Enquanto caminhava pela casa segurando uma xicara de café ia mexendo nas minhas redes sociais. Era uma rotina que fazia todo final de semana, pois era quando tinha mais chance de conversar com os amigos.

E foi nessa manhã que vi uma nota de falecimento do vizinho da minha mãe. Calma, deixe-me explicar. Não tinha muita convivência com ele, mas tinha convivência com seus netos. Suas netas eram minhas amigas. Hoje já não tínhamos tanto vínculo quanto no passado, mas ainda assim considerava muito elas e ele.

Seu neto. Meu primeiro amor. Amor da infância. O que todos juravam que íamos nos casar já que isso ele espalhava para todos. Nos conhecemos na primeira série e nos odiamos à primeira vista. Alex sempre arrumava um jeito de implicar comigo.

Na segunda série foi onde nossa amizade aconteceu e ficou forte, depois disso não nos separamos mais. Sentávamos juntos e sempre fazíamos tudo, só nós dois. Apesar de sermos vizinhos não nos visitávamos muito. Mas nos víamos sempre na escola.

E o tempo foi passando. Continuamos amigos. Ficamos uma única vez. Devo dizer que o beijo não tinha sido muito bom. E eu boba nunca mais tentei de novo. A experiência batia a minha porta, mas não funcionava assim com ele.

Nossa amizade foi crescendo e ficando cada vez mais forte. Vivíamos brincando e até brigando. Quando ele namorou minha inimiga e avisei que ganharia um par de chifre. Foi um troféu para ela ver nosso afastamento.

Um afastamento que criei por raiva. E aconteceu como imaginava, ela o traiu não só uma vez, mas várias, e não apenas com uma pessoa como com várias.

Mas já tinha estragado nossa amizade. Então o ensino médio acabou. Cada um seguiu um rumo na vida. Nos víamos às vezes, ele sempre com namorada nova. Elas sempre com um único estereótipo: faziam academia, eram super magras e tinham o corpo com tudo em cima.

Já eu... era sempre a garota que não era nem muito magra, mas também não era muito gorda. Passava na média entre os dois tipos. Mas não me importava com isso até por que ninguém tem que se importar com o seu corpo. Cada um tem que aceitar o jeito que é e ser feliz.

E ele sempre fazia questão de deixar claro que odiava meus namorados, mesmo eu tratando super bem suas namoradas. E então o tempo passou e nunca mais nos vimos. A última notícia que eu tinha tido era que ele estava noivo.

Eu tinha saído de um casamento fracassado e tentava levar minha vida de novo. Tinha terminado a faculdade e começaria a trabalhar com fotografia.

Voltando a nota de falecimento eu não poderia deixar de ir, afinal era amiga da família.

Vesti uma calça jeans e uma blusa gola v preta, calcei uma bota de montaria e peguei as chaves do meu carro.

Eu não gostava de velórios, mas eu não poderia deixar de mostrar apoio a pessoas que sempre foram bons amigos.

Abracei cada membro da família e principalmente ele que apertou os braços em volta de mim. Ele não era mais o adolescente magrelo que eu convivi. Continuava o garoto com músculos que tinha se tornado no fim da adolescência.

Sentei ao lado da minha amiga e abracei-a. Simone era mais baixinha que eu e muito mais magra. Sentia falta da nossa amizade.

— Obrigada por ter vindo. — Ela falou em alguma hora.

— Não poderia deixar de vir nesse momento tão difícil. — Falei.

— Sinto muito pelo afastamento, Kate.

— A vida é assim, Simone. Nós fazemos amizades na escola e nem sempre podemos levar para a vida toda. Mas no fundo nós sabemos que se nos encontrarmos de novo nada estará mudado. Vai continuar igual.

— Isso eu notei. — Murmurou e a encarei. — Meu irmão.

— Sim. Nossa amizade vai continuar como sempre. — Falei e ela se permitiu dar uma risadinha.

— Você sabe que é mais que isso não é?

— Simone, não vamos entrar nesse assunto.

— Não aqui. E não agora. — Balancei a cabeça.

As horas foram passando e eu observei o lugar. A tal noiva não apareceu em nenhum momento. Alex trouxe café para nós duas e sentou ao meu lado. Encarei o café e suspirei.

— Terminou a faculdade? – Perguntou-me.

— Sim. Estou trabalhando com fotografia.

— O que você sempre quis não é?

— Sim. Fotografar grandes momentos. Paisagens bonitas.

— Qual o próximo passo?

— Conseguir dinheiro para viajar agora.

— Você quer mesmo conhecer o mundo?

— Vou tentar. Sonhar não mata. — Lancei a ele um olhar.

Alex estava me olhando abertamente.

— Precisava se afastar tanto?

— As coisas acontecem como deve acontecer. E você sempre soube como me achar. Redes sociais, continuo com o mesmo número de celular e somos vizinhos.

— Você está morando na casa da sua mãe?

— Achei que não fosse mistério para ninguém. — Ele lançou um olhar para a mão onde devia estar a aliança de casado.

— Você se separou?

— Faz 6 meses. — Murmurei.

— Como eu não fiquei sabendo disso? — Perguntou e dei de ombros.

Olhei o relógio e depois virei para Simone, mas ela não estava mais ali então encarei Alex de novo.

— Eu tenho que ir. Manda um abraço para tua família. — Falei antes de levantar.

Assim que cheguei ao carro ouvi passos atrás de mim, virei e vi Alex.

— Aconteceu alguma coisa?

— A gente pode sair?

— O que? — Juntei as sobrancelhas o encarando confusa.

— Sair. Quero sair com você.

— Como assim sair?

— Um encontro Kate. Quero sair para ter um encontro com você.

— Você não está noivo?

— Terminei semana passada. — Murmurou. — Agora pode me responder a pergunta?

— Alex você não dormiu direito. Seu avô morreu. Não está pensando bem.

— Estou sim.

— Olha, a gente se vê por ai. — Falei antes de entrar no carro.

Com o coração quase saindo pela boca, dirigi para longe de lá. Amanhã ele pensaria melhor e veria que era loucura essa ideia de sair.

Ou outra pessoa iria falar no ouvido dele. Eu sempre desconfiei que Alex era manipulável. Ele podia sempre estar comigo, mas sempre acabava namorando as garotas do padrão dos idiotas dos amigos dele.

No outro dia estava distraída trabalhando sentada na mesinha na frente da casa quando ouvi o barulho de um carro estacionando. Arregalei os olhos encarando Alex.

— O que você está fazendo aqui?

— Ocupada?

— Estou trabalhando com algumas edições. O que está fazendo aqui? – repeti a pergunta.

— Fiz o que você disse. Dormi. Me alimentei. E estou pensando muito bem. Vamos dar uma volta?

— Por que do nada você ficou assim?

— Eu sempre fui assim, Kate. Sempre fui louco por você. Você no começo não me queria. Depois eu fui idiota de não tentar. Não pode ser só um amor de infância que fica guardado no passado.

— Mas é.

Abriu o portão e entrou vindo até a mim. Levantei-me sem saber o que fazer. Alex parou na minha frente e eu prendi a respiração.

— Me diz que você não sente nada e eu vou embora.

— Eu... Não faz isso.

— Por que?

— Por que já passamos por isso...

— Nunca passamos por isso. Em nenhum momento nós paramos para pensar sobre isso.

— Isso o que?

Ele jogou as mãos para o alto depois deu um passo à frente e segurou minha nuca levando minha boca para a dele. O empurrei tentando me afastar, mas quando sua língua invadiu minha boca e seu corpo pressionou o meu, baixei a guarda.

Ele estava beijando muito melhor. E tinha pegada. Odiava dizer, mas a pratica leva a perfeição.

Quando o beijou acabou com um selinho ele abriu os olhos e me encarou. Fiquei encarando de volta.

— Não acredito que precisou acontecer uma desgraça na tua família para você criar coragem de vir atrás de mim. — Murmurei e ele sorriu. — Você é maluco. Não vai dar certo!

— Claro que vai é só você pensar positivo.

— Nós não combinamos em nada. Eu não tenho o corpo perfeito. E eu como muita bobagem. Não precisa pensar em continuar com isso. Eu sei como os seus amigos são.

— Eu não ando mais com eles. Eu larguei tudo de mãos quando vi que eu não era aquilo. Não queria aquilo para mim. Namorar garotas superficiais. Eu quero você. Sempre quis. Você é linda. E inteligente. Tem um pensamento para frente. Não liga para o que pensam sobre você. Não pensa 24 horas no seu corpo ou na sua alimentação. É isso que eu quero.

— E quanto tempo vai durar até você ver que aquele mundo é o seu?

— O meu mundo é você.

Fiquei muda. Minha boca abriu e fechou umas três vezes até eu desistir de falar algo.

Encarei seus olhos verdes.

— Não vai falar nada? Estou me declarando para você.

Molhei os lábios ainda encarando-o.

— Não é o momento para isso.

— Por que?

— Por que eu quero viver. Você sabe que tenho os meus sonhos.

— Os seus sonhos viraram os meus sonhos. Te acompanho onde você for. Serei o cara mais feliz se vê-la conseguindo realizar tudo que sonhou.

— Mas e os seus sonhos? Sua vida aqui?

— Tudo o que eu fiz todo esse tempo foi viver para a minha família. Não quero mais isso. Se você quiser ficar comigo.

— Está brincando comigo?

— É claro que não. Nunca brincaria com isso. E você sabe disso.

Ele tinha razão. Apesar de tudo que já passamos. Ele nunca fingiu gostar de mim e nunca me deu esperança que algum dia isso fosse acontecer. Ele nunca tentou algo depois desistiu.

Ele nunca fez nada para me magoar.

Eu me magoei sozinha por que amava ele. E sabia que nunca iriamos ficar juntos por que achava que não era reciproco.

Mas era. Ele estava ali correndo atrás do tempo perdido.

Agarrei sua mão e o puxei para dentro da casa. Estávamos sozinhos. Meus pais tinham ido trabalhar e só votariam a noite.

Não me importava se ele mudasse de ideia depois. Tinha que aproveitar a oportunidade. Precisava dele naquele momento.

Abri a porta do meu quarto e ele me encarou surpreso.

— Não vim aqui para...

— Mas é o que eu quero. — Respondi segurando sua camiseta e forçando ela para cima.

Claro que primeiro eu fiquei com um pouco de vergonha pelo meu corpo por isso apaguei a luz.

— Não precisa ter vergonha. — Sussurrou apertando o botão que ligava a luz do abajur. — Eu te amo.

Aquelas 3 palavras que eu tanto quis ouvir. Meu coração só faltou pular para fora do meu corpo. Sorri subindo em cima dele. Sentindo ele me invadir. Beijei seus lábios e me movimentei.

Parecia que todos os meus sonhos estavam se realizando naquele dia. Tudo o que eu mais quis na minha adolescência eu tinha agora.

Ele.

Quando seu prazer me atingiu seus braços apertaram a minha cintura e eu gemi.

Nossos corações estavam batendo na mesma sintonia. Encarei seus olhos verdes e me estiquei beijando seus lábios.

Cai na cama ao lado do seu corpo e ele virou abraçando meu corpo de forma possessiva. Alex beijou meus cabelos.

— Espero que isso seja você me aceitando na sua vida. — Virei meu rosto na sua direção. — Por que tenho a certeza que quero passar o resto da minha vida com você. Parte dela com você nos meus braços. — Sorri de forma boba.

— Eu não vou desistir dos meus sonhos.

— E eu não quero que isso aconteça. Quero vive-los com você.

Eu confiava nele o bastante para saber que aquela esperança que ele estava me dando era verdadeira. Que largaria tudo para seguir os meus sonhos.

Aquele amor de infância sempre esteve vivo em nossos corações. A frase "o primeiro amor a gente nunca esquece" era verdadeira.

Eu o amava. E ele me amava. Nada mais poderia mudar isso. Nem nos separar.

Agora era definitivo.

Notas finais
N.B.: Mds gente, o que foi isso??? Amor de infância, é muito aquela coisa maravilhosa que sempre levamos no peito. Foi lindo de ler. Parabéns. Bjs, bjs. Fhany Malfoy.
N.A.: Espero que tenham gostado. Amor de Infancia é lindo mesmo. Mas a mensagem maior dessa historia é: Não liguem para a sociedade ou qualquer outro meio de comunicação. Você é linda gorda ou magra. Seja você mesma do jeito que você gosta. E um dia irão encontrar alguem especial que não seja babaca e veja o quanto você é perfeita do jeito que é. Muito obrigada. Bjs. CM Winchester.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!