Amor de Ontem, Hoje e… Sempre⏳⌛⏳
103 Saudades, travessuras e música
... Anteriormente
Ao acordarem na manhã da sexta-feira, véspera do casamento, ambos se arrumam para o trabalho. Tomam desjejum e retornarem ao quarto a fim de fazer a higiene bucal.
Richard termina por último e ao retornar ao quarto ele dá de cara com sua mulher e fica tenso com a cena que vê. Ele fica sem entender nada e teve certeza que seu coração pulou uma batida.
Kate está parada ao lado de uma maleta de viagem.
Richard fica gelado, paralisado e sem pestanejar, quis logo saber — Kate, o que significa isto?
Ao ouvi-lo perguntar aquilo com a fisionomia apavorada, Kate dá um sorriso lindo para o marido e avisa em tom divertido – Ops! Daqui eu estou ouvindo seus pensamentos e não são nada bons... Richard Rodgers, amor da minha vida, antes de mais nada, não pense nem fale besteira...
Ele estava visivelmente perplexo e continuava sem entender e analisava tudo muito rapidamente. “- Ela parece leve, sorridente, mas está parada ao lado de uma maleta. Como assim?” Ele não se conteve e sério, pergunta novamente — Kate? Eu te perguntei ‘o que significa isto’? Esta sacola de viagem... Aquela conversa toda na noite passada sobre medo... Sobre tensão... Medo de eu não estar presente...
Deduzindo o que o marido deveria estar pensando bobagem, Kate não o deixa terminar de falar. Vai até ele, passa os braços pelo seu pescoço e dá um monte de beijinhos pelo rosto dele e também nos lábios e o abraça forte, tentando tranquiliza-lo. Não queria que ele pensasse coisa errada.
Afastando-se um pouco do marido, ela o olha com amor e admoesta — Seu bobo! – ela brincou com uma entonação carinhosa – Já vi que você está pensando bobagem... Não é nada do que você está pensando, querido... Você errou feio.

Ainda meio perdido, completamente no escuro, ele arrisca — Então...
Mas é novamente interrompido pela esposa que, ainda o abraçando pelo pescoço, começa a explicar. — Meu amor, preste atenção. Na época do nosso casamento civil, nem eu nem você tivemos despedida de solteiros...
O tiro saiu pela culatra. Ele a interrompe, retira os braços dela em volta do seu pescoço e fica mais tenso e nervoso do que antes – Kate, você não vai sair daqui com esta mala para fazer despedida de solteira. – ele fica um pouco exaltado – Kate! Fala sério! Você não é solteira. Você é CASADA... E casada COMIGO! Não, Kate. Não. Não, não e não. Mil vezes, não. E ainda mais de sacola? Dormir fora de casa? Não, Kate. – ele se abaixou, pegou a sacola e pôs fora do alcance dela – Isto está totalmente fora de cogitação. – ele fixou seus olhos nos dela e perguntou – Você ficou maluca? Você desistiu de casar? É isso? Novamente aquela história de divórcio? Pois eu não dou o divórcio. Se for isso, eu não dou o divórcio. – ele ficou irritado, andava de um lado para o outro tentando se acalmar, passava a mão direita pelos cabelos da nuca, mas logo abrandou. Respirou fundo, tomou coragem e perguntou – Acabou o amor, assim... De uma hora pra outra? Ou...
Richard continuava respirando fundo, olha pra cima, toma ar e parecia estar meditando. Estava apreensivo esperando uma resposta.
Kate não esperava aquela reação por parte dele, mas ela própria não reagia. Ela estava com a consciência tranquila e já tinha avisado que não era nada daquilo que o marido estava pensando, portanto estava só observando, pois sabia que logo tudo ia ser esclarecido e iriam dar boas risadas. Ela não tinha a mínima ideia do que ele estava presumindo, mas tinha certeza de que estava totalmente equivocado.
Mais calmo, Richard chegou perto da esposa, a pegou amorosamente pelos ombros, acaricia seus cabelos e dá um suave beijinho nos lábios dela – Amor, eu vou tentar ser otimista. Vou parar de ficar fazendo conjecturas. Quando você começou a tentar me explicar e eu a interrompi, você se dirigiu a mim e falou “Amor de minha vida”. Você disse também que eu estava ou ainda estou, sei lá, pensando bobagem... Kate, eu estou no escuro... Desculpe-me se eu me exaltei. Por favor me desculpe. Mas é que eu levei um choque ao te ver parada junto à uma mala de viagem. Não gostei desta sua ideia. Aliás, não entendi o que isto significa. Eu estou assustado com esta sacola. – Ele passa a mão pelos cabelos, tenso. Desculpe-me se eu me exaltei, amor. Acho que meu medo me fez pensar algo completamente errado.
Ele abraça a esposa e a aperta forte.
Sorrindo levemente Kate dá um selinho nele, o afasta um pouco e pergunta de forma paciente – Acabou?
Richard franze a testa diante da pergunta de Kate, então ela insiste – Acabou, marido? Eu já posso falar agora, amor da minha vida? – ela pisca pra ele e dá um sorriso apaixonado.
Aliviado ao ouvi-la sorrir e o chama-lo novamente de ‘amor da minha vida’, ele pede — Kate! – com os olhos fixos nos olhos dela. – Fala, Kate.
— Amor da minha vida! Meu querido, esta sacola de viagem não é para mim. Você se precipitou...
— Hey, se não é para você... Agora é que eu não estou entendendo nada mesmo. Não sei o que é pior... Então, esta sacola... – ele nem termina de falar.
— Sim, Rick. Esta sacola é para você. Mas...
Ele a interrompe novamente — Para mim? Como assim? Você quer que eu vá embora?
Kate apenas balança a cabeça de um lado para o outro, indicando que ‘não’. Que ela não quer que ele vá embora.
— Você quer que eu durma fora de casa? – ele continuava perplexo.
— Simples, Bonitão. Eu organizei sua despedida de solteiro... Rick, se eu soubesse que ia dar tanta dor de cabeça, eu nem tinha feito isto... Amor, tente me escutar sem me interromper. – ela pedia amorosa.
— Eu não quero despedid.... – ele tentou retrucar, mas foi interrompido pela esposa.
— Babe, você não tem querer... Já fiz... Tá feito. Já está tudo organizado. A sua programação e a minha. Eu já reservei o quarto do hotel onde você vai passar a noite na sua despedida de solteiro.
— Kate, continuo não gostando desta sua ideia... Desculpa, Kate, não quero ofendê-la, mas estou achando sua ideia um pouco... Um pouco maluca. Eu não quero dormir fora de casa. Eu nem pensei em despedida de solteiro quando nos casamos há quase dois anos e não pensei agora... Eu não quero mesmo dormir fora de casa. Simples. Se fosse uma brincadeira rápida com amigos... Mas dormir fora de casa?
Kate não consegue segurar o riso e brinca com a reação dele – Ao menos eu estou confirmando o que eu já sabia: Meu marido não é somente ciumento, meu Deus! Ele é também leal, amoroso e fiel. Rick, eu te amo cada dia mais, sabia? – ela o alcança e dá um beijinho no rosto dele e logo depois completa — Eu reservei o hotel porque você vai para a sua despedida de solteiro com seus melhores amigos. São três. Estes amigos podem contar com você para qualquer coisa na vida, ao passo que você não pode contar com eles acho que para quase nada... Pelo menos por enquanto.
— Kate! – ele franzia a testa e não entendia nada. – Quando mais você explica, mais eu não entendo. Chega de charada, Kate. Quem...
— Calma... Meu amor. Primeiro me deixe explicar, até porque estou com um pouquinho de pressa, pois eu tenho uma audiência daqui a uma hora. Querido, uma coisa tão simples se transformou em uma coisa complicada. Repare bem que eu vou organizar as ideias. Amanhã é o dia do nosso casamento. PONTO. Eu sei que já somos casados há quase dois anos... PONTO. Eu te amo loucamente e sei que você também me ama e eu não penso em me separar de você, jamais. JAMAIS, tá me ouvindo? Pra mim, só existe um homem na face da terra que eu amo e que eu desejo. Eu só penso em você e nem me imagino com outro homem. Deus me livre! PONTO. Mas eu quero que tanto eu quanto você fiquemos com um pouco de saudade um do outro esta noite. PONTO. Por isto, não vamos dormir juntos. PONTO...
— Kate!
— Calma, Bonitão. Deixe-me terminar de falar. Pois é, não vamos dormir juntos para ficarmos morrendo de saudade um do outro para quando a gente se encontrar na igreja amanhã, na hora do nosso casamento, ficarmos louquinhos para nos tocar, nos abraçar, nos beijar. Eu me conheço e conheço você... – ela piscou para ele com malícia — Sei que vai ser assim mesmo.
— Até concordo que ficaria morrendo de saudade de você, mas não gostei desta ideia de dormirmos separados esta noite. E... E este negócio de despedida de solteiro? E esta história de melhores amigos que você convidou? – ele franze a testa e pergunta – Estes tais amigos seriam o Malcon, o Javier e... E quem seria o terceiro?
— Negativo. Nã-nã-ni-nã-não, babe! – ela não conseguia parar de rir – Deus me livre de envolver o Javier e o Malcon nesta jogada! A Antonella e a Lanie são iguaizinhas a mim... Não veriam com bons olhos os maridos passando a noite fora de casa com amigos... Nunca! Jamais! Eu não me chamo Katherine Beckett Rodgers se um dia eu aceitar isto. Elas também não aceitariam, pode acreditar. Outra coisa, amor, não poderiam ser eles também, porque eu te disse que você não pode contar com os tais amigos, pelo menos por enquanto, mas muito em breve isto vai mudar, ao passo que sabemos que você pode contar com o Malcon e o Javier.
— Então... Agora eu não entendo mais nada... – ele estava impaciente.
— Babe, naquela sacola... Bem... Você vai passar a noite fora, então, pensando na saúde do nosso casamento eu mesma fiz sua bagagem. Na sacola só tem duas cueca, escova de dentes, dentifrício, e pente. E pra você ver como eu detesto esta história de você dormir fora de casa com amigos, eu não coloquei pijamas, itens pessoais de banho e pós banho, nem barbeador, shampoo, loção pós-barba, muito menos outra muda de roupa para você nem mesmo pensar em sair do hotel à noite... (risos) Você vai ficar confinado no quarto, querido. Você vai dormir no hotel e quando acordar vai vestir esta mesma roupa e vem ‘direto’ para casa, sem fazer barba, sem ter lavado os cabelos com shampoo. Só se você quiser usar o shampoo do hotel...
— Depois eu que sou o ciumento, né? (risos) Mas mesmo com todo este seu ciúme, você ainda convidou três dos meus amigos para a minha despedida de solteiro. Kate, tem muita contradição nesta história... Você falou que nem cogita a hipótese de eu dormir fora de casa com amigos, no entanto você convida três deles. Mas quem são estes amigos? Se não são o Malcon nem o Javier... Não imagino quem sejam... Cada vez esta história fica pior... E que história é essa de eu dormir de cueca com amigos? – ele torceu a boca achando absurda aquela ideia dela e comenta – Mas você sabe que com um simples telefonema para o Concierge do hotel, eu posso comprar qualquer coisa, né, roupas, itens de higiene... Qualquer coisa... Qualquer coisa mesmo. – ele a provocou.
— Ah, não – ela riu do que ele acabara de falar – Ah, não! Pode ir tirando seu cavalinho da chuva, querido porque estes seus amigos não vão te deixar pensar besteira. – sorriu – E tem mais, estes seus amigos não vão dar a mínima se você dormir de cueca e tenho certeza que eles não vão incentivar muito menos permitir que você compre roupas ou qualquer outra coisa para sair à noite... – ela ria muito — Querido, como eu estava dizendo, você vai ter uma despedida com três amigos. Ok!! Você quer saber quem são eles, né? Os nomes deles são Arthur, Bryan e Bernardo. – Kate dá uma leve gargalhada ao ver a cara do marido diante da notícia e ela própria faz uma cara divertida – Rick, você acha mesmo que eu iria organizar sua despedida de solteiro com três amigos homens? Fala sério!! (risos) Acho que eu teria que nascer mais de mil vezes para ficar assim tão light, tão condescendente e sem ciúmes. Sério!? Então, Bonitão, esta sacola é grande porque aí também estão os pijaminhas, as roupinhas, sabonete, shampoo, lavanda, escovas de dente, dentifrício, tênis, meias e outras coisas dos nossos três garotinhos, inclusive mamadeiras. Eles já fazem xixi e cocô no troninho, mas como ia ficar complicado você sozinho levar troninhos, eu coloquei na sacola o adaptador infantil para o vaso sanitário de adulto. Mas mesmo assim eu coloquei muitas fraldas descartáveis.
— Kate! Os bebês... – ao mesmo tempo em que ele estava aliviado por saber que os tais amigos eram seus filhos, ele estava preocupado por ter que passar a noite sozinho com eles.
Ela o interrompeu — Eles vão estar em excelentes mãos! Você é o único homem na face da terra que eu confio meus filhos, simplesmente porque você é o pai e o melhor amigo e sabe cuidar deles maravilhosamente bem.
— Eu amo meus filhos, Kate, mas ainda não estou gostando de dormir longe de você. Eu vou ficar com saudade.
— Babe! Este é o objetivo. Eu pedi para vocês um quarto maravilhoso com uma cama super king. Tipo esta nossa, amor – ela aponta para a cama deles – Deixei claro para o pessoal da reserva que “meu marido” iria passar na noite com “meus filhos” e que a cama precisaria de proteção lateral, tipo uma grade, para os bebês não caírem durante o sono, etc, etc, etc... Eu também pedi alimentos especiais para os nossos bebês. Tá tudo ajeitado. Você não precisa se preocupar com nada.
— Mas se eles choraram com saudade de você?
— Você é esperto e dá um jeito. Você distrai eles, conta historinhas, enche eles de beijos... Sei lá... Ou você está se esquecendo que você é o “Encantador de Bebês”? — ela o provocou e sorriu.
— Ah, tá! Mas... E se EU chorar com saudade de você? – ele fez um bico engraçado a fim de provocá-la.
— Você abraça nossos filhos.
— Huuummm!! E você? O que é que vai fazer à noite? — ele faz bico e torce a boca e pergunta, curioso. — Pretende sair?
— A minha noite vai ser igual a sua. Vou passar a noite com as minhas três melhores amigas: Alexis, Annie e Bia. Ainda não decidi se vamos dormir aqui na nossa cama ou se vamos dormir no home theater. Mas sei que vamos assistir a um filminho levinho e depois dormir cedo, porque não quero ficar com cara cansada e com olheiras no dia do nosso casamento. Quero ficar linda e esperta para meu maridinho usar e abusar de mim na noite de núpcias.
Ambos dão risada e ele a abraça – Desta parte eu gostei.
— Diga agora se gostou da minha ideia.
— Não gostei assim, muuuuito, mas sua intenção é ótima e tenha certeza que ficarei morrendo de saudade e vou, realmente, usar e abusar de você na nossa noite de núpcias. (risos) Mas amor, e se eu não conseguir dormir só pensando em você... E se eu não suportar a saudade?
Abraçada a ele, ela repete o que já dissera — Já falei, babe. Você abraça os nossos bebês, fica cheirando eles, fica contando historinhas para eles dormirem e aí, você aproveita e dorme também.
Sem anunciar, ele sai do abraço e vai em direção ao closet e retorna com camiseta dela e vai abrindo a sacola para por dentro.
– Vou me prevenir e levar esta camiseta sua com seu cheiro. Vai que eu fique igual aquele dia... Lembra? No dia da inauguração do meu escritório aqui em Washington, D.C., quando você estava brigada comigo e eu não conseguia dormir daí eu vim pedir seu travesseiro... Lembra?
Ela voltou a abraça-lo — Lembro, querido, e eu, apesar de estar morrendo de raiva de você, eu também estava abraçando seu travesseiro e aspirando seu cheiro na tentativa de dormir...
— Pois é... – ele fez uma cara engraçada. – Será que é pecado eu falar que ainda bem que a Annie foi nos procurar para dormir junto com ela porque teve um pesadelo com você? Porque isso nos reaproximou e facilitou a nossa reconciliação...
— Hummm! – ela sorriu — Mas como eu sou muito boazinha e quero mesmo que você fique pensando somente em mim... como não sou boba nem nada, eu já coloquei uma camiseta minha na sua bagagem, babe. Mas pode levar esta aí também. – ela piscou para ele com malícia.
— Garota esperta! Com uma fisionomia meio triste ele comentou – É, mas eu estou magoado porque você não confiou em mim... Você não botou roupas limpas nem itens de higiene pessoal... shampoo, barbeador, etc...
— Eu estava te provocando, amor... Eu coloquei roupas e todo o resto. Eu confio em você. – ela o beijou, deixando-o todo feliz. — Então, babe, recapitulando: Vamos dormir separados. Hoje, sexta feira, quando você sair do seu trabalho, você retorna pra casa apenas para pegar nossos anjinhos. Eles estarão te esperando às cinco horas da tarde. Você não vai subir para o apartamento – ela frisa -, apenas telefona para a babá descer com eles e leva-los até o seu carro. Você vai dormir com nossos três bebês e eu com as nossas três filhas. Amanhã eu vou sair de casa por volta das dez horas da manhã e vou passar o dia no spa para relaxar e me aprontar para o nosso casamento. Você só pode chegar em casa após as dez horas da manhã com nossos pequenos e vai passar o dia com seus seis filhos. Eu já orientei para a Beth servir o almoço cedo. Tente não deixa-los agitados e coloque-os para dormir depois do almoço para eles não dormirem na hora do casamento. Exatamente às quinze horas você leva as três meninas para o spa... Ou peça ao motorista... Você escolhe o que for melhor... Porque eu agendei horário para elas relaxarem também e arrumarem os cabelos e vestir as roupinhas de daminhas. Eu e as meninas seguiremos do spa direto para a Igreja. E você e os meninos saem daqui de casa para a Igreja. Eu já acertei com a Beth e com a Megan para elas irem para o casamento a fim de cuidar deles.
— Entendi tudo... Você arquitetou tudo... – ele a aperta nos braços — Então, eu posso dar o último beijo na minha mulher antes desta longa separação e antes de se casar novamente comigo?
— Se você não pedisse isto seria eu que iria reivindicar. – ela falou de modo carinhoso.
O beijo aconteceu. Foi lindo e emocionante e ao se separarem, ambos estavam emocionados.
— Kate, eu te amo e já estou com saudades.
— Eu também, babe. Já estou com saudades. Te amo.
.............................................
De volta ao spa...
O objetivo da massagem ao som da suave melodia e do aroma dos óleos e flores havia sido atingido, pois Kate estava em complexo relax, pensando em tudo que acontecera na véspera, sendo despertada dos seus pensamentos apenas quando a terapeuta corporal a chamou para o próximo passo, que era ir para o ofurô com água quente e sais de banho. A água já estava na temperatura adequada.
.............................................
O almoço de Kate foi o mais saudável e leve possível. Uma salada apetitosa, colorida, linda, rica e enriquecida com proteínas. Para beber, foi servido um chá quente com ervas e frutas calmantes para aliviar a tensão.
Assim que Kate terminou de se alimentar e beber o chá, ela foi encaminhada para a cama e foi orientada para deitar e tentar dormir um pouco para não ficar com a aparência cansada no casamento.
Assim que se deitou, a terapeuta corporal iniciou uma suave e relaxante massagem no couro cabeludo e na nuca e, sem perceber Kate caiu no sono.
Às quatorze horas, Kate foi despertada e levada à área de salão de beleza do Spa, onde ela teria seus cabelos lavados e hidratados.
Ela solicitara que queria ver as filhas assim que elas chegassem e assim foi feito.
Quando as meninas chegaram, foram levadas até ela e a primeira coisa que as gêmeas fizeram foi subir no colo da mãe, fazendo as moças presentes sorrirem e uma delas comentou – Oh, meu Deus! Que lindas! Elas são gêmeas... – constatou logo.
— Meus amores! – Kate cumprimentou as três.
Outra moça disse – Parecem três bonecas, de tão lindas.
Alexis chegou ao lado de Kate e a beijou – Oi, mãe. Que tal? Tá gostando do seu “Dia de Noiva”? – a garota piscou.
— Se o objetivo era relaxar, querida, eles conseguiram. Estou zen... – mas daí ela torceu a boca e declarou – mas devo confessar que eu estou morrendo de saudade do seu pai e dos pirralhos também. Ainda bem que eu dormi à noite com vocês e que vocês vieram pra cá, porque a saudade está me matando.
Como qualquer mocinha, Alexis quis saber — Mãe, vocês dois nem conversaram pelo celular ou pelo WhatsApp, nem Skype ou qualquer outra rede social?
— Não filha, seu pai até disse que iria fazer isto, mas eu pedi para ele não fazer. Eu falei para ele que meu celular ficaria guardado na bolsa, desligado. Iremos nos ver somente na igreja. – ela olhou para a Alexis e em tom de fofoca perguntou rindo – Mas você pode me dizer como é que ele está, querida... – se dirigindo para as gêmeas, comentou – vocês também... Contem para a mamãe como o papai está? E os seus irmãos? Estão traquinando muito?
— O papai está lindo, mãe. Ele cortou o cabelo. — Bia confidenciou.
— Muito curto? – Kate franziu a testa.
— Não, mãe... O mesmo corte de sempre. – Alexis esclareceu.
Kate sorriu contente e Annie continuou o que as irmãs falavam.
— Assim que o papai chegou com os meninos, Megan os levou para a brinquedoteca. – Annie narrava cheia de caras e bocas — Eu, a Lexi e a Bia estávamos brincando de “Banco Imobiliário” e demorou somente um tiquinho de nada, o Bryan chegou perto de mim... Você não vai acreditar, mãe... Ele estava simplesmente com a cabeça de uma bonequinha minha em uma mão, segurando pelos cabelos e na outra mão ele segurava o corpo dela... – Annie fez bico de tristeza.
Kate ouvia e a menina continuou a narrativa.
— Aí, mãe, ele olhou pra cabeça da boneca e depois olhou pra gente e falou – “Nenê, Ani, nenê... Bia, Lex... a bebexa do nenê...”— Bia explicava.
— Jura!? – Kate não esperava aquela travessura
— E o Bernardo veio logo atrás e falava – “Quebô... Oh! Quebo a bebexa nenê...”— Annie completou.
— Mas você não precisava ter empurrado o Bryan no chão, Annie... – Bia torceu a boca ao denunciar a irmã.
— Filha! Você empurrou seu irmão no chão? – Kate perguntou séria. – Não acredito, Annie!
— Mas ele quebrou minha boneca, mamãe.
Annie fez beicinho e estava a ponto de começar a chorar, mas Kate, de forma suave, a advertiu – Filha! Você já é uma mocinha e seus irmãos são um pouco mais que uns bebês. Vocês têm que ensinar as coisas certas e não as coisas erradas. E empurrar seu irmão no chão não é certo.
— Desculpa, mãe... Eu pedi desculpa pra ele e eu acho que ele me perdoou. – Annie falou baixinho
— E seu pai? Onde é que ele estava?
— Assim que o Bryan começou a berrar, chorando por causa da queda e magoado porque Annie o empurrou, o papai chegou e resolveu a parada – Alexis resumiu.
— Eu fico fora uma parte do sábado e a minha casa entra em colapso... – Kate desabafou, mas não ia falar mais nada, porque tinha certeza que o marido tinha resolvido tudo. Ela nem ia perguntar o que o Rick tinha feito ou falado. Ele era um pai amoroso e interessado na educação dos filhos. Tinha certeza que ele tinha agido de forma correta e conversado e repreendido a garotinha, então seria injusto ela dar uma reprimenda na filha agora, ainda mais em publico. E também a garota não poderia ser punida duas vezes por um mesmo erro, então tentou mudar de assunto. – Tudo ficou bem depois, não foi?
— Foi, tudo ficou bem. O papai ajeitou as coisas. – Alexis finalizou.
— Ótimo! E depois vocês fizeram o que? Brincaram de que?
Annie se adiantou para responder – O papai pediu para eu cantar algumas músicas que eu aprendo na minha aula de canto. Eu e as meninas escolhemos músicas que nós três pudemos nos apresentar juntas. Assim, a Alexis me acompanhou ao piano e a Bia na flauta transversal. Então nós três subimos no palquinho da brinquedoteca e fizemos uma apresentação para o papai e para os meninos.
— Que lindo! Pena que eu perdi esta apresentação.
— Mas você já assistiu outras, mamãe – Bia lembrou.
— É, eu sei.
— O bom desta ideia do papai, mãe, é que os meninos dormiram na metade da primeira música e ainda continuavam dormindo quanto viemos pra cá, ou seja, acho que eles não vão dormir na hora do seu casamento com o papai.
— Huumm!! Maraviha! Pois é, já que seu pai resolveu a “parada”, da melhor forma possível, que tal relaxarmos? Hey, garotas, estamos aqui para relaxar, estão lembradas? – Kate riu, fazendo com que as filhas a rissem também.
Uma das moças que iria cuidar da arrumação das crianças se posicionou – Então, já viram a mamãe, já conversaram, vamos agora para a suíte de você e deixar a noiva se ajeitar?
E após beijos, carinhos e muitas fofurices, se despediram e foram levadas para iniciarem os trabalhos de banho, cabelo e, por fim, vestir os trajes da festa.
Dali em diante Kate passou por manicure, pedicure, maquiador, teve também seus cabelos lavados, modelados e arrumados para o seu grande dia.
.............................................
Mais cedo no apartamento...
Excluindo a noite de sexta-feira para sábado, onde, no hotel, Richard sentira muita falta da presença da sua mulher, o sábado dele foi movimentado. Os três meninos pareciam que estavam elétricos e as gêmeas, por vezes, esqueciam que já estavam crescidas e que os irmãos tinham apenas um ano. Ainda bem que Alexis já estava numa idade que ajudava a contê-los.
Kate fazia falta não só como esposa, fêmea e amiga. Ela fazia muita falta também como mãe e mediadora dos seus seis filhos, pois, por mais que ele fosse conciliador, tranquilo, carinhoso e amoroso, ela sempre conseguia melhores resultados no trato com as crianças. Se precisasse de folia, brincadeiras, loucuras mil com as crianças, ele era a melhor escolha, mas para pacificar, Kate era a ideal.
Por mais parecidos que fossem, Kate e Richard tinham formas diferente de agir. A educação que o casal dava era uniforme, mas o modo de se dirigir aos filhos era diferente. Mas no final, tudo terminava bem, porque ambos sempre agiam com amor. E foi o que aconteceu logo após o almoço quando o choro de um dos meninos ecoou pelo apartamento. Ao chegar à brinquedoteca Bryan estava no chão. Viu logo que ele não estava machucado. Ele chorava tanto que até soluçava e era um choro sentido, como se ele estivesse triste. Assim que viu a cena, percebeu o olhar de ‘culpado’ de Annie.
Sensato, Richard sentou-se junto com os seis filhos, tirou o garoto do chão e o colocou no colo, mas o pequeno não parava de chorar. Ele soluçava.
Com o objetivo de encurtar a conversa, Richard olhou para Annie e com um tom de voz baixo, porém firme, perguntou — O que aconteceu aqui, querida?
— Ela... – muito comunicativa, Bia tentou responder no lugar da irmã.
De forma afetuosa, Rick a interrompeu — Meu amorzinho, deixa sua irmãzinha responder, tá bom? – ele olhou para Annie – Heim, querida, o que foi que aconteceu? Porque seu irmãozinho está chorando?
Bernardo que não compreendera o que o pai falara, apontou para Bryan e informou no idioma particular dele – “caiu”... “Baian”!
Arthur que também estava atento, porém sem entender o objetivo do pai, apontou seu dedinho gordinho e lindo para Annie e falou também no linguajar próprio – Ani bateu!
Richard olhou para Bernardo e Arthur com carinho, mas logo perguntou novamente para Annie – Querida!
A garota fez bico de que ia chorar e seus olhos se encheram de lágrimas que desceram pela sua linda face – Desculpa, papai. Eu empurrei o Bryan no chão.
— Porque, filha? – todos os seis olhavam para o pai. Os pequenos podiam nem estar entendendo, mas percebiam que o assunto era sério.
Bryan continuava chorando.
— Hey, garotão! – Rick acariciava o rostinho do bebê, enxugava suas lágrimas e tentava acalmar o garoto – O papai tá aqui, meu amor. Tá tudo bem.
— “Ani... bateu...” – ele chorava, mas depois de alguns carinhos do pai, o choro foi diminuindo até parar.
— Querida, porque foi que você empurrou o seu irmãozinho?
Visivelmente arrependida, ela falou baixinho – É que ele arrancou a cabeça da minha boneca. – ela apontou para as mãos do menino – Aí, pai. Os pedaços estão nas mãos dele.
Muito amoroso, Richard indagou à filha — Mas precisava você bater no seu irmão, mocinha? – ela continuava com bico de choro. – Querida, venha aqui. – Annie chegou mais junto do pai. – Querida, se acontecer novamente de seus irmãos quebrarem algum brinquedo seu – olhou para as outras meninas – de vocês também – voltou a atenção para Annie, vocês chamam a mamãe ou o papai que nós resolvemos, ok?
As três meninas fizeram movimento afirmativo com a cabeça.
Richard pegou a cabeça solta da boneca e o corpo e com apenas um pequeno movimento, encaixou as peças e a boneca voltou a ter cabeça.
— Tá vendo, filha. Você bateu no seu irmãozinho... Por nada... Mas mesmo que o brinquedo não pudesse ser consertado, não seria motivo para você bater nos seus irmãos.
Por iniciativa própria, Annie foi se chegando ao Bryan, fez carinho nas mãozinhas dele, depois no rostinho e nos cabelos, deu um beijo estalado na face dele e perguntou amorosa, se pondo na terceira pessoa – Bryan, você perdoa Annie?
Feliz pela filha ter tomado a iniciativa, Richard ficou atento à reconciliação dos seus filhos.
O garoto olhou sentido para a irmã. Ele não mais chorava, porém ainda tinha as faces molhadas, os olhos e o nariz vermelhos e fazia biquinho de que estava triste.
Annie deu outro beijo estalado no rostinho do irmão, ainda acariciava o garotinho e insistia – Annie não vai mais bater nem empurrar você. Você desculpa Annie? Annie ama você, Bryan.
A voz da garota era tão amorosa e ela falava de coração, que, na percepção de Richard, Bryan entendia o que ela estava dizendo, tanto que no minuto seguinte, Bryan estendeu os bracinhos para a irmã – “Ani...”
Muito rapidamente, Richard pôs Annie também sentada sobre sua perna esquerda e o garotinho se jogou nos braços da irmã, que o abraçou forte. Richard segurava os dois. – O papai e a mamãe não gostam de ver vocês brigando. – as três meninas, que entendiam o que o pai dizia, fizeram novamente sinal afirmativo com a cabeça – O papai e a mamãe gostam de ver vocês assim, felizes, sem brigar e vocês, meninas, têm que ter mais paciência com os três pequenos, porque eles são bebês. Quando Vocês eram do tamanho deles, também aprontavam e, por vezes quebravam coisas. Eu soube que quando você era do tamanho dos seus irmãos, Annie, você pegou o celular de sua mãe, novinho, e sem noção das coisas, o jogou longe como se fosse um brinquedo e ele quebrou o vidro da tela e não serviu nem pra consertar. – ele percebeu a carinha de espanto da filha ao ouvir o relato do pai — Então...
Mais uma vez por conta própria, Annie olhou para o pai e pediu desculpa – Oh, papai, sinto muito. Eu não vou mais empurrar nenhum dos meus irmãozinhos porque eu sei que é feio. Desculpa.
— Muito bem, Annie. Eu gostei muito de você ter reconhecido que errou e que não vai mais fazer isto. Mostrou que é uma garota meiga, esperta, carinhosa, amorosa e inteligente.
Ele beijou a Annie e o Bryan e, para acabar com o clima de reprimenda, ele propôs que as filhas praticassem o que aprendiam nos cursos extras. Annie tomava curso de canto, Alexis de piano e a Bia, tinha aulas de flauta transversal. Então, elas se apresentariam no palquinho da brinquedoteca para o pai e para os bebês.
Annie cantava, Bia a acompanhava na flauta transversal e a Alexis ao piano. No começo Annie ficou um pouco sem graça, devido à sua travessura, mas logo ficou mais à vontade e a atmosfera de harmonia retornou.
Continua...
Fale com o autor