Notas iniciais
Feliz ano novo para todos, com muito amor, saúde e realizações em todos os campos da vida de vocês. Bjinhos. Denise

O clima descontraído nas refeições dos finais de semana sempre fora um diferencial naquela casa, agora então que Kate e Richard estavam juntos, estava mil vezes melhor, fato que o casal só tinha que agradecer a Deus, pois nestes momentos domésticos eles podiam conferir o crescimento pessoal, emocional e cultural das filhas, bem assim o entrosamento delas não só como irmãs, mas como amigas.

Apesar de participar ativamente das conversas e brincadeiras, eles, como pais, ficavam de olho nas atitudes das três meninas...

Sem dar muito a perceber, eles observavam a iniciativa de cada uma delas ao puxar um assunto; na habilidade delas de desenvolver os temas abordados nas conversas; na capacidade de driblar um mal entendido, sempre mantendo um excelente senso de humor, mesmo que nem sempre as opiniões coincidissem, pois cada um tem uma personalidade diferente. Até com relação às gêmeas, apesar de serem fisicamente quase idênticas, as duas possuíam jeitos e posicionamentos completamente distintos.

A brincadeira, o amor, o respeito e a amizade reinavam na família, mas o dia a dia das crianças não era somente ‘flores’... O dia a dia não era todo ‘cor de rosa’. Podia acontecer uma birra aqui, outra acolá, um bico de mau humor, uma pirraça, uma briguinha, uma zanga, um choro e outras situações normais entre irmãos, pois a vida não é um conto de fadas. Mas tudo sempre terminava bem porque o exemplo que viam em casa era a harmonia e o amor dos pais. E a solução dos problemas na maioria das vezes se dava entre elas mesmas, sem a intervenção dos adultos, o que não quer dizer que ocasionalmente eles não precisavam interferir para botar ordem no recinto. Mas nada formal, tudo muito simples e natural.

Apesar de terem se reencontrado há muito pouco tempo e ainda estarem flutuando nas nuvens do romance e do amor, Kate e Richard tinham suas desavenças como qualquer casal normal, mas tais contendas, mesmo que pequenas, nunca ocorriam na frente das filhas e os conflitos do casal nunca chegavam até o conhecimento das meninas. Desde que assumiram o amor que havia entre eles, a vida deles ficou mais leve e mais linda, contudo havia momentos difíceis. Eles podiam até ficar brigados por mais tempo do que o necessário, mas as crianças não percebiam e isto era primordial para eles. Era ponto pacífico... Decidiram isto na primeira briguinha, pois sabiam que se amavam e que queriam ficar juntos e também que queriam dar segurança emocional para as filhas. Dependia deles... Somente deles. Eles queriam passar para as filhas somente os bons exemplos e isto não era mascarar a vida real..., faziam isto com o único objetivo de protegê-las.

Naquele café da manhã especial após o final da viagem de lua de mel dos pais, as meninas estavam verdadeiramente eufóricas e conversavam sobre tudo, pondo-os a par das novidades que acontecera naquelas semanas em que eles que estiveram na Europa.

Mostraram fotografias que os avós tiraram durante todo o período em que os pais estiveram fora e ao visualizar as tais fotografias, muitas e muitas cenas foram relembradas e a risadaria e felicidade era geral.

As três narravam detalhadamente sobre as duas semanas da “Feira de Ciências” na escolinha delas e a “Final de Semana do Teatro” organizada pela vovó Martha. Cada uma contava um trecho da história e era logo atropelada pela outra que se lembrava de algum lance importante e divertido. As meninas contaram que a tia Lanie comparecera e que, junto com os filhos, Juan e Estelita, participara ativamente junto com a vovó Martha em todas as brincadeiras e representações teatrais.

Assim, a refeição matinal seguia animada. Comiam e se divertiam.

Após o café da manhã, seguidas pelos pais, as meninas retornaram à Brinquedoteca, para onde Richard levou as malas cheias de brinquedos e presentes comprados durante a lua de mel.

Alexis, Bia e Annie amaram cada presente que ganharam e fizeram questão de abrir e experimentar ou usar um a um, com a grande ajuda do pai que, naquele momento, era a quarta criança da fuzarca e estava tão animado quanto elas.

Os brinquedos não eram necessariamente iguais. Cada lote pertencia ao mesmo grupo, divergindo de cores e modelos e assim, as três crianças ganhavam brinquedos parecidos e podiam trocar entre si quando quisessem.

Depois de algum tempo, Richard tirou da mala quatro pacotes grandes e idênticos, entregando um a cada filha. Alexis abria o pacote dela sozinha e as gêmeas, ajudadas pelos pais, identificaram o brinquedo ao mesmo tempo, causando um pequeno alvoroço quando as garotas perceberam que se tratavam das tão conhecidas espadas do famoso filme "Star Wars".

De posse das espadas e após aprenderem como acionava o brinquedo, cada uma delas ficou de pé e passou a brincar fingindo luta quando, de repente, se depararam com o pai que, igual a elas, também portava um "sabre de luz" e a alegria tomou conta do ambiente.

Pega de surpresa com a cena inusitada, Kate se divertindo muito com o marido, perguntou – Hey, moço, quando foi que você comprou esta quarta espada, que eu não vi...

Fazendo um trejeito divertidíssimo de quem é pego numa travessura, ele respondeu – Simples... No momento em que eu fui pagar eu pedi ao vendedor que acrescentasse mais uma. – Rick torceu a boca fazendo um gracejo engraçado – Você não acha que eu ia perder esta farra, né...

— Jamais! Conhecendo você como eu te conheço... (risos)... Jamais ! Imagina!!!... – Kate gargalhava diante da leveza da situação e do bom humor do marido e ela amava isto nele.

Os embrulhos continuaram sendo abertos e a alegria era geral. Como um ‘nerd’ convicto, Richard trouxe diversas indumentárias coloridas para as meninas, como por exemplo, três fantasias da “Princesa Leia” e no meio delas estavam muitas para ele próprio, como por exemplo, “Darth Vader”, “Capitão Canadá”, “Indiana Jones” e “Lanterna Verde” e, como se fosse um garotinho levado, ele vestiu cada uma delas e fazia poses com caras e bocas cômicas, fazendo as meninas vibrarem, pois vendo o pai se vestindo assim, elas sentiam que ele era como elas.

Kate continuava se divertindo com a situação e na última troca de fantasia do marido, ela o olhou e, discretamente, confidenciou — É, eu pensava que tinha somente três crianças em casa e me deparo com você... Você é a quarta... – e sussurrou com um olhar sensual — Talvez a mais peralta.

As crianças estavam entretidas com seus novos presentes e brinquedos e não percebiam a conversa de duplo sentido dos pais

— Você é uma mulher de sorte, querida, porque sou muito traquinas e sei fazer cada peraltice que Deus duvida... E para nossa alegria, já nasci com uma espada que funciona maravilhosamente bem... Muito melhor do que este sabre de luz... Não tem tempo ruim para ela... – Ele a mirou safado, de cima a baixo e ao mostrar suas mãos e seus dez dedos para à esposa e continuou sussurrando – E também sou provido com estes tentáculos fantásticos que são capazes de te levar às nuvens e para o espaço... Ver estrelas... — Após este comentário ele, satisfeito e apaixonado, a puxou para si e, de pé, ficaram abraçados – Aliás, você sabe das minhas traquinagens... Sabe do que sou capaz, não sabe? Minha espada vigorosa e meus tentáculos poderosos – ele acariciou as nádegas dela e o ventre levemente saliente e piscou de forma marota, fazendo-a revirar os olhos ao recordar do funcionamento da longa e possante espada dele e dos poderosos tentáculos e em seguida, feliz da vida, torceu a boca e deu uma pequena gargalhada sensual.

— Oh, se sei... – Ela murmurou — Você tem razão, marido, seus longos e poderosos tentáculos e sua potente espada me deixam louca mesmo e você sabe manejá-los maravilhosamente bem... – Kate o laçou pelo pescoço e deu um leve selinho nele, cena que não passou despercebida pelas filhas que fazendo lindas caretas de asco se expressaram de várias formas.

— Eca!

— Ai, meu Deus! Na boca!!??

— Urghhh!

Kate e Rick se soltaram lentamente, se olharam e de costas para as meninas ele comentou – Acho que elas fizeram a mesma cara de nojo que fizemos quando vimos a mamãe e seu pai se beijando...

— Só que a diferença é que elas são crianças e vocês são adultos...

Ao ouvirem a voz de Martha, tanto Richard quando Kate engoliram em seco. Constrangidos, se viraram para a porta e se depararam com o casal de idosos e dirigiram a eles um sorriso amarelo e os cumprimentaram.

Sem graça, Kate olhou para seu pai e para sua sogra.

— Oi, papai – encabulada, Kate tentou imprimir uma voz confiante, mas não obteve êxito.

Já o marido...

— Oi, mamãe... – Richard consultou o relógio e falou grosso, tentando reverter a situação, pois entendia que a melhor defesa era o ataque, então cobrou dela – Já passam das oito horas da manhã... Por onde andaram?

— Sério, Richard!?... — Martha o confrontou.

Martha não caiu no jogo do filho e continuou com olhar sério e com esta reprimenda, Richard fez uma carinha de um menino de cinco anos que leva bronca da mãe e esta cena descontraiu o ambiente, fazendo Kate e Martha rirem.

Muito de bem com a vida, Martha se divertia muito com o jeito que o filho ficou, então completou – Só você mesmo, Richard... – olhando para a nora, ela continuou gracejando – Até você, Katherine?

— Martha... Não!... Sim... É... Mas... – Kate gaguejava e isto fez Martha gargalhar.

— Filha, relaxa! – Jim se dirigiu à Kate.

— Mas vocês dois... Crianças! Acho bom se acostumarem, viu? – Martha deu um selinho em Jim e ao ver isto, Kate e Rick se entreolharam e se esforçaram ao máximo para não falar “Eca!” e a cara de Kate dizia isto nitidamente.

O ambiente voltou a ficar leve. Jim e Martha ficaram ajudando as netas a desembrulhar os presentes.

Sem que as netas ouvissem, Martha comentou – Katherine, eu pensei ter ouvido você falar que todos os brinquedos e presentes que vocês compraram não tinham aqui... somente na Europa...

— Seu filho, Martha... Ele conseguiu me driblar direitinho...

Ao ouvir isto, Rick, igualzinho uma criança levada, fez de conta que não era com ele, fazendo Kate e Martha acharem muita graça da cara peralta que ele fez.

Bia e Annie foram em direção do avô e levaram seus brinquedos para ele ensinar como usar.

— Vovô, não estou conseguindo brincar com isto. – Annie se queixou com doçura.

— Eu também, vovô. – Bia confirmou a informação da irmã.

— Deixem-me ver... – Sob os olhares atentos das netas gêmeas, Jim pegou um dos brinquedos e, lendo o manual de instrução, passou a analisar o objeto – Huuummm! Já entendi. O vovô vai ensinar para minhas princesas.

Um pouco mais distante, do outro lado da brinquedoteca, Alexis estava sentada na bancada de estudos entretida com um dos seus presentes e os pais estavam ao seu lado. De repente, a ruivinha parou e ficou pensativa. Com o olhar triste ela faz um comentário inocente que pegou os pais de surpresa.

— Papai, eu tenho uma colega que se chama Mary Bloom e ela tem um irmão, o Ernest, que é da mesma sala de aula das minhas irmãs e eu já ouvi a Coordenadora Pedagógica se referindo aos dois como “os irmãos Bloom” e também já ouvi a mesma Coordenadora se referindo a mim, a Bia e a Annie... Nós trés... Como a “pequena Rodgers” e “as irmãs Beckett”.

Bia e Annie estavam distantes e não ouviram a pergunta da irmã mais velha.

Um silêncio pesado se fez naquele momento. Kate e Richard se entreolharam e, coincidentemente, temendo onde aquela conversa ia chegar, encheram o peito de ar e torceram a boca em sinal de tensão.

Após segundos de silêncio tenso, Alexis indagou – Eu não entendo, papai... Já que a Coordenadora Pedagógica sabe que a Bia e a Annie são minhas irmãs, porque ela não se referiu a nós três como as “irmãs Rodgers”, eihm, papai?

Kate ouvia tudo e pensava rápido sobre o assunto e respirou aliviada ao ouvir a pergunta da filha. Aquilo era simples não só de explicar mas também de resolver.

Kate não queria que ela esperasse muito por uma resposta ou mesmo uma justificativa e esta não poderia ser rebuscada. Teria que ser algo simples, direto e de fácil entendimento.

Embora já tivesse mais de dez anos, sua ruivinha ainda era muito criança e, com certeza, não compreenderia alguns detalhes da vida dos adultos, especialmente a vida dela e do Rick, com tantas intercorrências explosivas no passado... O rompimento seis anos atrás que resultou no nascimento das gêmeas sem a presença do pai e, consequentemente, no registro de nascimento delas sem o sobrenome dele.

Com voz doce, baixa e num tom bem elucidativo, Kate se dirigiu à Alexis de forma bem natural sem fazer alarde, pois, realmente, aquele assunto era muito fácil de se resolver e casos semelhantes com este era muito comum nos dias de hoje. Só que não entraria em detalhes porque só iria complicar a cabecinha da Alexis – Meu amorzinho, houve um pequeno erro nos documentos das meninas. Nestes documentos, no local destinado ao nome de cada uma delas faltou o sobrenome do seu pai, mas em breve eu e seu pai vamos levar para a escola de vocês os novos documentos das suas irmãs com os nomes corretos delas: Beatrice Houghton Beckett Rodgers e Annie Houghton Beckett Rodgers. Daí, você vai ouvir a Coordenadora se referir a vocês três como “irmãs Rodgers”. Tá certo? Muito simples, querida.

Imediatamente ao ouvir a breve explicação de Kate, Alexis estampou no rosto um imenso sorriso. – Ah, sim... Amei saber isto...

Em poucos segundos, Alexis olhou emocionada para Kate — Kate, eu adorei saber que minhas irmãs terão o nome Rodgers... – em seguida fez um comentário inesperado – Eu te amo muito,... – a garotinha fez uma pausa e era perceptível que estava a ponto de chorar — por isso, Kate, eu também queria que meu nome, além do “Rodgers”, tivesse também “Houghton Beckett” igual a você e igual a minhas irmãs... – olhando para Kate com carinha de choro, ela declamou sonhadora — Alexis Houghton Beckett Rodgers... – com a feição visivelmente comovida, Alexis acrescentou — Porque eu já sou grande e sei que você casou com o papai e por isto tem o Rodgers. Mas sei também que o Houghton Beckett é o seu sobrenome, igual ao das minhas irmãs... Então... – com voz embargada, ela continuou — se eu fosse Alexis Houghton Beckett Rodgers eu seria sua filha de verdade, igual Bia e Annie, não é? – olhou para o pai e fez biquinho típico de quem está pedindo algo muito importante – Papai... eu quero...

Tal indagação comovida deixou o casal sem palavras.

Kate estava passada, pois acompanhou a explicação de Alexis e percebeu que a garotinha era mais carente do que ela suponha. Por mais amor materno que Kate desse para ela, a Meredith conseguira fazer um estrago gigantesco. E o pior é que, juridicamente falando, não tinha nada que Kate pudesse fazer, pois, por mais que quisesse, não poderia sugerir ao marido, muito menos à Meredith, uma adoção da Alexis, até porque, a atriz apesar de ser completamente ausente, nunca cometera maus tratos físicos com a garotinha. A única coisa que Kate poderia fazer para tentar reverter esta situação, era continuar amando incondicionalmente a pequena Alexis a fim de tentar curar as feridas do coraçãozinho dela e quando ela fosse crescendo, as coisas iriam se arrumando na cabecinha da garotinha e ela iria entender melhor a situação. Por ora, não poderia fazer mais nada. Iria tentar encontrar palavras fáceis para explicar isto a ela.

Com os olhos cheios d’água, Kate se aproximou mais de Alexis, se sentou em um dos pufes coloridos e puxou a ruivinha para o seu colo e imediatamente a garotinha agarrou forte seu pescoço.

Nunca imaginara que aquela conversa chegaria a tal ponto.

— Meu amorzinho... – Sem saber de onde tirou forças, Kate procurou ser sensata e tentou ao máximo controlar suas emoções porque agora aquele assunto passou a ser difícil, principalmente para uma criança. Mesmo recebendo carinho e amor materno de Kate, Alexis era muito sensível e carente da mãe biológica. – Meu amorzinho, eu queria que você soubesse que eu te amei desde o primeiro dia em que eu pus os olhos em você, ainda quase um bebezinho. Foi amor a primeira vista e eu sei que este amor foi recíproco. Oh, tenho certeza. Você era uma fofura. – Kate acariciava as longas madeixas ruivas da garotinha — Parecia uma bonequinha de porcelana. Aliás, você ainda é uma fofura e ainda parece uma boneca de porcelana. – Kate sorriu e deu um beijinho na testa da filha — Mas você, Alexis, era um bebê ruivo lindo com duas pedrinhas azuis enormes que me olhavam e pediam colo. – Kate beijava o rostinho de Alexis e também cheirava, acariciava e beijava as mechas ruivas da pequena.

— Então... – Alexis falou. Ela ouvia atenta a explicação da mãe e olhava para Kate dando a entender que tudo estava dando certo e que tudo seria fácil de resolver.

Preocupada com os pensamentos da pequena ruiva, Kate prosseguiu – Um momento, meu amor. Desde que te conheci, querida, eu sempre te amei como se você fosse minha filhinha, Alexis. Um amor gostoso que me fazia feliz quando eu brincava com você no loft ou na praça, mas que também me fazia sofrer quando eu não podia dormir no loft e tinha que ir para o meu apartamento. Querida, quando ouvi a primeira vez você me chamar de “mamãe”, eu pensei que meu coração fosse explodir de felicidade. Hoje você já é quase uma mocinha e vai entender que não tenho palavras para eu expressar minha alegria. Mas muitas coisas aconteceram... Coisas que você se lembra, outras que você não se lembra e muitas que não convêm recordar mesmo. Mas hoje, eu sou casada com seu pai e somos muitos felizes juntos e a nossa felicidade se completa porque você, Bia e Annie existem. Eu tenho você como minha filha. Acredite. Você, Bia e Annie são minhas filhas e não faço distinção entres vocês três. Falo isto de coração, meu amor. Porém, por mais que eu queira ser sua mãe, de verdade, Alexis eu sei que não posso... – mesmo com voz embargada, Kate tentava ao máximo não chorar – ... Como você já falou, meu bem, você é grandinha e sabe de muitas coisas, mas eu vou te explicar melhor. Quando a criança nasce, ela recebe um documento onde consta o nome dela, o nome da mãe, o nome do pai e outras informações referentes ao nascimento do bebê, como datas, horários, locais de nascimento, etc, etc, etc. No seu documento, no local do nome da mãe, tem o nome da Meredith e não tem espaço para colocar o meu nome porque não existe espaço para duas mães. Eu não posso ser sua mãe de verdade porque você tem a Meredith, meu bem. A Meredith é a sua mãe e, apesar dela viajar muito por conta do trabalho, ela te ama minha querida. Contudo, meu bem, apear disto, o que eu posso te dizer é que você é uma menina de sorte porque, apesar do meu nome não aparecer no seu documento, você pode dizer que tem duas mães: a Meredith e eu... E nós duas te amamos. Te amamos muito... Acredite, meu bem. E eu posso dizer também que apesar de você não ter o nome Houghton Beckett, você é minha filha. Minha filha de coração e de alma. Eu acho até que quando você nasceu, minha linda, Deus já sabia que você seria minha filha, porque a ligação que existe entre nós, meu amor, é muito forte e difícil de encontrar e nunca vai se apagar.

Comovido com as palavras da esposa, Richard assistia a tudo e percebia que a cada dia que passava amava mais aquela mulher.

Lágrimas desciam pelas faces de Alexis e apesar de estar prestando atenção a todas as palavras de Kate a garotinha se mantinha agarrada ao pescoço dela e neste momento, Kate, com jeitinho, conseguiu tirar os bracinhos dela do seu pescoço e, segurando com carinho o queixinho da ruivinha, falou olhando-a amorosamente nos olhos – Então, meu amor, mesmo sem o Houghton Beckett, você é minha filhinha e fique sabendo que o meu coração tem espaço para seis filhos adorados: Você, Annie, Bia, Arthur, Bernardo e Bryan. Eu amo vocês seis.

Kate ficou atenta à reação de Alexis – Você entendeu, querida? Você é minha filha de coração e de alma e apesar de meu nome não constar nos seus documentos, eu posso gritar para o mundo todo ouvir que eu sou sua mãe e que você é minha filha, porque eu te amo e você me ama. Nós escolhemos uma a outra: Você me escolheu como mãe e eu te escolhi como filha.

Diante das palavras de Kate, a ruivinha assentiu e deu um suave sorriso- Sim...

Para arrematar, Kate decidiu retomar ao assunto inicial que tanto preocupava a garotinha – E quanto aos nomes, querida, muito em breve vocês três serão as “irmãs Rodgers” porque os documentos das suas irmãs logo, logo ficarão prontos e nós todos seremos a “Família Rodgers”, porque, como você sabe, eu também já sou Katherine Rodgers. Que tal?

O brilho que surgiu nos olhos da Alexis foi um bálsamo para o coração de Kate. Uma coisa tão simples, mas ao mesmo tempo tão importante.

Passando as mãos nos olhos e nas faces para secar as lágrimas, Alexis sorria feliz ao falar — Ótimo, my mom! Adorei isto! Todo mundo aqui é “Rodgeres”. E mesmo que eu não tenha o “Houghton Beckett” no documento, eu o tenho aqui – ela bateu forte no peito, sobre o coração e tal gesto foi como um raio quente de amor no coração de Kate.

O abraço apertado e emocionado que as duas trocaram foi a prova da existência do genuíno amor materno.

Como toda criança que se preze, uma vez explicado e entendido o assunto, não se falava mais nele. Alexis saiu do colo da mãe e correu ao encontro das irmãs que já brincava com Jim e com Martha.

E o que se viu, a seguir, foi brincadeiras e risadas, em clima de amor e harmonia.

Continua...

Notas finais
Deixem-me explicar uma coisinha sobre o assunto "sobrenome" na mente de uma criança. Quando minha mãe nasceu, a mãe dela morreu no parto. O pai dela a rejeitou, porque, na cabeça dele, minha mãe foi a culpada da morte da esposa dele (mãe de minha mãe... imagina!!!) e por isso, não quis cria-la. Então, minha mãe foi criada por outra família: outro pai, oura mãe e outros irmãos. Portanto, minha mãe é filha do coração, igual Alexis com relação a Kate (nesta minha fic) e, como tal, não possui o sobrenome da família que a criou. Naquela época, ninguém nunca pensou em adoção... Minha mãe sempre foi muito grata a esta família que a amou de verdade e a acolheu com a alma e com o coração e nunca foi maltratada, muito pelo contrário, só recebeu amor tanto dos pais de criação, quanto dos irmãos de criação. Ela era amada 100%. Contudo, euzinha, rsrs, quando era criança, por não entender direito a situação, eu achava estranho não ter o mesmo sobrenome de minha avó, do meu avô, dos meus tios e dos meus primos. Eu queria muito ter o mesmo sobrenome deles para me sentir parte eles, entende? Então, por vezes, na minha inocência infantil, eu dizia (inventava) que meu sobrenome era o mesmo deles, mesmo sem realmente ser. rsrsrs. Cabecinhas infantis... Mas tudo passa... O AMOR SEMPRE VENCE. Ah, quem quiser comentar, favoritar e recomendar, tá valendo, ok? Bjinhos e queria muito vê-los nos comentários. AVISO: Quem não conseguiu ver o Rick com o Sabre de Luz, é só copiar o linck abaixo e colar em um endereço da internet. https://scontent.cdninstagram.com/hphotos-xfa1/t51.2885-15/e15/10666156_1509093366001156_2064088676_n.jpg Castle com "sabre de luz" - https://scontent.cdninstagram.com/hphotos-xfa1/t51.2885-15/e15/10666156_1509093366001156_2064088676_n.jpg Castle de "Capitão ´Canadá" - https://s-media-cache-ak0.pinimg.com/236x/a9/25/4e/a9254ea08d0af07f8029f310dcd48d35.jpg Indiana Jones - https://s-media-cache-ak0.pinimg.com/236x/7b/ab/62/7bab626991b1d9d84dec45cbfca6f9f6.jpg Lanterna Verde - http://sci-fi-london.com/sites/default/files/styles/social/public/media/image/2011/cc10-nathan-fillion_320.jpg?itok=uDYHzT4K Kate brinca com Rick - http://25.media.tumblr.com/tumblr_mavvbvrxW71qc5vx3o1_250.gif Kate com olhar engraçado - http://i307.photobucket.com/albums/nn289/CJG18/Castle/tumblr_lwxy50lIdi1r8xwoso1_500.png https://encrypted-tbn0.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcSS5v6YEYLX6I_2GNU5hXDFlIXiS9ZQ-GW1Q-gz9q4hNWxLFcOz2g Rick recebe reprimenda - http://49.media.tumblr.com/147e1904b70637310a96a26833b1f273/tumblr_n15x3jgAet1qg9kbxo4_r1_250.gif Kate disfarça - http://38.media.tumblr.com/2276278ecb7ea23478f453f83e951a31/tumblr_n9s7cbF7eG1szv6pco3_500.gif Kate tensa - http://i2.ytimg.com/vi/pbwaw6FnKMI/0.jpg Kate ficou passada - http://38.media.tumblr.com/50d9a8de0734c3f34490de3432850cb1/tumblr_n1y2tfmjJb1qhxmtdo1_250.gif Alexis carente - http://static.tumblr.com/hmge54d/kgimf2yac/11.gif Rick comovido - http://images.tvrage.com/news/10-of-the-best-fictional-tv-writers1.jpg