Notas iniciais
Comentários são bem vindos! Tenha uma boa leitura.

Eu tinha apenas sete anos quando o conheci, de uma forma bem clichê, fui dama de honra em um casamento e ele era o meu pajem, mesmo sendo uns anos mais velho (o tamanho não era a seu favor). Ele não foi minha primeira paixão infantil, mas me marcou consideravelmente. Não me recordo muito bem, mas pisei na borda do vestido e ia cair em uma piscina e ele me segurou, nem me passou pela cabeça abraça-lo ou beija-lo, mas se isso acontecesse hoje, juro que não pensaria duas vezes rsrs. O restante da festa passou de forma tranquila, eu insistentemente o chamando pra dançar, e ele com vergonha até de tomar água, exagero meu com certeza, mas ele sempre foi tímido demais, por fim consegui dançar com ele, porque o irmão dele disse que iria também, dancei com os dois, mas mau me lembro do irmão.

Passei dias lembrando dele, com o tempo apareceu outra paixonite de escola e ele caiu no esquecimento. Quando eu fiz uns doze anos, o reencontrei, me lembrava do seu rosto, e continuava tímido do mesmo jeito, mas esqueci totalmente o seu nome, que mico! O cumprimentei ainda sem jeito, ele se lembrou de mim, conversamos por alguns instantes, e logo arrumamos uma desculpa para passar mais tempo juntos, ele amava escrever e estava fazendo uma história bem legal sobre sentir que ninguém lhe enxerga, combinei de ajuda-lo, de fazer a revisão do texto. Foi a partir daí que eu me ferrei, me apaixonei por alguém que eu nunca teria, não só me apaixonei, como passei a ama-lo fortemente.

Na desculpa de trabalhar na história dele passamos muito tempo juntos, as vezes na minha casa, outras na casa dos pais dele. Tive então o privilégio de o conhecer a fundo, ele estava aprendendo a tocar teclado, amava escrever, colecionar, colecionava moedas e cédulas raras, e estava montando uma replica em miniatura do navio de guerra Bismarck, estava tentando aprender a fazer sushi, gostava de desenhos, mas era só por apreciação mesmo, porque ele não desenhava nada, e amava estudar, estudar sobre tudo, desde história a ciências, ah e não posso esquecer do xadrez, um ótimo estrategista. Passamos muito tempo juntos e essa não é nem metade do que conheço dele, ou conhecia eu acho.

Com o tempo ele não se tornou só meu amor, se tornou meu coração e isso não posso mudar. Estando perto dele, estive também perto da família, pude me tornar amiga da mãe dele, e confesso que sinto falta do tempo que passava com ela, aprendi muito. Todo esse contato, essa proximidade, durou quatro anos. Você pode me perguntar, como é que você fica perto de alguém que você gosta e nem se quer beijar essa pessoa? Bem, confesso que ele me deixava sem qualquer linha de raciocínio lógica, principalmente quando ele saía do mar com a prancha de surfe. Tudo ao meu redor deixava de existir, e só havia ele, tanto lá fora como aqui dentro.

Quando eu tive que ir embora, já estávamos tão perto quanto antes, mas não conseguimos nos despedir, ainda lembro o que ele disse “não vou me despedir agora, por que ainda vou ti ver amanhã”, o amanhã não chegou e eu nunca chorei tanto ao ir embora de um lugar. Eu estava doente e precisei fazer uma cirurgia, pouco antes soube que ele estava namorando, mandei uma mensagem desejando felicidades e que desse tudo certo pra eles, chorei a noite toda, durante a recuperação da minha cirurgia a mãe dele foi me visitar, não tocamos no assunto, o assunto que era o elefante da sala, mas pude sentir o apoio dela, não me esqueço disso.

Não nos vimos por alguns meses. Mas ainda sentia o seu perfume.

Notas finais
Atualizações de dois em dois dias. Me desculpem o tamanho capítulo, o proxímo será maior. Qualquer erro de ortografia é de minha total responsabilidade.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.