Amor dos Deuses
4 Paixões
Já se passaram algumas semanas desde que eu descobri minha paixão pela minha melhor amiga. Luba sempre fora carinhosa comigo, mas agora era doloroso e eu ficava mal toda vez que acontecia, quer dizer, mais mal ainda, mas estar perto dela me deixava melhor, independente de todas as circunstâncias, ou seja, confusão total. Há cada dia eu tinha mais certeza dos meus sentimentos por ela, e infelizmente ou não, eles aumentavam há cada olhar que ela me dava. O que aconteceu no intervalo naquele dia, que eu beijei a Luba “inocentemente” perto dos lábios e depois ela devolveu me provocando ainda tinha algum efeito sobre mim, a minha hipótese de a voz dela levar aos delírios quando ouvida no pé do ouvido estava certa. É estranho pensar nisso quando estou ao seu lado. Nós estávamos indo para a escola num dia frio, com a rua deserta, perfeito para fazer isso de desculpa e ficar junto a Luba, certo? Certo. Se não fosse por uma coisinha.
— Vocês são muito lerdas, que isso, desse jeito nós vamos nos atrasar para a reunião! Energia! Vamos, vamos! — fala a minha mãe entusiasmada.
É, acho que isso responde a "coisinha" que eu falei.
— Mãe, ainda faltam vinte minutos, e nós estamos indo para a reunião e não para uma olímpiada. — respondo.
Ela ignora e vira a cara continuando com a corridinha na nossa frente. Eu e Luba rimos.
— Mãe, que tal você ir na frente? Ai você pode correr o quanto quiser. — proponho.
— E deixar as donzelas indefesas pra atrás? Nunca! — responde ela.
— Está bem, mas nós temos que passar na papelaria.. Você vai ter que parar e entrar com a gente e..
— Tchaaaau! — minha mãe interrompe saindo correndo na frente.
Não sabia que iria ser tão fácil despistá-la.
— Ela não gosta de papelarias? — Luba pergunta em tom sarcástico.
Me aproximo e fecho o grande buraco que tinha entre nós. Olho para a Luba e ela continua a fitar o chão. Ela parecia ficar mais deusa a cada dia. Ela estava com um allstar branco, uma calça preta e um moletom do batman da mesma cor, com o cabelo solto e uma touca preta caída.
— Não, ela diz que é entediante e sempre evita ir. — respondo ainda a fitando.
Nossos olhos se encontram e um sorriso aparece na face de cada uma. Luba se aproxima mais e pega na minha mão, nossos dedos se entrelaçam, ela olha pro chão e suspira, eu me aproximo mais e abraço o braço dela. Depois de alguns minutos de caminhada ela quebra o silêncio.
— A papelaria é pra lá, senhorita. — diz Luba olhando para a rua do nosso lado e sorrindo.
— Cala a boca e me beija. — falo de brincadeira, como nós sempre fazíamos, mas do jeito que nós estávamos agarradas a frase saiu um pouco do contexto.
Luba me olha com cara de safada e se aproxima fingindo um beijo, isso me assustou bastante porque pensei que ela ia dar mesmo, o que parece que ela percebeu porquê recuou rindo de mim ou da cara que eu fiz, não sei bem.
— Idiota. — falo revirando os olhos.
Ela continua a rir.
— Para. — falo me distanciando dela e bufando.
— Lizzzzz — diz Luba tentando pegar na minha mão.
Cruzo os braços e a ignoro continuando a andar.
— Você não pode fazer isso comigo, Lizzz. — fala Luba fazendo uma carinha fofa que dava vontade de apertar ela e nunca mais soltar.
— Claro que posso. — respondo.
— Tem certeza? — pergunta ela.
Não respondo.
— Tá bem. — diz Luba.
Me seguro para não olhar para trás e ver o que a Luba vai fazer, se vai me ignorar, continuar lá atrás ou qualquer tipo de coisa. Sinto algo me levantando.
— Luba! Me solta! — falo gritando, eu estava tendo uma linda visão do asfalto no ombro dela.
— Vai falar comigo? — pergunta Luba claramente se segurando para não rir.
— Não! — respondo.
— Okay. — diz ela ficando séria.
— O quê você vai fazer sua louca? — pergunto me segurando para não rir, apesar de tudo aquela situação era muito engraçada.
— Te vender! Você não fala comigo mesmo, espero que te levem pra Turquia assim você valoriza a amiguinha que você tem. — responde Luba rindo.
— Ahn? Mas c.. — sou interrompida pela Luba.
— Chapéeeeu, sapatos ou roupa usadaa quem teeem — grita Luba imitando uma cena do Seu Madruga em Chaves.
Nós duas não conseguimos nos segurar e começamos a rir igual duas dementes, até porque Luba estava me segurando pelas pernas em seu ombro, então eu realmente estava parecendo um saco, se não fosse pelos braços e as pernas, claro.
Ela se aproxima da calçada e me solta numa espécie de muro de concreto pela metade, do tamanho de uma cerca, fazendo eu ficar sentada em frente a ela, um pouco mais elevada, como naquelas fotos sexys do Tumblr que a guria fica sentada na bancada da cozinha com o garoto no meio das pernas dela, só que o meu garoto era a Luba, o que cá entre nós, era melhor que qualquer pessoa.
— Ué, você não ia me vender? — pergunto irritando ela.
— Ia, mas desisti da ideia. — responde.
— Por que? — pergunto novamente.
— Você é só minha.
Eu não sei como eu fiquei por fora, mas sei muito bem como fiquei por dentro, e foi uma mistura de querer agarrar ela e beijá-la ali mesmo — que no caso é minha vontade sempre — e querer dar um ataque de tamanha perfeição que ela tem, nenhuma das duas opções são cabíveis. Nós duas estávamos nos fitando e eu percebi que esse era um momento perfeito para soltar tudo, e quando eu digo soltar tudo, é contar para ela que eu a amo. Era melhor falar tudo logo antes de eu desistir da ideia, o que podia dar errado? Ela parar de falar comigo e eu perder a pessoa mais importante da minha vida, só. Mas pelo menos eu teria tentado.
— Luba.. — comecei.
Ela me olha ainda mais profundo, se é que era capaz.
— Eu preciso te falar uma coisa.
Alguns pais e alunos indo para a reunião de pais passam.
— Luba, eu.. — tento falar, mas aqueles dois mares me fitando tiram toda a minha concentração.
Coloco meus braços em torno do pescoço dela e ela se aproxima do meu.
— Eu sei. — diz Luba em tom baixo, o que me adiantou muito, porque provavelmente eu não conseguiria falar.
Se eu fiquei paralisada? Com certeza. Se eu estava morrendo de tesão por motivos de a mão dela ter descido para a minha cintura? Também. Nós estávamos nos fitando e meus olhos desceram para os lábios dela, e eu nem preciso falar que ela percebeu. Faltavam centímetros para acontecer o melhor beijo que eu poderia ter, mas eu estava paralisada de mais para fazer algo.
— Eu também tenho que te contar uma coisa. — diz ela quase sussurrante.
Então quando ela ia começar a falar, ela para, aperta um pouco minha cintura, morde o lábio e se distância. E é claro que eu fiquei sem entender nada, com raiva de provavelmente ela ter me iludido ou coisa do tipo, mas logo decifro o motivo.
— Eu estou esperando vocês aqui faz tipo, muito tempo sabia?
Eu suspiro.
— A papelaria estava cheia, mãe. — digo.
— Tudo bem, que seja, venham, a reunião já vai começar. — diz minha mãe andando para a escola.
Minha mãe anda mais rápido, nos deixando para trás.
— Como? — pergunto para a Luba.
— Nunca subestime uma filha de Atena. — responde ela friamente.
Luba acompanha minha mãe me deixando para trás, ela parecia estar brava, mas o que eu tinha feito? Eu bufo e vou para o lado direito da minha mãe, nos deixando longe uma da outra.
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