seus 18 anos completos, seus pais finalmente lhe deram um carro, o que estava facilitando muito a vida dele.
O apartamento de Ochako não ficaria muito longe do seu, seria possível vê-la durante a semana. Foi difícil convencê-la que o valor não estava alto e que ali era uma ótima localização, não só por conta de ficar perto dele, mas também por conta do seu novo trabalho.
— Katsuki — ela passava a mão em frente ao seu rosto, o tirando de seus devaneios.
— Oi, bochechas.
— Me ajuda a organizar as coisas no carro — foi então que ele notou as caixas flutuando.
— Tsc, preguiçosa mesmo — resmungou — Usar sua individualidade para não ter que fazer várias viagens e carregar peso diz muito sobre você — tirou sarro.
— Realmente — ela concordou — Diz que eu sou inteligente — mostrou a língua.
— Aham, muito — a provocou — Vamos? — a olhou.
Ochako respirou fundo e voltou sua atenção para aquele prédio, era grata por tudo o que tinha passado ali. Foi ali que tudo começou e agora era a hora do adeus.
— Vamos tirar uma última foto aqui? — perguntou manhosa.
— Que seja — fingiu não se importar, mas sabia o significado por trás da foto.
Katsuki pegou seu celular e preparou a câmera, Ochako se ajeitou no peito do maior e deu seu melhor sorriso, o loiro deu um sorriso de lado e pronto, lá estava a última foto em frente ao dormitório onde eles se conheceram.
— Deixa eu ver — ela pegou o celular da mão dele — Ficou linda, vou mandar revelar — sorriu para ele.
— Podemos ir?
— Sim — suspirou.
O apartamento da castanha não era grande e suas cores eram neutras, ela ainda estava planejando a decoração. Aos poucos as caixas foram preenchendo o vazio, estava feliz, ali iria começar uma nova história.
O apartamento do loiro era um pouco maior do que o da castanha, mas ele iria dividir com Kirishima ,as despesas seriam meio a meio. Ochako não deu essa sorte, Mina iria para uma cidade vizinha e Tsuyu iria para a marinha, Jiro também mudaria de cidade e Momo iria para Londres, recebeu uma proposta de uma agência importante.
Uma nova casa, um novo começo, uma nova história.
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