Amor, Você Deveria Voltar
1 Capítulo 1
Notas iniciais
POV BELLA
“Talvez eu seja jovem demais pra impedir que um bom amor dê errado.”
(Jeff Buckley)
O começo sempre é perfeito. Edward e eu nos conhecemos há oito anos. Com um ano de namoro, ele me pediu em casamento. E como não é de se espantar, eu aceitei sem pestanejar. Tínhamos apenas dezessete anos, porém aquela parecia a decisão mais certa a ser tomada.
Os três primeiros anos após a cerimônia foram um mar de rosas. Saíamos para jantar praticamente todas as noites e ele era um marido e amante inigualável.
Edward era dono da maior empresa de publicidade dos Estados Unidos, portanto, não nos víamos muito durante o dia. Todavia o grande problema começou, quando de um ano e meio pra cá, o nosso tempo juntos diminuiu consideravelmente, bem como as ligações.
Tentei compreendê-lo por um tempo, contudo tudo se tornou mais difícil. Foi complicado aceitar que aos cinco anos de casados enfrentaríamos a nossa primeira, e talvez, última crise.
Como todas as noites, sentei no sofá da sala a espera dele. Nunca a nossa casa de dois andares pareceu tão fria e grande demais para mim. Todos os empregados foram embora, sobrando apenas eu.
Olhei para o relógio posicionado no centro da parede em minha frente. Duas horas da manhã. Pelo visto os sócios dele gostavam de reuniões com diversões noturnas.
Por mais que eu evitasse, brigávamos todos os dias devido às saídas constantes durante a noite e as chegadas em casa de madrugada. Eu sabia que ele me enganava com suas mentiras, entretanto eu sempre me deixava levar. Era bem mais fácil acreditar no que queríamos do que na verdade.
Minhas amigas alertavam-me constantemente que ele me traia com a secretária, Tanya Denali. Eu percebia a cara de deboche que ela lanchava para mim todas às vezes que eu ia até o escritório dele. Pelo visto todos da Cullen’s Company sabiam que eu era uma corna conformada. Porém o mais doloroso era saber que o meu marido passava mais tempo com a amante-secretária do que comigo.
Escutei o barulho de carro na garagem e certifiquei a hora mais uma vez. Duas e quarenta e cinco da manhã. Enxuguei o meu rosto, não queria que ele soubesse que andei chorando mais uma vez por ele.
Exatos cinco minutos depois, ele entrou pela porta da frente com a roupa desalinhada e o cabelo despenteado, características típicas depois de uma boa noite de sexo. Lancei a ele o meu olhar mais cético e como sempre ele devolveu com frieza. Onde estava aquele Edward pelo qual me apaixonei? Talvez Tanya tivesse o engolido.
-Pensei que já estivesse dormindo. – Disse.
-Onde você estava? – Fui direta, a essa altura meias palavras só tornariam a situação pior.
- Sai para beber com Emmett e Jasper. – As mentiras dele já foram mais criativas.
-NÃO MINTA PRA MIM! Rosalie e Alice me disseram que eles iriam jantar na casa dos seus pais. Também fomos convidados, mas é claro que você não estava em casa!
-NÃO GRITE COMIGO! – Segurou meu braço com força. – Acha que eu sou seu empregado e que pode mandar em mim? – Os olhos verdes que eu tanto amava, naquele momento estavam negros de raiva.
- Eu não aguento mais. – Algumas lágrimas idiotas escaparam pelos meus olhos. – EU NÃO AGUENTO MAIS! – Soquei o peito dele repetidas vezes. – Não aguento mais suas mentiras, Edward. Não aguento o perfume barato da sua secretária todas as noites em você. Até meu aniversário você passou me traindo. Eu não posso mais! – Ele me soltou aos poucos.
-Que ótimo, porque eu também não aguento mais você. – Como uma única e simples frase podia doer tanto?
Ele subiu, apressadamente, as escadas e eu o segui até o quarto. Sem, ao menos, me olhar ele foi para o banheiro e se trancou lá.
Trêmula, fui até a cômoda a qual ficava do lado dele da cama e abri a pequena gaveta. E como eu esperava a aliança de casamento dele estava lá dentro. Peguei o objeto anelar com cuidado e olhei-o por um instante. Antes o que era o símbolo do nosso amor, tornou-se a prova de que ele não me amava mais.
Mais tarde naquela noite, deitei-me ao lado dele, em nossa cama, mais uma vez. Não dormi. Apenas o observei. Não foi difícil me apaixonar por ele, bastou penas aquele sorriso torto e o olhar perfeito.
Embora a vida me desse uma dezena de motivos para deixar de amá-lo eu não conseguia. Mas sabe aquela velha percepção de que só o amor não basta? Ela veio a minha cabeça.
Ao acordar, como todos os outros dias, sozinha, decidi que visitaria a minha mãe, Renné. Seria bom ficar longe dos problemas por um tempo. Deixei um recado com a amável secretária do meu marido e arrumei as malas. Só retornaria na semana seguinte. Realmente, Renné tinha o poder de me deixar melhor.
Os dias ao lado dela foram bem agradáveis e eu me senti amada novamente.Devido a um contratempo, tive de voltar mais cedo para casa. Peguei o voo das onze horas e cheguei à Nova York às sete da noite. Quando o táxi estacionou em frente de casa, estranhei que a luz do meu quarto estivesse ligada. Edward estaria em casa?
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