Amor Virtual - Short Fic

1 Capítulo Um - Primeiro Contato


Notas iniciais
Espero que gostem da short, gente.
Ela já está terminada e tem 10 caps.
Bj, bj

Capítulo Um — Primeiro Contato


Hoje deveria ter sido um dia como qualquer outro. Eu deveria ter ido à escola, assistido as aulas, ficado com os meus amigos e, mais importante, feito o que eu fazia todos os dias: observado o meu amor, Edward Cullen.

Há dois anos, desde que eu havia me mudado para Forks para morar com o meu pai, eu havia visto Edward no estacionamento da escola, parado ao lado de seu volvo prateado e me apaixonado perdidamente.

Ele era lindo. Seus cabelos ruivos e brilhantes me davam vontade de passar meus dedos por eles, para sentir se eram macios e tão revoltos quanto pareciam. Seus olhos verdes me provocavam vertigens e falta de ar. E seu corpo esbelto, com músculos na medida certa, me mantinha acordada à noite, apenas pensando como seria tocá-lo.

Mas eu nunca havia falado com ele. Não de verdade. Uma vez ele havia trombado comigo na aula de educação física e pedido desculpas. Outra vez eu estava na fila do refeitório e havia tropeçado ao vê-lo vindo em minha direção, ele havia me segurado e perguntado se eu estava bem.

Mas essas coisas não contavam.

No entanto, eu sabia algumas coisas da vida dele.

Sabia que era um dos melhores alunos da escola, sabia que era da equipe de natação, sabia que seus pais eram muito ricos, sabia que ele vivia cercado de garotas bonitas que dariam tudo para serem suas namoradas. E sabia que ele nunca havia namorado sério com ninguém.

Edward andava para todo o lado com seus colegas de equipe e com essas garotas. Alguns podiam dizer que ele tinha tudo o que queria. As garotas brigavam para serem as próximas em sua lista de ficantes e nenhuma esperava que ele ligasse no dia seguinte.

É, muitos o chamavam de sortudo.

Eu o chamava de solitário. Eu podia ver seu olhar de tédio, mesmo quando estava cercado por amigos, rindo e brincando com eles. Eu via que, no fundo, ele era infeliz.

Ou talvez era apenas o que eu queria acreditar. Quem podia me garantir que ele não era mesmo tão fútil quanto parecia? Um garoto rico, bonito e que não se importava com nada nem ninguém?

Mas eu não queria pensar que ele era tão vazio assim. Eu precisava me convencer de que ele era algo mais.

Embora o que eu achasse não fizesse diferença. Em meio ano estaríamos formados e provavelmente nunca nos veríamos novamente. Não sabia se ficava triste ou feliz com essa expectativa.

Triste, obviamente, por que não o veria mais e nunca saberia se ele era realmente quem eu imaginava que fosse.

E feliz por que finalmente poderia ser uma garota normal.

Eu estava presa a Edward, de muitas formas. Eu havia tido um namorado, por algum tempo, mas ele sempre teve que conviver com a sombra de Edward sobre sua cabeça, mesmo que ele não soubesse dos meus verdadeiros sentimentos. E com o tempo, aquilo nos afastou.

Eu não era feia não, e havia alguns garotos que se interessavam por mim. Quando voltei a ficar solteira, recebi alguns convites de encontros, mas não podia aceitar nenhum. Nunca seria justo sair com algum garoto enquanto eu só tivesse espaço para Edward no meu coração.

Ninguém nunca conseguiria se comparar a ele.

Então acabei me tornando invisível. Alguém que estava sempre lá, sem ser realmente notada.

Por isso eu imaginava que talvez pudesse ficar feliz. Quando estivesse longe dele, poderia sair, namorar, viver, sem que ele estivesse sempre lá, embotando meus sentidos e me fazendo sentir perdida.

Isso finalmente estava quase no fim.

Pelo menos era o que eu pensava.

Aquele, como eu havia dito antes, deveria ter sido um dia como outro qualquer. Mas no colégio, todos estavam sussurrando, cochichando que os pais de Edward iriam se separar.

Eu havia chegado normalmente, estacionando minha picape vermelha no estacionamento da escola. Como fazia todos os dias, olhei pelo estacionamento para procurar pelo carro de Edward e logo achei, estacionado logo abaixo de uma sebe. Então me dirigi à escola.

Antes que andasse meio metro, Jessica me alcançou, espevitada.

– Você não sabe o que todos estão falando! – Ela comentou, excitada. A garota adorava uma boa fofoca, não importava sobre quem.

– O quê? – Perguntei desinteressada, apenas para fazê-la feliz.

– Os pais de Edward Cullen estão se separando. – Ela falou rapidamente. Parei no lugar, sem conseguir esconder o meu interesse.

– Isso é verdade? – Eu quis saber. Olhando melhor ao redor, percebi que todos pareciam estar comentando sobre o mesmo fato.

– Parece que sim. Você tem que ver a cara do pobrezinho. Parece arrasado. Ah, como eu queria que ele me deixasse consolá-lo. – Jessica falou maliciosa. Eu já estava acostumada com seus comentários sem noção, por isso a ignorei.

Estava mais preocupada com o Edward. Ele estaria magoado? Triste? Com raiva?

Segui com Jessica em direção à escola, sem prestar atenção á sua tagarelice. Teria que esperar até o almoço para ver Edward e tentar decifrar os seus pensamentos. Conformada, fui para as aulas, sem prestar muita atenção a elas.

Antes do almoço, no entanto, cruzei com Edward no corredor. Seus olhos pareciam frios e amargurados. Seu rosto estava triste e até um pouco irritado.

Tive tanta pena, e tanta vontade de abraçá-lo, de consolá-lo, que era quase irresistível. Na hora do almoço, Edward não apareceu no refeitório, embora todos os seus amigos estivessem lá. Tampouco apareceu para a aula de educação física, que todos os alunos de nossa classe faziam juntos. E sua ausência apenas fez o povo falar ainda mais.

Senti-me tão impotente por não poder ajudá-lo que quase sufoquei na minha própria tristeza. E foi então que tomei aquela decisão.

Poderia não funcionar, mas eu tinha que pelo menos tentar.

Ao chegar em casa, fui direto para o computador. Fiz uma nova conta de email especialmente para isso: marie_17@live.com. Bom, pelo menos meu nome do meio era Marie.

Então resolvi escrever todas as palavras que estavam no meu coração naquele momento.



Querido Edward,

Bom, chamo-o de querido por que há dois anos habita o meu coração, todos os meus sonhos e a minha mente, vinte e quatro horas por dia, desde que o vi pela primeira vez no estacionamento da escola. Vivo de te observar, apesar de ter certeza de que você nem se quer sabe que eu existo.

Mas isso não importa.

O que importa é que estou preocupada com você. Você sabe que todos estão falando pelas suas costas, fofocando sobre a sua vida, querendo saber por que seus pais vão se separar.

Mas a única coisa que eu preciso saber é como você está se sentindo. Eu nunca havia visto tamanha tristeza em seus olhos quanto eu vi hoje e aquilo me cortou o coração. Você não tem obrigação de me responder, apenas saiba que se quiser conversar com alguém, estarei sempre aqui, esperando-o, pois é o único para mim.

Da sua e somente sua,

Marie.

Eu sinceramente não esperava que Edward me respondesse. Desejava apenas que ele soubesse que alguém por aí se preocupava realmente com ele. Duvidava, no entanto, que ele se quer lesse esse email. Ele devia receber várias declarações de amor por dia, mas aquilo não importava. Um peso havia saído de meu estômago ao enviar aquele email.

Tinha, no entanto, esperanças de que aquilo o tocasse, nem que apenas um pouco.

Então me preparei para dormir e escrevi sobre o email no meu diário. Ele era o único que sabia do meu amor impossível por Edward Cullen. E, naquela noite, sonhei com Edward, como sempre. No meu sonho, ele ficava feliz ao receber o meu email.



~~

Naquele dia, Edward não havia aparecido na escola. Fiquei ainda mais preocupada, me sentindo impotente diante de tudo o que estava acontecendo com ele.

Todos pareciam ainda mais interessados em falar da vida dele, obviamente, já que ele estava sendo tão afetado.

Na mesa do almoço, Jessica realmente me irritou.

– Disseram que a mãe do Edward quer tudo. Consultório, carros, casa. Tudo. Vai deixar o pai dele na miséria. E agora os dois estão brigando para ver quem vai ficar com o filho. O pobrezinho vai precisar de anos de terapia para superar o trauma. – Ela foi dizendo, enquanto Lauren, Mike, Erik e Tyler ouviam interessados. A única que parecia quase tão irritada quanto eu era Angela.

– Como se você se importasse. Só quer mesmo uma boa fofoca, não é? – Atirei, irritada.

– Ai Bella... Qual é o seu problema? – Ela perguntou se fazendo de coitada.

– Meu problema é você, Jessica. Por que não para de se meter no que não é da sua conta? – Falei.

– É, Jessica. Vamos falar de outra coisa. Deixe o Edward em paz. – Angela concordou.

– Tá, tá. Só falei por falar mesmo. – Ela deu de ombros fingidamente, mas sabia que devia estar com a língua coçando para fofocar mais alguma coisa.

– Perdi a fome. – Falei, levantando-me da mesa para sair.

Fora do refeitório, esbarrei com alguém. Estava tão irritada que nem olhava por onde estava indo. Mas a pessoa me segurou com firmeza e me impediu de cair de cara no chão. Meus livros, no entanto, se espalharam pelo corredor, bem como os dele.

– Obrigada.

– Tudo bem, apenas olhe por onde anda. – O rapaz falou. Ao olhar para cima, vi que era Emmet Masen, um dos amigos de Edward. Com muito esforço foi que consegui me controlar.

A minha vontade era de perguntar a ele como Edward estava, mas que direito tinha eu? Por isso meramente acenei com a cabeça e me abaixei para pegar os meus livros. Emmet fez o mesmo, catando tudo que eu tinha derrubado no chão.

– Desculpe por isso. – Falei, depois de me erguer, bem como Emmet.

– Não tem problema. – Ele falou educadamente. Então seguiu para o seu armário. Fui em direção ao meu, prestando atenção ao que ele dizia para a sua namorada, Rosalie.

– O Edward está muito mal, Rose. Hoje ele não atendeu nenhuma das minhas ligações. – Ele disse.

– Deixe estar, Emm. Ele só precisa de um pouco de espaço sem esse povo fofoqueiro falando dele o tempo inteiro. – Ela respondeu. Então os dois saíram andando pelo corredor.

Guardei meus livros no armário e fui para a minha próxima aula, pensando em Edward. Sempre pensando em Edward.