Amor de Ontem, Hoje e… Sempre⏳⌛⏳
11 O susto
Notas iniciais
A situação, segundo os pensamentos de Richard Rodgers....
Com a pergunta de Kate ecoando na sua mente acerca do que o levara a sair de Nova York para Washington D.C., Rick tentava não pensar naquele assunto, pois, maravilhado, admirava a beleza, a leveza, a sofisticação, o charme e o cheiro de Kate, que ainda se encontrava aprisionada em seus braços, agora contra a parede. Ainda sentia o gosto dela em sua boca. E por não querer pensar na pergunta que ela acabara de fazer, ele não estava reconhecendo a si próprio. Ele precisava ser racional e, cientificamente falando, precisava pensar com a cabeça certa. Procurou dentro de si o Richard Rodgers autoritário, inflexível e gélido que se transformara após o rompimento do noivado com Kate, aquele que não pensava em outra coisa que não fosse seu trabalho e na sua família. Procurou, mas não o encontrou. Onde estava o Richard Rodgers, que fora traído por esta mesma mulher que ele agora contemplava e desejava? Era incoerente tê-la odiado tanto por seis longos anos e agora, num piscar de olhos, sem nem mesmo conversarem sobre o passado, estar totalmente perdido e entregue à força daquela paixão. Ele travava uma luta interior diante da contradição que ora se apresentava. Ele se perguntava onde estaria seu orgulho de homem ferido, mas não encontrava a resposta. Não estava conseguindo resistir. Não queria soltá-la.
Ainda sem saber ou mesmo entender aonde aquilo ia dar, ele a mantinha aprisionada nos seus braços.
A mesma situação, segundo os pensamentos de Katherine Beckett....
Há alguns segundos, usando o pouco do seu orgulho próprio que lhe restava, Kate, perguntara a Rick qual o motivo que o levou a voar de Nova York até Washington D.C.. Fizera a pergunta por que precisava mudar o rumo do que estava acontecendo naquele escritório. Era surreal, totalmente bizarro! Ela não poderia continuar com aquilo. O real objetivo dela ao fazer a pergunta, não era saber a resposta, pois já sabia, haja vista o assunto que fora tratado na ligação telefônica mantida com Antonella no inicio daquela manhã. Na verdade o que Kate precisava era ganhar tempo e fazê-lo se afastar dela, já que com seu próprio esforço não estava tendo êxito. Ela estava sem conseguir, não só porque sua força física era menor do que dele, o que a impedia de sair daquela situação, mas também porque, louca de paixão, ela gostara dos toques, das mordiscadas na orelha, das carícias ousadas, dos beijos, da pegada e do cheiro dele. Ainda sentia o gosto dele em sua boca.
Ao ter estes pensamentos insanos, ela não estava reconhecendo a si própria e procurava a Katherine Beckett destemida e determinada que se transformara após o trágico rompimento do noivado com Rick. Procurou pela Kate que fora humilhada e massacrada, mas não a encontrou. Onde estava a Katherine Beckett que fora ofendida, caluniada e escorraçada por este mesmo homem que ela acariciara e ainda desejava? Era incoerente tê-lo odiado tanto por seis longos anos e agora, num piscar de olhos, sem nem mesmo conversarem sobre o passado, estar totalmente perdida e entregue à força daquela paixão. Ela travava uma luta interior diante da contradição que ora se apresentava. Ela se perguntava onde estaria seu orgulho ferido, mas não encontrava a resposta. Não sabia se conseguiria resistir.
Ainda sem saber ou mesmo entender aonde aquilo ia dar, ela ainda estava mantida aprisionada nos braços daquele que há seis anos fora o seu carrasco.
Ela precisava sair dos braços dele, pois não sabia até quando conseguiria resistir e o pior é que Rick levava vantagem sobre ela, porque ele, literalmente, a conhecia com as palmas das mãos e sabia todos os truques para desarmá-la e leva-la ao prazer.
A mente de Kate estava trabalhando a mil quilômetros por hora. Ela ainda se encontrava perplexa pelo que acabara de acontecer na sua sala. Se não tivesse recuperado seu autocontrole, a esta hora estariam no sofá, fazendo um sexo selvagem maravilhoso, da mesma forma que eles adoravam fazer no passado.
Rick sempre fora um amante maravilhoso. Era ardente, forte, vigoroso, incansável e ele a seduzia e a satisfazia como nenhum outro jamais conseguira. Nas mãos dele, ela descobriu a mulher depravada que havia escondida dentro dela, uma mulher fogosa, ardente que, com ele, aprendera ao pé da letra a arte de fazer amor com muito sexo, com muito fogo, onde a espontaneidade conduzia a ambos à fronteira do prazer, sem frescuras, sem falsos pudores, sem falso moralismo, sem limites, se liberando e se permitindo a tudo o que fosse possível dentro do consensual, sempre deixando a si e a Rick plenamente satisfeitos. Em todo o tempo em que ficaram juntos, sabia que só conseguiam essa proeza porque se amavam; um amor puro e verdadeiro. Cada toque, cada beijo, cada mordida, cada investida, cada estocada, por mais erótico que fosse, era feito com amor. Não era sexo por sexo, era sexo com amor. Era assim que faziam amor.
Só em pensar no prazer que sentiam juntos, o coração de Kate, que já estava acelerado, parecia que iria saltar pela boca.
Respirando descompassadamente e precisando sair dos braços de Rick, Kate insistiu no assunto, tentando imprimir uma voz autoritária – Richard, você precisa me soltar e me responder o que te trouxe à Washington D.C.. – Ela sabia que, no estado de excitação em que se encontrava, não teria forças para lutar contra ele – Richard... – respirava com dificuldade e tentava empurrá-lo para se soltar – Você... Você está me apertando. Solte-me. Você... Você ainda não me respondeu o que te trouxe aqui. – Kate respirou fundo e o olhou nos olhos. Aí que foi o seu erro, ou o seu acerto, agora não sabia explicar ao certo, pois, sedutor, Richard a olhou com tanta intensidade, que o calor interno que sentia, se espalhou pelas suas entranhas e por suas partes íntimas e ela sentiu suas pernas enfraquecerem e, se ele não a estivesse segurando, ela cairia.
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Ainda a mantendo presa aos seus braços e fugindo do seu lado racional, Richard falava — Kate, fala sério! Você não quer conversar sobre isso agora. – quase que não dava para ouvir, mas ele sussurrou olhando-a nos olhos, roçando seu corpo contra o dela, demonstrando o elevado estado de excitação em que ele se encontrava e a acariciava ora no rosto, ora nos cabelos, ora no pescoço.
A respiração forte de ambos era audível – Você... Você... Você está enganado, Rick – Ela tentou se impor e parecer mais firme. – Você... Você está enganado. Você está muito enganado.
Ainda sussurrando e agora já mordiscando os lábios dela, ele sorriu e caçoou dela – Tente outra vez, Kate, porque você não está conseguindo convencer nem a si própria, quanto mais a mim. – mal terminou de falar, ele, de surpresa, a puxou mais forte para si, olhou fixamente nos seus olhos e depois para seus lábios, o que a levou, inconscientemente, a afastar levemente os lábios e ele, sedento, a beijou. Um beijo forte, molhado e dominador. Ela não sabia onde estava se metendo, mas deixou-se beijar e usufruiu de cada momento daquele beijo e usava sua língua para indicar o quanto ela o queria.

Apesar de se encontrar muito excitada, um clarão de ideia surgiu na mente de Kate, fazendo com que ela parasse de beijá-lo. Ela percebeu que, naquele exato momento ele se encontrava vulnerável, pois, embora a mantivesse abraçada a ele, ela sentiu que não mais a apertava com força, visto que estava muito excitado, preocupando-se apenas em beijá-la e fazer carinhos ousados, entretido, portanto, somente em querer dar e receber prazer. Então, aproveitando a oportunidade e, usando toda sua força física, Kate o empurrou com energia e assim, o pegando de surpresa, ela conseguiu se libertar e assim que o fez, ainda zonza de paixão e tesão, foi em direção à sua mesa, ficando atrás da sua cadeira.
Pego desprevenido, ele não conseguiu segurá-la.
Ambos estavam assustados, só que por motivos diferentes. Ela porque, apesar de excitada, conseguira se libertar dos braços dele e ele, também muito excitado, ficara sem ela nos braços.
Ele a olhava tal qual um gato olha para um peixinho dourado no aquário, ou seja, via, desejava, mas estava fora do seu alcance.
Visivelmente chateado e sentindo-se rejeitado, ele, impaciente, passou a mão direita pelos cabelos e a encarou. Em seguida, ficou olhando para cima, para o nada e, de repente, girou o corpo, ficando de costas para Kate, como se ele estivesse tomando fôlego e tramando algo, momento em que ela gelou.
Kate ficou desesperada, pois Richard estava rigorosamente de frente para uma bancada onde se encontravam expostos alguns porta-retratos, dentre eles, os de Bia e Annie.
Pelo sufoco e pelas preocupações que passara no período da gravidez e durante o primeiro ano de vida das gêmeas, sozinha, para cuidar, alimentar e acalentar as filhas e, se não fosse sua médica obstetra, Dra. Lanie Parish, que se tornou sua grande amiga, Kate não saberia o que seria delas três no dia seguinte. Por tudo isso e por muito mais, a última coisa que precisava naquele momento, era ter que lutar pela guarda delas, pois, na remota hipótese de perdê-las, tinha plena certeza que não conseguiria viver sem a presença diária delas e, além disso, tinha convicção de que elas também sofreriam muito se não morassem com a mãe. Consciente do perigo que corria, Kate, imediatamente, chamou a atenção de Richard para si, a fim de evitar que ele visse as fotos das meninas.
— Richard! – ela o chamou.
Após alguns segundos, que para Kate pareceram horas, ele atendeu ao seu chamado. Girou o corpo lentamente, ficando de frente à ela, mas com o olhar fixo e indecifrável, o que causou um arrepio em Kate, não mais por excitação, longe disto, mas unicamente por medo dele ter visto as fotos das gêmeas e querer saber quem elas eram. Como Kate tinha certeza que ele não era burro, saberia que as meninas eram filhas dele só de olhar para elas, que tinham os mesmos olhos azuis do pai. Por uns segundos ele permaneceu assim, calado e a encarando fixamente.
Desesperada, mas sem deixar transparecer esta impressão, ela não sabia o que se passava pela cabeça dele. Sim, ela não sabia o que ele estava pensando e isto a estava deixando nervosa. Mas tinha que manter a calma.
De repente ele olhou para Kate, semicerrou os olhos e quebrou o silêncio – Sim. – Falou sério.
Achando estranho ele responder tão sério e de forma monossilábica, ela tentou entender o que se passava na mente dele. – Vamos sentar e conversar, Richard.
De repente ele inclinou o rosto para o lado e a analisou – Kate, você está estranha. Parece assustada. Aconteceu alguma coisa? – perguntou ele, já de forma cínica.
Então, usando sua experiência de advogada, que tentava buscar a verdade dos fatos dos próprios clientes e dos adversários, Kate tentou explicar seu aparente nervosismo e falou – Você anda pergunta, Richard? – ela falou enérgica, se referindo aos beijos, para ver se ele realmente não tinha visto as fotos das filhas – Você invade meu escritório, acreditando ser o dono do mundo e das pessoas que moram nele e ainda pergunta se aconteceu alguma coisa? Você me agarra como se eu fosse uma qualquer, como se eu fizesse parte do seu harém e ainda pergunta se aconteceu alguma coisa?
Sorrindo cínico, ele falou – Você não pareceu reclamar de eu tê-la “agarrado”, – ele fez, com os dedos, o sinal das aspas – muito pelo contrário, Kate, você gostou... Digo mais, você gostou bastante e para ser mais explícito, você gostou tanto que participou de cada movimento que demos. Como antes, fizemos uma dança perfeita... Quer dizer – continuou usando do cinismo – Não tão perfeita porque você a interrompeu antes de começarmos o próximo passo.
Sem conseguir se controlar, Kate solta pela boca todo o ar que estava preso no seu peito. Estava aliviada, pois, pela conversa dele, estava nítido que ele não vira as fotos das gêmeas.
Kate sempre soube que um dia o procuraria e falaria para ele sobre o nascimento das filhas, mas ainda não estava pronta para tal coisa. Não estava pronta para dividir suas filhas com um homem que a expulsara da sua vida, a jogando fora como um sapato velho, um homem que a humilhara e que não quisera nem ouvir a voz dela ao telefone, que por conta disso, se viu sozinha em Nova York para enfrentar uma gravidez, ainda por cima, gemelar e de alto risco. E ainda por conta deste abandono, teve que sair de Nova York, sem nem mesmo saber para onde iria, tampouco se encontraria trabalho. Por outro lado, nunca desejou que ele descobrisse por conta própria acerca da existência das filhas, pois a confusão seria muito maior.
Irritada pelo tom irônico usado por ele, Kate disse – Richard, você já foi um cavalheiro.
— E você já foi... – tentou responder na mesma moeda, mas foi interrompido por Kate.
— Não se atreva a me acusar de nada. – ela falou ríspida, o dedo em riste, na direção do rosto dele, olhando-o firmemente. Continuou – A Katherine Beckett boba de seis anos atrás não existe mais, aquela que escutou todas as calúnias que você me imputou. A Kate Beckett que ficou desorientada, desolada, sem saber o que fazer. Ela morreu! – Irritada, Kate foi em direção à sua mesa, sentando-se na sua cadeira e, olhando fixamente e furiosa para ele, repetiu – Você escutou bem, Richard? Aquela Katherine Beckett morreu!
Por mais experiente e vivido que ele fosse, Richard não esperava esta reação da parte dela, então, ficou mudo.
Aproveitando que conseguira silenciá-lo, ela prosseguiu – Então, Sr. Richard Alexander Rodgers, vai me dizer agora qual o motivo que o trouxe para Washington D.C.? – fez uma pausa e encontrou o silêncio dele – Se quiser responder, ótimo! Caso contrário, adeus e faça uma boa viagem. – ela consultou seu relógio do pulso e prosseguiu – Tenho uma reunião às 16 horas.
Continua...
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