Amor de Cais

1 O Jornal da Tarde


Notas iniciais
Essa fanfic foi feita para o segundo Amigo Secreto da Liga dos Betas.

Migs da vez, espero (do fundo do meu coração), que goste da fic XD Adorei a experiência, embora tenha tido meus sofrimentos ao longo do caminho, haha!

Agora chega de papo! Boa leitura ♥

COMUNISMO GENERALIZADO

A doutrinação comunista dos sindicalistas ● A cidade infestada por greves incitadas pelos preguiçosos ● Urge uma providência do chefe de polícia ● Ontem houve mais um conflito por causa da greve

Já por várias vezes o nosso jornal, que é, sem dúvidas e há anos, o órgão das mais legítimas aspirações da população baiana, tem trazido notícias acerca da atividade falsamente revolucionária dos pseudo-trabalhadores do cais. Entre marinheiros e estivadores, a greve dessa vez atingiu significativamente a economia de nossa amada cidade.

A falta de trabalho está em seu décimo sexto dia de curso e os comerciantes já sentem nos estoques a dor da greve. Esta Folha clama, em nome dos bons cidadãos, que alguma medida seja tomada pelas autoridades. Esse bando, que agora vive da boemia e evita o trabalho dignificante, está protegido por um bando de moleques que se intitulam companheiros e são pertencentes do antigo grupo conhecido por “Capitães da Areia”.

Nota-se uma aliança entre marginais e “trabalhadores” que resulta em severa violência. Os velhos marginais conhecidos pelo juizado e pela própria polícia são tidos como verdadeira tropa de choque que, embasados em ideários comunísticos, unem-se aos grevistas e os protegem, armados.

POLICIAL FERIDO EM CONFLITO

O Senhor José Bonifácio da Costa, digníssimo servidor público que auxilia nossa amada cidade em sua segurança, foi, no conflito da última madrugada, gravemente ferido por moleques armados com afiadas lâminas. O policial declarou que, no ápice do conflito, foi cercado por cinco e nada pôde fazer senão defender-se bravamente do golpear das lâminas. Como fora habilmente treinado na academia, conseguiu atingir um em cheio, e quando os marginais avistaram sua eminente derrota contra o oficial, fugiram, tão acovardadamente quanto iniciaram o ataque.

O policial em questão foi parabenizado pelo delegado, mas ele é apenas um dos tantos que já foram atacados pelo grupo de meliantes que se aproveitam do caos para expressarem toda sua violência. O bando ainda não teve qualquer membro pego por parte da polícia e a justiça ainda não foi servida.

ABSURDO

Não só o bom oficial foi vítima do famigerado grupo de meliantes, mas também uma série de denúncias foram feitas à polícia. Segundo uma fonte do mais alto grau de confiança deste Jornal, houve um notório aumento no número de casos de assaltos nas proximidades do cais. Pequenos comerciantes sofrem não só com a dificuldade em receber mercadorias (graças aos grevistas), como são vítimas da violência de um grupo de crianças que aprimora sua capacidade criminal.

Os antigos Capitães da Areia tornaram-se, infelizmente, um grupo especializado não mais somente em pequenos furtos, e sim, mutilações, roubos, dentre outras agressividades, orquestradas pelas mãos do seu antigo líder, conhecido por fugir do Juizado de Menores. Nota-se, portanto, uma problemática temporal e preocupante, em que pequenos delinquentes aprimoram-se na vida criminal cada vez mais cedo e com apoio daqueles que já se provaram verdadeiros criminosos.

URGE UMA PROVIDÊNCIA

Cabe, por suposto, à polícia, a tomada de uma iniciativa. Greves tornaram-se mantos para a desordem e para o crime, o que não será tolerado pela população por muito mais tempo. O comunismo espalha-se lado a lado com a criminalidade e é dever da nossa força policial manter a ordem e trazer paz para nossa amada cidade.

O Jornal da Tarde tem um grande compromisso com cada um dos nossos cidadãos e não deixaremos de lado as denúncias, as dores e temores do povo. Lutaremos juntos em prol de uma cidade melhor.

A VOZ DA INOCÊNCIA

Dentre várias vítimas ouvidas pela nossa última reportagem, a Dona Maria de Fátima certamente trouxe lágrimas aos olhos de muitos redatores. Viúva há três anos, a pobre senhora lutou para manter a pequena mercearia de seu falecido esposo, mas mesmo com tantas diversidades, a senhora provou-se verdadeira cidadã de bem, prezando pelos valores da bondade e honestidade.

Contudo, mesmo sendo uma pessoa conhecida por sua boa índole, isso não a protegeu do assalto em seu estabelecimento, que chocou a muitos.

— Eram três meninos, sabe? E eles disseram que se eu ficasse calada e entregasse todo o meu dinheiro mais alguns pães, me poupariam a vida. Tudo que pude fazer foi rezar para o nosso Senhor Jesus Cristo enquanto os obedecia. Eu sobrevivi, mas sei que muitos não teriam a mesma sorte, ou como prefiro encarar, a mesma bênção divina que me foi concedida.

Ficamos então a pensar nesta delicada situação pela qual foi submetida nossa querida Dona Fátima, uma senhora de bem que foi vítima da “tropa de choque” do comunismo. Só nos resta, assim, uma pergunta: Quantos mais terão de sofrer para que se tome alguma providência?