Amor de Outono

1 As flores mais bonitas


Notas iniciais
Olá! Uma fic nova, desta vez centralizada no meu casal favorito, Trowa e Quatre! XD Essa fic é dedicada à Dee-chan, por ser uma amiga incrível e por sempre ser tão gentil e companheira, além de também adorar 3x4! XD Espero que goste, Dee!

Também a dedico à minha mana, Goddess! Uma das fãs mais ardorosas de 3x4 que já tive a sorte de conhecer!
Uma outra dedicatória para Serenitty LeFay (te adoro, Nitty!), Arsinoe do Engito (estou com saudades de você, moça!), para a Bra (koie, te amo! XD), Lú, e para todo mundo que venha a ler essa humilde história!

Um último aviso: Essa fic será um romance completamente açucarado, então, se vocês não curtirem muito esse gênero, aconselho a não prosseguirem XD

Boa leitura!

O início de um novo dia, para muitos, representa uma nova chance para se divertir e aproveitar o que a vida oferece de melhor. Para outros, o sol surgindo no horizonte é o sinal para um dia calmo e agradável que virá, sem muitas preocupações. Infelizmente, Trowa Barton não se enquadrava nessas categorias. Para ele, cada dia novo era uma oportunidade de estudar como um louco e trabalhar até sentir todas as células enfraquecidas. Certamente, os dias não eram dos melhores para quem não tinha muito dinheiro como ele. Mataria o idiota que dissera que o dinheiro não é importante se algum dia cruzasse com ele na rua.

Era fato que, mesmo não tendo nascido em um berço de ouro, tivera uma infância muito feliz. Seus pais, donos de uma pequena fazenda no interior, cuidaram para que nunca faltasse felicidade para Trowa. Sendo o único homem entre os três filhos do casal, desde cedo fora ensinado que o futuro era inseguro e esburacado. Mesmo que negassem, Trowa sabia que muitas vezes os seus pais deixavam de se alimentar para que ele e suas irmãs pudessem ter algo na mesa todos os dias. E sempre que via essa triste rotina se repetir várias vezes, Trowa dizia para si mesmo que estudaria bastante para nunca mais deixar que sua família sofresse por dinheiro.

Aos seis anos, caminhava todos os dias cerca de dois quilômetros para ter aulas numa pequena vila de agricultores de sua região. Com muito esforço, aprendeu a ler e escrever em pouco tempo, ansioso por encurtar o sofrimento de sua família. Aos oito, fora obrigado a encerrar os estudos para ajudar seus pais na colheita da fazenda, mesmo com a produção escassa daquele ano frio. Precisavam se alimentar, e se não quisessem passar fome, teriam que aproveitar o que a terra lhes dava. Sua mãe, doente pela fome e enfraquecida pelo trabalho, falecera pouco depois, deixando ao seu pai a luta de cuidar de três filhos em meio a tanta pobreza.

Um ano havia se passado desde que sua mãe partira, e com um golpe de sorte, um rico senhor aparecera por aquelas regiões, e levara suas duas irmãs para trabalharem como empregadas em sua casa, sustentando-as como parte da família. Seu pai fizera um trato com o generoso senhor, que aceitara os seus serviços em troca da manutenção dos estudos de Trowa, que agora possuiria o auxílio de um ônibus que levaria ele e outras crianças para uma cidade próxima, onde receberiam estudos mais apropriados.

Dedicara toda a sua adolescência a conseguir uma bolsa de estudos numa faculdade, e a conseguiu a custo de muitos anos de esforços. Deixara sua família na pequena cidade interiorana e fora se aventurar na selva de arranha-céus que era San Francisco.

Agora, aos vinte e um anos, ali estava ele, apertado entre desconhecidos na verdadeira lata de sardinhas que era o concorrido metrô daquela cidade, em pela hora do rush.

Seu último ano de faculdade corria como o vento, e logo seria um médico formado, de papéis assinados e passados. Fora realmente difícil se adequar à rotina quase inacreditável de estudos e trabalho para sobreviver naquele lugar. Chegara à cidade grande apenas com suas malas e muita coragem para competir por um lugar ao sol. A sorte mais uma vez o ajudou e colocou em seu caminho um generoso homem chamado Harry, dono de uma simpática floricultura, que lhe ofereceu um quarto e um salário justo pelo serviço de entregador. Harry fora um verdadeiro anjo da guarda para Trowa, permitindo que muitas vezes deixasse de trabalhar para estudar. Quando conseguira a bolsa, Harry logo tratou de presentear-lhe com uma motocicleta, que serviria para levá-lo até a universidade e agilizar as entregas da floricultura. Haviam se tornado praticamente pai e filho.

O vagão finalmente parou, e com algum esforço e agilidade, Trowa conseguiu atravessar o amontoado de pessoas apressadas que se espremiam para passar pelas portas metálicas. Em dias como aquele, carinhosamente chamados por ele de “sextas infernais”, preferia deixar sua motocicleta em casa e pegar o metrô, para evitar o trânsito insano de San Francisco.

Deixou a estação escura para receber a claridade daquela tarde agradável de outono. As ruas, apinhadas de gente, se estendiam tumultuadas até onde a vista se perdia. Nada semelhante a sua quase despovoada cidade natal. As sextas-feiras eram os únicos dias em que tinha algum tempo para respirar, já que nelas as aulas na faculdade ocupavam apenas o período da manhã. A tarde seria reservada ao trabalho na floricultura e a noite seria livre, felizmente.

Caminhava despreocupadamente, trazendo nas costas a pesada mochila em que levava seus livros. Ignorando solenemente os esbarrões contínuos em pessoas enlouquecidas para cumprir prazos, tentou aproveitar o vento suave que raramente cortava aquela região, envolta em arranha-céus enormes. Em pouco mais de cinco minutos avistou, satisfeito, os portões do parque municipal, que costumava atravessar para chegar ao tranqüilo bairro onde morava. A volta para casa servia como uma verdadeira terapia para Trowa. Aquele parque parecia alheio ao caos da cidade; o ar particularmente puro entre as árvores e as frestas de luz solar formadas pelas folhas de suas copas traziam ao jovem muita paz. Aquele recanto em muito se parecia com os bosques de sua fazenda, sempre verdejantes e tranqüilos.

Diminuindo o passo, aspirou profundamente o ar delicioso, sentindo-o purificar seus pulmões agredidos pela fumaça e sujeira da cidade. Completamente relaxado, nem sequer percebeu os quinze minutos de caminhada que o levaram ao portão oeste do parque, de onde já podia ver as ruas tranqüilas e arborizadas próximas à floricultura de Harry.

Cumprimentando casualmente os moradores da amável vizinhança que caminhavam despreocupadamente de um lado para o outro, Trowa se perguntou como aquelas gentis pessoas conseguiam manter-se tão calmas em meio ao caos que morava ao lado, no centro metropolitano da cidade. Bom, não tinha do que reclamar, afinal, deixar um lugar com pessoas estressadas para chegar a outro com o mesmo teor de irritação seria realmente uma droga.

O cheiro agridoce de rosas no ar indicou a proximidade da floricultura. Harry costumava deixar várias flores em pequenos stands na calçada, impregnando o ar com o aroma doce delas. Um sorriso se desenhou no rosto de Trowa ao avistar o bondoso homem regando os seus preciosos vasos floridos, caminhando de um lado para o outro com certa dificuldade, fruto de sua idade já avançada. Sempre reclamara ao senhor sua insistência em pegar serviços pesados e cansativos que uma pessoa em sua idade não deveria executar, mas Harry sempre torcia o nariz e retrucava que só pararia de cuidar de sua querida floricultura quando estivesse debaixo da terra.

- Novamente se esforçando, Harry? Quantas vezes eu já te disse que eu posso fazer isso enquanto estou aqui? – com um semblante preocupado, Trowa retirou gentilmente o regador das mãos do homem, olhando-o reprovador.

- Mas você não estava aqui há alguns segundos atrás. Não é como se eu estivesse fazendo algo errado. – Harry cruzou os braços, como uma criança emburrada após ser impedida de fazer alguma traquinagem por um adulto mandão.

- Você não toma jeito, velho maluco... – Trowa suspirou, largando sua mochila sobre o balcão antes de abrir um sorriso, sendo imitado por Harry – Você sabe que me preocupo com a sua saúde...

Harry piscou seus olhos cinzentos, ainda mantendo o sorriso em seu rosto marcado pelas rugas da idade. Sentia-se feliz em saber que podia encontrar o filho que nunca tivera naquele rapaz, mas não gostaria de abandonar sua rotina diária, mesmo que não pudesse cumpri-la como antes.

- Vocês, jovens, se preocupam demais. Você até parece um velho rabugento! Carrega muito mais idade em sua cabeça do que eu próprio, que por pouco não ganho uma estátua de “quase-centenário” na praça do bairro! – Harry comentou divertidamente, fazendo caras e bocas enquanto alfinetava o moreno com a sua jovialidade que sempre trocava faíscas com a sobriedade de Trowa.

- Mas esse velho rabugento não quer ver sua criança mal-criada numa cama de hospital. – Trowa tocou em seu ombro, realmente preocupado. Nos últimos tempos Harry fora acometido por uma doença respiratória grave, e qualquer esforço poderia desencadear uma crise.

- Tudo bem, tudo bem, eu fico quietinho, “mamãe”. – Harry concedeu, apertando a mão em seu ombro em agradecimento pelos cuidados do moreno. – Ah, que velho idiota eu sou! Nem perguntei como se saiu nas provas de hoje. Acho que estou ficando ruim da memória também!

Trowa gargalhou suavemente, contornando o balcão de madeira que separava o “asilo pra velho gagá”, como Harry chamava o pequeno espaço onde eram guardadas a caixa registradora e uma pequena mesa abarrotada de papéis que iam desde recibos a inúmeras dívidas, do restante da floricultura. A razão do apelido era o desagrado de Harry em realizar o monótono trabalho no caixa, cargo que Trowa o obrigara a ocupar nos últimos tempos, a fim de evitar que o senhor se esforçasse demais, mesmo sabendo que ele preferia estar perambulando de um lado para o outro daquele lugar entre os seus tão adorados trabalhos manuais. “Me sinto no meio de um bando de velhos babões jogando bingo!”, reclamava ele, para o divertimento de Trowa.

- Acho que me sai bem nos exames de hoje. Talvez tenha feito confusão em uma ou outra questão, mas dei o meu melhor. – sorriu-lhe brevemente, apoiando os braços no balcão. – Então, que aventuras foram reservadas para este humilde herói do interior nesta tarde?

Harry libertou uma gargalhada rouca, acompanhada de uma desagradável tosse que o obrigou a curvar o corpo em busca de ar. Recuperando-se de um dos ataques que se tornavam cada vez mais comuns, sorriu para os olhos preocupados de Trowa, indicando um papel preso com um alfinete no pequeno mural que mantinham na parede ao lado da caixa:

- O senhor herói precisará salvar o mundo hoje. Recebemos apenas um pedido, mas será uma missão muito perigosa e arriscada...- Harry sussurrou, sombrio, balançando a cabeça numa afirmativa impressionada.

Trowa continuou a divertida encenação, se aproximando dramaticamente do mural e arrancando o papel dali com mãos trêmulas. Leu-o silenciosamente, deixando no ar alguns segundos de silêncio em suspense, antes de girar sobre os próprios calcanhares, colocando uma mão sobre a testa numa posição escandalizada:

- Oh, não! Uma entrega no maldito covil das cobras, a zona sul da cidade! Narizes em pé e ricaços irritantes para todos os lados! Será mesmo muito difícil, afinal lá se encontra a grotesca fonte da minha única fraqueza, a “esnobetonita”! — Trowa recuperou sua posição heróica, olhando para o teto da floricultura como se encarasse o infinito. – Mas nada tema, porque com o Super Entregador e sua possante lambreta não haverá problema!

- Oh, sim! Você é o maior! – Harry gritou numa voz aguda, numa desajeitada imitação de uma garota escandalosa.

Ambos dividiram uma longa sessão de gargalhadas. Trowa deixou seus olhos consultarem o papel mais seriamente, analisando o endereço e o nome do destinatário.

- Hum...Quatre é um nome muito bonito para uma perua esnobe.- divagou, voltando a atravessar o balcão, desta vez com o seu capacete sob um dos braços.

- Sobre o nome eu não posso opinar, mas quem fez o pedido exigiu o melhor do que temos.- Harry indicou com a cabeça um lindo embrulho de rosas vermelhas nos fundos da loja, tão grande que certamente exigiria de Trowa muita concentração e esforço para ser equilibrado sobre o suporte de sua motocicleta. – Se é mesmo uma perua, deve ser muito bonita.

Trowa se viu obrigado a concordar. Despediu-se de Harry, prometendo voltar logo.

A via principal para a zona sul estava bastante atribulada àquela hora do dia, então Trowa cortou caminho, atalhando pelas ruas menos movimentadas das áreas residenciais. Consultando o endereço mais uma vez, chegou a um prédio imponente e bonito, certamente luxuoso o bastante para ter o piso banhado em ouro. Diferente da maioria das edificações da cidade, aquele lugar ostentava um ar leve, todo pintado em cores claras. Por um momento, até descartou a teoria da perua escandalosa, imaginando que um lugar tão bonito não poderia abrigar uma louca consumista.

Desceu da motocicleta, trazendo consigo o enorme e perfumado arranjo. Um gentil porteiro o atendeu e, após ler o endereço no papel trazido por Trowa, permitiu-lhe subir até o apartamento 364. Por dentro, o lugar era ainda mais bonito, tendo suas paredes em tons de creme e amarelo suave, contrastando com adornos em madeira cara e brilhante. Muito diferente do seu pequeno quarto nos fundos da floricultura. Mas era feliz com o que tinha, e tamanho nunca fora sinônimo de qualidade.

Caminhou pelo sétimo andar por algum tempo, apenas admirando a decoração de muito bom gosto. Trowa sonhava em algum dia poder dar algo parecido para sua família. Para isso queria ter sucesso. Por esse objetivo deixara sua terra natal e viera para a temida e atraente cidade grande.

Finalmente encontrou o dito apartamento. Antes de bater à porta, retirou o capacete, tentando arrumar seus cabelos bagunçados. A franja que cobria um dos seus olhos foi manejada às pressas, numa tentativa não muito eficiente de melhorar sua aparência. Trowa olhou para si mesmo, suspirando: uma calça jeans surrada e uma camisa preta simples sob sua habitual jaqueta velha de couro. Era realmente um belo contraste com toda a riqueza daquele lugar, e certamente receberia um olhar enojado de quem quer que abrisse aquela porta. Mas já estava acostumado, não?

Bateu na madeira escura três vezes, aguardando. Uma voz aveludada gritou algo que não conseguiu entender direito, e alguns segundos mais tarde, a porta foi aberta, deixando-o em estado de choque.

Diante dos olhos de Trowa, o portão do paraíso pareceu ter se aberto, revelando a figura de alguém que deveria ser um anjo, o mais belo deles. Cabelos loiros, brilhantes como o sol, caindo sobre olhos azuis tão límpidos quanto uma fonte de água virgem e um rosto perfeito de pele clara e cremosa formavam uma obra de arte que deixaria a Monalisa de DaVinci se mordendo de inveja. Nunca vira alguém tão bonito como aquele rapaz que o recebia com um sorriso sincero e curioso nos lábios. Era uma das primeiras pessoas naquela cidade que lhe sorriam verdadeiramente, sem falsidade estampada na face. Aquele jovem TINHA que ser um anjo. As roupas simples que o rapaz angelical trajava, uma calça moletom confortável e uma camiseta folgada de algodão, conseguiam deixá-lo ainda mais bonito, acentuando a inocência em seu olhar.

Trowa não soube exatamente por quanto tempo ficou encarando o loiro como um idiota. Apenas conseguiu de volta um pouco de sua consciência quando uma mão foi balançada diante dos seus olhos, atentando-o para a expressão divertida no rosto de linhas suaves e gentis:

- Por favor, me diga que não errou de endereço, porque essas são as flores mais bonitas que já vi! – ele murmurou com a voz mais melodiosa que já o moreno já ouvira, dividido entre a diversão e o encantamento, enquanto acariciava as pétalas avermelhadas do arranjo nos braços trêmulos de Trowa.

- Ahn...Quatre Winner? – conseguiu perguntar, usando de toda a sua força para articular suas palavras. Nunca se sentira tão perdido como naquele momento, diante do lindo rapaz.

- Esse sou eu. – o loiro confirmou, inclinando a cabeça para o lado em um sorriso simpático — Então, essas flores vieram para alegrar o meu dia?

Antes que Trowa pudesse responder, foi surpreendido ao perceber dois braços circundarem intimamente a cintura esguia de Quatre, de dentro do apartamento. Os braços foram acompanhados pelo corpo de um homem, que depositou um beijo na pele apetitosa do pescoço do loiro para arrancar-lhe uma risada deliciada, antes de dizer as palavras que fizeram o chão de Trowa se romper numa das mais bizarras desilusões de sua vida.

- Isso mesmo. Gostou das flores que escolhi pra você, amor?

CONTINUA...

Notas finais
))..)) Notas do autor ((..(( Aloha! XD Tudo bem com vocês? Nossa, finalmente consegui tempo para escrever uma fic só do meu casal favorito, Trowa e Quatre! XD Realmente é uma terapia escrever sobre esses dois! Eles ficam tão perfeitos juntos, né? Não dá nem pra imaginar um sem o outro! Então, o que acharam desse início? XD O final foi meio decepcionante, né? Sejamos realistas, pretendentes não faltariam para o Quatre logo em San Francisco, a capital gay mundial! Huahuahuah, pobre Trowa! Quem manda chegar atrasado? Mas ainda vai rolar muita coisa, e os nossos pombinhos vão cair de cabeça num romance daqueles! Repararam na brincadeirinha com o número do apartamento? XD Finjamos que o 6 representa um X como no famoso número "do demônio" e teremos "3x4"! UHauhauhau XD Eu sei, essa foi meio boba... Então espero que possam me acompanhar em mais essa fic! E, por favor, se puderem me incentivar com reviews, eu ficaria extremamente feliz! Ou se não quiserem incentivar, mandem reviews da mesma forma, me mandando parar com tanta produção de doce! XD Realmente espero que gostem! Um abração pra todo mundo! Jo-kun