Amor de Ontem, Hoje e… Sempre⏳⌛⏳
28 Reencontro
Notas iniciais
... Meia hora antes...
Depois da situação constrangedora pela qual Kate e Rick passaram ao serem flagrados pela médica e pelas gêmeas, enquanto dormiam juntos na mesma cama, o casal já estava descontraído e conversando animadamente com Lanie no quarto de brinquedos enquanto Estelita, Juan, Bia e Annie se encontravam envolvidos numa brincadeira animada, em um mundo só deles, sem nem mesmo perceberem que os pais estavam alí.
Lanie, sempre alegre e espontânea, ainda caçoava sobre a demora do casal em sair do quarto e Rick, também muito divertido, à sua maneira brincalhona, se justificava, julgando-se inocente, informando que ele, em nenhum momento, amarrara Kate ou fizera nada que a impedisse de sair do quarto naquela manhã e que ela ficara pelo simples fato dele ser irresistível. O ambiente estava leve e harmônico.
Considerando-se que as crianças estavam sorridentes e entretidas na brincadeira, Kate sugeriu que os adultos descessem.
Deixaram as crianças no mundo da diversão e seguiram em direção à varanda.
Assim que chegaram à varanda, antes mesmo de se acomodarem, Richard sente seu celular vibrar no bolso do seu paletó. O aparelho estava com toque no modo silencioso e pelo tipo da vibração, tudo indicava que estava recebendo uma ligação. Como já tinha ideia de quem o chamava, não poderia atender ali.
Como não atendera à chamada telefônica, o próximo aviso, curto, que se seguiu, foi de que estava recebendo uma mensagem, com certeza da empresa operadora do celular, avisando que havia uma chamada perdida/não atendida. Após alguns segundos, recebeu outro aviso de mensagem. Esta, com certeza, não seria da operadora. Seria mensagem de voz ou mensagem escrita pelo WhatsApp, Messenger ou qualquer outro meio que a pessoa encontrou para se comunicar com ele.
Como Rick precisava descer, então usaria a desculpa que já havia previamente imaginado para sair dali.
De uma forma bem teatral, chamando atenção das moças, Rick consultou o relógio e comunicou que precisava descer para comprar jornal.
No entanto, sem saber do real motivo que Rick queria descer, Kate sugeriu que ele poderia ler jornal pela internet. Contudo, como já tinha previsto qualquer empecilho por parte dela, ele declarou que preferia ler o jornal comprado na banca, pois além de gostar do manusear as páginas do jornal e sentir o cheiro do papel, ele aproveitava a ida à banca de revistas para andar, não pelo exercício, pois a maioria das vezes o fazia de roupa e sapato de trabalho, mas gostava de apreciar o vai e vem das pessoas. Alegara também que gostava de contemplar as diferentes revistas expostas, oportunidade em que sempre comprava uma ou duas delas e ainda escolhia os jornais que estava acostumado.
Sem perder uma única palavra de Richard, Lanie continuou a caçoar dele – Oh, como você é poético, Richard.
— Ah, não! – sorrindo, Richard comentou – Não é que eu seja poético, garotas,... Se bem que... – sorriu – deixa prá lá... Eu vou comprar meu jornal e algumas revistas e depois não venham pegar para ler porque não vou deixar.
Todos três sorriram diante dos comentários.
Ainda sorrindo, Rick falou – Lanie, você me empresta essa moça para ela me levar até o elevador?
— Se eu disser “não” você vai leva-la de qualquer forma, não é? – a médica respondeu divertida.
— Com certeza! – Richard respondeu, fingindo-se de rude.
Kate interferiu – Hey, vocês dois... Não falem sobre mim como se eu não estivesse presente... Heloooo!
— Tá... Então tá, amiga... – e dirigindo-se para Kate, Lanie falou – Leva logo este homem ao elevador, Kate. Leva porque ele tá louco para sentir o cheirinho dos jornais.
Com a fisionomia pensativa e divertida, Richard comentou – Eu estou sentindo que você está curtindo com a minha cara, Dra. Lanie Parish Esposito...
Todos sorriram.
Saindo da varanda, Kate o levou até o elevador e repetiu o que ele já sabia, ou seja, que quando ele retornasse e quisesse subir, ela autorizaria a subida dele, e, mediante um código que ela digitaria no interfone do apartamento, o elevador pararia no apartamento dela. Ela o orientou a falar o porteiro.
Após trocarem uns selinhos, ele entrou na cabine. Ao chegar ao pavimento térreo, ele se dirige ao porteiro e pergunta qual a localização da banca de revista mais próxima e parte em direção a ela.
Era muito perto e logo a avistou. Depois de mais alguns passos, identificou uma menina ruiva com os cabelos compridos acompanhada de uma senhora também ruiva que, ao mesmo tempo em que folheava uma revista, estava atenta a observar as pessoas que se aproximavam. No mesmo momento em que as viu, também foi visto por elas.
Assim que foi identificado pela menina, ela se desgrudou da idosa e correu na direção dele, o que fez o coração de Rick quase saltar do peito só pela emoção de vê-la.
— Papai, papai! – a garotinha falou assim que o alcançou, abraçando-o.
— Meu amor! – ele se abaixou um pouco para que pudesse olhar nos olhos da sua filhinha de onze anos – Que saudade, minha boneca. O papai estava morrendo de saudade de você. Não te vejo desde quinta feira pela manhã e hoje já é sábado. – disse isso a enchendo de beijos pelo rosto e pelo cabelo.
Alexis o abraçou e disse — Eu também, papai. Eu também. – olhando para os lados, a garotinha perguntou – Papai, a vovó falou que eu tenho duas irmãzinhas... – ela o encarava, com um ar de dúvida – onde elas estão, eihm?
Richard foi pego de surpresa, pois não esperava aquela pergunta logo de cara. – Já, já você vai conhecê-las, querida. – falou para tentar acalmar a ansiedade da filha.
Em seguida, para descontrair e para fugir mais um pouco daquele assunto, Richard afastou-se ligeiramente para admirá-la – Você está mais linda e mais crescida? Nossa Senhora! Pensei que eu fosse morrer de saudade, filha!
Espirituosa, Alexis falou, torcendo a boca de modo fofo e bem infantil, com uma carinha fingindo impaciência contida – Menos, papai. Menos! – sorriu – Chega de drama... A atriz da família é a vovó.
Richard amava este jeito extrovertido e descontraído da filha, característica tanto dele quanto de Martha.
Assim que a idosa chegou ao seu lado, ela o abraçou e o beijou na face e disse-lhe no ouvido – Darling! Como você está? – lançou para o filho um olhar de amor e de preocupação.
— Oi, mamãe. – retribuiu o beijo na face. – Estou bem. Precisamos conversar.
— É. Precisamos, filho. – piscando para ele, sussurrou, de modo que Alexis não a ouvisse – estou muito feliz porque você reencontrou a Katherine e, de quebra, ainda encontrou duas filhas.
Sorrindo, Richard falou, utilizando o mesmo tom de voz da mãe – Eu também, mamãe. Eu também.
Richard olhou para os lados e ao avistar o que estava procurando, direcionou com o rosto naquela direção. – Vamos. Logo ali tem uma confeitaria. Mamãe, vamos beber um bom café expresso. – recebeu aprovação da mãe. Em seguida olhou para a filha e disse – Vamos, minha menina com cabelos cor de abóbora.
Alexis, meiguinha, foi logo avisando — Eu não quero café, papai. Eu quero sorvete... sorvete com bastante M&M’s por cima. – ela falou sorrindo, alegre com a ideia de tomar sorvete. – Vamos, pai. Vamos.
Sentados numa mesa mais reservada, Martha e Rick apreciavam o café expresso e Alexis se deliciava com o sorvete de M&M’s.
Rick olhou para a mãe e discretamente perguntou, sem chamar atenção da pequena – E aí, mamãe? Como você se saiu?
— Oh, darling! – Arqueando a sobrancelha e direcionando o olhar para sua neta, Martha fez uma pausa e comentou baixinho – Bem, nós estamos aqui, não estamos? Pergunte para ela.
— Mamãe... Me diga... Deixe de suspense... Qual foi a reação dela com relação às gêmeas? – ele esperou resposta, mas não a teve – E quanto ao fato dela ter que encontrar a Kate? – desta vez Richard sussurrou.
— Querido, eu já te disse, pergunte para sua filha. Ela vai te responder melhor do que eu. Ela ainda é uma criança, mas já está esperta, filho. Ela vai saber responder...
Tomando mais uns goles do seu café expresso, Richard respirou fundo, criou coragem, olhou para sua filha e, suavemente, perguntou – A aí, filha... Vovó te falou o que você vinha fazer aqui em Washington D.C.?
A ruivinha se serviu de mais uma colher de sorvete, torceu a boca, suavemente, e depois sorriu docemente. Por fim prendeu os olhos no pai.
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... No apartamento de Kate, durante o reencontro de Kate com Alexis e Martha...
Alexis se jogara nos braços de Kate num abraço apertado, com os braços em torno do seu pescoço. Ao mesmo tempo em que Kate a apertava forte, ela também afagava seus cabelos e a enchia de beijos pelo rosto e pelos cabelos. Alexis já estava crescida, mas mesmo assim, Kate a colocou no colo, para, assim, aumentar a proximidade entre ambas.
Kate não queria chorar, pois desejava aproveitar aquele momento mágico com sua ruivinha, porém, estava muito emocionada e lágrimas insistentes teimavam em cair dos seus olhos — Meu amor! – Kate conseguiu falar.
— Meu amorzinho. – Kate continuou – Você está tão crescida e linda. Eu estava com tanta saudade de você.
— Eu... – Alexis soluçava – Eu também senti muito a sua falta e fiquei com muita saudade de você, Kate. – a garotinha também lacrimejava e, apesar de crescida, fazia beicinho triste. Ao olhar para ela, Kate viu que sua ruivinha estava com os lábios tremendo, devido ao choro.
Com os braços em torno da pequena, Kate, com a emoção mais contida, sentia o bater apressado e forte do seu coraçãozinho. Com o objetivo de acarinhá-la, Kate a abraça bem forte e fala – Minha linda, não chore mais, meu amor. Você está aqui comigo e eu te amo tanto. Vamos aproveitar e ficar assim, agarradinhas, tá certo?
De repente, Alexis, ainda soluçando e com uma voz doce, fraca e triste, expressa uma queixa – Você foi embora e nem se despediu de mim. Eu fiquei muito triste. Eu era pequena, mas eu lembro de tudo. Eu chorei muito. Você não me disse que ia viajar e nem me deu um beijo de adeus. – ao dizer isto, a garotinha retoma o choro. Um choro sentido e emocionado, acabando com o coração de Kate.
— Estou aqui, querida. – Apesar de muito abalada, Kate já não chorava mais. Encheu os cabelos de Alexis de beijos e a apertava carinhosamente. – Sua Kate está aqui.
— E você não vai mais sair? Você não vai mais viajar para trabalhar?
Ao escutar aquele pedido de Alexis, Kate direcionou seus olhos para Richard, com semblante de dúvidas acerca do que a garotinha acabara de perguntar.
Richard toma a frente e responde – Não, querida, a Kate não vai mais viajar para trabalhar. Ela via ficar ao nosso lado...
Alexis interrompe e, soluçando, faz outra pergunta – E porque você saiu sem se despedir de mim?
Sem ação, Kate tentou explicar e, sem alternativa, disse – Não dava tempo, querida, eu estava atrasada... Mas eu mandei seu pai dar um beijo em você. Ele falou isso?
— Sim. O papai disse que você precisou viajar a trabalho e que havia me deixado um beijo.
Cheia de dúvidas, pois não tinha noção das coisas que ele havia dito para Alexis, Kate direcionou seu olhar para Richard.
Ele passou a falar – Querida, nós vamos ficar juntos.
— Prá sempre, papai? – Alexis olhou para o pai e depois olhou para Kate – Pra sempre, Kate?
— Sim, querida – Richard novamente responde por Kate. – a Kate não vai mais viajar para trabalhar. Ela vai ficar para sempre conosco.
Esperta, Alexis olha para Kate e indagou — Você não respondeu... Somente o papai respondeu...
Sem opção diante daquela situação embaraçosa, Kate respondeu – Não, querida. Eu não vou mais viajar para trabalhar.
Com o rostinho vermelho devido ao choro, porém já aparentando uma expressão mais suave e com um sorriso querendo despontar, Alexis afasta um pouco sua face da de Kate, passa a acariciar o rosto e o cabelo de Kate e indaga, olhando nos seus olhos – Então, agora vamos ficar juntos para sempre e você vai ser a minha mãe?
Kate tinha filhas e sabia exatamente o que significava amor de mãe. Sabia também que o que sentia por Alexis era um amor que ultrapassava os limites do amor de enteada. Kate a amava como se ela fosse sua filha. E este amor foi a primeira experiência de amor materno com que se deparou na condição de mãe e que não acabara com o nascimento de Bia e Annie, muito menos com a distância entre ela e Alexis. Somente aumentara.
Mas, apesar de todo o amor que sentia pela ruivinha, estava achando muito difícil responder se seria a ‘mamãe' dela, até porque não tinha decidido ou sequer discutido com Rick nada a este respeito. E, como não queria sofrer, muito menos fazê-la sofrer, achou por bem não responder diretamente. Então, ela encontrou uma saída. De forma muito doce, Kate tentou explicar sem magoar a garotinha – Querida, nós somos amigas hoje. Eu e você seremos as melhores amigas uma da outra e você vai poder contar comigo para qualquer dúvida, qualquer assunto e para qualquer coisa e poderemos conversar sobre tudo. Sempre! – Kate acariciou os cabelos e o rostinho da garotinha e, após dar um monte de beijinhos na sua testa, disse – Mas, querida, você já tem a sua mamãe. A Meredith é a sua mamãe.
Alexis demonstra no seu semblante que Kate tinha acabado de falar uma coisa lógica e que todos sabiam disto, contudo, pegando o rosto de Kate entre suas mãos, direcionando para que os olhos de ambas ficassem presos um no outro, a garotinha tenta explicar o seu ponto de vista – eu sei que o nome da minha mãe é Meredith e que ela às vezes até vai me ver. Um dia ela me contou que eu saí da barriga dela. Eu sei disso. Mas, Kate, mesmo que eu não tenha saído da sua barriga, eu quero você como ‘minha mãe’ porque eu te amo muito. Eu escolhi ‘você’ para ser a ‘minha mãe'.
Entendendo e aceitando o ponto de vista de Alexis e também o receio de Kate em responder tal questionamento da filha, Rick responde – Sim, querida, a Kate vai ser a sua 'mamãe’.
Olhando Kate com amor, Alexis comentou já sem chorar — Então vai ser assim: o papai, você, eu, minhas duas irmãzinhas e a vovó vamos morar todos juntos lá no loft, é? – agindo como qualquer criança, ela ficara contente com a resposta e não pensava mais naquele assunto. Prá ela, aquilo já estava solucionado... Era passado. Ela já estava refeita. Ela havia recuperado sua confiança e estava nitidamente feliz. Suas lágrimas já haviam cessado de cair.
Ainda parada na entrada principal do apartamento, próxima a porta do elevador, Martha assistia, emocionada, àquela cena familiar.
Não tinha como esconder que estava muito feliz porque seu filho, finalmente, recobrara o juízo e perdoou Kate do que, aliás, não tinha nada do que perdoar, pois ela tinha certeza que a nora nunca traíra seu filho. Por ser bastante vivida, ela sabia identificar o caráter das pessoas e viu que aquela moça era reta. Sempre identificou Katherine como uma mulher virtuosa e de bom caráter. Tudo não passou de um plano mesquinho que, com certeza, fora elaborado por uma pessoa muito invejosa unicamente para separá-los.
Neste momento, após abraçar forte e dar mais beijinhos na testa de Alexis, Kate tira a garotinha do seu colo, indicando que ela deveria ficar sentada e ela própria se levanta e diz — Alexis, eu vou dar um beijo na sua avó, viu?
Alexis não responde, apenas fica olhando Kate se dirigir até sua avó que tinha nas mãos um arranjo lindo de flores. Orquídeas amarelas.
Assim que as duas se encontram, Kate recebeu as flores, agradeceu e colocou o lindo arranjo num aparador próximo. Em seguida, ambas com braços estendidos e sorriso no rosto, se prendem num abraço afetuoso, sincero e apertado. Mais uma vez a emoção tomou conta do ambiente.

Martha foi a primeira a se manifestar – Katherine, querida, eu estava com muita saudade de você. – e falando baixo para que a neta não escutasse, ela confessou — Eu tinha certeza que este meu filho cabeça dura, iria te procurar e que iriam finalmente conversar e decidir ficar juntos.
Richard que estava ao lado delas, a ouviu o chamando de ‘cabeça dura’ e a repreendeu divertido — Mamãe! Eu que sou seu filho, está lembrada?
Fingindo-se de chateada, Martha explicou — Isso não muda o meu modo de pensar... Você fez uma besteira ao duvidar da Katherine e com isso, perderam seis anos de vida juntos.
— Você ouviu, Rick? – Kate sorriu e piscou para o noivo.
— Ah, Katherine, temos tantas coisas para conversar... – Martha continuou.
— Martha, apesar de seu filho ter falado que queria me encontrar por motivos pessoais, ele me procurou, na verdade, com pretexto profissional e terminou que entre tapas e beijos, literalmente; Mas, nos entendemos...
Martha a interrompeu – Adorei esta parte de “entre tapas e beijos”... Excitante! Olha, apesar dele ser meu filho, adorei a parte do “tapas”, pois foi bem merecido! Só foi “tapas”? Querida, você podia ter aumentado esta punição... Foi muito leve... Podia fazer umas torturas com requinte de crueldade – apesar do assunto ser sério, ela pilheriou, fazendo os três sorrirem.
Em seguida Kate voltou a falar sobre o modo abrupto que saíra da vida deles – Martha, sinto muito não ter te procurado nem mesmo para me despedir, mas você sabe o filho que tem e ele me proibiu de entrar em contato com você e com a Alexis.
— Eu sei quem é o Richard, querida, se ele fosse um pouco menor, eu o colocaria de castigo e cortaria sua mesada, mas...
Os três riram novamente diante do comentário de Martha, desta feita sobre a opção de punição indicada por ela.
— Quando eu fiquei grávida – Kate continuou – eu fiquei louca de vontade não só para contar a novidade para o Rick, mas também para você e para Alexis, No entanto, não conseguia falar com ele e...
Abraçando-a novamente, Martha concluiu – Minha querida, eu já sei de tudo. Não precisa me justificar nada. Reviver estes fatos só vai prolongar o sofrimento de todos. – E olhando e apontando para o filho, ela continuou – Esse mocinho telefonou para mim na quinta feira à noite. Ele me pôs a par da situação e eu já dei umas reprimendas nele.... – ela olhou atravessada para Richard – Ele disse que estava num hotel e que naquela noite você o havia expulsado daqui. Bem pouco! – ela sorriu e falou para Kate – Muito bem, querida. Jogue duro com esse sujeito. No seu lugar eu juro que iria fazê-lo penar bastante.
Mais uma vez Rick fez cara de menino abandonado e se queixou – Mamãe! Só a título de lembrete: Eu que sou seu filho, está lembrada?
— Sim, eu sei que você é meu filho e eu sei também que por causa do seu ciúme desmedido e da sua cabeça dura, você deixou de ter ao seu lado um encanto de mulher. É isso mesmo, Richard, ela não tem só um invólucro belíssimo, ela tem caráter. E não foi só isso. Você não só se privou do convívio com suas filhas gêmeas, me privou também do contato com elas, minhas outras duas netas. E óbvio, as privou de conhecer sua família paterna, o que quer dizer, eu, você e Alexis e receber nosso carinho e amor desde o seu nascimento. — Martha fez uma pausa, mas logo voltou a falar.
— Katherine, querida, o Richard me pôs à par desta situação na quinta-feira à noite e me mandou que eu viesse hoje pela manhã para Washington D.C. com Alexis. E desde lá não penso em outra coisa senão em ver vocês três. Eu estava com muita saudade de você e louca de vontade para conhecer minhas netas. Por mais que eu tentasse, não consegui pregar os olhos naquela noite. Durante toda a sexta feira, fiquei pensando somente nisto e esta noite, só adormecei porque fui vencida pelo cansaço. Então, eu quero conhecer minhas netas gêmeas. Elas são tão lindas! E eu só as conheço pelas fotos que Richard encaminhou para mim via WhatsApp. Eu estou tão emocionada. Você cuidou tão bem delas, querida.
Quando Martha fez menção às fotos... Kate olhou para Rick e ele com ar indagador, prontamente levantou a mão, como se estivesse se rendendo e falou – Culpado! Mas eu posso me explicar...
— Estou esperando... – Kate falou.
— Kate, naquela noite, sim, na quinta-feira, você me deixou sozinho no quarto com as meninas, para que eu contasse histórias para elas dormirem. Assim que dormiram, eu fiquei admirando as duas para confirmar que elas eram de verdade e não fruto da minha imaginação. E, em seguida, utilizando-me do meu iPhone eu as fotografei dormindo e fotografei também todos os porta-retratos onde elas apareciam. Não importando se elas estavam sozinhas ou comigo, com você e com Alexis e com minha mãe. Portanto, como eu queria contar para a mamãe sobre as meninas e sobre você, então compartilhei as fotos com ela no WhatsApp. Mas eu não fotografei tudo, pois existem dezenas, se não centenas...
— Ok! Ok, Richard. Entendi. – Kate o interrompeu.
Kate direcionou seus olhos para Alexis e comentou com seu noivo e sua sogra – Martha, e o que você falou para Alexis sobre as gêmeas?
— Oh, Katherine. Você sabe que apesar da idade que tenho, eu sou muito moderna, porém, peguei leve com este assunto ao falar com a Alexis. Você pode reparar que por fora, ela cresceu e parece mais velha do que na verdade é. Mas por dentro, ainda tem a idade e a cabeça de uma criança, uma criança normal como qualquer outra da sua idade. Ela só tem onze anos. Então, eu falei tudo que eu sabia, ou seja, que ela conheceria duas irmãzinhas, filhas suas com o pai dela. Mas falei tudo de um modo bem suave, tanto que apesar de ter ficado surpresa com a novidade de ter duas irmãs, ainda por cima gêmeas, ela não ficou chocada. No entanto, ela chorou quando eu toquei no seu nome, Kate; No momento em que eu falei que ela te encontraria, ela me confidenciou que ainda sentia muita saudades de você. Katherine, ela ficou muito abalada com a sua ausência.
— Eu também senti muita falta dela, Martha. Só que eu era adulta e sabia de tudo que estava acontecendo. E ela era apenas uma criança. Aliás, ela ainda é um acriança. Richard, por falar nisso, quando eu estava conversando com a Alexis, ela disse que eu “estava viajando” e me perguntou se eu iria viajar novamente...
— Kate, por coincidência, apesar de estarmos sofrendo, cada um com seus motivos, nós dois... eu e você, usamos a mesma desculpa para justificar a ausência do outro. Você disse para as gêmeas que eu estava em viagem de trabalho e eu disse mesma coisa para Alexis, com relação a você. Eu pensei igual a você: não queria que Alexis se sentisse abandonada e rejeitada.
Neste momento, ouvem a voz da Alexis – Papai, eu quero ver minhas irmãzinhas. Onde elas estão?
— Um momento, querida...
— Richard, eu tenho que subir, falar com Bia e Annie e prepara-las para este encontro. Foi muito de repente... Se você houvesse me avisado com antecedência sobre a vinda da Martha e da Alexis, eu teria mais tempo. Mas tudo bem... Eu vou subir. Enquanto isso, fiquem à vontade. Tem sucos de frutas, refrigerante e vinho na adega climatizada da varanda. Richard mostre a sua mãe onde fica. Martha... Richard, escolham um bom vinho.
Antes de subir, Kate se sentou novamente ao lado de Alexis e comunicou suavemente – Querida, eu vou falar com suas irmãs e logo eu te levo para vê-las, viu?
— Eu quero ir com você, Kate. – A menina falou.
Acariciando os cabelos ruivos da garota, Kate disse suavemente — Não, querida, desta vez eu vou sozinha. Logo você poderá vê-las.
Alexis enviou um olhar meigo ao pai, mas este apenas ratificou o que Kate disse – Querida, Kate não vai demorar. Logo você irá vê-las.
Mesmo sem gostar da única opção que tinha, Alexis aceitou.
Notando que a garotinha ficara triste, Kate teve uma ideia para animá-la. – tive uma ideia, querida. Seu pai vai deixar você brincar com os joguinhos maravilhosos que tem no iPhone dele...
— Oba! Papai, você nunca me permitiu jogar... Ainda bem que a 'minha mãe' me deixou usar o seu iPhone.
Diante do que Kate falou, Rick, com uma cara nada contente, olhou para a noiva e disse – Sério? Você disse que a Alexis poderá brincar com o meu iPhone? Com o meu iPhone último modelo, cheio de programas maravilhosos??...
Olhando para ele em tom de ameaça, ela confirmou – Sim! Eu falei Rick. Alexis vai poder brincar com o seu iPhone. – Kate levantou-se e ficou quase colada ao noivo e sussurrou somente para ele ouvir – se você deixar a Alexis brincar com os joguinhos que você vai baixar no seu iPhone, eu te darei uma recompensa, mas se você se negar,... – ela o olhou em tom de ameaça – será severamente castigado – afastou-se e olhou sensualmente para ele e piscou.
Ele ainda pestanejou e sussurrou – pela sua carinha, eu estou achando que vou gostar desse castigo severo...
Em resposta, Kate rebateu – No seu lugar eu não pensaria assim, Rick! Acredite em mim..., garanto que você não vai gostar deste castigo severo.
Com expressão de dúvida ele disse – Será mesmo?
Rindo, Kate continuou – Pode acreditar, bonitão! Eu vou te dar uma dica... Tem a ver com uma palavrinha mágica: ‘jejum’, ou se você quiser uma palavra mais explícita, eu digo outra: ‘abstinência’.
Richard engoliu em seco e imediatamente sentou-se ao lado da ruivinha e disse com a intenção da noiva ouvir – Filha, estou tão feliz que você vai brincar com o meu iPhone. Vamos baixar um joguinho que você vai adorar – olhando para Kate, feito um menino peralta que quer pedir uma coisa à mãe... ele perguntou – Mas eu posso ficar do lado dela, não posso? É para eu ajuda-la, Kate... é para ela não desconfigurar nenhum arquivo...
Achando muito engraçado o jeito assustado dele em ser ‘punido’, ela sorri e aquiesce – Sim, você pode. Mas ela vai jogar com as próprias mãos. Não é ‘você’ que vai jogar por ela. Você vai apenas orientá-la, entendeu, Rick? – ao dizer isso ela se afasta, não sem antes dar um suave sopro na orelha dele, deixando-o arrepiado.
— Kate, isto é golpe baixo – ele sussurra e a encarou com os olhos semicerrados de desejo, sem que a mãe ou a filha percebessem – Mas você me paga... – ele falou com um sorriso no rosto.
— Estou louca para pagar... – ela sorriu, abaixou-se, deu um beijo em Alexis e falou – Pronto meu amor, o papai vai ficar aqui olhando você brincar com o iPhone dele. Vem ‘papai’ – Kate chama Rick para ficar com a garota.
Neste momento Martha, que parecia estar longe, fala para todos ouvirem – Adoro ver vocês dois assim, sussurrando, se ameaçando apaixonados... Aaaiiinnn!!!! Como eu estava com saudades de ver isso.... Muito lindo! Aproveitem, meninos, aproveitem.
— Mamãe! – Richard arregala os olhos e encara uma Kate com cara de que iria assassiná-lo.
— O que é isso, Richard! Eu não nasci idosa. Eu sei muito bem o que é isso, esses joguinhos excitantes de conquista... Aliás, até hoje eu sei, viu? – sorriu diante da aflição do filho pelo assunto tratado.
— Mamãe, você está me dando mais informação do que eu preciso... – estava pasmo e continuou e por fim, divertido, pôs as mãos no ouvido como se não quisesse ouvir o relato da mãe — Poupe-me dos detalhes sórdidos, mamãe. Por favor...
Sorrindo, Martha foi em direção à varanda para tomar vinho.
Constrangida por ter sido flagrada pela sogra, Kate o metralhou com os olhos e sussurrou para ele – já vi que hoje foi o dia de constrangimentos para mim... – e falando com um tom de voz audível, completou – Vou lá prá cima conversar com a Bia e a Annie.
Imediatamente, Alexis se levantou e falou – eu também vou com você, mamãe...
Kate olha para a garotinha e diz amável – Querida, nós já te falamos que daqui a pouco você vai ver suas irmãs. Então...
— Mas... – Alexis tenta argumentar.
Kate subiu deixando Rick resolver a situação com Alexis.
Puxando-a de volta para o sofá, Richard explicou docemente – Alexis, não tem “mas”, nem “meio mas”, meu amor. Quando eu, Kate ou a vovó Martha falarmos “não”, é porque é “não”. Quando falarmos com você, é para obedecer, tá certo?
— Sim, papai. É que eu estou morrendo de vontade de conhecer minhas irmãzinhas.
— Eu entendo, querida. Mas é só aguardar um pouquinho, tá certo?
— Tá certo, papai.
— Então, viva! – dizendo isto, ele a colocou no colo e a encheu de beijos e cócegas.
— Ai, papai... – ela gargalhava devido as cócegas.
— Então vamos jogar.
Richard continuou sentado ao lado da filha. Eles escolhem um jogo e ela ficou jogando sob a supervisão dele... como duas crianças quase da mesma idade.
Continua...
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