Notas iniciais
Queridos leitores, mil desculpas pela demora, eu sei que faz mais de um mês, mas eu estava meio triste pra escrever e cheia de coisa pra fazer, me desculpem.

Bonnie revela a notícia bombástica com uma naturalidade incomum. Eu fecho meus olhos e suspiro, esperando o pior. Se meu irmão falou com ela, de algum segredo ela já sabe.

— Eu estou no meio de uma emergência, Bonnie, se pudermos nos falar depois...

— E podemos? Jane, você mentiu pra mim! Todos esses anos e você trabalha... matando gente? Como aquele doutor, vocês médicos tem algo de errado? Ou será que nem médica você era? — quando eu arqueio as sobrancelhas, Bonnie fica furiosa. — Você podia ter matado a Libby!

— Mas eu salvei a vida dela. Me agradeça depois, quando tomar consciência de que eu faço mais do que "matar gente".

Eu não queria ouvir nem mais uma palavra dela, e corri de volta para ver minha filha. John já conversa com a pediatra, e tento não ficar brava por isso.

— ... então vamos injetar a medicação e observá-la por mais algumas horas?

— Que medicação? — eu indago.

— Eles disseram que ela só está com cólica. Pode ser alguma coisa relacionada ao refluxo. — John explica, aliviado.

Minhas pernas que antes estavam ríigidas relaxam, como se um peso tivesse sido tirado das minhas costas. Esperamos juntos de Thalia enquanto eu conto a John sobre Bonnie, e depois levamos nossa filha para casa, saudável e feliz.

Não demora muito para amanhecer e eu ter que trabalhar, afinal ficamos até de madrugada no hospital. Quando entro no carro, percebo algo diferente. Alguém esteve ali. No meu carro, um estranho. Apuro meus sentidos e começo a vasculhar, e embaixo do banco encontro um bilhete:

Jane Smith, encontre-me na Apple Street, 314.

Olho de relance para a casa, e vejo John deixar Thalia com a nova babá. Eu busino para chamar sua atenção. Por algum motivo, sei que vou precisar de toda ajuda necessária. John não faz perguntas ao ler o bilhete, apenas assente, e eu dou a partida no carro.

Ele percebe que minhas mãos tremem no volante.

— Acha que é... Do seu irmão?

— Se for, estou preparada. Ele vai ter armas e um exérctio poderoso. Precisamos... De munição. No porta-malas eu tenho algumas. Talvez devêssemos pegar mais.

— Acho que é o suficiente. — ele apertou minha perna. — Vamos nos dar bem.

— É, vamos sim. — eu confirmo sem muita convicção.

O endereço é uma igreja. Eu estranho o local. Seria um dos últimos lugares que viriam a minha mente ao pensar em Vlad. A igreja fica numa rua deserta, e as paredes estão descascando, parece uma daquelas antigas que viram museus.

— Isso tem algum significado pra você? — John pergunta.

— Não. A última coisa que eu diria do meu irmão é que é religioso.

— Bem... — vejo que John está prestes a formular uma piada, mas ele para com meu olhar de censura. — Vamos entrar então.

Eu assinto, e abro a porta com cuidado, John apontando a arma por cima do meu ombro.

— Barra limpa. — sussurro.

As fileiras de cadeiras estão vazias, mas no altar, jaz um corpo, inerte, e uma poça de sangue em volta dele. John e eu nos entreolhamos e corremos em direção a ele. Me supreendo ao contatar que é libby, a garota do orfanato que eu tratei no hospital.

Antes que eu possa sofrer ou reagir, ouvimos um estrondo vindo do sino da igreja. John aponta a arma para cima, mas eu faço sinal pra ele se esconder. Nos abaixamos atrás de um banco e olhamos para cima. Lá está ele, Vlad, armado, mas ele parece assustado. Parece... Estar fugindo de alguém.

Outro estrondo, que acerta seu pé. O sangue jorra perto de nossas cabeças, e olho de novo para ver quem está atrás do meu irmão. Sò tenho tempo para ver uma sombra e depois John voar por cima de mim, me jogando contra o chão e protegendo-me com seu corpo.

Um baque surdo ao meu lado, depois destroços do banco que antes eu me apoiava.

— Se esconda! — John já se levanta atirando para cima, e eu o sigo.

Me encosto numa parede para tomar fôlego e planejar uma estratégia, mas John está ocupado trocando tiros as cegas.

— John! — eu berro. — Venha aqui!

— Agora não dá, meu bem! — eu retruca com ironia. Eu franzo o cenho e observo a escada atrás dele.

Posso subir enquanto ele distrái o adversário e dar o golpe surpresa. Pelos cantos, corro até lá, e subo com cautela e velocidade ao mesmo tempo. Olho de soslaio do topo e vejo John subindo atrás de mim.

— Essa não... — sussurro e me abaixo quando o atirador nos avista.

Atiro uma, duas, três vezes em sua direção, mas erro todas. Me xingo mentalmente pela péssima pontaria e subo o resto da escada abaixada. O atirador está mascarado, mas seus olhos me são familiares... Antes que eu possa reagir, avisto meu irmão, rastejando numa poça de seu próprio sangue do tiro na perna.

— Me ajude... — ele murmura. — Jane, quero que saiba que eu me arrependo profundamente de ter mentido pra você. Eu só queria preservar sua inocência.

— Tudo bem. — eu respondo, insegura. John está logo atrás de mim, com as armas apontadas para o mascarado.

Ele(a) olha fundo nos meus olhos por milésimos de segundos, que parecem uma eternidade e pula. Eu e John nos surpreendemos, afinal a queda era de aproximadamente 6 andares. Não ouvimos estrondo de corpo nenhum se estatelando no chão, mas ouvimos passos apressados, e sei que ele(a) fugiu.

— Cuidado! — meu irmão grita, mas é tarde demais. Outro atirador já disparou, direto em seu peito.

Como o outro, ele salta, se livrando da série de tiros que eu mando. Largo as armas no chão e me ajoelho ao lado de Vlad. Ele está lívido, os olhos vazios, olhando para o além. Passo a mão por seus cabelos e começo a chorar.

— Não devia ter sido assim... — eu sussurro, abraçando-o. — Eu perdoo você. Eu perdoo você. Eu perdoo você... — John segura meu ombro com piedade, e eu o abraço.

— Eu vou achar esses assassinos, e eu mesma vou matá-los. — eu afirmo, com sede de vingança. Ninguém mexia comigo assim e saía intocado.

Notas finais
Espero que gostem e não tenham desistido da fic!