Notas iniciais
Oi pessoal tudo bem? Atualização rapidinha espero que você gostem do caps. Lembra que eu avisei que ia rolar o angust? Então tem um saborzinho aqui pra começar... Agradecimentos aos reviews lindos de todo mundo que conseguiu reservar um tempinho para deixar uma força, valeu mesmo.

— Acho que nossa casa cabe nessa sala pai.

— Provavelmente.

— Fiquem à vontade eu só vou trocar de roupa, Hyoga vá até a cozinha que fica na porta à direita no corredor e pegue o que quiser na geladeira, sirva Milo também. – Camus seguiu pelo outro corredor e Hyoga muito animado foi fazer o que ele sugeriu. Milo ficou ali pela sala, ainda perguntaria para o francês como ele conseguia fazer Hyoga obedecer tão rápido.

Sozinho na sala andou pelo cômodo distraidamente olhando para os móveis caros e modernos, tudo em tons claros e harmoniosos. Havia um bom sistema de som e imagem moderno e fotos em uma estante embutida onde Milo pode ver talvez a família do ruivo, Camus criança e em outras fotos jovem atleta... Havia várias fotos de um pequeno de cabelos loiros cor de limão espetado.

— Meu irmão, ele teria a idade de Hyoga se tivesse vivo hoje. – Camus disse às suas costas e Milo ao virar-se quase se chocou com o francês, o ruivo havia trocado as roupas de treino por um moletom.

— Hyoga me contou do acidente, eu sinto muito. Você não tem mais ninguém no mundo Camus?

— O irmão do meu pai mora em Auvergne, não sei se ainda está vivo. – Camus deu de ombros olhando para o corredor da cozinha – Hyoga ainda não voltou? O que será que está fazendo lá?

— Comendo escondido pode apostar, esse menino é um verme ambulante!

Chegaram à cozinha a tempo de ver o loirinho limpar com a língua rosada a cobertura de chantili da boca.

— Você disse que eu podia pegar o que eu quisesse e eu achei essa torta aqui, nossa tava uma delicia... – começou a explicar tudo atrapalhado em guardar as coisas que tirou da geladeira, o que fora praticamente tudo – Ia levar água pra você pai assim que eu acabasse de guardasse essas coisas.

— Nota para o fato de que com esse mundo de coisa nessa geladeira ele ia me levar “água”. – Milo foi ajudar o filho a guardar, o que não deu muito certo e só fez Camus correr para tirá-los dali e ele mesmo organizar tudo, como ele gostava – Por que tanta comida Camus, você não mora sozinho?

— É comida para a semana inteira, eu sigo uma dieta rígida e não posso ficar comendo fora então preparo tudo em casa durante o fim de semana. – explicou o ruivo.

— Se eu fizesse isso o Hyoga comia a comida da semana inteira na segunda.

— Ele está querendo impressionar você Camus. Admita pai que você não faz isso porque é um péssimo cozinheiro! Quero ver como vai se virar sem mim quando eu começar a viajar.

— Espero que os dois saibam se virar quando você entrar na dieta que o nutricionista passar. O Hyoga não vai poder comer besteira o tempo todo, vai precisar de alimentação balanceada.

— Eu vou fazer dieta?! – a surpresa fez uma colher cheia de torta parar a meio caminho da boca do adolescente.

— Obvio, faz parte do pacote. Como acha que mantenho tudo isso? – Camus afastou os braços e fez um gesto para si – Sacrifícios mon ange. Eu nem consigo imaginar como vocês conseguem ficar assim comendo tanta besteira. – podia acrescentar que se admirava de Milo ser lindo daquele jeito sem fazer dieta e exercícios.

— Eu faço exercício na Fundação – justificou Hyoga – e sou adolescente.

— Com um buraco negro no estomago. – Milo interveio – E eu faço exercícios, eu luto de vez em quando e faço sexo regularmente.

As risadas de Hyoga e Camus encheram a cozinha, cheias de sarcasmo divertido, o francês achando a empáfia de Milo algo engraçado demais e Hyoga chegou até a revirar os olhos. As brincadeiras continuaram enquanto Camus arrumava o jantar, as vozes de Milo e Hyoga preenchendo o ambiente sempre silencioso. Os dois juntos eram uma festa completa, Hyoga com sua energia adolescente, Milo com o seu vigor grego! Só naquele momento Camus se dava conta do quanto vivia sozinho, de como sentia falta de algo que nunca teve que era chegar a casa e encontrar aquela balburdia caseira que significava ter alguém para quem voltar.

— Eu sinto muito com o prejuízo com o carro Camus, se houver de alguma forma compensar...

— Você salvou minha vida hoje, estamos quites. – a expressão do francês era divertida e maliciosa, Milo sorria ao notar o olhar ardente sobre si. O jantar acabou sendo uma grata surpresa que o fez conhecer mais daquele ruivo inquietante e sedutor, mas um tanto autossuficiente.

— Eu tô morrendo de sono! – reclamou Hyoga cortando o clima e um bocejo pontou a frase para dar mais credibilidade.

— Tem razão, está tarde. Camus obrigado pelo jantar e pela chance de me desculpar, eu realmente sinto muito pelo que lhe disse.

— Já está tudo esclarecido. – tiveram uma boa conversa durante o jantar, Camus inclusive aconselhou Milo a pegar mais leve com Tenma e deixar que as coisas acontecessem sob a sua supervisão, porque com o seu consentimento Hyoga não lhe esconderia nada. – Venham vou levá-los até a porta.

Despediram-se e Camus ao fechar a porta se voltou para o seu apartamento silencioso e vazio achando-o grande demais pela primeira vez em muito tempo.

***

— Ele mora naquela casa imensa sozinho pai! Não é de dar pena?

— Pena de ele morar na cobertura de um condomínio de luxo Hyoga?

— Pena por Camus ser um homem sozinho. – Hyoga remexeu no suéter com os olhos baixos – Nós pelo menos temos um ao outro.

Milo trouxe o filho mais para perto de si acariciando os fios dourados do filho e pensando no francês solitário que deixou naquele apartamento caro e enorme demais para uma pessoa só. Hyoga estava certo, Camus era muito solitário o que intrigava Milo porque ele podia ter muitos amigos culto e sedutor daquele jeito. Era triste que ele fosse um homem sozinho.

Na manhã seguinte Milo depois de deixar Hyoga na escola e chegou ao trabalho viu que Saga estava esperando por ele na sua área de trabalho.

— Porque eu tenho a impressão que você quebra esse carro de propósito para aparecer aqui.

Saga sorriu colocando as mãos do bolso do terno bem cortado e encostou-se à BMW esperando a aproximação do mecânico, Milo agora trabalhava sozinho até conseguir outro auxiliar porque Ikki estava em tempo integral na Fundação.

— Porque eu tenho tara em ver você com esse macacão. – sussurrou o outro grego de modo sedutor, ambos sorriram – Você não retorna minhas ligações.

— Ando meio ocupado, Hyoga está dando muitos problemas e eu tô fazendo extra porque preciso de grana. – Milo usou o elevador hidráulico para levantar o carro – Qual o problema dessa belezinha?

— Acho que são as pastilhas de freios, o motor anda fazendo um barulho estranho... Então você não tem nenhuma noite livre nessa sua agenda cheia? Kanon está em reabilitação numa clínica porque a família decidiu que ele tem que se afastar por um tempo. – Milo revirou os olhos protegido por uma roda do carro – Estou sozinho em casa.

— Vamos sair para jantar na sexta, o que acha? Depois esticamos numa taverna, estou precisando me divertir.

— Tenho tudo para a nossa diversão em casa amor.

—Jantar em seguida balada ou nada feito "amor" – Milo fitou Saga com uma expressão serena, porém estava determinado. Não iria mais facilitar para aquele ricaço, não era qualquer um e tinha que dar bom exemplo ao filho ou não tinha? Era hora de ter algo sério e se Saga não quisesse ele investiria em Camus, seria uma tarefa árdua, mas precisava tentar. Aquele ruivo era bom demais para não tentar.

— Quer namorar agora?

— Quero. Com tudo que tenho direito e se você não quiser passar bem.

— Vai se arrepender disso. – Saga desviou o olhar incomodado com o modo tranquilo que o outro o olhava. Sabia que no fundo, dos dois, quem mais gostava era ele e não Milo. Também porque depois de descobrir que Camus e Milo se conheciam e que o francês era técnico de Hyoga, achava melhor não facilitar para o ex-patinador. Só que namorar não estava em seus planos, seria um pandemônio se assumisse o mecânico perante todos e seus pais jamais aprovariam.

Milo ignorou o empresário e começou a trabalhar no carro, Saga ficou por ali olhando o mecânico pensando naquela teimosia de agora. Milo não podia ter escolhido pior hora!

— Se você quiser o serviço premier fica pronto na quinta, vou ter que trocar o jogo de freios e limpar o motor porque o óleo aditivado falsificado que usaram nele danificou um pouco. Se for com serviço normal são quinze dias. – disse o loiro depois de fazer a análise no carro.

— E sexta Milo?

— Mesmas condições. – o grego mais jovem tinha um sorriso cândido nos lábios.

— Serviço premier, vou precisar do carro na sexta para sair com o meu namorado. – Saga suspirou vencido e Milo abriu um sorriso de lado tão cínico que deu ao advogado uma vontade imensa de esganá-lo, talvez o fizesse ou talvez apenas o jogaria em cima daquele carro e beijaria Milo na frente de todo mundo.

***

Talvez fosse algo na família, Aiolia sempre dizia que as mulheres caíam aos seus pés até ele ficar louco apaixonado por Marin. Aiolos não era namorador, mas não havia quem resistisse ao sorriso doce e sua aura cativante, Shura que o diga! Contudo o fato era que Milo tinha "algo" que alucinava homens e mulheres e Hyoga parecia ter herdado essa herança de família só que de um jeito peculiar.

Tenma era definitivamente um namorado apaixonado. Havia mensagens de amor em todas as redes sociais para provar isso, havia o japonês logo cedo em frente à casa do russo dizendo que o acompanharia até a escola. Milo estranhou todo e cuidado e carinho, achou deveras engraçado o embaraço do filho e resolveu fingir que aceitava aquilo por aquele dia apenas para puni-lo por estragar o clima com Camus alguns dias atrás.

Acontece que ainda não tinham uma semana de namoro e Hyoga estava farto de toda aquela atenção. Antes do intervalo dera um jeito de sair quinze minutos antes com Shun para o refúgio arborizado do pomarzinho da Fundação, um lugar onde pudesse desgrudar um pouco de Tenma.

— Anel de compromisso?

— Quatro dias de namoro e eu já me sinto sufocado. – Hyoga e Shun olhavam o círculo dourado com o nome de Tenma no anelar do loiro – Tenma está insistindo para que eu dê a senha do meu Facebook e pare de apagar as mensagens no Whatsapp. Mas como posso mostrar uma conversa a ele em que eu o chamo de Grey nipônico psicótico?

— Definitivamente Grey nipônico psicótico. – Shun assentiu com um PHD do assunto – Já imaginou quando ele tirar sua virgindade?

— Nem quero imaginar.

— Fala pessoal! – Ikki se aproximou e sentou entre os dois garotos deitados na grama – Fugindo do Grey nipônico?

— Shun você contou a ele!

— Eu precisava de uma segunda opinião. – o japonesinho de olhos verdes deu de ombros.

Ikki se deitou e apoiando-se em um cotovelo ficou virado para Hyoga, seu corpo maior e largo quase escondia o russinho. Shun ficou ali ao lado de olhos fechados apreciando o sol e sonhando que em alguns minutos veria sua fonte de fascinação, o professor de filosofia. Para o oriental Shaka Evrad era um deus!

— Loiro você tem certeza que quer namorar esse cara?

— Eu não queria namorar ele! Foi o Tenma que inventou tudo isso e ele nem me deixa falar, vai logo me dopando com aqueles beijos e carícias... – Hyoga fechou os olhos e mordeu o lábio, Ikki não conseguiu desviar o olhar do rosto do amigo – Eu sou um pervertido.

— Deve ser loiro. – Ikki lambeu os lábios e foi a vez de Hyoga não conseguir desviar o olhar.

Havia mudado alguma coisa entre os dois aqueles dias, eram acostumados a andar sempre juntos os três ou com o pessoal da Fundação. Hyoga e Shun cresceram praticamente juntos por isso talvez Ikki sempre visse o russo quase como um irmãozinho, pelo menos até sexta passada no fliperama. Flagrou o russo e o colega de equipe aos beijos no fundo do lugar depois de pegar sua coca com Seiya. Por um bom tempo observou o amasso do casal avaliando as expressões de Hyoga, quando o casal resolveu se juntar aos amigos de novo os carinhos não cessaram só ficaram menos quentes e Ikki sentiu-se incomodado.

Naqueles dias tinha uma ereção só de lembrar a expressão de prazer de Hyoga.

— Eu queria na verdade outra pessoa, o Tenma era pra ser só um lance. Ele parece meio lunático olhando de perto.

—Doido eu sei que ele é Hyoga. – ambos riram.

— O que eu faço Ikki? – Hyoga se aconchegou a ele passando os braços por dentro do agasalho escolar do outro, o rosto foi aninhar na curva do pescoço do lutador – Me ajuda.

— Termina com ele russo.

— Ele vai me matar se eu fizer isso, eu acho que ele é psicótico. – murmurou Hyoga e então deslizou o nariz pelo pescoço do moreno – Você tem um cheiro muito bom Amamiya.

— Seu ninfomaníaco. – Ikki inclinou o pescoço para que ele tivesse mais acesso, as mãos de Hyoga já estavam percorrendo a pele sob o uniforme – Ah! – gemeu Ikki ao sentir o contato molhado da língua do outro em seu pescoço. Estava tudo gloriosamente bom até sentirem algo bater neles.

— Pode parar com a porra da pouca vergonha na minha frente! – Shun usava seu casaco para bater no irmão e no melhor amigo, tinha até se levantado e olhava os dois com fingida irritação – Se eu não transo ninguém transa ouviu bem? Ninguém vai jogar a satisfação sexual na minha cara!

— Shun! Aí para porra!

— Chega moleque!

— Ficou louco Shun?! – o atleta estava se divertindo ao continuar a bater no amigo. Estava achando ótimo também que ele tivesse finalmente dado a entender seu interesse por Ikki, o irmão ele sabia que era muito avoado e nunca ia perceber. Hyoga era bobo e receoso, pelo menos Tenma tinha servido para que os dois se resolvessem – Olha Shun a culpa não é minha se você só quer Shaka inalcançável Evrad.

— Eu quero deus! Só o deus da filosofia me interessa.

— O que aconteceu com o Shiryu? –Ikki se levantou e Hyoga também – Pensei que você estava louco por ele!

— Shiryu é meu plano B, um ótimo plano e seria o A se nós não tivéssemos aquele lindo indiano como professor.

— Acho melhor você se garantir com o Shiryu mesmo, mais certo. –Hyoga olhou o amigo de esguelha – Shaka tem cara de ser muito exigente e você é uma criança perto dele. Se para o Ikki já é difícil aceitar imagina para Evrad...

— O Tenma! – gritou Shun que estava de frente para a entrada do pomar viu quando o outro lutador se aproximava.

— Pelo amor de deus ele não pode me achar! – os três saíram correndo, Ikki pegou a mão do loiro correndo em direção aos vestiários e Shun viu tarde demais que havia tomado um caminho diferente ao dos outros dois, resolveu voltar para a escola.

Ikki e Hyoga correram para os ginásios chegando aos vestiários onde o moreno resolveu se esconder com o loirinho, àquela hora o complexo de treinamento estava vazio. Na área dos armários os dois deixaram-se escorregar nos bancos compridos ofegantes pela corrida.

— Saímos quando o sinal tocar na volta do intervalo, aí eu deixo você na sua sala. – explicou o japonês olhando para os lados, estava falando aos sussurros e percebeu que havia mais alguns sussurros – Shiu Hyoga!

— Não sou eu...

Ikki já descobrira a origem dos outros sussurros, inclusive havia tapado a boca de Hyoga para ouvir melhor os gemidos contidos que vinha da área dos chuveiros. Com cuidado os dois foram até o outro cômodo presenciando uma cena picante.

"Hilda e a Pan!" Hyoga disse bem baixinho, as duas meninas se beijavam com Hilda imprensada entre a jovem alemã e a parede. Pandora tinha uma das mãos perdida sob a saia da loira enquanto Hilda acariciava a morena sob a blusa da escola.

— Hum elas estão se divertindo. – Hyoga olhou para Ikki com um sorriso malicioso, os dois estavam na parede que dava para o vestiário, não foram notados pelas duas que pareciam bem ocupadas.

— Quer se divertir também loiro? – Ikki tinha um sorriso de lado, uma mão na parede ao lado da cabeça do russinho que era mais baixo e precisava olhar para cima para olhar o Amamiya. O lutador aproximou mais o corpo até deixar os lábios roçarem nos lábios vermelhos de Hyoga – Hum?

Hyoga se içou para beijar Ikki quando ouviram o estrondo da porta e o grito.

— O que vocês estão fazendo aqui?!

A voz de Marin ecoou pelo banheiro quase vazio fazendo o coração dos adolescentes baterem nos ouvidos de tanto susto. Ouviram Pandora e Hilda começarem a gaguejar e falar desculpas com Marin a falar mais ainda, até que as vozes foram diminuindo e a porta fechada novamente. Ikki e Hyoga esperaram um tempo até sair do vestiário.

— Eu quase caguei nas calças! – Ikki puxou o agasalho rindo e o loiro também ria os dois se empurrando no caminho de volta para a escola.

— Deus me livre se a Marin me pega no vestiário vazio com você! Imagina como deve estar a Hilda e a Pandora agora.

— Bem encrencadas pode apostar.

— Igual aos dois se não me derem uma boa explicação de porque estão fora da sala de aula, o sinal já tocou há quinze minutos!

— Puta... – Ikki começou a xingar.

— Sem palavrões!

— Meu deus!

Não era certamente o deus de Hyoga, mas tratava-se do deus adorado da filosofia Shaka Evrad de quem Shun tanto falava. Agora o loiro estava verdadeiramente encrencado já que Shaka era o senhor regras e amigo de Camus, iria para a diretoria.

— Por favor, me ajuda! Tem um louco me perseguindo. – o russinho puxou as mangas do professor e ainda havia lágrimas em seus olhos, algo muito comovente – Pedi para o Ikki me esconder do Tenma porque ele quer me matar!

— Quê? – Shaka franziu a sobrancelha.

— Ele é um psicopata! – disseram os dois adolescentes juntos.

***

— Talvez seja apenas porque ele está um pouco empolgado Hyoga.

— Um pouco empolgado? – o loiro olhou para a orientadora educacional Shina Aguilera incrédulo – Estamos namorando e nem tem uma semana, ele já me mandou trezentas mensagens de amor eterno, me deu um anel de compromisso com o nome dele gravado! Ele disse que nós vamos casar que vamos morar em uma casa bonita em Laka em uma praia tranquila e deserta. – Hyoga se ergueu porque sua indignação atingiu o auge – Deserta! Ele vai me matar e me jogar no mar.

Shina olhou para Shaka que empurrou os óculos sobre o nariz e tinha uma expressão preocupada. Conhecia alguma coisa sobre Hyoga ser filho do irmão esquentado de Aiolos, tudo que precisavam agora era ter um aluno com problemas psicológicos atormentando Hyoga.

— Eles saíram sexta passada. – Ikki comentou de passagem – Um pouco cedo pra todo esse planejamento certo? Será que ele já tem um altar com mil fotos do Hyoga e amor eterno escrito com sangue?

— Vai à merda Ikki! – o loirinho bateu no Amamiya, só ele para fazer aquela piada estúpida naquele momento. Só havia falado para Shaka sobre Tenma para escapar da diretoria, mas o indiano acabou os levando para a orientação e Hyoga achou por bem falar logo como estava se sentindo – O Tenma não me deixa respirar! Ele tá sempre por perto, até nos treinos ele dá um jeito de me ver e eu não sei o que fazer. Ele me liga, manda mensagens... Ele foi à minha casa! Como diabos ele descobriu meu endereço?! Eu tô morrendo de medo de terminar com ele e de repente o Tenma surtar.

— Não podemos dizer que seja um comportamento normal, não em se tratando do Tenma. – Shaka comentou, todos os professores estavam a par do acompanhamento psicológico que o lutador tinha.

A bela italiana se deixou apoiar na poltrona e deu um suspiro, tinha um grande problema nas mãos e bem longe do que imaginou quando viu Evrad arrastar para a sua sala dois adolescentes. Era comum professor acabarem encontrando os jovens da Fundação pelas dependências se agarrando, eram os hormônios! Com isso ela estava acostumada a lidar, não com possíveis casos de psicopatia juvenil.

— Hyoga você está liberado para ir para casa, Ikki você também. Para casa os dois!

— Mas e o treino?! Eu posso chegar mais cedo o Camus provavelmente já está na Fundação.

— O Aiolia também.

— Então os dois para o ginásio, estão dispensados da aula. Hyoga eu vou falar com os responsáveis do Tenma e com o seu pai também, não se preocupe que vamos resolver isso. Só tente ficar longe dele por enquanto. Shaka vai levá-los para o ginásio. – Shina fez sinal aos dois mais novos que trataram de sair da sala logo para esperar o professor. Antes de sair Shaka se voltou para Shina a um sinal dela – Shaka o que vamos fazer?

— Nós vamos precisar falar com os professores e os técnicos dos dois além de Milo. – Shaka torceu as lábios em desagrado à ideia. – Aiolos também, ele parece acompanhar de perto a família de Tenma, na verdade são três irmãos e destes parece que apenas Seiya não tem algum problema. Kouga o irmão mais velho está numa penitenciária, os mais jovens vieram para a Fundação depois da morte dos pais.

— Isso só complica tudo! Se ele tiver projetado nessa relação um sentimento de afeto e estabilidade que não tem? – Shina esfregou o rosto com as mãos.

— Temos que ter muito cuidado nessa situação Shina, não há culpados. O Hyoga mesmo é jovem demais, não tinha como saber que Tenma tinha problemas e nessa fase adolescentes estão construindo relações. É natural que eles troquem parceiros com frequência, não tenham nada duradouro.

— Precisamos do Camus, parece que ele lidou muito bem com Milo.

— Eu falo com o Camus.

***

— Podemos jantar na sexta e conversa sobre o assunto. Quando é a reunião com os pais e a orientação? – Camus e Shaka conversavam quando o professor de filosofia foi deixar Hyoga no treino.

— Marcamos na segunda, mas Shina e eu vamos nos reunir com Tenma e os psicólogos amanhã já. – Shaka pegou no ombro do amigo. Conheciam-se de longa data, fora por intermédio de Shaka e Aiolia que Aiolos convidou Camus para integrar a equipe do projeto Medalha de ouro. – Shina acha melhor começar o novo acompanhamento psicológico logo, o foco tem que ser o Tenma de qualquer forma. Porém, você já teve uma experiência com Milo e sabe que a questão é bem delicada.

— Como sei. Jantamos na sexta Shaka?

— Sim e esticamos a noite sobre seus lençóis egípcios? – Shaka sussurrou próximo ao ruivo que riu de lado e deixou os dedos deslizarem pelos longos fios dourados do indiano, Shaka Evrad era um homem belo e sedutor demais para se recusar.

— Com massagem indiana? – Camus e Shaka eram muito discretos na amizade e nos flertes, mas nunca deixavam de se provocar assim.

Despediram- se e Camus foi se juntar a Hyoga e Cristal, o novo assistente que auxiliava os treinos, que colocava os patins para iniciar os treinos.

— Você tá pegando o deus da filosofia?! – o loirinho não conseguiu segurar a curiosidade e quando viu Camus se erguer lentamente e o fitar com uma expressão ambígua, ficou receoso de ter ido longe demais – Desculpe, não é da minha conta e foi mal educado perguntar.

— Foi “falta de educação” ou “indelicado perguntar, não “mal educado”. – Camus sorriu e o chamou para a pista de gelo onde deslizaram até o meio – Realmente não é da sua conta, também não é ético comentar isso com um aluno... Até porque é meio complicado explicar a você sobre mim e Shaka.

— Vocês tem uma amizade colorida? Tipo que se pegam de vez em quando? – Camus ainda não estava acostumado com o fato que depois para adolescentes poderia ser no minuto seguinte – Não precisa explicar Camus, isso é muito comum se quer saber. Eu tenho um monte de amigos que fazem isso e até meu pai tem um! Ele não admite, mas o Saga é um “galho” que meu pai tem para as horas de necessidade só que o Saga é apaixonado pelo meu pai.

— Verdade? Eles já se conhecem há muito tempo? – agora foi Camus que não conseguiu refrear sua curiosidade.

— Um tempão! Sabia que o Shun é apaixonado pelo deus todo poderoso Evrad?

Como típico adolescente Hyoga e continuidade no assunto não combinavam. Às vezes Camus podia jurar que conversavam em uma montanha russa.

***

Na sexta de manhã ao chegar próximo ao colégio Hyoga foi surpreendido por Tenma, o loiro não estava acompanhado do pai nem dos Amamiya que não tinham ido à escola aquele dia. Ikki tinha ido para o Centro médico da Fundação para uma avaliação clinica como todo mês, por conta da vida de atleta e Shun estava com a avó deles Agatha que estava muito doente aquela semana. Em um movimento de corpo o japonês passou o braço sobre os ombros do menor e o puxou para si. Já havia um tempo que não se viam porque Hyoga fora orientado a se afastar. Conseguira por aqueles dias, mas pelo visto sua sorte acabara.

— Docinho estou morrendo de saudade, porque não o vejo na escola e você não retorna minhas mensagens e ligações?

— Eu... Estou de castigo lembra? Na quarta tive que ir para casa estava me sentindo mal e ontem não vim... – Hyoga balbuciou a mentira, Tenma era mais alto e mais forte que o russinho e a surpresa permitiram que ele conseguisse encurralar o patinador no muro da escola. Estavam uns bons metros da entrada.

— Podia ter atendido minhas ligações e eu cuidaria de você. – o lutador deixou que o nariz percorresse a curva do pescoço de Hyoga aspirando seu perfume – Adoro seu cheiro loiro.

— Meu... Um carro passou por cima do meu celular, tô sem agora! Ai Tenma! – Hyoga tentou afastar o outro quando sentiu os dentes dele na sua carne, uma mordida dolorosa – Você está me machucando!

— Estou o quê?! – o punho do japonês afundou na parede ao lado da cabeça de Hyoga no mesmo momento em que ele levantou o rosto para encará-lo, o olhar estava faiscante de raiva – Diga docinho?

— Nada!

— Amor eu não quero assistir aula hoje, nós vamos para a minha casa assistir algum filme e ficar juntos o resto do dia. – Tenma puxou Hyoga do muro pelos braços – Comprei coisas deliciosas para você comer em casa.

— Não posso ir, vamos para aula Tenma! Meu pai me mata se descobrir que eu não entrei na escola e eu tenho uma prova importante hoje. – Hyoga começava a ficar apavorado, olhava para os lados em um pedido mudo de socorro e ninguém parecia notar os dois ali.

— Ele não precisa saber docinho. Ninguém na verdade precisa saber da gente, Shina veio com uma conversa estranha outro dia. Você contou a ela algo sobre nós? Sobre o nosso namoro Hyoga?

— Na... Não disse nada! Me solta Tenma você vai me machucar assim. – Hyoga começou a se debater, tinha esperanças de que o outro o largasse e ele poderia correr até a entrada da escola.

— Eu vou machucar você se não parar de tentar se livrar de mim. – murmurou o lutador puxando Hyoga para junto de si, o olhar apavorado do loiro parecia lhe dar uma satisfação enorme – Quieto e vamos embora daqui, eu vou levar você para minha casa. E você quer ir não quer? – Hyoga só conseguiu assentir e Tenma os virou para o lado oposto quando ouviu alguém gritar os nomes deles.

— Hyoga! Tenma onde pensam que vão? – era uma das inspetoras que os vira ali e resolveu se aproximar – Já para a aula os dois?!

— O Hyoga tá passando mal, eu vou ajudá-lo a voltar para casa. – explicou Tenma segurando Hyoga junto a si pela cintura, o aperto era tão forte que Hyoga ofegou.

— Coitadinho! E como está pálido, venha querido vou levá-lo à enfermaria.

— Não ele quer ir para casa!

— Eu quero... Ai! – Hyoga curvou-se sobre si mesmo por que Tenma havia apertado um ponto em seu corpo que lhe causou uma dor imensa, a inspetora os olhou desconfiada e já ia chamar ajuda quando Shaka estacionou o carro junto deles.

— O que está acontecendo aqui? – Shaka saiu do carro e olhou para os dois rapazes e para a inspetora, ao ver a expressão do loiro entendeu rápido o que acontecia – Tenma largue o Hyoga e entre, sua aula começa em poucos minutos. Eu levarei o menino para a enfermaria.

— Ah viu só Tenma? Venha deixe Hyoga com o senhor Evrad que ele está em boas mãos, vamos entrar? – a inspetora estava um tanto assustada, mas tentaria agir com normalidade para que Tenma não ficasse agitado e machucasse Hyoga.

Com muita relutância o jovem lutador largou Hyoga aos poucos e seguiu com a professora. Shaka se pôs ao lado do garoto russo trêmulo que não ousava nem respirar até ver Tenma entrar pelo portão e ele se fechar.

— Ele vai me matar, vai me matar. – murmurava o russinho abraçando a si mesmo, nunca teve tanto medo na vida como teve naquele momento e algo lhe dizia que aquilo ainda podia piorar.

— Venha criança, vou levar você para a casa. – Shaka o pegou pelos ombros e começou a voltar para o carro.

— NÃO! Minha casa não! Ele sabe onde é a minha casa, eu preciso me esconder dele. Shaka me leva para a casa do Camus, ele não sabe onde é pelo amor de deus! Eu preciso me esconder dele, Tenma disse que ia me machucar! ELE VAI ME MATAR!