Notas iniciais
Gente, o próprio nome do capítulo já revela bastante né... Eu sei que a mudança drástica causou estranhamento nos leitores antigos, mas eu prometo tentar agradar a todos. Queria descrever logo todos os personagens novos e originais, mas se fizesse isso o capítulo ficaria longo e enfadonho. No próximo eu os descrevo.

É algo sério, eu sei disso. A expressão no rosto dele me mostra isso. Por um instante, penso que estamos sozinhos, mas ouço o farfalhar leve da Viúva Negra se levantando. Ela cumprimenta meu pai com um aceno de cabeça e depois fixa o olhar em mim. Eu não compreendo inicialmente, mas depois me lembro da nossa breve conversa: eles vão aparecer, ela dissera. Ela devia saber do que se tratava. Natasha sempre sabia.

— Minha mãe está bem? — eu indago, tremendo.

— Jane está bem. Mas... Bem... Nós não estamos.

— Nós? Eu e você?

— Eu e ela.

— Por que não? O que houve?

— Estamos nos divorciando. — eu sabia que não devia ter ficado tão surpresa com aquelas duras palavras. Afinal, já fazia tempo que eles não conviviam em harmonia. Mas elas soaram como um tapa na face para mim.

— Vocês o quê?! — exaspero-me.

— Sinto muito, querida. Mas você é muito jovem para entender... Mas ainda amamos você. Você vai poder passar um fim de semana com cada, e quanto aos feriados, resolveremos depois... Mas, não vai mudar muita coisa.

— Isso muda tudo, pai! Quer saber? Deixa pra lá! Nem sei porque se deu ao trabalho de vir aqui falar comigo. Vocês nunca vêm! — eu o deixo falando sozinho, correndo pelo estacionamento vazio até os portões do instituto.

Subo as escadas batendo o pé, uma raiva insana tomando conta de mim. Eu não sabia porque, nem de onde vinha tanta raiva, só sabia que queria, precisava socar alguma coisa.

Chego sem fôlego a sala de treinamento. Vazia, como eu esperava. Todos os Vingadores devem ter levado seus filhos para passear, mesmo os guardiões como eu. No primeiro saco de pancada que encontro, desfiro um murro com todo meu vigor. O saco absorve o impacto e balança para trás, permitindo que eu avance e desfira outro golpe.

— Ei, Thalia, temos que trabalhar, fique com essa babá desconhecida. — eu falo sozinha, fingindo imitar meus pais enquanto lutava com o saco de pancadas. — Ei, Thalia, boa sorte nessa escola de treinamento para espiões, apanhe bastante! Ei, Thalia, torne-se uma guardiã e esqueça o que é ter amor próprio. Ei, Thalia, estamos nos divorciando, mas não é problema, porque não visitamos você mesmo! — eu poderia continuar com as acusações até anoitecer, mas braços fortes agarram meus ombros e me tiram do meu torpor.

Eu fui treinada para ser violenta, mas quando tento girar o braço do agressor, este apenas me imobiliza na parede, e chama pelo meu nome com carinho, mas medo ao mesmo tempo. Acordo de meus devaneios e vejo que Steve Rogers está me encarando, preocupado.

— Thalia, você está bem?

— Fantástica. — respondo automática e ironicamente.

— Suas mãos... — eu abaixo os olhos para minhas mãos, que estão avermelhadas pelos calos recentes. — Devia usar luvas...

— Eu me esqueci delas.

— E do traje adequado também. — ele se refere a minha saia e meia calça, que com certeza não faziam parte do uniforme de treinamento.

Eu faço uma careta em resposta, e só então noto que estava chorando. Eu desabo no chão acolchoado, enterrando a cabeça nos joelhos.

— Meus pais estão se divorciando. — eu anuncio, a voz abafada.

Steve afaga meus cabelos gentilmente. Ele era o mais gentil ali. Sempre tinha palavras doces e um jeito afável de lidar com situações. Eu gostava de estar na companhia dele, e do filho dele também, que eu suspeitava ter uma queda por mim.

— Lembro-me de John e Jane quando entraram aqui. Você era um bebê. Eles eram bem... Carinhosos um com o outro.

De repente, me cai a ficha. Eles eram amorosos, até eu nascer.

— Fui eu quem estragou tudo, não foi?! Eu nunca fui planejada... Eles não me queriam.

— Não diga isso. — ele falou, firme.

— Você quis o Damien, estava pronto para ele. Meus pais não. Eu estraguei um amor épico.

— De qualquer forma, você não escolheu nascer. E eu te garanto, seus pais amavam você, e se amavam, então... se algo aconteceu entre eles para que parassem de se amar, não foi você. — eu queria mesmo acreditar em suas palavras, mas tinha sérias dúvidas.

Nunca gostei de fazer drama, então rapidamente me levanto, enxugo as lágrimas e pigarreio:

— Se você está aqui, Damien está também?

— Claro... Concordamos em ficar por aqui este fim de semana. Por quê?

— Bem... Ele é meu amigo, e provavelmente o único que não está viajando com os pais.

— Haylee ofereceu pra que você fosse com ela e a mãe para o apartamento. Por que não?

— Porque a Maria não é minha mãe. Não posso roubar todos os momentos mãe e filha delas.

— Bem, então aproveite Damien esta tarde, porque jantarei com ele. — eu sorrio e me despeço dele com um abraço.

Então, em vez de encontrar Damien, eu saio do instituto, em direção a base da S.H.I.E.L.D onde se que posso encontrar arquivos dos meus pais. Eu preciso saber o que houve entre os dois, e por que meu nascimento foi tão próximo disso.

Notas finais
E aí, o que acharam? Comentem pessoal! Eu esperava mais comentários no capítulo passado :( Dêm sugestões, elogios, críticas... Beijinhos