Amor com Amor se Paga.
11 Capítulo 11
Notas iniciais
Camus teve que arrumar espaço em sua rotina organizada para Krest, definitivamente não podia deixar de vê-lo.
Então as visitas se tornaram tão frequentes, a ponto de os funcionários do abrigo começar a ajustar a rotina do menino a elas, Camus parecia ser o único capaz de lidar com o bebê russo e hiperativo. Krest também era arredio e desconfiado e como Camus era capaz de falar em russo com o pequeno, era de grande ajuda para tentar desvendar o passado do garotinho.
— Subir! Corre Krest! Boom! – gritou Krest em uma das visitas de Camus, apontando para o pátio livre onde estava o playground – Boom!
Camus ensinou ao garoto as palavras em grego e o fez repeti-las até que ele se acostumasse, mas aquelas palavras soltas o intrigaram então Camus estendeu uma folha de papel e lápis de cera para Krest.
— Subir! Alto! Desenhe Krest. – Camus descobrira naquela semana que o garotinho tinha um ano e meio e realmente se chamava Krest. O abrigo conseguira a certidão de nascimento dele. Havia nascido na Grécia, mas a mãe e a irmã eram da Bielorrússia e viviam clandestinamente em Atenas. Clinicamente o garoto tivera um primeiro diagnóstico, ainda faria mais exames, mas era provável que Krest fosse hiperativo. Dessa forma precisaria de muitos cuidados e uma adoção se tornaria complicada, pais geralmente procuravam crianças que não tinham quaisquer problemas ou dificuldades.
O ruivo ficou observando o desenho tosco que era produzido pelo garotinho, intrigado com a escolha das cores e o excesso de vermelho.
— Quem é Krest? – Camus perguntou em russo sem se preocupar com o grego dessa vez.
— Mama! Boom!
Havia muito vermelho onde Krest dizia ser "mama", o garotinho fazia barulhos com a boca que lembravam tiros. Começou a ficar inquieto e Camus teve que pegá-lo e acalmá-lo, mas ele mesmo estava com o coração acelerado.
— O que você presenciou petit? – apertou o garotinho junto a si – Tão pequeno e tão inocente.
Depois disso Camus não conseguiu mais controlar seu apego ao menino, o abrigo passou a ser sua prioridade depois das aulas e isso começou a deixar Milo intrigado. Camus chegava tarde e andava pensativo, introspectivo. Ciumento como era o grego pensou logo que havia outro, um amante e começou a ficar atento. O francês até deixou de insistir na história do casamento e da mudança para o apartamento de lado, precisava verificar e ia tirar o escalpo do francês se fosse verdade.
Então saiu mais cedo do trabalho para pegar o francês em flagrante na Fundação, depois de procurar um pouco lhe indicaram que Camus estava no abrigo, já era tarde e o horário das aulas já havia acabado. Seu ruivo deveria ter ido para casa há tempos!
Uma Shina surpresa e um tanto receosa lhe disse para procurar Camus no playground do abrigo, isso acendeu ainda mais as desconfianças do mecânico que já pensava em mil formas de trucidar o namorado. Acompanhou Shina até onde estava Camus e qual não foi sua surpresa ao ver o "rival".
Seu ruivo estava sentado em um balanço com um garotinho no colo, Camus murmurava algo para o menino que brincava com um chocalho colorido e só quando chegou mais perto Milo percebeu que o namorado cantava em francês. Milo soltou o ar e se sentiu estúpido como nunca antes!
— Você está me seguindo? –Camus interrompeu-se para interpelar o namorado enquanto este se acomodava no balanço ao lado.
— Eu tinha que ver quem é esse cara que anda te roubando de mim ruivo. – Milo esticou as mãos para acariciar o rosto de Krest, que o olhou desconfiado com seu único olho fora da franja – O que você esconde aí debaixo dessa juba moleque? – o grego afastou a franja e agora eram duas esmeraldas brilhantes que o fitavam, o garotinho tirou a mão de Milo do seu rosto – Ih! Você é bonitão cara, acho que perdi essa porque não posso competir com você.
— Esse é o Milo, Krest repita. "Milo" – Camus ensinou ao garotinho que começou a ficar inquieto no seu colo olhando o grego com curiosidade.
— Milo! – repetiu e o grego sorriu para ele.
— Porque não me contou? – Milo olhou para os próprios pés e em seguida para Camus que acomodava Krest em seu colo.
— Não queria dar esperanças a ninguém e nem que começassem a me pressionar, só meu terapeuta e a Shina sabem que eu venho aqui. Eu não me sinto seguro para adotá-lo por isso venho ao abrigo todo dia vê-lo. – Krest subia em Camus murmurando em russo, estava elétrico outra vez e queria a atenção do francês para si.
— Ele parece um bom garoto. – o grego puxou o balanço de Camus para junto do seu passando o braço sobre os ombros do francês – Camus quando vai aprender a confiar em si mesmo!
— Não é só isso! Não queria pressionar você, nem apressar as coisas. Nós não casamos ainda, você não quer morar na cobertura e ainda tem a terapia! – Camus suspirou – Krest tem algumas dificuldades, ele precisa de cuidados constantes e eu achei que...
— Papa, descer! – em grego e com um bico enorme Krest pediu interrompendo a conversa dos dois adultos e fazendo-os sorrir, Camus tinha um sorriso imenso no rosto que chegava até os olhos avermelhados.
— Ele já chama você de pai Camus! O que está esperando para levá-lo para casa? – o loiro se ergueu e pegou o menino colocando-o nos ombros o que fez com que Krest gritasse extasiado – Você parece durão, vamos ver se você gosta disso!
Milo esqueceu Camus e dos dilemas do ruivo e concentrou-se em brincar com o garotinho que ria deliciado, o francês observava Milo brincar com Krest e sentia-se tolo por tanto receio. Milo não era Shaka, ele iria apoiá-lo se quisesse adotar Krest.
— Amanhã nós vamos com Aiolos e a Shina para começar a acertar tudo. – Milo estava mais que revigorado quando saíram do abrigo depois de deixar Krest dormindo – Vou trazer o Hyoga aqui amanhã para conhecer o Krest, ele vai pirar quando descobrir que pode ter um irmãozinho até o natal.
— Acha que conseguiremos tão rápido assim? – Camus colocou as mãos no bolso, Milo parou na frente do namorado beijando-o de leve antes de abrir a porta do carro para ele.
— Dois meses são o suficiente, eu tenho os meus contatos.
E Milo no dia seguinte já começou a se mexer para dar entrada ao processo da adoção. Conhecia muita gente e assim que contou para os irmãos, nem precisou pedir ajuda para os tramites. Aiolos disponibilizou seu próprio advogado para ajudar no processo e também custeou parte do processo, a outra parte Milo fez questão de pagar e o Argenkland mais velho sabia que não ia demover o irmão de fazê-lo. Mas a ajuda mesmo veio de alguém que ele não esperava.
Camus estava cético quanto ao tempo para ter Krest com eles, mas se deixou levar pelo entusiasmo de Milo e Hyoga. O russinho ficou eufórico quando conheceu Krest e eles logo ficaram à vontade, Camus descobriu que Hyoga também era hiperativo e passou por um longo período de adaptação quando criança. A ligação de Hyoga e de Krest foi instantânea!
Finalmente decidiram pelo casamento, Milo acabou cedendo sobre morar na cobertura e alugar a casinha do subúrbio. Em meados de novembro aconteceu à cerimônia, algo íntimo no apartamento apenas para os amigos mais íntimos. Aiolos ofereceu sua casa e seus jardins, contudo Milo e Camus recusaram dizendo preferir uma festa pequena.
Dois dias antes Camus estava à porta do quarto de bebê trancado há meses, a mão nas chaves sem coragem de abrir.
— Juntos, ruivo. – a mão de Milo cobriu a sua e o outro braço enlaçou Camus pela cintura, a cada dia o francês se convencia que Milo fora a melhor coisa que lhe aconteceu na vida.
Abriram o quarto empoeirado e Camus ainda hesitou um bocado até dar o primeiro passo para dentro do cômodo, Milo veio logo atrás e já entrou no quarto abrindo as janelas e os armários.
— Vamos ter que trocar o enxoval, Krest está grande demais para usar essas roupas. A maioria está nas embalagens então acho que podemos doar.
— No abrigo da Fundação há muito bebês, seria bem recebida uma doação de roupas novas. – Camus deixava que os dedos pálidos deslizassem pelo tecido e olhava Milo desenvolto mexendo em tudo ali – O berço ainda pode servir.
— Vamos doar o berço e tudo dele também Camie! – o grego passou pelo noivo e gritou pelo filho já no corredor.
Camus se voltou para o quarto olhando os ursos empoeirados, a mobília intocada. Ele não permitia nem que a faxineira que vinha duas vezes por semana entrasse ali então o quarto está trancado há muito tempo.
— Vai dar um trabalho se... Milo!
— Força Hyoga! – os dois Savalas vinham entrando trazendo uma caixa enorme e Ikki vinha atrás com outras, Shun também com alguns pacotes.
— O que são essas coisas? Onde estava guardado tudo isso?!
— Na casa antiga, eu trouxe tudo ontem à noite quando você foi para o abrigo. – Milo e Hyoga deixaram cair a caixa pesada e Hyoga suspirou aliviado, vermelho pelo esforço – Mandei chamar reforços porque nós vamos arrumar tudo hoje, trocar o papel de parede e montar a cama. É ruivo uma cama porque a vendedora me garantiu que é bem segura e ele pode usar até os dez anos tranquilamente! É muito boa, tem cercado lateral e ajustável, ele não vai cair.
— E você é o senhor pai do ano pelo que estou vendo. – Camus olhava os outros se mexendo pelo quarto Espero que saiba montá-la sozinho gênio, mas a ideia é excelente tenho que admitir.
— Foi minha. Claro que foi excelente! – Hyoga e os outros começaram a tirar as coisas da caixa – Compramos roupa de cama, roupinhas e um monte de outras coisas!
— Compramos brinquedos! – Shun parecia verdadeiramente animado com os brinquedos – Os ursinhos são tão fofos!
— Vamos ter que nos livrar dos ursos, até dos novos. – Camus pegou algumas roupas e brinquedos para olhar mais de perto, gostando do que haviam escolhido. Hyoga e Milo deviam ter gasto todo o dinheiro do aluguel da pequena casinha na periferia naquelas coisas. Enfim haviam decidido alugar a casa e deixar o dinheiro para Hyoga, para que o loirinho começasse a ter responsabilidades em administrar seus gastos. Os três agora moravam no apartamento de Camus com Milo abrindo a própria oficina há poucas quadras de lá, Ikki Amamiya quando não estava treinando ou competindo, ajudavam junto com Hyoga e Camus. Apenas Shun estava totalmente focado na ginástica, ainda não conseguira classificar-se para as olimpíadas, mas treinava duro e estava ficando cada dia melhor – Se alguém tivesse me perguntado, eu poderia dizer que Krest é alérgico a pelúcias ou vocês acham que me livrei do meu tapete de lã egípcia de graça?
— Eu sabia que tinha outro motivo para você se livrar daquele tapete além de ter visto a gente transando em cima dele. – Ikki comentou com Hyoga que assentiu ambos olhavam o manual da cama.
— Ocultei essa informação adicional do comprador dele. Bem, já que vocês estão muito empenhados aqui eu vou sair para ver se consigo trocar os ursos e vou levar o que formos doar para a Fundação.
— Eu vou com você! – falaram Hyoga e Shun ao mesmo tempo já animados em sair.
— Certo, recolham os ursos e as roupas dos armários. Milo você vai ficar bem armando a cama e pintando as paredes? Quando eu chegar com os garotos, nós arrumamos tudo. – Milo puxou o em breve marido para si e lhe deu um selinho – Tem cerveja na geladeira.
— Melhor marido do mundo. – e Camus ganhou mais um beijo antes de ir embora.
Milo viu o ruivo sair segurando as sacolas e os outros dois mais jovens, depois se voltou para ajudar Ikki com a cama. Estava muito feliz que apesar de tudo agora a vida deles estava entrando nos eixos. Era maravilhoso que ele finalmente tenha encontrado alguém para viver o resto da vida, além de Natássia claro. Ele havia amado muito a russa, eles tiveram Hyoga e ela nunca deixaria de ter um papel importante na vida do grego. Só que agora ela dividia seu coração com Camus também, mas de uma forma diferente.
— Tá agora para de olhar pro nada que nem um retardado e me ajuda aqui Milo. – Ikki fazia força com uma peça enorme da cama.
— Mais respeito. Não pense que só porque é namorado do Hyoga agora que eu não abro sua cabeça com um macaco hidráulico.
— Vai se acostumando comigo sogrão, você não vai se livrar de mim muito fácil.
— Ah não? Espero mesmo que seja assim porque aquela marcação da loirinha que eu vi outro dia é bem suspeita. – Milo riu de lado, mas o alerta no seu olhar era bem real e Ikki estalou a língua para aquilo, não queria que Milo tivesse visto nada. Mas Esmeralda era "insistente" e estava difícil para ela aceitar que ele tinha um namorado – Quem é ela Ikki?
— É a Esmeralda da turma de hidráulica, ela tá fazendo uma matéria na nossa turma e eu ‘tô ajudando ela. Nada demais!
— Pra sua integridade física, espero que sim. Sabia que as lâminas dos patins são afiadas como navalhas, o Hyoga me disse uma vez que dá pra levantar aquilo sem problemas num chute, se eu fosse você tomava cuidado.
O grego viu o "genro" resmungar algo e continuar a montar a cama com uma expressão contrariada, não ia insistir no assunto, mas ficaria atento. Intimamente Milo queria que Hyoga passasse pela adolescência, puro e casto até completar trinta anos, assim ele teria maturidade para lidar com situações como aquela. Não culpava Ikki, ele era jovem e inexperiente, estava se descobrindo ainda como todo mundo e ele mesmo já fora assim. Ambos eram na verdade! Podia dar certo ou não e isso só o tempo diria, mesmo que lá no fundo Milo soubesse que era Hyoga que se entregava mais e amava mais. Logo se não desse certo ele que sofreria e Milo por tabela porque ver seu pequeno anjo sofrer era tudo que não queria, por isso se sacrificara tanto por ele.
**flashback
— Crianças hiperativas requerem um pouco mais de cuidado e atenção, o Hyoga tem uma capacidade de memória peculiar para um menino de três anos! Ele precisará de acompanhamento especial na escolinha.
— Ele está na creche doutora, não conseguimos colocá-lo na escola ainda. – Natássia tentava segurar o garotinho no colo, mas ele estava agitado e queria descer. Milo pegou o filho e o colocou no ombro brincando com ele enquanto continuava a ouvir a médica e a esposa conversarem – Já tá complicado conseguir uma escola barata para colocar ele, imagina com ajuda especial.
— Bem... Pelo menos ele vai precisar de acompanhamento especializado clínico, a hiperatividade se não controlada pode prejudicar o desenvolvimento dele.
Natássia e Milo trocaram um olhar, a jovem mãe estava angustiada e cansada. O bebê não dava descanso e havia ainda suas cinco horas de trabalho como caixa no supermercado que Natássia tinha que enfrentar, mais a jornada de mãe. Milo estava ali ajudando em tudo que podia, ficava com o bebê boa parte da noite para que a mulher descansasse. Mas em suma ambos estavam assustados e exaustos.
— Agora seria uma boa hora para falar com Aiolos. – Natássia disse quando saíram da consulta médica – Acha que ele pode falar com a senhora Kido e conseguir uma bolsa pro Hyoga na Fundação?
— Se ele descobrir sobre a hiperatividade, vai tomar o Hyoga da gente. – Milo vinha com o braço sobre os ombros da esposa, Natássia trazia Hyoga enroladinho no colo por causa do frio.
— Com a minha família não vai ser diferente Milo. Só que eles podem me levar pra Rússia e nós nunca mais vamos nos ver.
Eram jovens demais, nem eram maiores de idade ainda e apesar do amor, era loucura tentar criar o bebê sozinho. Não estava dando certo! Milo trabalhava de auxiliar numa oficina ganhando uma miséria, Natássia trabalhava em um supermercado e ganhava pouco também, era uma vaga de aprendiz porque ela era menor de idade e só podia trabalhar meio expediente. Tinham o bebê que passava a maior parte do tempo na creche e logo nem isso porque ele precisava ir para a escola, mas eles não tinham dinheiro para mandá-lo para uma e as públicas só o receberiam quando ele fizesse sete anos.
— Eu não sei se consigo aguentar mais. – sussurrou Natássia beijando os cabelos claros do filho – Eu ‘tô com muito medo.
Foi por isso que Milo se reaproximou dos irmãos, mesmo jurando não fazê-lo. Por Hyoga! Ele e os irmãos nunca tiveram uma relação próxima, por Milo ser um filho fora do casamento do patriarca Argenkland. Dessa forma, Milo repelia todo e qualquer contato com Aiolos e Aiolia, não aceitava qualquer tipo de ajuda dos dois mesmo eles sempre demonstrando amabilidade. Só que entre perder o filho e a mulher para a família de Natássia, Milo preferia lutar com os irmãos, pois na pior das hipóteses eles ficariam na Grécia e não na Rússia! Mas isso acabou não acontecendo. Aiolos não só os acolheu e ajudou, como tomou para si a tarefa de custear o tratamento do sobrinho ajudando no desenvolvimento dele e foi graças à Aiolia que Natássia voltou a estudar e arrumou outro emprego. Milo também, fazendo o curso de mecânica e terminando os estudos à noite. Os Argenkland eram apaixonados pelo sobrinho e isso serviu para aproximá-los de Milo. Parecia que tudo dava certo...
**fim do flashback
— Até o acidente da Nat. – murmurou para o nada, nem percebera que Ikki havia saído do quarto e que então, estava sozinho – Ikki!
"Na cozinha" gritou o moreno e ele então deu de ombros e voltou ao que fazia.
Camus com Hyoga e Shun só voltaram na hora do almoço com comida tailandesa e algumas outras compras, o jovem russo meio amuado por ter levado uma bronca de Camus por ele ter gasto todo o aluguel da casa em uma semana. O ruivo tinha ficado tocado com o gesto, mas não podia deixar de dizer que aquilo fora imprudente, principalmente depois de saber que Hyoga tinha ficado sem nenhum tostão. Passaram o dia com os arranjos do quarto até Camus dispensar os jovens no começo da noite para se divertirem, Shiryu apareceu para buscar Shun e foi a deixa para Camus incitar Hyoga e Ikki para saírem.
— Ficou bom não? – Milo olhava em volta satisfeito com todo o trabalho, o quarto era azul com adesivos coloridos de peixes e do mar, a cama montada estava no meio do quarto junto com os móveis por causa das paredes recém-pintadas.
— Krest vai ficar louco quando ver. – Camus massageou os ombros de Milo – Você foi incrível como sempre, merece um prêmio.
—Já pensei em várias maneiras de você me recompensar. Que tal a banheira?
— Vá preparando tudo que eu vou providenciar nosso jantar e já me junto a você ok?
— Você é muito mandão.
— Faz parte do meu charme. – Camus riu de lado piscando com uma expressão cafajeste para Milo, que riu em troca e foi fazer o que ele pedira. Era muito bom ter Camus seguro de si a ponto de flertar com ele de novo.
Camus se juntou a ele já quando o grego estava aproveitando a água quente com os sabonetes líquidos aromáticos do francês. O ruivo deixou o roupão de lado e se juntou a Milo na banheira.
— Acha que daqui a cinquenta anos eu ainda vou ficar com esse tesão todo só de te ver Camus?
— Estou contando com isso, eu quero sexo na terceira idade. – o francês se acomodou no lado oposto da banheira grande mergulhando o corpo suado e cansado do dia de trabalho caseiro – Vem aqui, deixa eu te fazer uma massagem relaxante.
— Com os cumprimentos de Shaka Evrad?
— Com os cumprimentos de Shaka Evrad. – ambos riram. Era uma piada entre os dois desde que Camus contara que tinha aprendido sexo tântrico com Evrad além de uma série de outras coisas e massagens.
O francês espalhou sabonete liquido nos ombros e na costa larga do noivo para ajudar nos movimentos da mão, limpando o suor da pele bronzeada fazendo o outro fechar os olhos apreciando o cuidado que recebia. Camus começou a desfazer a trança que havia feito nos cabelos de Milo.
— Vai cuidar sempre de mim assim ruivo?
— Sempre. Je t'aime Milo.
— Também amo você Camus.
Milo trouxe Camus para o colo tomando a boca do ruivo em um beijo, deixando que a língua vasculhasse aquela cavidade aveludada lentamente, saboreando a língua de Camus com a sua, sugando os lábios até deixá-los levemente inchados e mais vermelhos.
— Na nossa noite de núpcias...
— Amanhã.
— Então. Eu quero realizar uma fantasia. – Camus ondulou os quadris enquanto Milo pressionava-o sobre sua ereção e tomava nos lábios um mamilo róseo, lambendo a pele em volta para voltar depois e sugar.
— Que fantasia, ruivo? – Milo ergueu o rosto para fitar Camus, adorava a expressão de prazer do ruivo quando começava a preparação, quando introduzia os dedos para prepará-lo para recebê-lo.
— De você... Hmm... Ah! Vestido de macacão de mecânico... Cacete! – Camus arquejou quando Milo introduziu o segundo dedo, sua imaginação já trabalhava na imagem de Milo e aquele macacão surrado e sujo de graxa.
— Não brinque com os meus sentimentos Camus! – Milo intensificou os movimentos dos dedos e Camus cravou as unhas nos ombros dele.
— Na garagem da oficina. Você desliga as câmeras, não quero parar no redtube.
— Você é o melhor marido do mundo.
***
A melhor noite de núpcias teve de ser adiada, mas por um motivo nobre.
A cerimônia foi rápida com um juiz de paz e os amigos íntimos para compartilharem aquele momento. O jantar regado à música para todos os gostos e os melhores pratos de Camus que cozinhara tudo, era intimista e aconchegante.
— A Shina tá subindo, segura o corte do bolo! – gritou Aiolia que tinha ido atender o interfone, a nova família Savalas estava na mesa do bolo de casamento prestes a cortá-lo.
Todos ficaram aguardando a pedagoga chegar, foi Aiolos que a introduziu no apartamento até a sala ampla que foi adaptada para se tornar um pequeno salão.
— Pelos deuses! Estou muito atrasada, perdi quase tudo por causa desse maldito trânsito! – Shina se pendurou em Camus pra beijá-lo no rosto e em seguida Milo, para Hyoga sobrou dois beliscões nas bochechas – Mas eu tive que atravessar a cidade e ir até a Fundação, passar no departamento jurídico ou então só ia conseguir essa liberação na segunda e eu queria muito trazer esse presente para vocês! – Shina abriu um sorriso radiante – Ettore amor, pode trazer.
O professor de matemática, agora noivo de Shina entrou na sala e toda a atenção foi para ele, na verdade para o menininho que estava em seus braços.
— Papa! Milo!
— Krest! – Hyoga correu primeiro para pegar o menino, Milo e Camus ficaram estáticos se olhando emocionados por Krest estar ali naquele dia tão importante.
— Não diga que... – Milo encontrou o que dizer quando Hyoga lhe passou Krest que o abraçou feliz e depois se jogou nos braços de Camus, falando papai muito eufórico!
— É a guarda provisória e aquele bla bla bla sem fim. – Shina explicava enquanto voltava para junto do noivo – Milo você tem as costas quentes porque a guarda provisória não só saiu como o pedido da guarda definitiva já está em andamento, o advogado da Fundação está impressionado com a eficiência do seu advogado.
— Cumprimentos de Kanon Laskaris e o Juiz Julian Solon, o juiz vai sempre à oficina arrumar o carro e eu toquei no assunto uma vez. Na semana seguinte ele me ligou pra começar a dar entrada no pedido que ele mesmo ia tratar. – Milo abraçou o agora marido que apertava o filho nos braços – Mas à eficiência do Laskaris é culpa do Camus.
— Você disse que estava com o defensor público. – Camus murmurou para Milo.
— Deixe que ele compense por todo mal que fez. – o grego comentou apenas para Hyoga e Camus ouvirem – Ei garotão! Vem aqui com o papai.
— Não Milo! Esse papai. – Krest apontou para Camus causando gargalhadas em todos.
— Esse sabe das coisas. – Aiolia comentou alto em meio as gargalhadas.
— Voltem ao bolo! – gritou alguém.
— Estou esperando o primeiro pedaço. – Shina disse presunçosa – Afinal o meu foi o melhor presente. – e isso foi motivo de indignação geral, mas o casal voltou ao corte do bolo.
Para evitar a terceira guerra mundial, Milo e Camus dividiram o primeiro pedaço com Krest que parecia muito feliz em comer bolo.
A festa ainda se esticou mais depois disso, Krest era o centro das atenções e o foi durante muito tempo. Contudo, era uma criança de quase dois anos e apesar de Milo jurar que ele tinha baterias infinitas, elas acabaram em um determinado momento. Camus foi colocar Krest para dormir no quarto novo.
Com o bebê no colo, Camus parou na porta do quartinho olhando a cama nova e o quarto todo arrumado, Krest que já pousara a cabeça no ombro do ruivo o envolveu com os bracinhos roliços pelo pescoço.
— Papa fica. – murmurou meio sonolento.
Camus fechou a porta do quarto e levou Krest para o quarto do casal deitando com ele na cama, o menininho se aconchegou a ele feliz murmurando em meio ao sono.
***
— Acho que alguém não vai ter noite de núpcias. – Ikki comentou ao passar pelo corredor e ver pela fresta da porta, Camus dormindo na cama de casal com Krest.
— Deixa! É a primeira noite que o filho dele vai dormir aqui. Finalmente o Krest vai ficar com a gente, isso não é maravilhoso?
— É sim loiro, ter um filho deve ser um máximo. – Ikki e Hyoga fecharam a porta e se voltaram para o corredor onde Milo vinha.
— Espero que vocês não estejam pensando em filho agora. Eu acabei de casar e já vou ser avô?! Primeiro tem que pensar o que fazer da vida de vocês, depois em casar e filhos.
— Não se preocupa Milo porque esses são planos bem futuros. – eles voltaram para a cozinha, estavam terminando de arrumar tudo, os convidados tinham partido há muito tempo – Depois que eu terminar o técnico e fazer aquela graduação quem sabe? E se alguém terminar a graduação de medicina para economizarmos no médico.
— Muito reconfortante saber, até porque alguém tem que ter juízo aí ou não sobra dinheiro nem para o leite! Principalmente se ficar na mão do Hyoga o dinheiro ficar na mão do Hyoga – o grego cortou um pedaço de bolo para si – Advinha quem vai ficar sem dinheiro pelo resto do mês para aprender a controlar as despesas?
— Ah não pai! Como eu vou fazer para sobreviver esse mês?
— Eu disse que você devia ter guardado alguma coisa. Fique satisfeito por ele ter liberado o suficiente para o lanche e transporte, eu tenho o coração mole, o Camus não.
— Camus é muito radical. – Hyoga resmungou torcendo os lábios – O Krest vai amolecer ele, você vai ver.
— O papo tá muito bom, tá tudo muito legal. – Ikki roubou um pedaço do bolo – Mas eu não estou com licença casamento e a oficina não abre sozinha. Vamos dormir loiro?
— Vamos para cama, afinal alguém tem que transar nessa casa hoje. – Hyoga já falou isso do corredor, não era corajoso o suficiente para disparar aquilo cara a cara com Milo. Ikki levou o quase safanão sozinho, mas Milo sabia que não adiantava brigar por aquilo.
Depois de lavar tudo, ou Camus teria um ataque quando acordasse, Milo foi se deitar com o seu ruivo e o bebê. Olhando-os dormir tão em paz, o mecânico pensou que de certa forma a noite não terminara de modo ruim. Camus estava feliz, era isso que importava.
***
— Milo! ‘Codei. – o mecânico pestanejou sentindo um peso sobre si, abriu os olhos quando sentiu duas mãozinhas baterem no seu rosto – ‘Coda Milo! Cadê papai?
— Quando você vai me chamar de pai? – Krest estava sentado sobre Milo.
— Não é papai, é Milo. – o garotinho segurou os dois pés juntos – Quelo papai.
— Onde está o francês? – Milo pegou o bebê e saiu do quarto em seguida, à procura do marido o encontrando na cozinha preparando o café da manhã – Aí está você, veja filho é ou não é a esposa perfeita?
— Muito engraçado! – Camus colocou a jarra de suco na mesa indo depois para junto do grego ganhando um selinho e Krest aproveitou para se jogar em seus braços – Bom dia petit.
— Papai. – Krest abraçou o ruivo lhe dando um beijo na bochecha – Fome.
— Vou escovar os dentes enquanto você começa a ensinar ele a me chamar de pai. Hyoga já saiu?
— Já e não estava feliz. Suspendeu o dinheiro dele como disse para fazer? – Camus viu Milo acenar positivamente antes de sair da cozinha, o que explicou a carranca do adolescente na hora do café ao receber o dinheiro que o francês lhe dera. Apenas o suficiente para as despesas básicas porque Hyoga precisava entender que o dinheiro era importante e precisava ser bem usado. Embora o russo tenha gastado boa parte com o enxoval de Krest, Camus ainda achava que fora imprudente.
Contudo o francês não era ingrato, no mês seguinte se Hyoga sobrevivesse ao mês de vacas magras, receberia um bônus.
Sentou Krest no cadeirão e começou a dar ao bebê o café da manhã que preparou exclusivamente para ele, já tinha esquematizado boa parte da rotina do garotinho para adaptá-lo da melhor forma a casa nova. Precisava acertar seus horários com Milo e Hyoga, talvez fosse melhor largar algumas turmas da Fundação para cuidar do filho.
O desejo de Camus em largar as turmas na Fundação encontrou um impasse algumas semanas depois quando recebeu uma carta da França, que lhe informava que sua pensão vitalícia fora revogada depois que o seu caso passou por uma reavaliação. O ex-patinador não sabia o que sentir com aquilo, talvez indignação fosse o que devesse sentir já que fora levado a crer que seus esforços pelo país seriam recompensados. Afinal acidentar-se não estava em seus planos e estava em plena olimpíada, mas quem se importava?
— Nós podemos contratar um advogado e tentar levar isso a justiça, rever a pensão. – Milo afastou os fios rubros para cheirar o pescoço do marido, ambos estavam sentados na cama com a carta.
— Não podemos gastar todo esse dinheiro, seria custoso e estressante um processo desses.
— O Kan...
— Impressionante como você corre para falar com Kanon quando parece morrer sufocado só em ligar para Aiolos para pedir algo. – Camus olhou o marido com desdém, mas intimamente irritado com o fato de que Milo parecia ainda falar com Kanon com frequência e isso ele não entendia. O que o francês não sabia era que Milo monitorava Saga, por isso mantinha contato com Kanon – Vou pegar mais turmas na Fundação, melhor gastar dinheiro com uma babá do que com um processo que não vai dar em nada.
— Krest está na escolinha de manhã, a tarde ele pode ficar com Hyoga ou posso levá-lo para a oficina quando o Hyoga não puder ficar com ele Camie... Você não precisa de mais dinheiro, a oficina tá indo bem e tem o aluguel da casa. Você pode largar as turmas da tarde como queria.
— E a gente desiste de comprar o carro que você queria, tira o dinheiro que o Hyoga tá guardando para a faculdade? Nem pensar! Eu posso... – Camus mordeu o lábio pensando um pouco e depois se ergueu – Posso trocar as turmas da tarde por treinos particulares de personal, sempre tem gente me ligando pra marcar desde a época que eu trabalhava na academia.
— Nada disso ruivo! E eu lá vou querer meu marido no meio daqueles marombados e velhinhas no cio?! – Milo se ergueu também puxando Camus para si, o francês tinha uma expressão de ceticismo divertido no rosto bonito – Sem aulas de personal trainer Camus, prefiro você com as criancinhas. Na verdade eu prefiro você em casa me esperando com o jantar e as crianças.
— Vai tomar no cu, vai Milo!
— Estou chocado! Camus Chevalier é um boca suja. – debochou Milo gargalhando e apertando Camus em seu abraço que agora parecia contrariado – É sério ruivo, você pode largar as turmas que eu posso cuidar da oficina e bancar a casa.
— Não porque você vai se matar de trabalhar e eu vou arrumar um amante. – retorquiu Camus sardônico, era gostosa aquela provocação mútua entre eles, uma disputa sobre quem conseguia provocar mais – Quero a minha esposinha bem disposta quando chegar em casa.
— Esposinha é a puta...
— Minha mãe não Milo!
— Sem aulas de personal trainer Camus. — Milo pediu manhoso, cheirando o pescoço do ruivo.
— Não confia em mim?
— Eu não acredito que você nunca viu pornô de academia Camus! E pegar o personal é quase um fetiche, todo mundo quer. – Milo ergueu o olhar indignado – Por falar em fetiche, alguém tá me devendo...
— Ah sim! Mancada minha, eu vou compensar! Resolva tudo e esteja livre na sexta – Camus mordeu a junção do ombro e do pescoço do marido, subindo até a orelha para murmurar – A gente despacha as crianças para a casa do Aiolos, todos eles.
— Você sempre tem os melhores planos, amor. – se beijaram e Milo estava satisfeito por ter convencido Camus e ainda ter sua compensação, não ia deixar seu ruivo espetacular desfilando por aí com trajes de malha! Achava que tinha conseguido convence-lo.
Achava porque Camus estava mais do que decidido, na verdade ele estava há semanas procurando uma forma de contar à Milo que tivera uma excelente proposta para voltar a dar aulas. Quando fora personal conhecera muitas pessoas e tinha muitas indicações, se organizasse direito teria tempo para a família e um bom dinheiro para ajudar em casa.
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