Amor e Ódio
32 Voltando de uma batalha
Notas iniciais
Enquanto essa parte triste não chega, mais um capitulo para vocês
- Juliana, você tem visita – Larissa disse entrando no quarto e encontrando a menina com as pernas pra cima, apoiadas na parede e cabeça pra baixa
-Quem é ?
- Se você sair daí , saberá quem é
Estava entrando quase na segunda semana que Juliana estava na casa de Larissa. Durante esse tempo, ela não foi até sua casa conversar nem com sua tia, nem com Pietro. Soube por Bruno que ele tinha voltada a frequentar a faculdade novamente e que eles tinham arrumados as coisas entre si. Também soube que ele e Graça estavam enfrentando tudo muito bem. Ele começara a finalmente entender e aceitar o fato de ser adotado e Juliana ficou feliz por isso. Não podia negar a saudade que estava sentindo dos dois, mais de Pietro. Todos a sua volta podia notar aquilo. Mas ainda sentia remoço de ir enfrentar tudo.
John de vez em quando aparecia lá. Estavam bastante próximos, e Juliana nunca pensou que ele pudesse ser um amigo como ele estava sendo. Sabia também que era meio que um pretesto visitá-la, já que era a casa da Larissa. Mas Juliana não dissera nada. Os meninos estavam tentando animá-la, e algumas vezes, conseguiam. Compravam pizzas, balas ou qualquer outra besteira e ficavam assistindo algo completamente sem sentindo na televisão.
- É uma pessoa importante? – perguntou se endireitando
- Vamos logo – Larissa puxou a menina pelo braço e então desceram, indo ate a sala.
Graça estava sentando, encarando a cortina da sala, como se aquilo fosse a coisa mais legal de se fazer em uma plena manha de sábado. Juliana ao vê-la, parou no mesmo lugar. Graça percebeu o movimento, então se virou em direção as meninas. Abriu um sorriso triste ao ver a sobrinha.
- Vou deixá-las sozinhas – Larissa disse e logo se retirou do lugar
Juliana caminhou ate o sofá e sentou-se de frente para Graça, que fez o mesmo.
- Oi Juliana
- Oi... Tia – disse como um sussurro
Durante alguns minutos as duas permaneceram em completo silencio. Juliana sabia que sua tia ainda a culpava por grande parte de tudo, mas a única coisa que queria era poder abraçá-la e voltar pra casa como se nada tivesse acontecido, afinal, ela era a única família de Juliana
- Sentimos sua falta – Graça disse e Juliana a encarou já sentindo seus olhos lacrimejados
-Sinto muito tia, por tudo mesmo
- Volta pra casa, por favor
-Não posso – sussurrou
- Por que não?
- Eu não sei se consigo depois de tudo- Juliana começou a chorar e Graça sentou- se lado dela – Eu tive parte por tudo isso ter acontecido. A senhora deve me odiar, o Pietro deve me odiar...
-Hey, nunca mais repita isso ouviu? – Graça levantou o rosto da menina e enxugou suas lagrimas – Amamos você e sempre amaremos. Você é parte da nossa família e isso nunca vai mudar.
- Desculpa tia, por favor .
- Shih! – Graça abraçou Juliana forte e também sentiu algumas lágrimas molharem seu rosto- Não precisa se desculpar querida está tudo bem.
Ficaram assim, abraçadas, por alguns minutos. Graça sabia o quanto tinha sido rude com a sobrinha e ela não merecia ser tratada daquela forma. Sentia falta dela em casa, sem falar, que Juliana tinha apenas ela de responsável.
- Volta pra casa Ju, por favor!
- Senti tanta sua falta tia – Juliana a abraçou mais uma vez e depois lhe deu um beijo na bochecha.
- Vai arrumar suas coisas, te espero aqui
Juliana sorriu mais uma vez e então disparou para o quarto de Larissa para arrumar suas coisas. A amiga ajudou e enquanto pegavam tudo, Juliana contava como tinha sido o encontro com sua tia. Nada de mais, confessou, mas significativo.
- Obrigada por me hospedar aqui tia Sonia
- Que isso querida, foi um prazer. Você sabe que sempre será bem vinda
- Obrigada – repetiu
Larissa deu um abraço em Juliana e depois a viu partir com sua tia. No carro, Juliana contou para sua tia como foram esses dias na casa da Larissa. Em nenhum momento tocou no assunto da adoção de Pietro. Queria esquecer aquilo e remexer não faria bem pra ninguém. Mas sua tia, ao contrario, citou a conversa que tivera com Pietro uns dias atrás. Da qual ele disse a ela que gostava de Juliana
- Eu sempre desconfiei, mas nunca achei que fosse realmente acontecer
- Eu não queria que a senhora soubesse dessa forma
- Eu nunca me preocupei, pois sabia que vocês não tinham nenhum vinculo familiar. Mas quando ele disse que gostava de você, eu fiquei surpresa
- Ele não está com raiva de mim, está?
- Ele teve seus motivos no começo, mas isso esta passando. Ele sente sua falta, isso é fato
-Também sinto falta dele
As conversas entre as duas começaram a ficarem mais normais do que Juliana pensou que poderia ficar. Sua tia falou sobre a desconfiança que sempre tivera em relação os ‘‘primos’’ e que apoiava. Seria complicado e estranho no começo, mas se acostumaria depois.
Ao estacionar na porta de casa, Juliana subiu seus olhos ate a janela de Pietro e rapidamente o viu passar. Respirou fundo e saiu do carro com sua tia. Ao passarem pela porta, Juliana respirou fundo novamente, aspirando o cheiro da casa e tendo a certeza que nunca desejou tanto uma volta para casa como essa.
- Está com fome querida?
- Não muita tia
- Vou começar a preparar o almoço
- E eu vou tomar um banho no meu banheiro
- Falando dessa forma, parece que a senhorita esta voltando de uma batalha
- Quase isso
Juliana pegou suas coisas e subiu para o quarto. Ao passar pela porta de Pietro, escutou a maçaneta girando. Seu coração gelou, assim como ela. A porta se abriu e Juliana se virou em sua direção, dando de cara com um menino dos cabelos bagunçados, bermuda, sem blusa e com um sorriso que faria qualquer pessoa se apaixonar, como ela estava.
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