Notas iniciais
Olá pessoal bom dia! Atrasada eu sei, afinal eu tinha prometido o caps pro FDS, mas infelizmente não rolou por problemas técnicos. Então aqui vai a continuação da sofrência do caps 8, esse capítulo aqui tem muitas revelações e inclusive o grande motivo de algumas coisas estarem acontecendo com o ruivo. CAEM AS MÁSCARAS! Também tem personagem que nunca mais tinha aparecido na fic dando o ar da graça! Queria agradecer imensamente os reviews maravilhosos e todo o apoio de sempre. Amelinda, Washu, Sheila e todos que comentam se não aqui, no fb e me enchem de amor. A todos que comentam e divulgam obrigado Só avisando que o angust todo começa a se dissipar apartir do caps dez, não se preocupem que não é ladeira abaixo e sim LADEIRA ACIMA (já tá na hora inclusive) bjs

Foi o barulho estridente do celular que despertou Milo, Camus permanência dormindo e devia estar exausto por conta de tudo. Olhou a hora e soltou uma praga! Ia ser demitido, Tatsume devia estar louco. Mas era Hyoga na ligação, deus esquecera o filho também! Que loucura estava acontecendo?!

— Pai por deus o que aconteceu?! Estou há horas tentando falar com você e o Camus, nenhum dos dois atende! Aconteceu alguma coisa? – Hyoga falou assim que o pai atendeu.

— Nós... O Camus está bem, ele só dormiu de madrugada. O que aconteceu Hyoga? E a Agatha?

— Ela... Ah pai a Agatha se foi agora de manhã. – a voz do russinho vacilou, era também apegado a velha senhora – Pai vem pra cá, o Ikki e o Shun precisam de alguém pra ajudar nas coisas. Já liguei lá na oficina e falei tudo, não se preocupa que o Tatsume liberou você. Mas você tem que vir aqui no hospital ajudar o Ikki, pai! Traga o Camus, não o deixe sozinho aí.

— Já estou indo. Esperem-me! – Milo apertou os olhos. Tudo parecia estar desabando.

Correu para o banheiro procurando tomar um banho rápido e saindo em seguida procurando uma roupa do ruivo emprestado, tinham praticamente o mesmo tipo físico então encontraria alguma coisa. Estava terminando de vestir a que escolheu quando Camus acordou.

— Pode pegar o que quiser no armário, fique à vontade. – Camus se sentou esfregando os olhos.

— A avó dos Amamiya morreu hoje de manhã. – o grego foi até a cama e acariciou o rosto do ruivo – Eles precisam de ajuda, são meninos ainda, por isso preciso ir. Prometa Camus que você vai ficar bem, que não vai se trancar naquele quarto de bebê o dia inteiro?

— Não posso fazer isso. – respondeu Camus com voz rouca – Tenho que ir ao enterro do bebê e ver Garbena, ainda tem Shun e Ikki agora. Eu sou treinador do Shun também, preciso apoiá-lo nesse momento.

— Esse é o ruivo que eu conheço. Quando toda essa confusão acabar, vamos conversar sobre nós.

— Não há nada mais a dizer Milo. Eu disse o que precisava e você nada me deve, só precisava que soubesse. – Camus se ergueu da cama e foi para o chuveiro, o Camus "racional" voltara e Milo entendia que era mais difícil lidar com ele agora. Aquele embate teria que esperar.

Saiu do apartamento do ex-patinador e foi para o hospital e no caminho ligou para Saga de quem eram as várias das inúmeras ligações que não atendera. Explicou os acontecimentos para o advogado que achou por bem ir junto com Milo, para ajudar a resolver tudo, mesmo Milo quase implorando para que ele deixasse a ideia de lado. Sentia-se um crápula quando Saga agia com tal solicitude, com o apoio e atenção que ele lhe dispensava. Ter ele agindo assim depois de ter passado a noite com Camus fazia com que Milo sentisse asco de si próprio.

Passou o dia em arranjos burocráticos, boa parte deles facilitados por Saga que não arredou o pé nem um minuto de perto dele. Ao entardecer estavam todos juntos no enterro da avó dos Amamiya, Milo estava com os garotos assim como Hyoga e foi assim que Camus o encontrou quando chegou ao cemitério. Antes participara da cerimônia simples do enterro do bebê de Garbena e apenas os pais da garota estavam lá além de Camus. Após o enterro ele foi ver Garbena que estava na UTI ainda, mas estável. Era um alento em meio a tudo, pois gostava muito da garota e queria a sua melhora também.

Camus acabou chamando a atenção para a sua pessoa. Sua presença era surpreendente para os alunos e docentes que imaginavam que o ruivo estaria em outro lugar, por conta do que acontecera com ele. Contudo Camus estava impecável e aparentemente bem, o terno bem cortado todo negro destacava a pele pálida e os cabelos vermelhos, os óculos escuros escondiam os olhos mortiços de tristeza. Atento, percorreu com o olhar as pessoas reconhecendo alguns amigos da Fundação como os Argenkland e Shura, Shina... Milo ao lado de Saga e isso lhe rendeu um sorriso irônico.

— Camus você veio! – Shun choroso se acercou do francês abraçando-o forte – Eu sinto muito, pensei que estaria descansando por hoje...

— Jamais deixaria de apoiá-lo petit. – apertou o rapazinho com carinho — Eu sinto muito.

Depois de depositar um beijo nos cabelos de Shun, Camus se afastou do caixão indo ficar mais atrás para acompanhar a cerimônia. Shun voltou para perto do irmão e de Hyoga, de Shiryu que estava ali o apoiando também. Milo atrás dos adolescentes fitava Camus de viés, mas o semblante do francês nada revelava e ele permanecia afastado atrás das pessoas.

Todos estavam absortos na homilia até que o padre se desconsertou com a chegada de um retardatário, este que se aproximou colocando-se ao lado de Camus. Shaka Evrad era assim, alguém notável pela presença e beleza.

— Ao que parece esses são dias de perdas pelo que eu vejo. – comentou o indiano observando o francês.

— Não sabia que já tinha voltado à Grécia.

— Cheguei a pouco e soube de tudo. – Shaka segurou no ombro de Camus – Eu sinto muito Camus, de verdade.

Camus assentiu em silêncio, sem olhar Shaka porque sua atenção estava em Milo e Saga. O grego não conseguia parar de olhá-lo com aquele semblante de culpa o que enervava Camus, mas agora notou que não era apenas Milo que o olhava naquele momento. Percebeu que ambos os gregos o fitavam, o que era surpreendente vindo de Saga que nunca pareceu notar sua presença daquela forma depois que terminaram o namoro. Porém, olhando com atenção, não era o seu olhar que Laskaris procurava, era o de Shaka.

Para se certificar, Camus se aproximou mais do indiano até os corpos se tocarem e em um ato reflexo, Shaka o envolveu pelos ombros com um braço, olhando-o ternamente e permitindo-se ser carinhoso com o amigo naquele momento. Todavia o olhar de Camus estava cravado nos gregos perto do caixão, analisando as expressões quase idênticas de ciúme voltadas sobre ele e Shaka. Nas duas havia uma raiva desmedida e isso quase lhe arrancou uma risada alta totalmente inapropriada.

— Apenas me diga que você começou a trepar com Saga depois que terminamos. – comentou baixo apenas para que Shaka ouvisse. Começava a ser tomado por uma diversão sem propósito e porque não a raiva? Milo e também Shaka? O que Saga tinha que sempre perderia para ele em tudo?

— De onde... – Shaka ficou tão desconcertado que não conseguiu disfarçar o choque. Nem conseguiu refrear a vontade de olhar para Saga que tinha um olhar assassino para eles, mais específico para Camus. A raiva crescia em ver como Saga se submetia a Milo e depois implorava por sua atenção. Então ficavam nesse jogo estranho e ao mesmo tempo excitante. Chegava a odiar Milo por acreditar que Saga não ficava em definitivo com ele por causa do mecânico.

— Acha que ele fará algo se eu te beijar agora? Aqui na frente de todos? – continuou Camus cínico.

— Mas que porra é essa Camus?! – Shaka perdeu a paciência, a surpresa e a irritação não lhe deixavam agir indiferente como sempre – Pare de fazer suposições ridículas sobre mim e aquele homem!

— Então Shaka Evrad também caiu na lábia de Saga Laskaris! O Grande Evrad racional e sem sentimentalismo suscetível ao charme de quinta de um aproveitador. Foi assim que você o chamou uma vez não foi? – vendo o quanto o outro estava prestes a perder a compostura, Camus não conseguiu controlar-se. O riso veio mesmo que Shaka tivesse segurando-lhe o braço com força e os olhos de céu crispando. O riso foi crescendo até transformar-se em uma gargalhada que não parava e todos o olhavam, inclusive o indiano que de irado passou a perplexo. Shura e Aiolos vieram para junto dos dois levando Camus dali às pressas.

— Pobre Camus. – Shun comentou assoando o nariz – Ele se faz de forte, mas está passando por um momento doloroso.

— Isso mesmo gente, ele perdeu um filho. – Hyoga interveio aflito – Vamos relevar!

Shaka ficou para trás olhando o amigo ser levado dali, as emoções entrando em conflito dentro de si. Viu Milo sair correndo atrás dos outros e antes de ir e trocou um olhar com Saga que parecia tão perdido quanto ele e, não acreditava ser possível, também triunfante. Era incrível para Shaka como Laskaris conseguia ir de um extremo ao outro em segundos, como se duas personalidades se digladiassem dentro dele.

***

— Você não devia ter vindo, tome isso aqui. – Shura estendeu um copo descartável com água e um comprimido. Levara o ruivo para a sede da administração do cemitério onde conseguira alguns calmantes para dar à Camus.

— Não quero nada. – Camus enxugava os olhos, um ou outro riso lhe sacudia o corpo – Eu precisava vir ora! Shun ficaria muito magoado e eu perderia a revelação do século. Quem poderia imaginar que o rei da racionalidade e iluminação sentimental seria suscetível ao amor?

— Quê?! Que merda você tá falando Camus?! – Shura observava Camus rir de novo, era incrível vê-lo daquele jeito já que ele raramente fazia algo assim. Seu amigo parecia bêbado – Comeu alguma coisa, o que bebeu antes de vir pra cá?

— Nada... Eu estou sóbrio se quer saber!

— Vou levar você para casa, depois alguém leva o seu carro. – Aiolos interveio.

— Vim de táxi, não se preocupe que eu volto sozinho. – Camus se ergueu colocando seus óculos novamente – Até amanhã na Fundação.

— Camus, tire o resto da semana de folga meu amigo. – Aiolos puxou o ruivo para si o apertando forte – Será bom que descanse.

— Vou pensar no assunto, mando uma mensagem. – o ruivo já se encaminhava para a porta, agora estava constrangido pelo papel que desempenhou, mas não conseguiu evitar. Talvez estivesse muito instável emocionalmente então o melhor a fazer era isolar-se, pensou consigo.

— Vamos à noite vê- lo.

— Não Shura, por favor, me deixem por hoje sozinho. Avisem a todos, que eu preciso ficar sozinho, portanto, ninguém deve me procurar.

O francês se ergueu e saiu do prédio da administração direto para um dos táxis que ali estavam estacionados, Milo e Shaka chegaram a tempo de vê-lo entrar no veículo. O mecânico estava inquieto ao ver o ruivo ser levado por Shura e Aiolos, por isso mandou as aparências para longe e foi atrás. Quanto à Shaka não podia deixar que Camus se fosse pensando aquelas coisas, eram amigos e considerava Camus demais para deixá-lo descobrir tudo daquela maneira. Não deveria ter ido ali, mas tinha sua obrigação de mestre. Contudo já imaginava que veria Milo e Saga no enterro e secretamente esperava confrontar o advogado ali, o próprio lhe informara que estava ali e perguntara se não o veria no cemitério.

Sentia-se um estúpido! Camus sempre teve razão, desde o início. Voltou para despedir-se de todos e foi para casa, evitando Saga que chegou a esboçar um movimento para se aproximar. Queria apenas voltar ao apartamento e esquecer aquele dia! Com a cabeça fria procuraria Camus para conversarem.

No entanto, seus planos não pareciam ser os mesmos de Camus, que o esperava na sua porta ainda com as roupas do enterro.

— Tirando o sentimentalismo você é previsível em todo o resto Evrad – Camus se desencostou da porta, as mãos no bolso do terno – Sabia que viria correndo se esconder.

— Vamos entrar.

— Não. Eu só vim porque eu precisava ver você derrotado desse jeito, aquela parte medíocre do "eu te avisei". – Camus rebateu irônico – Mas se algo o consola, saiba que apesar de estar com Milo, Saga não o tem de fato.

— Não o tem?! – Shaka riu sarcástico – Quem está lá ao lado de Milo naquele cemitério Camus? Você é que não!

— Open your eyes my dear. – sussurrou o ruivo passando por Shaka indo até as escadas sem olhar para trás.

Shaka entrou em seu apartamento batendo a porta com força, estava furioso por Camus ter a audácia de tripudiar dele daquela maneira. De ter se deixado levar pelo jogo de Saga acreditando ser imune o suficiente para manter-se à parte. Odiava Saga Laskaris! Odiava aquele sentimento que o tornava um pedinte, um ser reduzido a migalhas de um mecânico de quinta!

No seu apartamento Camus largou o celular e as chaves na mesa de cabeceira, tirando a roupa disposto a tomar um banho quente e dormir pelo resto do dia e boa parte do dia seguinte. Pensava na sua história com Shaka e na amizade que tinham, em como tudo fora pelos ares assim! Algo havia se quebrado e para ele tão desconfiado e introspectivo, talvez esse laço não conseguisse ser refeito.

Depois do banho vestiu um roupão e pegou no armário do banheiro uma caixa de aspirinas e outra do seu calmante normalmente receitado pelo médico, era apenas para os dias em que os pesadelos não o deixavam dormir. Raramente os usava atualmente, mas logo depois do acidente só conseguia dormir com eles. Aquele dia precisava desesperadamente apagar por algumas horas, então aqueles calmantes viriam a calhar. Acordaria no dia seguinte novo em folha, acreditava Camus.

Na casinha humilde ao pé do monte Pireu Hyoga olhava o celular com preocupação, já era a décima tentativa que fazia para falar com Camus sem que ele atendesse. Sabia que já era um tanto tarde, mas esperava pelo menos falar com o francês pelo celular porque estava angustiado demais e não conseguira falar com ele desde o enterro de Agatha.

— Pai eu não consigo falar com o Camus.

— Melhor você dá um tempo. Ele deve tá dormindo agora e precisa descansar de qualquer forma, até porque você sabe como ele é todo travado e fechadão. Deve tá querendo ficar sozinho por hoje. – Milo virou os bifes na frigideira tentando acalmar o filho embora não estivesse menos preocupado que ele. Queria poder ir até Camus naquela noite, mas tinha os Amamiya para consolar por aquele momento. Shun e Ikki ficariam com ele por aqueles dias, ainda estava tentando administrar o fato de que Hyoga e Ikki dormiriam no mesmo quarto, apesar de Shun estar lá também.

— Você vai para a casa do Saga hoje?

— Não vamos todos ficar aqui e você tem espaço na minha cama pra ficar sem precisar dividir sua cama com ninguém.

— Ah pai qual é?! O Shun vai dormir no colchão ao lado da cama poxa! – Hyoga se ergueu indignado.

— Olha Milo você pode ficar despreocupado sabe, ninguém vai ousar ficar de pouca vergonha do meu lado não. – Shun cruzou os braços sobre a bancada apoiando o rosto afilado – Sou inocente demais pra ficar vendo essas coisas.

— Inocente por que quer, eu não mandei ninguém ficar bêbado. – Hyoga falou olhando o amigo de esguelha.

— Esse mundo tá perdido mesmo. – Milo soltou um muxoxo.

Foi durante o jantar no tapete da sala assistindo televisão que Saga apareceu com alguns filmes e um vinho para tomar com Milo, Hyoga apesar de não gostar do namorado do pai achou providencial a aparição dele. Distrairia Milo! E depois de ver como Saga arrastou o mecânico para o quarto deixando-os para limparem tudo, o loirinho ficou radiante.

— Vai subindo que eu e Shun acabamos aqui. – abraçou a cintura de Ikki por trás beijando a nuca dele que estava na pia lavando a louça – Você pode tomar um banho e me esperar lá na cama pra gente dormir, você tá precisando. – Ikki estava mais calado e introspectivo que o normal, Hyoga sabia que era a forma dele de encarar a morte da avó. Shun já havia chorado tudo que podia e agora ele estava mais calmo embora os olhos verdes estivessem um tanto sem brilho. Saber que de certe forma a morte libertou Agatha de meses de uma doença terrível não aliviavam a tristeza.

Com tudo resolvido na cozinha e a casa toda trancada, Hyoga tomou um banho rápido e foi se juntar ao namorado na cama pequena recebendo o calor e aconchego do corpo maior quando se aninhou a ele. Shun também já estava no colchão, mas no celular conversando por mensagens e foi olhando o amigo que o russo adormeceu.

Por volta da meia-noite o loiro acordou com o barulho de Shun se remexendo no quarto, Ikki dormia profundamente ao seu lado.

— Aonde vai há essa hora Shun?! – sussurrou para o japonesinho que via parcamente se vestir.

— O Shiryu tá lá embaixo. Volto antes de vocês acordarem, segura as pontas aí. — bateu na testa do russo e saiu pela janela em seguida. A casa trancada de dois andares não seria empecilho para o jovem ginasta, Hyoga levantou e chegou à janela a tempo de vê-lo subir na moto de Shiryu.

Voltou-se para dentro do quarto constatando que estavam sozinhos por algumas horas, sorriu e voltou para a cama abraçando o namorado adormecido, beijando o ombro nu enquanto as mãos desciam sobre o abdômen de Ikki.

— Sem chance. – o japonês segurou as mãos alvas antes que elas enveredassem pelo short – Milo está atento e você não sabe ser silencioso, se ele pegar a gente corta meu pau fora. Melhor dormir.

— Ikki! O Saga ta aí...

— Nós estamos falando de Milo psicopata de namorados Savalas. – O moreno nem abrira os olhos para falar com o russo, apenas virou e aconchegou mais ele em seus braços – Dorme amor.

No outro quarto Milo estava atento aos sons da casa. Ouviu Shun sair e o barulho de uma moto, quando aquele moleque chegasse teria uma boa surpresa. Porém, o deixaria se divertir com Shiryu, o garoto havia acabado de perder a avó, Shun precisava de consolo! Estava de olho em Ikki e Hyoga de qualquer forma, se Amamiya achava que ia deixar ele...

— Se você não vai dormir, podíamos fazer algo melhor do que vigiar seu filho e o namorado dele. – Saga virou na cama se desvencilhando de Milo, não conseguia dormir com a inquietação do escorpiano.

— Você não tem direito de exigir nada hoje e sabe muito bem por que.

— Porra de gênio do cão!

Não estavam num bom dia. Não depois de Milo sair correndo atrás de Camus, de Saga passar horas falando sobre isso para então depois ter sumido no cemitério e Milo achou que ele estava atrás de Camus para tirar satisfações. Saga pensou que era uma coisa estranha ele estar sempre atrás de pessoas que estavam atrás de Camus. Primeiro seu irmão, depois Milo e agora Shaka.

Shaka Evrad era apenas um joguete, outro que controlava para atormentar Camus. No entanto, ele não percebeu quando deixou de ser, quando o indiano começou a se tornar uma necessidade até mais do que Milo que lhe parecia realmente alguém importante para si. O pior de tudo era ter Shaka instigando, provocando para depois recuar e deixá-lo louco! Todavia, o indiano sempre acabava cedendo e então se amavam até a exaustão para depois se olharem como inimigos. Até descobrir que Evrad terminara com Camus e Saga acreditava que seu interesse pelo professor de filosofia também, mas não era de fato o que acontecera.

— Saga o que acha que estamos fazendo? – Milo perguntou interrompendo seus pensamentos conflituosos – Você ainda gosta do Camus?

— Camus pra mim é um passado que deveria estar MORTO! – Saga falou entredentes – Se você não o trouxesse sempre à tona.

— Sabe o Camus e o Shaka terminaram porque estavam se iludindo juntos, eu me pergunto se não estamos fazendo a mesma coisa Saga. – Milo continuou ignorando o tom ferino do outro, sentando-se na beira da cama de costas para Saga, percebeu a raiva com que o outro falara do francês e acreditava que aquilo era culpa sua por estar ali naquele impasse de namorar o advogado pensando no professor.

— Você acha isso Milo? Eu... – o advogado mordeu o lábio antes que dissesse "eu te amo". Não tinha mais coragem de afirmar isso depois de ficar louco de ciúmes por Shaka estar com Camus. Quando Shaka e Milo foram atrás do ruivo ficou irritado por não saber ao certo de quem estava sentindo ciúmes.

— Acho que é hora de dar um tempo e avaliar o que um realmente espera do outro. Porque o que queremos afinal? Você parece em dúvida...

— Não sou eu que tenho Camus como prioridade aqui! – Saga sorriu sarcástico – Você vive atrás dele Milo!

— Ah sim! Então quem estava correndo atrás dele hoje? Vai me recriminar?

— Eu correndo atrás de Camus? Ficou louco?! Camus não é nada Milo, é só uma merda de estorvo, ele nem devia existir! Está sempre em volta, como um parasita, sugando a atenção de tudo e todos. Pedante e irritante com aquela melancolia, sempre estúpido e dissimulado... – Saga nem se apercebia como desaguava toda sua perfídia em relação à Camus ali, que fazia Milo o fitar chocado ao ouvir as palavras cheias de rancor frio que o outro lançava – Até Shaka! Até ele com aquela consideração miserável por esse francês maldito!

— Era Shaka... – Milo murmurou e o espanto era tal que ele demorou a se mexer. Então Saga que era ex-namorado de Camus, estava interessado em Shaka, que era atual namorado do ruivo. Porém, namorava ele, Milo – QUE CARALHO SAGA! Qual é o seu problema com o Camus?! Você acabou com o namoro dele não foi? Você está com Shaka também não é?

— Não! Shaka não... – tarde demais Saga percebeu que falar demais, se levantou da cama e começou a andar pelo quarto, se descontrolou e agora tudo estava por um fio – Conheci Shaka naquele dia na casa do Chevalier e só!

Milo observou o nervosismo, o olhar que fugia dele e lentamente em sua cabeça as coisas começavam a se encaixar lhe parecendo uma conclusão horrível.

— Mentira! Você o procurou, está com ele e por isso Evrad estava querendo me fuzilar com os olhos lá no cemitério. – apesar de achar uma loucura completa, mais Milo acreditava estar certo – Você... Meu deus Saga você é doente!

Milo agora deslumbrava algo na relação entre Saga e Camus que não percebera antes, porque ali na sua frente Saga lhe mostrava um lado que nunca tinha visto no advogado. Talvez toda a doença que antes atribuía à Kanon, na verdade era de Saga que conseguia manipular e colocar todos a seu favor e não à favor do irmão. E Camus passou anos ao lado daquele homem doente, talvez por isso tivesse tantos problemas para se relacionar, as suas inseguranças e desconfianças quanto às pessoas. O que teria feito Saga na época em que o ruivo e ele namoravam, para que ambos se odiassem tanto?

— Seu filho da puta! – o mecânico foi até o advogado e o socou, Saga foi ao chão atordoado, mas tinha uma excelente compleição física e sendo assim conseguiu aparar o segundo soco de Milo e se reergueu antes que ele voltasse a socá-lo. No entanto, Milo era selvagem, fora criado aprendendo a bater para não apanhar e estava tomado pela raiva.

O loiro prensou o advogado na parede próxima, o braço poderoso pressionando a traqueia do advogado e o corpo impedindo que ele se soltasse.

— Vá embora! Suma da minha vida e não ouse ir atrás de Camus de novo porque se eu o encontrar em volta dele... Manipulando, sugando a felicidade dele porque É VOCÊ o parasita Saga, eu juro que te mato! Saga eu não estudei muito, mas eu sei das coisas, não sou estúpido. Achou que ia me enrolar por muito tempo?! Saga eu tenho um filho, eu preciso estar atento a tudo! E eu nem acredito que me deixei levar por você desse jeito... Você não sabe o que é se importar Saga porque não ama ninguém, nunca teve alguém para se importar... Kanon está na reabilitação porque você o colocou lá não é? Como conseguiu isso?! – Saga estava sufocando. As mãos tentavam afrouxar o aperto do braço de Milo, a força do mecânico era enorme! Como imaginar que aquele corpo que podia dar prazer como ninguém também podia ser implacável assim?

— Me... – o desespero estava estampado no rosto do advogado.

— O seu problema é o Camus, eu já saquei. De alguma forma doentia você ama odiá-lo, mas agora por quê? Você não suporta a felicidade dele, cobiça tudo que ele tem! Você chegou de fato a me amar Saga? De fato existiu algo sincero vindo de você? O que aconteceu no passado de vocês para você odiar tanto aquele francês?

Saga desmaiou, a falta de ar acabou lhe fazendo perder os sentidos e então Milo o largou. Savalas estava arfante e apesar da raiva que sentia não perderia a cabeça com Saga, já fora longe demais. Tinha Hyoga para proteger e cuidar, agora tinha Camus... Deus! Ouvira algumas coisas esparsas sobre o relacionamento entre o advogado e Camus, mas nada que justificasse o que acabara de descobrir. Precisava saber o real motivo de Saga perseguir Camus! Precisava tirar aquela história a limpo e sabia quem poderia abrir a boca.

***

Camus lutou contra as pálpebras pesadas de sono, o corpo parecia que não acordara ainda e foi com muito esforço que sentou na cama para olhar a tela do celular e ver as horas. Estava apagado, com certeza descarregara durante a noite porque ele não havia colocado no carregador.

Colocou o celular para carregar e descobriu que dormira o dia inteiro. Havia inúmeras ligações dos amigos, a maioria de Milo. Era muito tarde e de qualquer forma não queria falar com ninguém, naquele momento só tomaria água e dormiria de novo. Mandou a mesma mensagem de agradecimento pela atenção para varias pessoas, outras para Henry Cristal e Hyoga sobre os treinos e depois de beber quase um litro de água e de esvaziar a bexiga, tomou uma aspirina e um calmante para voltar à cama.

No dia seguinte poderia estar mais apto a socializar.

***

— Cristal você falou com o Camus hoje?

— Não. Mas ele me mandou uma mensagem dizendo que estava doente e que se melhorasse até o fim da semana voltaria. – o assistente técnico colocava os patins esperando que Hyoga fizesse o mesmo – Me deu algumas diretrizes para treinar você, a classificatória está perto e ele disse que eu não posso pegar leve com você.

— Mas não falou de fato com ele? – insistiu o jovem russo inquieto.

— Não. Você falou?

— Eu só recebi uma mensagem também. – Cristal e Hyoga trocaram um olhar apreensivo.

Hyoga não estava convencido, mas ia acatar o pedido do ruivo de ser deixado em paz por aquele dia. No dia seguinte iria do colégio direto para o apartamento de Camus se ele não aparecesse na Fundação de novo.

Outro que parecia intrigado com as mensagens de Camus era Shura, que acabou externando sua preocupação para Shina e Aiolos com quem almoçou naquele dia.

— Ele pode querer apenas ficar sozinho.

— Talvez Shina. O Camus é naturalmente solitário, mas acredito que nas atuais circunstâncias ficar sozinho pode ser nocivo para ele. – Shura apoiou o cotovelo na mesa e fez um gesto vago – Sabe-se lá o que ele está sentindo agora.

— Ele me ligou ontem já bem tarde e parecia muito cansado, disse que tiraria folga por hoje. – Aiolos comentou – Falei que ele poderia tirar folga pelo resto da semana, mas que visitaríamos amanhã. Também acho que ele não deve ficar sozinho! Milo está muito preocupado, mas na oficina não o liberaram para sair hoje o que deixou ele furioso.

— Não duvido que ele vá bater na porta do ruivo hoje, sabe como Milo é insistente! – Os três riram – De qualquer forma Shaka pode ir lá olhar o ruivo, ele mora no mesmo prédio certo?

— Tem razão, vou falar com ele daqui a pouco. — Aiolos disse tomando seu vinho, começando a falar sobre o fim do ano letivo que estava próximo.

Apesar de todos os planos e preocupação, Milo inclusive até foi ao apartamento de Camus e o encontrou fechado, ninguém viu Camus por dois dias inteiros e quando já terminava o terceiro dia nenhuma notícia do francês. Milo tencionava ver o ruivo na hora do almoço, mas recebera a ligação de Kanon estava e dessa forma saiu para lá. Estava tentando falar com o irmão gêmeo de Saga desde o dia em que descobrira a paranoia de Saga.

Dessa forma teve que fazer uma viagem rápida até Laka na ilha de Mykonos para conversar com Kanon, o gêmeo de Saga estava na casa da Praia dos Laskaris porque não queria mais voltar a conviver com o irmão, não depois de ter ido parar em uma clinica de reabilitação por culpa dele. Ao receber a ligação de Milo já imaginava o que poderia encontrar na conversa com o mecânico. Outro namorado despedaçado pela descoberta da obsessão que Saga Laskaris nutria por Camus Chevalier.

— Quando Camus chegou à Grécia, convite esse feito por mim porque eu acreditava que ele poderia recomeçar aqui sua vida, a primeira coisa que ele fez foi se apaixonar por Saga. As pessoas podem acreditar que somos idênticos e que pode ocorrer de alguém nos confundir, na verdade acontece muito, Saga usou da nossa semelhança para entrar na Fundação e causar aquele escândalo de pedofilia não foi? – Kanon explicava enquanto ele e Milo almoçavam na varanda da bela mansão de frente para a praia de Laka – Foi também quando Saga viu que eu estava mais do que interessado em Camus, geralmente meus relacionamentos nunca passavam de noites fugazes porque eu e Saga sempre fomos mais que irmãos, nós tínhamos um pacto eterno que eu quebrei ao me apaixonar por Camus.

— Você se apaixonou por ele?

— Desde o momento em que o vi deslizar no gelo como um vento boreal, um ser quase mágico. Milo você devia ter visto Camus em toda a sua magnitude quando era um atleta de ponta na patinação. – Kanon tomou o vinho e olhou para um ponto com um ar sonhador – Ele quase parecia etéreo de tão perfeito sobre o gelo... O mago do gelo era como o chamavam. E então ele se apaixonou por Saga e meu irmão parecia ter descoberto uma nova brincadeira, a tortura psicológica.

Milo estremeceu, não gostando do tom agourento que Kanon tomou ao continuar.

— Sabia que de certa forma era mais doloroso para Camus que para mim, mas de uma forma egoísta eu queria que ele ficasse por perto e eu me contentava com as migalhas. Por quatro anos eu percebi Saga jogar com nós dois e eu fingi desistir de Camus, na tentativa de que Saga o deixasse em paz. O francês era tolo e apaixonado, depois do acidente estava desacreditado de tudo e Saga o fazia acreditar que merecia toda aquela série de maldades. Era como se Camus achasse que só conseguiria aquele tipo de amor doloroso na vida, mal sabia ele que tudo que Saga fazia era para me ferir.

— Por que eles terminaram?

— Por que Saga o obrigou a manter relações comigo e com ele. – Kanon apertou os lábios e desviou o olhar de Milo, estava preparado para o ataque que talvez Milo tivesse ao ouvir aquilo e por isso deu uma pausa, olhando o mecânico de esguelha que apenas trincou o maxilar e a cerrou os punhos sobre a mesa assentindo para que continuasse – Na verdade ele talvez nunca descobrisse se Saga não lhe jogasse isso na cara, Camus estava drogado demais para saber a diferença.

— Cristo! – Milo esfregou o rosto com as duas mãos. Estava a ponto de virar aquela mesa e esganar os gêmeos Laskaris até a morte de tanta raiva.

— Eu duvido que a sua raiva e a de Camus sejam maiores que a minha própria por mim mesmo, por compactuar com isso. Mas é como eu disse a você Milo, eu vivia com migalhas, qualquer que fossem.

— E ele jogou isso na cara do Camus?! Por quê?! Pra quê?

— Para que Camus me odiasse, para que ele se fosse e nunca mais voltasse à Grécia. Por que Saga odiava o fato de que eu amava Camus e nunca o machucaria.

— Você nunca tentou impedi-lo? Ele atormenta o Camus pelo simples fato de você o amá-lo. Não vê que isso é insano demais? Já passou dos limites! O Saga estava comigo para ferir Camus, ele foi atrás de Shaka e acabou com o namoro entre ele e Camus! O Camus está por um fio e isso tudo acontecendo justo no pior momento da vida dele.

— Saga é muito bom em esconder tudo, ninguém acredita em mim quando digo que ele é doente. Nem Camus na época em que namoravam acreditava! Nós dois temos problemas... Mas ao contrário de mim, Saga sempre contorna a situação. – Kanon suspirou e voltou a provar o vinho – No entanto, isso já foi longe demais e eu nunca me perdoarei se algo acontecer ao ruivo... Eu o amo demais.

— Então se afaste dele! E faça Saga parar ou vou dar um jeito de colocar seu irmão na cadeia, num sanatório na porra de um buraco qualquer onde ele fique pra sempre e nunca mais atormente ninguém! – Milo se ergueu e cresceu sobre o outro – O Camus já sofreu tanto que ele se tranca e afunda na dor para depois tentar sair dela. Só que Camus já fez isso tantas vezes que um dia ele não vai conseguir. Ele perdeu um filho, terminou outro namoro e por achar que não deve ser tão escroto quanto Saga foi com ele, Camus e eu não estamos juntos! Eu e ele acreditávamos que Saga me amava quando na verdade era tudo uma merda de mentira!

— Mas ele o ama Milo, de alguma forma a sanidade do meu irmão reconheceu algo bom em você e naquele indiano. Eu esperava sinceramente que pelo menos você pudesse fazê-lo recuperar o prumo... – Kanon fez um gesto angustiado – Talvez ele ame mesmo você!

— Se ele chegar perto de mim de novo ou do Camus eu dou um tiro nele você ouviu? – rebateu Milo friamente e o olhar do loiro era pura ira, Kanon sabia que ele estava lhe fazendo uma promessa – Eu mato o Saga. Então ou você dá um jeito no seu irmão ou ele morre.

Milo saiu da casa direto para o carro disposto a deixar os irmãos Laskaris para trás e tentar ver Camus, iria cuidar do ruivo agora e não permitiria que Saga infernizasse a vida dele de novo. Teria um bom tempo de estrada para voltar à Atenas, só conseguiria ver Camus no fim da tarde. Não conseguira falar com o francês, mas acreditava que ele estivesse na Fundação e era pra lá que iria. Aproveitaria para pegar o filho que também parecia preocupado com Camus.

Na Fundação Kido no fim da tarde Hyoga se vestia as pressas para ir ver Camus, aquele fora mais um dia em que o ruivo não estava na Fundação e ninguém conseguia falar com ele. Estava preocupado e foi também pela preocupação de Henry Cristal que eles terminaram o treino mais cedo o treino, com Hyoga indo correndo para o chuveiro para sair logo.

Pensava que conseguiria concretizar seus planos até ouvir uma voz que há meses não lhe causava calafrios. Estava já dobrando a esquina da escola em direção ao metrô.

— Ei docinho que bom te encontrar aqui fora!

Um calafrio lhe percorreu a espinha ao reconhecer o timbre moleque e levemente sarcástico, ele estava a tanto tempo desaparecido que se esquecera dele completamente.

— Eu queria conversar com você. – Hyoga se virou devagar olhando o ex-namorado com cuidado, o japonês parecia normal e tranquilo permanecendo um pouco afastado. Mas, Hyoga já mexia no celular que trazia nas mãos por conta de já estar conversando em seu grupo de amigos "Tenma está aqui no portão da escola" digitou rapidamente e guardou o celular.

— Pode começar a falar, mas não se aproxime.

— Docinho eu estava cheio de problemas, mas agora eu estou bem. Vamos conversar em outro lugar?

— Não! Eu não posso conversar com você agora Tenma, eu tenho que ir.

Um passo para trás de Hyoga, dois de Tenma para frente e o russo não deixava de olhar para o japonês tentando descobrir uma forma de sair dali rápido. Hyoga se virou, decidido a voltar ao ginásio da Fundação correndo, pois, com sorte chegaria lá antes de Tenma pegá-lo. Foi dar os primeiros passos que ouviu o estalar do gatilho – Se você correr eu vou atirar, tenho uma boa mira e assim você não alcança nem a fonte sem ter seus miolos espalhados no chão. Volte docinho e ande devagar até mim.

O russo engoliu em seco e com as mãos erguidas fez o que Tenma mandara, a visão da arma o assustou ainda mais e por isso ele travou. Tenma perdeu a paciência e ele mesmo se aproximou de Hyoga segurando-o pelo pescoço e o olhar do ex-lutador era desvairado agora.

— Porque você tem que complicar tudo?! Porque sempre tem que fazer o que não pode? – menor e mesmo sendo apenas uma das mãos de Tenma, Hyoga não conseguia se soltar. Lágrimas de terror e pela dor transbordaram pelos olhos azuis do russinho – Eu não quero te machucar, mas você sempre... Sempre! – Tenma tinha um quê de aflito na voz, agora não havia mais aquela tranquilidade de minutos antes.

O barulho de pessoas correndo fez com que ele puxasse Hyoga para si e apontasse a arma para a têmpora do garoto, o braço segurou o russo pelos ombros. Havia vários alunos chegando ao portão e professores, muitos atletas do projeto dentre eles Ikki.

— Larga ele seu filho da puta! – Ikki vociferou e teve de ser contido por Shiryu e Jabu, o Amamiya mais velho sentia a ir lhe sufocar naquele momento. Dos professores estavam Shura e os Irmãos Argenkland porque Aiolos estava no ginásio supervisionando quando Shun deu o alarme, Marin ficara para trás para acionar a polícia e Milo.

— Calma Ikki, não o provoque pode ser muito perigoso. – Aiolos pediu afastando os alunos e andando lentamente até Tenma – Tenma largue-o, porque faz isso? Você disse que o amava então porque machucá-lo?

— Se alguém se aproximar eu atiro! Se ele não vai ficar comigo, não fica com mais ninguém.

— Irmão pare! O Hyoga não te ama, ele tem outra pessoa — Seiya tinha lágrimas nos olhos. Estivera por todo aquele tempo preocupado e à procura do irmão, para encontrar Tenma pior do que antes – Você vai encontrar alguém que goste realmente de você.

— O Hyoga me ama! Nós vamos ficar juntos. – gritou o japonês enfurecido — Não é docinho? Diga a eles que você me ama, diga amor... – apertou o cano da arma contra a têmpora de Hyoga, o russo já soluçava de desespero porque esperava levar um tiro à qualquer momento – Diga!

— É... Eu... – Hyoga olhava a todos em súplica, não ia conseguir dizer, era mentira e Ikki estava ali na sua frente. Mesmo sabendo que poderia mentir para salvar a si mesmo, ainda sim não conseguia.

Foi à chegada dos carros da polícia e de Milo que tornaram tudo ainda mais dramático, Tenma ficou ainda mais descontrolado por ver a polícia e Milo. O grego teve de ser contido pelos policiais que cercaram Tenma e Hyoga, o japonês gritava que ia atirar, estava visivelmente nervoso. Os policiais começaram a conversar com o garoto, todos tensos demais pela situação. Algum tempo depois os psicólogos da Fundação apareceram e com a ajuda de Aiolos conseguiram se aproximar de Hyoga e Tenma, desarmando o japonês e salvando Hyoga que correu para os braços do pai e do namorado que estavam ali aflitos.

Tenma foi amparado por Aiolos e estava aos prantos, a polícia imobilizou o garoto mesmo sob os protestos do Argenkland, mas velho. Mas o responsável pela operação foi irredutível. Era o procedimento e mesmo que estivesse desequilibrado, Tenma havia cometido um crime. Deveria ser levado para a delegacia e de lá seguiria para o sanatório municipal. Foi gritando que ele entrou na ambulância com os policiais, gritando o nome do russinho que tapava os ouvidos e se encolhia nos braços do pai atormentado por aquilo. Hyoga murmurava baixinho que não tinha culpa, que nunca teve culpa.

Teve que ser atendido também, acabou indo em outra ambulância para o hospital da Fundação com Ikki e Milo. Teria de ficar em observação por aquela noite, estava tudo uma confusão.

— Milo você não quer ir para casa, tomar um banho e trocar de roupa? – Marin confortou o cunhado lhe dando um copo de café quentinho que tinha tirado da máquina do corredor. Aiolos estava na delegacia com os advogados da Fundação, tentava transferir Tenma para a Fundação enquanto Marin estava ali com Milo e o sobrinho que agora dormia. Aiolia tinha ido levar os Amamiya em casa, os garotos estavam sob a responsabilidade de Milo depois da morte de Agatha.

— Eu queria ver o Camus! Sério que ninguém foi ver ele hoje? Ele não ligou nem nada! Como vocês não foram até lá tirar aquele teimoso do apartamento?!

— Tínhamos planos de ir lá ao fim do dia Milo, mas aconteceu tudo isso. – a ruiva mordeu o lábio – Eu também estou muito preocupada com esse teimoso!

— Meu deus tanta merda acontecendo ao mesmo tempo! – Milo passou a mão nos cabelos em seguida olhou para o filho adormecido, seu coração estava despedaçado. Seu filho em perigo, Camus em perigo... Tantas coisas!

Pegou o celular de Hyoga e depois de uma pesquisa nos contatos achou o número de Shaka Evrad, era comum os alunos terem os números dos professores.

— Shaka por deus! Se você tem alguma consideração com o Camus, você tem que dar um jeito de ir vê-lo. Tem que tirá-lo daquele apartamento! – disse de uma vez assim que o outro atendeu – Eu tô com um péssimo pressentimento Evrad.

Notas finais
Desculpem os erros que por ventura aparecerem. eu não tenho mais beta e revisar pelo celular é beem tenso