Amor de Ontem, Hoje e… Sempre⏳⌛⏳
2 Dor e saudade
Notas iniciais
Sozinho em sua sala, Richard moveu com o dedo, as pedras de gelo do seu copo de whisky. Bebeu um gole e, ainda admirando as árvores do Central Park, pensava na mulher que foi o grande amor da sua vida, mas que lhe causou tanta decepção.
Ficou a imaginar porque o destino colocou Kate novamente no seu caminho. Procurou entender, mas não encontrou resposta. Sentia muita dor, mas a saudade era maior, o que o deixou irritado, tão irritado, que naquele momento a única vontade que teve foi atirar o copo de whisky contra a parede e vê-lo se estilhaçar em mil pedaços, mas respirou fundo e viu que não adiantaria nada, apenas chamaria a atenção dos funcionários que, com certeza, ficariam curiosos para saber qual o motivo da raiva do chefe, que sempre procurou dar exemplo de comportamento. E tinha mais uma coisa, já havia se passado seis anos da última vez que a vira e eles não mais se falaram. Kate insistira bastante para falar com ele durante o primeiro ano de separação, com centenas de telefonemas, mensagens de texto e e-mails, mas ele não a atendia tampouco leu às mensagens – apagou todas – e, talvez por isso ela parou de insistir.
Richard consultou o relógio. Ainda era cedo. Sabia que não tinha compromissos até a hora do almoço. Pegou o telefone e avisou à sua Secretária que não deixasse ninguém entrar na sua sala. Queria ficar sozinho.
Foi até a bancada lateral e ligou o som. Precisava se acalmar. Pôs para tocar a coletânea do cantor, compositor e ator canadense "Michael Bublè" e a primeira música foi "Lost" . A combinação perfeita entre a letra e a melodia o deixou mais emotivo do que já estava.
Sentou-se e colocou o copo de whisky sobre a mesa e, tirou do bolso da calça o seu chaveiro onde havia poucas chaves, dentre elas quatro pequenas e idênticas. Pegou uma que se distinguia das outras apenas porque havia nela uma pequena marca vermelha e ficou a apreciá-la como se fosse um objeto estranho. Desviou os olhos e ficou olhando para cima, nada em especial..., pensativo.
Em seguida, utilizando-se da pequena chave, abriu lentamente a última gaveta da sua antiga mesa de madeira escura e de lá tirou um porta-retrato que fazia tempo que não via e lá estava uma foto de Kate.

Usou o suporte do porta-retrato e o pôs sobre a mesa e ficou admirando Kate.
"- Deus do céu! Ela é linda! Ainda mais linda do que eu me lembrava."
Sem perceber, seu pensamento foi direto para o momento da foto. “Estávamos no meu quarto e tínhamos acabado de chegar do trabalho, alegres e felizes, quando ela se jogou na cama, de roupa e tudo, me seduzindo com aquele sorriso. Pediríamos comida chinesa por telefone. Quando estávamos juntos, tudo era motivo para sorrir e sempre que podia eu capturava seu olhar e seu sorriso nas fotos.”
Mirando a imagem, tinha a impressão que foi ontem. Ainda podia sentir seu cheiro, que tinha um leve aroma de cereja do shampoo e da loção cremosa que ela usava para hidratar a pele.
"- Meu Deus!!!"
Lembrava-se perfeitamente que ela passava a loção pelo corpo inteiro todas as vezes após o banho. A pele...
"- Que pele!"
A pele dela era macia, muito macia e os cabelos pareciam fios de seda. Voltou ao tempo e seu coração acelerou só em pensar naquela noite. A noite fora maravilhosa. Fizeram amor como se fosse a última vez. Aliás, todas as vezes que faziam amor era extraordinário!
Richard passou as pontas dos dedos na foto, como se estivesse fazendo carinho no rosto dela. Ele amava aquele sorriso e aquele olhar que ela dava para ele, tipo “quero você”. Ele capturou naquela foto a essência do olhar e do sorriso, tanto que, agora, parecia que ela estava olhando e sorrindo para ele. Aquela foto fora tirada alguns meses antes do noivado terminar.
Ainda apreciando os olhos de Kate, sentiu lágrimas traiçoeiras escorrerem dos seus próprios olhos que estavam cheios d’água.
— Loucura! – falou para si mesmo, como se estivesse se repreendendo por estar pensando nela e no passado que eles tiveram. – Não! Isto não pode ocorrer. Eu não quero pensar mais nela. Eu não posso. Não vou suportar.
Passou a mão pelo rosto e o secou, mas não adiantou, pois outras lágrimas seguiram caindo.
— Isto não era para estar acontecendo. – repetiu, irritado. – Onde é que eu estou com a cabeça para sentir saudade dela.
Levantou-se indignado e desligou o som.
Retornou à sua mesa e, sem nem mesmo olhar novamente para a foto, a recolocou na gaveta e trancando-a. Passou as mãos pelo rosto.
Abandonou o copo de whisky e seguiu para o banheiro anexo à sua sala. Abriu a torneira, debruçou-se sobre a bancada da pia e jogou água no rosto e ficou assim por alguns segundos. Precisava afastar esses pensamentos. Em seguida, passou a toalha no rosto e retornou à sala. Pegou uma garrafinha de água mineral bem gelada e seguiu em direção à sua mesa.
— Chega! Isto é passado!
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