Notas iniciais
Oiee! Então, aqui vai mais um caps com os ultimos momentos de mega angust dessa fic (assim espero, vamos orar) Queria agradecer de montão a todo mundo que comenta, favorita e curte! Sério eu amo os reviews de vocês e tudo mais. Eles me inspiram! Perdoem pelo meu lado RR Martin ter vazado no caps anterior, vou compensar nos próximos juro bjs

Camus lutou contra as pálpebras até vislumbrar uma nesga de luz, mas tudo estava confuso e ele não conseguia se mover. Ouvia vozes e parecia que mexiam com seu corpo, mas não conseguia fazê-lo obedecer.

— Ele ainda está dopado, não está lúcido. Melhor deixá-lo em observação até terminarmos os exames de praxe, acredito que amanhã já esteja forte para sair.

Quando conseguiu abrir os olhos outra vez outra vez, a primeira coisa que viu foi Shaka Evrad sentado em uma cadeira ao seu lado. O indiano olhava um ponto qualquer do aposento com os braços apoiados no descanso da poltrona, estava desalinhado e parecia insone. Camus abriu olhou em volta e viu que se encontrava em um quarto de hospital.

— Eu entrei no seu apartamento usando a minha chave. – explicou o loiro voltando seus olhos para Camus – Você não responde as mensagens, não atende telefone, não abre a porta e nem vai pegar sua correspondência na portaria a quatro dias. – Shaka sentou ereto na cadeira olhando Camus com reprovação – Estava tentando se matar?

— Não! – Camus levou a mão ao rosto e percebeu que estava ligado ao soro – Eu só tomei remédio para dormir e uma aspirina...

— Quantas vezes Camus?!

O ruivo balançou a cabeça puxando pela memória quantas vezes acordou para voltar a dormir de novo, estava tudo embaralhado.

— A médica disse que você ingeriu várias doses de calmante em um tempo contínuo, que provavelmente não come há dias também e está desidratado. – o tom de voz de Shaka se tornou menos severo e o indiano emudeceu – Por que estava tentando se matar Camus?

— Não estava tentando me matar! – Camus explodiu, batendo as mãos na cama de modo irritado. Foi então que viu as mãos pálidas e com a pele ressequida, os ossos mais proeminentes mostravam o quanto abatera naqueles quatro dias. Naquele ritmo morreria em uma semana – Não conscientemente... Eu só queria descansar, dormir e me recuperar porque me sentia muito cansado. Só cansado. – a última frase foi num fio de voz cheio de culpa por agora estar assimilando o que tentara fazer mesmo sem querer.

Shaka não estava preparado para ver aquela fragilidade, a garganta ficou apertada por conta do bolo que insistia em subir-lhe a traqueia. Sentia- se ainda mais culpado, acreditava que de certa forma contribuiu para aquele desfecho quase trágico. Aquele momento Camus vivia um inferno sentimental, sem precisar saber que Saga Laskaris fora responsável por arruinar o relacionamento e amizade deles. Shaka sabia o quanto Saga devastava a vida de Camus e mesmo assim deixou-se enredar pelo charme do advogado e pelo seu próprio ego. Anos atrás Laskaris conseguira arrasar Camus sozinho, mas agora obteve a ajuda de Shaka e isso era grave demais para que o ex-patinador perdoasse.

— Preciso avisar a médica que você acordou, também avisar aos outros. Milo não para de ligar e eu não tive coragem de atendê-lo até saber que você acordaria.

— Não diga... Não fale! – Camus pediu os olhos amendoados suplicantes para o indiano – Invente qualquer coisa!

— Vou tentar. Está todo mundo meio atordoado porque o Tenma voltou e quase sequestrou Hyoga! Foi um pandemônio. – e Shaka saiu do quarto ainda falando sobre chamar a médica.

Tirou seu celular do bolso, havia mais chamadas de Milo não atendidas. Chamadas de Saga... O professor de filosofia sentia vontade de se esmurrar! Resolveu ligar para Milo a caminho do consultório médico e pensar em algo para falar ao grego, com sorte acharia a desculpa perfeita para esconder o que Camus havia tentado fazer. Devia essa descrição ao amigo.

***

Shaka voltou um pouco depois com a médica que examinou Camus e conferiu os resultados dos exames, conversando com os dois sobre o estado do francês. O ruivo se surpreendeu ao descobrir que ficara por um dia inteiro ali, mas agora que seu corpo estava livre dos efeitos dos medicamentos poderia ir para casa. Havia também um psicólogo que viera conversar com o paciente, explicar o que ocorrera.

— Você já fez alguma fez acompanhamento psicológico Camus?

— Há alguns anos, mas já fui liberado pelo médico.

— Talvez seja bom procurá-lo novamente. – explicou o jovem médico olhando para Camus atentamente – Aconteceu alguma coisa essa semana que lhe causou algum estresse emocional? Alguma perda, algum término de relacionamento? – o olhar do médico foi de Shaka que desviara os olhos para Camus que fitou a figura do indiano com um ar irônico.

— Eu perdi... – Camus lambeu os lábios ressequidos – Aconteceram muitas coisas, mas eu não queria me matar se é o que está achando doutor.

— Você apenas queria se desligar da realidade Camus, nós sabemos. Queria apenas se livrar do cansaço físico que estava sentido. – o médico sorriu amigável – Não se preocupe. Nós quando sentimos uma dor insuportável, não recorremos a algum remédio ou ao médico para nos livrarmos dela? Foi a mesma coisa que você fez agora Camus, você estava tentando se livrar da dor e do cansaço! – agora a atenção do ruivo estava toda no psicólogo – Por isso você se dopou uma vez e então quando acordou ainda se sentia cansado, então mais uma vez e mais uma até que você conseguiu seu tão almejado repouso. Era uma válvula de escape! Perigosa porque haveria um momento em que você não conseguiria mais sair dela, foi quando o seu... "Amigo" – as aspas na fala do médico evidenciavam que ele captara algo de incerto na relação dos dois – o encontrou. Você já estava além da ajuda, tão dopado que nunca conseguiria acordar sozinho e talvez por isso você pudesse morrer. Existe vários modos de tentar suicídio Camus, desistir é um deles.

Camus desviou o olhar do médico para Shaka, havia confusão e culpa nos olhos de céu do indiano. Mas o único pensamento do ruivo era em Milo e no filho, em como os dois receberiam a notícia de que ele era um fraco que se deixara abater daquela maneira. Não ia conseguir olhar para Hyoga depois daquilo, ele deveria ser um exemplo para o garoto, não aquela decepção, pensava.

— Você precisa procurar ajuda médica Camus, sozinho não vai conseguir vencer a depressão e seja o que for que esteja lhe deixando assim é hora de se livrar disso. – o psicólogo olhou para Shaka propositadamente e Shaka aceitou aquele olhar de acusação, acreditava que em parte, era mesmo culpa sua que o melhor amigo estivesse daquele jeito.

— Ele vai se tratar, amanhã mesmo vou mercar uma consulta com o psicólogo dele. – Evrad disse a meia voz – Ele já pode ir para casa?

— Já, vou tratar da alta. – e os médicos saíram deixando-os sozinhos.

— Eu trouxe roupas para você trocar e se quiser tomar um banho eu ajudo...

— Posso fazer isso sozinho, você já fez demais obrigado. – Camus se levantou com cuidado da cama, ainda sentia-se fraco, mas estava na hora de tomar as rédeas da situação. Chega de bancar o fraco, pensava consigo.

Depois da liberação e de Camus se vestir, os dois saíram do hospital no carro de Shaka. O silêncio era pesado dentro do carro e Shaka não ousara nem ligar o som porque não se sentia bem em fazer nada trivial, estava esperando Camus falar, porém o ruivo permanecia calado olhando através do para-brisa sem demonstrar coisa alguma.

— Porque foi me procurar? – o francês acabou quebrando o silêncio.

— Milo me ligou pedindo que eu fosse vê-lo, há dias que todos querem saber notícias suas. Savalas viria até aqui, porém Hyoga ainda está muito abalado com o que aconteceu então Milo não pode sair de perto do filho. Milo me disse que você não atendia ao telefone, nem falava com ninguém e conversando com a portaria eles me disseram que você não descia há dias pra pegar a correspondência. – Shaka olhou de soslaio para Camus – Milo me disse também para manter Saga longe de você.

— Acho que ele deveria dizer para você ficar longe do Saga certo? – o ruivo riu de lado – De qualquer forma Milo pode apenas estar preocupado com o que eu possa dizer.

— Eu não queria que as coisas acabassem assim... Eu sinto muito Camus!

— Agora você sente. Eu fico me perguntando por que simplesmente não me disse Shaka! Só de ver a culpa estampada nessa cara dá pra ver que isso começou bem antes, quando ainda estávamos juntos. E mesmo eu avisando a armadilha que o Laskaris era você foi lá pagar pra ver, porque seu ego enorme não admite perder um desafio. – Camus sorriu amargo – O que esperava senhor racional? Que ia se envolver com Saga e provar a si e a mim que o fracassado sou eu por me apaixonar? Por ser patético a ponto de cair de amores por Saga? Agora me diga quem está despedaçado por ser usado e depois tratado feito lixo por ele?

— De que adiantaria dizer a você e acabar com a nossa amizade por nada? Saga está com Milo, corre para aquele mecânico maldito logo depois de estar comigo e se desfaz em favores e amores com Milo por culpa! – Shaka apertou o volante sentindo-se furioso – Estragar tudo que eu e você tínhamos por Saga? Arriscar que você me odiasse tanto quanto Saga por traí-lo?

— Não me contar causou o mesmo efeito, não pense que é diferente Evrad. É ainda pior!

Era claramente um rompimento, o rompimento que Shaka tentou a todo custo evitar. Haviam se desentendido por conta da adoção, mas amizade permaneceu e o indiano acreditava que logo a velha camaradagem retornaria. Contudo, agora era diferente porque Camus estava magoado e decepcionado com Shaka, porque agora Shaka se tornara outra coisa que o ligava à Saga Laskaris e, portanto seria execrado da sua vida. Seria diferente de Milo porque o grego não traíra Camus, eles só tiveram a infelicidade de se apaixonar durante o namoro de Milo e Saga, até porque Milo nada sabia da cilada que era o advogado. Shaka sabia e sua traição era ainda mais grave por isso. Shaka traíra Camus como amigo e como namorado e isso o francês nunca perdoaria.

Chegaram ao prédio e seguiram para o elevador em silêncio, mesmo que a vontade de Shaka fosse pedir perdão à Camus. No entanto, naquele momento acreditava que não conseguiria, se é que conseguiria algum dia. Da garagem o elevador parou no térreo para pegar um passageiro, havia apenas uma pessoa esperando que ao abrir a porta se lançou com pressa para dentro.

— Milo! – exclamaram Shaka e Camus ao mesmo tempo.

O grego levantou os olhos e então puxou Camus para um abraço tão apertado que um podia sentir os batimentos cardíacos do outro mesmo sob as roupas. O francês estava surpreso por Milo estar ali, mas feliz que assim o fosse. Ver que Milo, apesar de todos os problemas conseguira ir vê-lo e não desistira dele lhe aquecia o coração.

— Porque não cumpriu o que me prometeu Camus?! Você disse que não ficaria trancado nesse apartamento. – Milo se afastou apenas o suficiente para fitar o rosto do ruivo, era óbvio que ele sabia o que havia acontecido e isso trouxe constrangimento sem tamanho ao francês. Baixou os olhos para não ter que encarar o olhar de Milo, este apenas fitava Camus ali mais pálido e com olheiras profundas, isso lhe causando quase uma dor física ao ver o sofrimento estampado no ruivo e ele parecia-lhe muito frágil agora – Porque queria me deixar?

"Open your eyes my dear" e agora Shaka estava de olhos abertos, arregalados! Camus e Milo estavam tão concentrados um no outro que esqueceram o indiano ali como testemunha daquele momento tão intimo e revelador. O elevador subia vertiginoso assim como a percepção de Shaka de que estivera cego esse tempo todo. Camus em sua irracional intuição sentimental estava certo.

Saga de fato, nunca tivera Milo.

***

— Como ele está?

— Abalado, mas agora está tudo bem e ele vai melhorar. Como você!

— Sim eu vou ficar bem. — Camus deixou que a cabeça descansasse no ombro de Milo. Estavam no sofá da sala do francês depois de Camus ter tomado um banho e se alimentado, Shaka ficara no quarto andar e os dois seguiram sozinhos até o apartamento do francês. Enquanto Camus comia um lanche improvisado por Milo, o grego lhe contava o que acontecera com Hyoga – Vou precisar voltar para a terapia, me afastar do trabalho por um tempo talvez.

— Até do treinamento do Hyoga?

— Infelizmente. – Camus suspirou – Como posso dar segurança a ele desse jeito? Não estou estável Milo, é doloroso, mas preciso admitir que não conseguirei sozinho.

— Você não está sozinho, eu estou aqui agora e definitivamente.

— Terminou com Saga? – Camus se ergueu para olhar Milo, encontrando uma expressão dura no rosto bonito do mecânico.

— Eu me livrei dele. – foi tudo que Milo retrucou e Camus ia insistir quando recebeu um olhar de advertência do outro, conhecia aquele olhar então se calou – Você só precisa saber que ele não vai mais nos importunar e que agora eu vou cuidar de você, nós vamos casar quando tudo isso passar. – o grego acariciou a linha do maxilar do ruivo, se perdendo naquele fulgor avermelhado que era o olhar de Camus – Você não vai mais ficar sozinho, eu te amo Camus.

Camus se inclinou para beijar Milo, emocionado demais para falar o que fosse naquele momento. Era restaurador saber que finalmente ficariam juntos e que Milo o amava lhe dava forças para continuar depois de tudo. Primeiro os lábios se provaram até Milo resfolegar a língua pelo lábio inferior de Camus e abrir passagem para explorar a boca macia do francês. Ah era um bálsamo! Depois daqueles dias angustiantes, da incerteza sobre o estado de saúde de Camus, ter o francês ali em seus braços era tudo que desejava.

O ruivo deixou que as mãos enveredassem pelas roupas de Milo, deslizando pela pele bronzeada e arrepiando o grego.

— Faça amor comigo outra vez Milo. – sussurrou Camus junto aos lábios de Milo.

— Você devia descansar agora. – o grego aspirou o ar porque Camus havia aberto a calça e enveredara a mão pela peça íntima chegando ao falo ainda adormecido, a mão começou a acariciá-lo ali em movimentos de vai-e-vem.

— Já dormi demais. – e os lábios vermelhos do francês deslizavam pelo pescoço de Milo, a mão ainda ali fazendo o membro despertar – Seja meu.

— Já sou, sempre fui.

Camus deslizou pelo corpo de Milo abrindo as roupas até ajoelhar entre as pernas do mecânico que pendiam do sofá, as acariciou por cima da calça antes de puxá-la junto com a cueca para se livrar dela. Não se privaria mais, agora que sabia que Milo era definitivamente seu era hora de recuperar o tempo perdido.

Continuou a estimular o outro com a mão para então provar com os lábios e língua a ante coxa e virilha, Milo sentiu os dentes rasparem o falo rijo tal era a voracidade de Camus. "Deus, eu estou no paraíso" pensava o grego, seu amor era tão intenso!

O ruivo ergue-se para deixar o roupão cair e Milo se ajoelhou a sua frente quase em devoção, a língua brincou com o umbigo do francês antes de o grego traçar com a língua toda a extensão generosa do ruivo. Foi à vez de Camus fechar o olho ao sentir-se envolvido pela cavidade aveludada que era a boca de Milo, indo até o fundo da garganta do grego! Segurando os cabelos de Milo começou a estocar sentindo o aperto delicioso em volta do falo.

— Sabia que essa boca era uma promessa de perdição. – Camus disse entredentes puxando Milo para que ele ficasse de pé, traçando com o polegar o formato da boca carnuda do mecânico com os olhos fixos no rosto dele – Você inteiro é um pedaço do céu e do inferno juntos Milo.

— Fiquei louco por você no momento em que o vi. – o grego puxou Camus para junto de si, deixando a língua escorregar pelo queixo e pela jugular até a junção com o ombro – Louco por você...

Foram para o tapete, não conseguiriam chegar até o quarto dessa vez, com Camus sobre Milo roçando os corpos enquanto trocavam mais um beijo exigente e profundo. O francês se encaixou no corpo de Milo que o aceitava sem resistência.

— Vou pegar o... – Camus ia se afastar.

— Não ouse sair daqui agora. – Milo cruzou as pernas prendendo Camus ali – Esqueça o lubrificante e a camisinha, não dá mais tempo! – Camus riu de lado e então levou os dedos, médio e indicador até a boca do grego que os sugou de forma sensual com um olhar sacana, Camus mordeu o lábio sentindo o membro latejar com aquela visão deliciosa.

Com os dedos devidamente lubrificados, Camus iniciou a preparação que Milo recebeu aos gemidos, o francês segurando os quadris de Milo no lugar com a mão livre, beijando os lábios carnudos enquanto afundava os dedos indo e vindo dentro do mecânico, tomando para si os gemidos baixos que o grego emitia, deliciando-se também com o prazer do amante.

Então quando sentiu Milo já impaciente, posicionou-se sobre o corpo do outro de modo que os pés de Milo ficassem em seus ombros, Camus deitado sobre ele começou a penetração com cuidado, trocando um beijo com Milo que aprofundava a medida que se enterrava no corpo do grego. Era um tanto doloroso, mas Milo sabia que ficaria melhor.

E ficou quando Camus girou os quadris e acertou um ponto dentro do grego que o fez puxar os cabelos vermelhos, Milo arqueou o corpo naquele espaço limitado de tão entrelaçados que ambos estavam. Camus grunhiu e voltou a ondular os quadris frequentemente acertando aquele ponto, gemendo junto aos lábios de Milo que à essa altura já arranjava as costas de Camus sentindo os primeiros espasmos do gozo.

Se erguendo um pouco e afastando as pernas de Milo, o francês continuou a estocar com vigor e tomou o falo do outro nas mãos começando a masturbá-lo. O grego urrou revirando os olhos e segurando no tapete felpudo, se entregando ao clímax. Ver o amante entregue daquela maneira trouxe também Camus ao ápice e ambos gozaram juntos.

Deixaram-se cair ofegantes e satisfeitos no tapete da sala, Camus saiu de dentro do grego e deitou de bruços olhando Milo que ainda parecia não ter voltado ao corpo. Tirou a franja que se grudava a testa molhada de suor, admirando a beleza do grego ao seu lado, pensando em como poderia estar em um mar de escuridão e ainda ter aquela nesga de luz que era o grego.

— Será sempre assim?

— Talvez não quando eu começar a tomar Viagra, mas vamos tentar manter o ritmo ruivo. – piscou Milo trazendo Camus para junto de si – Esse tapete é muito confortável, eu tinha muita vontade de transar aqui sabia?

— Vou mandar a conta da lavanderia para sua casa. – Camus murmurou – Vamos para a banheira?

— Vamos, eu ainda quero uma rapidinha lá antes de te levar pra ver o Hyoga. Já que você está assim tão disposto, deixe pra dormir depois na minha casa.

— Nem pensar! Eu não vou dormir na cama da falecida, eu vou voltar pra casa. – Camus se levantou graciosamente e Milo se perdeu um pouco olhando o corpo perfeito do outro.

— Ah Camus fala sério! Eu não levei ninguém lá, só o Saga que foi porque ele é um abusado.

— Piorou! Você nunca levou ninguém lá, deve ter um quadro com a foto dela na mesa de cabeceira e você acha que eu vou dormir com a Natássia me olhando? – Camus saiu da sala ainda resmungando e Milo revirou os olhos sem acreditar que o francês ia implicar por aquilo agora.

***

Saga apertava o copo de uísque entre as mãos, os soluços sacudiam-lhe o corpo e encontravam ecos nas paredes da casa vazia. Tudo parecia vazio, antes ele tinha tudo, agora ele não tinha nada. A angústia e o remorso eram tudo que restaram.

Quase conseguira matar Camus...

Admitia que houvesse satisfação em manipular todos ao redor, encobrir seus rastros e mostrar a Kanon que sempre venceria no final. Um lado seu dizia-lhe que Camus merecia tudo aquilo e mais, que o francês não merecia ser feliz por ter lhe tirado Kanon. Afinal o que ele era? Um perdido sem berço que não passava de lixo, nada!

Por um tempo conseguira esquecer Camus, depois que o afastou definitivamente da vida de Kanon estava aliviado. Contudo o irmão gêmeo nunca deixava o francês de todo, sempre ali às voltas tentando se aproximar novamente. Então o ódio que sentia contra Camus vinha forte e implacável, como uma segunda entidade que lhe moldava as ações cujo único objetivo era destruir Camus Chevalier. O destino ajudava! Fora ele a colocar Milo no caminho do outro, fez com que eles se aproximassem e se apaixonassem. Casaria com Milo se isso fosse necessário para fazer Camus sofrer mais uma vez.

Todavia, havia outro lado seu que repudiava aquelas ações, era esse lado que amava Milo. Que se encantara pela beleza selvagem e jeito franco do mecânico era esse mesmo lado que estava arrebatado agora por Shaka Evrad. O indiano fora o golpe de misericórdia em Camus, sentiu-se imensamente satisfeito com isso até ter o professor de filosofia à sua frente, desesperado e furioso, os olhos sardônicos cheios de mágoa e culpa. Ao contrário do olhar de mar revolto de Milo que o encarou com puro ódio. Ter os dois homens que o amparavam no mar da realidade lhe dizendo o quanto era doente havia sido devastador para Saga Laskaris.

Ver Shaka havia sido pior. Ver a devastação que deixara o centrado filósofo fora demais, porque ao contrário de Milo, Shaka o amava.

Mais um que se ia de sua vida aos pedaços, o odiando por causa de Camus. Era por causa do Chevalier? Porque Camus tinha tal importância a ponto de ele, Saga, destruir sua vida daquela maneira para atingi-lo?! A ponto de se tornar um assassino.

Jogou o copo na parede e caiu no chão segurando a cabeça com ambas as mãos, os gritos sem nexo reverberando pela casa. Ele só queria se livrar daquilo, queria deixar Camus em paz e viver em paz! "Eu nunca vou perdoá-lo, por me usar para prejudicar Camus", Shaka dissera. "Eu nunca vou te perdoar Saga! Diga a verdade a eles Saga ou eu nunca vou te perdoar", Kanon prometera.

— Saga onde você está?

"Kanon voltara!" Saga se ergueu rapidamente, olhando para a porta onde o irmão gêmeo entrava com seus pais e mais alguns homens vestidos de branco.

— Você não me deu escolha irmão. – Kanon fez sinal com a cabeça para os homens de branco. Agneta Laskaris começou a chorar, Hermes passou o braço sobre os ombros da esposa enquanto os enfermeiros lutavam para imobilizar Saga. Kanon mantinha a expressão impassível ouvindo o irmão gritar sobre ele, sobre Camus e implorar ajuda. No entanto, permaneceria indiferente porque já estivera no lugar do irmão e sabia que ver a pena e o horror nos rostos das pessoas era pior.

***

Shaka abriu a porta do seu apartamento e se apoiou nela olhando aquele que era seu mentor e também parte importante da sua vida. Sempre que precisava encontrar seu eixo de novo, Shaka sabia que podia contar com o irmão para isso.

— Asmitha. – murmurou e tinha olhos marejados.

— Meu pequeno krishna.

O antropólogo entrou no apartamento e trouxe Shaka para os seus braços acalentando o irmão silêncio, foram para a varanda e se não fosse os olhos sempre cerrados de Asmitha Evrad, ninguém desconfiaria de sua cegueira. O Evrad mais velho era cego desde o nascimento e mesmo assim era tão desenvolto que sua independência era admirada por muitos. Anusha, a mãe indiana dizia que o filho tinha outro tipo de visão, mais aguçada e peculiar como um dom extraordinário e Shaka retrucava que era tolice.

Asmitha morava com os pais, mesmo que agora fosse casado com há doze anos e trabalhasse na Universidade. Apenas Shaka optara pela independência de morar sozinho e longe da família. Mas, sempre que podia ia Londres ver os pais e o irmão, estava feliz por Asmitha ter vindo da Inglaterra para lhe ver.

Passaram o dia juntos conversando sobre os últimos acontecimentos da vida de Shaka.

— Arrogância dos homens ao achar que podem controlar os sentimentos, mandar no coração. – Asmitha acariciou os fios trigueiros do irmão que estava com a cabeça apoiada nas coxas do antropólogo – Você tenta ser imune a algo inevitável Shaka, amor é o que move a humanidade, a paixão. Até o mal é movido por amor e paixão! Veja você meu irmão, foi à paixão que o fez lutar contra tudo e todos e se formar professor e filósofo, vir para Atenas, passar cinco anos na índia. Paixão filosofia, amor ao hinduísmo! Você adora falar do sentimentalismo pedante de Camus, mas é tão sentimental quanto ele. Só que consegue camuflar isso muito bem.

— Foi devastador encontrar Camus daquele jeito, a primeira vista ele parecia morto e me veio à memória que a última vez que o vi ele estava tão ferido a ponto de tripudiar de mim. – Shaka deu um sorriso amargo — O que ele não sabe é que nada foi pior do que saber que eu contribuí para que ele estivesse tão machucado à ponto de desistir dessa maneira. E eu tive que encontrá-lo! Podia ser Milo, Aiolos, mas tinha que ser eu a tentar salvar a vida dele!

— Era o mínimo que você devia a ele, pela amizade de vocês. Agora é deixar que Camus curasse suas feridas, você as suas e Saga também. – Asmitha voltou seu rosto para Shaka que o olhou, mesmo sem enxergar o filósofo sabia que o irmão queria seu olhar – Você o ama e pode estar magoado agora, talvez demore a passar essa desilusão, mas admita que você ame Saga.

— Destinado a amar um louco! Veja ao que me resumi Mitha.

— Todos em algum momento da vida nos reduzimos a homens apaixonados e não há vergonha nenhuma nisso. Quem sabe você não é a luz que ajudará Saga a se curar? Que vai trazê-lo a razão?

— Eu não nunca mais procurarei Saga Asmitha, não me respeitarei se for atrás dele agora. – Shaka se ergueu e sentou ao lado do irmão – Saga se aproximou de mim apenas para ferir Camus e ele conseguiu, me deixei levar e nós quase... – a voz do indiano estava embargada e de tal modo amarga que Asmitha podia sentir o quanto o irmão mais novo estava sofrendo – Eu sou capaz de me humilhar à Camus agora, eu sei que valeria a pena tentar resgatar nossa amizade. No que diz respeito à Saga eu espero que ele queime no inferno.

— Tanta dor... Você não pode deixar isso envenenar seu ser Shaka. Vamos para Londres, talvez um tempo longe lhe ajude a pensar sobre isso e se libertar desse amargor?

— Talvez... – Shaka olhou o teto. Talvez fosse melhor ir embora e viver um pouco longe para dar tempo a ele se perdoar e Camus de esquecer, quem sabe agora que Saga estava internado e Camus com Milo, tudo se ajeitasse.

Enquanto isso na casinha do monte Pireu Camus chegava com Milo. Conversaria com o jovem patinador sobre deixar a supervisão do seu treinamento embora estivesse ali para apoiá-lo, que não se separariam de fato ainda mais agora. Milo deixou Hyoga e Camus na varanda e foi tratar do jantar com Ikki. Os Amamiya agora viviam com Milo e Hyoga porque Milo se tornou o tutor responsável dos dois, Ikki só conseguiria a tutela legal aos vinte um e poderia mexer na poupança que sua avó deixou aos dois, além da casinha também. Shun estava na casa dos Argenkland por causa de Shiryu.

— Daqui a pouco nós vamos ter que visitar o Shun na casa do Shi, papai anda pegando direto no pé dos dois! – comentou Hyoga – Aiolos até comprou uma cama nova para o Shi! E eu não duvido nada esses dois se casarem depois que o Shun acabar o colegial, eles até vão para a olimpíada juntos.

— Sua oportunidade de ir vai chegar também, tem três anos pra você se preparar para as olimpíadas de inverno. – Camus retrucou. Com toda a confusão Hyoga perdera muitos treinos e as classificatórias, teria que começar tudo de novo.

— Acha que se depois da olimpíada, se eu quisesse morar com Ikki na casinha deles com a Agatha, meu pai deixaria?

— Ele morreria! – os dois riram – Não é cedo demais para pensar em casar, você nem fez faculdade ainda.

— Ah, mas eu penso sim! Nós fazemos planos de vez em quando, Ikki largou a equipe de luta porque agora decidiu que a mecânica é a vida dele. Depois que terminar o curso técnico, ele disse que nós vamos casar e Ikki vai abrir uma oficina. Achei um bom plano! – Hyoga abraçou os joelhos apoiando o queixo neles e olhando para Camus com seus olhos azuis curiosos – Você acha que eu vou ser um grande patinador Camus? Não acha que eu poderia ser apenas pediatra na Fundação, ajudar a cuidar das crianças lá e só patinar nas horas livres como eu faço?

— Você quer desistir? – Camus perguntou receoso, não queria plantar a ideia na cabeça de Hyoga até porque achava que patinar profissionalmente era o sonho do jovem russo.

— Eu não sei... Às vezes olho em volta e percebo que gosto disso e não quero abandonar tudo. Não é muito, mas eu sou feliz com minha família e a vida humilde que a gente tem. Amo patinar é algo que gosto de fazer por prazer e porque me lembra da minha mãe. O sonho dela era ser patinadora profissional e eu me lembro de mesmo pequeno, ela me levar para patinar aqui ou na Rússia, era lindo vê-la Camus... – disse o adolescente emocionado – Ela teve que desistir do sonho porque eu nasci e ela precisou trabalhar junto com o meu pai, eles não me deram pra adoção ou se livraram de mim. Talvez por ela que eu queira ser patinador, realizar uma coisa que ela quis muito!

— Acredito que Natássia ficaria feliz se você seguisse seu próprio caminho mon ange. – Camus acariciou os cabelos de Hyoga, mais uma vez sentia-se tocado por aquele garoto tão parecido consigo e tão mais forte! – Ela e Milo só desejam sua felicidade, sua mãe principalmente, onde quer que ela esteja.

— É tão fácil falar com você Camus, só de olhar você me compreende. – Hyoga limpou uma lágrima, mas seu sorriso era imenso – ‘Tô tão feliz que você está aqui e finalmente se acertou com o meu pai, que foi tudo só um susto!

Camus passou o braço sobre os ombros do garoto que se deixou levar naquele raro carinho do professor.

— Fiquei muito preocupado com você, se não fosse o Tenma aparecer eu tinha ido te ver bem antes!

Petit, eu fiquei assustado quando Milo me contou. – o francês apertou Hyoga junto a si – Tenma parecia tão bem! Ninguém sabia que ele estava desequilibrado àquele ponto?

— A verdade é que ninguém desconfiou, como o Saga! Os dois pareciam pessoas normais e de repente surtaram!

— Saga surtou?

— Você não soube? O Saga foi tirado de casa em uma camisa de força, apareceu até na TV! – Hyoga se afastou para fitar o ruivo de cenho franzido ao seu lado – Ele tem sérios problemas, a desculpa que corre é que ele seja esquizofrénico. Mas eu acho que deve ser a mesma coisa que o Tenma tem porque ele perseguia você não é? Igual como o Tenma fazia comigo?

— Me perseguia?

— É sabe, eu ouvi o meu pai conversando sobre isso com ele na noite na noite em que terminaram. – o loirinho franziu o cenho – Algo como ele ter perseguir! O Saga andava atrás de você como o Tenma fazia comigo?

— Não... Quer dizer, eu não sei do que você tá falando!

— Pai como foi que você descobriu que o Saga era um louco desequilibrado? – perguntou o loirinho assim que o pai passou na porta para a varanda.

Milo lambeu os lábios olhando os dois aquarianos que o fitavam com expectativa pela resposta que ele relutava em dar, prometera a si mesmo que não contaria a Camus sobre Saga, pelo menos não naquele momento. Porém, ao que parecia o destino não ia lhe ajudar a cumprir a promessa.

— Vamos jantar e eu conto, é uma conversa longa. – gritou para dentro – Ikki tira mais dois pratos que o Shun chegou com o Shiryu –Venham logo comer.

***

Camus passava o garfo sobre a sua comida intocada ruminando a história que acabara de ouvir de Milo, os adolescentes tinham devorado toda a comida e Milo também mesmo que tenha falado o jantar inteiro. O único que parecia ter perdido a fome era justamente aquele que todos esperavam que comesse.

Não era para menos. Camus acreditava que seu relacionamento com Saga não dera certo por conta da infidelidade do advogado e em parte por culpa sua, por sua insegurança e carência. Pensava que erraram juntos, mas o amou por muito tempo e agora via que da parte dele era tudo um plano sórdido de sua mente desequilibrada. Alguém podia odiar a esse ponto? O que ele, Camus poderia ter feito para que Saga o odiasse além de apenas amá-lo?

— Péssima ideia contar na hora do jantar. – observou Hyoga olhando o prato intocado do ruivo – Camus você precisa comer nem que seja um pouco.

— Camus você não come nada há quatro dias. – Milo acariciou a mão do francês – Já acabou, Saga está em uma clínica agora e não vai mais perturbar você.

— É muito insano. – piscou o ruivo tomando água – Pensar que...

— Você não tem que pensar nisso Camus. – Shun interveio – É passado! Você tem que agora pensar no futuro, em você e agora na sua felicidade com o Milo.

— Tem que cuidar da sua vida, retomá-la. Voltar para a Fundação porque todos gostam de você lá e te darão apoio para passar por isso. – Shiryu emendou a fala do namorado.

— Voltar ao trabalho vai ajudar você melhor que a terapia Camus, porque a gente se sentir útil é a melhor coisa que pode acontecer. – Ikki ajuntou do seu jeito meio brusco — Estar perto de quem ama e só quer o nosso bem é o melhor nessas horas.

— Vocês falando assim parece gente grande! – Milo comentou rindo e os garotos resmungaram, começando uma algazarra com todos falando ao mesmo tempo e Milo querendo falar mais alto. Era confuso e ao mesmo tempo divertido e Camus sorria ameno para aquela balbúrdia, se sentindo finalmente bem.

***

Depois que o seu terapeuta corroborou o conselho de todos, Camus alterou sua rotina para encaixar as sessões de terapia e as aulas na Fundação Kido, além dos treinos com os atletas do Projeto Medalha de ouro. Henry Cristal foi promovido para técnico da patinação artística e Camus ficou com o seu lugar de auxiliar, em tratamento Camus não se sentia confiante em assumir qualquer outro cargo de importância. Hyoga desistiu da patinação profissional, embora ainda treinasse com Camus no ginásio de vez em quando, todos se reuniam para ver os dois patinar.

Os dias foram passando e a vida se ajeitando, até Garbena voltara a escola e Camus ficou feliz que assim o fosse, o jovem passara por um momento muito difícil e agora merecia seguir a vida.

— Camus você devia tentar de novo. – comentou Garbena depois que a aula de educação física terminou, ela só ficou sentada ao lado de Camus por uma hora porque ainda estava com o pé imobilizado e usando muletas.

— Tentar o quê?

— Ser pai, você merece ter um filho. – o jovem remexeu na bota ortopédica que usava – Sabe Camus existem pessoas que nasceram para ter filhos e aquelas que não têm vocação para isso. – a menina sorriu com brandura – Você pertence a primeira categoria com certeza.

Milo lhe dissera quase a mesma coisa, mas Camus era tão inseguro!

Algumas semanas depois dessa conversa, em um dia que Camus foi ver Shina no abrigo da Fundação, os conselhos de Milo e Garbena lhe vieram à mente de novo. A jovem mãe italiana queria mais tempo para cuidar das filhas gêmeas Iris e Isis, que tinham quatro anos e no abrigo só trabalharia meio período. Sendo assim, ficaria mais fácil para cuidar das filhas. Uma nova orientadora fora colocada no colégio da Fundação.

— Ah Camus! Que bom que veio me ver, quase não encontrou ninguém mais. – ela abraçou o ruivo pela cintura.

— Vim intimar você para jantar na sexta com todo mundo, ordens do Aiolos.

— Ah claro, alguém tem que assumir o seu lugar de solteiro no grupo certo? — eles riram chegavam à sala de recreação do abrigo – Mas vou logo avisando que eu não posso ficar no seu lugar.

— Não? – Camus arqueou a sobrancelha e a outra sorriu misteriosa – Quem é Shina?

— Segredo.

— Não me diga que é o Mascherani? O professor do fundamental de Matemática?

— Camus! Sua velha fofoqueira!

— São os alunos, não posso fazer nada. – o francês deu de ombros. De fato os alunos sabiam muito da vida dos professores, às vezes melhor que eles mesmos — E o Masch não é nada discreto.

— Você não tem moral de falar sobre discrição namorando o Milo. Quando vai sair esse casório?

— Assim que ele aceitar morar na cobertura comigo. – Shina fez uma careta, Camus também. Havia divergências sobre isso, Milo achava que seria sustentado pelo ruivo se fosse morar na cobertura. Também ele não sabia o que fazer com a casa do monte Pireu, Hyoga já ia com frequência ao apartamento do ruivo e o próprio Milo vivia lá. Porém, o grego estava irredutível sobre ir morar com Camus.

— Vocês podem alugar a casa. Convença-o de que o dinheiro do aluguel da casinha pode ser uma poupança para Hyoga. – Shina afagou os ombros do amigo – Ele não quer assegurar um futuro para o loirinho? Fora que pode ser um bom dinheiro para começar o próprio negócio! Qual a dificuldade meu deus?

— Orgulho basicamente. – Camus olhou para as crianças em volta vendo-as correr e brincar – Combinado na sexta?

— Combinado. Vou levar o Mascherani e esfregar na cara de vocês que eu também estou namorando! – piscou a morena e então para uma das casas coloridas onde um menininho tentava subir na estrutura – Krest desse daí!

Shina e Camus foram até o garotinho e enquanto Shina falava com o garotinho, acenava para uma das recreadoras que já vinha correndo ao encontro dos dois. O francês olhou para o menino nos braços de Shina. Aparentava estar um pouco abaixo do peso, os fartos cabelos castanhos caíam sobre os olhos escondendo um deles, o que Camus podia ver era de um intenso verde.

— Ele não devia estar aqui, é muito pequeno para brincar na área livre. – Shina olhou para a recreadora de forma irritada – Como ele saiu do berçário?

— Ele vive fugindo de lá! Também não obedece e não parece entender o que a gente fala. – justificou a moça pegando o garotinho no colo.

— Porque o chamam de Krest?

— É a única palavra que ele fala e nós nem sabemos direito o que é. Foi deixado aqui no abrigo há alguns dias, a mãe e a irmã morreram. – Shina acariciou os cabelos do garotinho – Eram viciadas em heroína e foi a irmã que deixou ele aqui. Estava muito doente.

— Conseguiram falar com ela? Saber algo mais? – o menino tentava se soltar da recreadora, querendo voltar ao chão. Camus avaliou que ele não devia nem ter dois anos.

— Pouca coisa, ela só disse que a mãe levou um tiro e num grego bem ruim. Não deixou documentos, nada! Só o menino e ainda com a roupa do corpo e mais nada.

Camus mordeu o lábio olhando o garotinho que havia conseguido se livrar da recreadora e agora corria de volta a estrutura do playground que tentava escalar novamente.

Krest vniz tam seychas! (Krest desça daí agora) – disse de forma firme e na mesma hora o olhou parando o que fazia, Shina e a recreadora estavam surpresas – Ele realmente não entende o que vocês falam, porque ele não entende grego, mas russo.

— Como adivinhou?

— Krest é cruz em russo Shina, provavelmente não é o nome dele, mas como vocês o chamam assim é a única palavra que ele entende – Camus foi até o menino e o pegou pela mão murmurando algo para ele em russo, o garotinho sorriu e retrucou em sua fala infantil muito obediente – Russo Shina!