Amor Virtual - Short Fic
3 Capítulo Três: Fim de Semana Produtivo (Parte 1)
Capítulo Três: Fim de Semana Produtivo (Parte 1)
Naquela tarde de sábado, com toda a calma do mundo, respondi ao email de Edward.
Querido Edward,
Talvez eu seja realmente patética, por insistir em continuar conversando com você, quando você claramente me rejeita.
No entanto, não consigo acreditar que tudo o que eu vi, tudo o que me fez amá-lo tanto, era apenas uma mentira.
Um verdadeiro playboy sem sentimentos jamais admitiria isso tão abertamente como você fez, por isso desconfio que queira apenas me afastar. Se for realmente isso o que quer, não posso fazer nada a respeito. O que tinha para dizer, já disse.
Comigo ou sem mim, espero que fique bem.
Da sua e somente sua,
Marie.
Foi triste, para mim, enviar aquele email. Estava certa de que Edward me mandaria sumir do mapa, mas já estava mentalmente preparada. Se realmente fosse isso, não via alternativa que não deixá-lo em paz.
Contanto que ele estivesse bem, por mim não tinha problemas. Nunca havia realmente esperado que ele se abrisse comigo, mesmo assim não conseguia deixar de ficar decepcionada.
Durara tão pouco.
O resto do sábado se passou comigo continuando a fazer a faxina da casa. Edward não respondeu ao email imediatamente, mas eu já esperava por isso. Ele tinha uma vida social, diferente de mim, e provavelmente havia saído com os amigos.
Mas mais tarde, naquela noite, recebi a sua resposta.
Meu coração batia acelerado, esperando por uma rejeição que nunca veio. O email de Edward era curto e direto.
Olá Marie,
Por que você diz que me ama? Por que insiste que eu sou mais do que aparento ser? Gostaria de saber os seus motivos.
Edward Cullen.
Sorri ao ver a assinatura. Dessa vez ele não havia colocado aquele “nada seu”. Pareceu-me que aquilo era uma pequena vitória
Fui dormir naquela noite com aquelas perguntas na cabeça.
Por que eu o amava? Não sabia por onde começar a explicar. Tudo nele me fascinava. Mas aquilo era uma resposta muito vaga. Esperava que uma boa noite de sono me fizesse ter uma resposta melhor para dar.
Como sempre, sonhei com Edward Cullen. No meu sonho, ele dizia que me amava.
~~
No dia seguinte, acordei mais animada do que nunca.
E já tinha uma resposta para dar a Edward.
Querido Edward,
Fez perguntas muito difíceis.
Não sei se acredita em amor à primeira vista, mas foi isso o que me aconteceu. O seu rosto, seus cabelos, o seu corpo, o seu cheiro... Tudo conspirou para me deixar perdidamente apaixonada.
Mas o que me fez realmente amá-lo foram os seus olhos.
Mesmo quando está cercado pelos seus amigos, vejo neles solidão, a mesma que me abate quando olho para você a não posso estar perto.
Pergunta por que insisto que você é mais do que aparenta ser?
Por que eu simplesmente sei. Nem sempre há explicação lógica para isso. Sei que é educado, inteligente e calado. Sim, calado. Por que por mais que viva tagarelando com os seus amigos, vejo que nunca diz o que realmente importa.
Eles não entenderiam.
Sei por que acontece o mesmo comigo. Meus amigos nunca entenderiam meus sentimentos por você.
Espero que você, ao menos, acredite quando eu digo que meu coração é e sempre será seu.
Da sua e somente sua,
Marie.
Esperava que aquela resposta o fizesse ficar menos arredio.
Feliz com a minha resposta, fui limpar o quarto de Charlie. Mas como ele ainda estava dormindo, desci e preparei o café da manhã. Acho que talvez o cheiro o tenha acordado, pois quando terminei de pôr a mesa, Charlie desceu com os cabelos desgrenhados e ainda de pijama.
Esperei Charlie tomar banho e se trocar e então fui limpar o seu quarto. Com todo o trabalho feito, subi para fazer o meu dever de casa. Mas antes, chequei o meu email, claro.
Fiquei surpresa ao constatar que Edward havia respondido apenas alguns minutos depois de eu ter enviado o meu email. Teria ele ficado esperando a resposta ao lado do computador, como eu?
Estou cansado, Marie.
Sim, admito, você está certa.
Tudo me afeta mais do que tenho coragem de admitir.
Preciso de alguém para conversar, mas acho que ninguém que eu conheça me entenderia.
Como, apenas você, dentre todas as pessoas que me cercam, conseguiu ver tão fundo dentro de mim? E eu nem ao menos sei quem você é!
Edward Cullen.
PS: Eu não tagarelo!
Não tive como não rir com aquele final. Estava tão feliz, tão leve, que poderia ter gritado a plenos pulmões se não tivesse medo que Charlie mandasse me internar.
Fiquei rindo como uma idiota, lendo e relendo aquele email, sem crer que Edward havia se aberto para mim pela primeira vez.
Respondi imediatamente, imaginando se não estava sonhando com Edward mais uma vez e iria acordar a qualquer momento, decepcionada.
Querido Edward,
Não sabe a alegria que me deu com o seu email anterior.
Sinto muito por não se sentir à vontade com os seus amigos, mas nada me faria mais feliz do que se você se abrisse comigo.
Estou aqui para ouvi-lo, o que quer que tenha para me dizer.
Da sua e somente sua,
Marie.
PS: Não tente negar, você tagarela sim.
Minha cabeça parecia feita de ar quando enviei aquele email. Comecei a fazer os deveres de casa, com disposição renovada.
Não fui muito longe, no entanto. Pouco depois recebi a resposta de Edward.
Cara Marie,
Acho estranho me sentir tão confortável conversando com alguém que eu nem se quer conheço. Você me diz para me abrir com você, mas não sei se estou pronto.
Quero saber quem você é.
Sei que estudamos no mesmo colégio, devido a tudo o que falamos até agora, mas também sei que Marie não é seu nome verdadeiro. Como já disse anteriormente, sei que nenhuma Marie estuda no mesmo colégio que eu, pois pesquisei na página dos alunos do colégio.
Esse é apenas um nome falso ou o seu segundo nome?
A curiosidade está me corroendo.
Diga, quem é você?
Edward.
PS: Você é muito metida a sabe-tudo, sabia?
Eu imaginava que em breve esse momento chegaria, mas não estava nem um pouco disposta a revelar aquele segredo a Edward. Em poucos meses a escola acabaria e eu preferia ir embora com o meu orgulho intacto.
Confesso, tinha medo da reação dele ao saber quem eu era. Naquela aula de biologia, ele havia demonstrado claramente que não tinha consciência de que Isabella Swan se quer existia. Eu era invisível para a maior parte dos alunos da escola.
E não era agora que eu iria me deixar ser notada, principalmente por Edward. O email que elaborei a seguir foi o mais difícil.
Querido Edward,
Preciso deixar claras aqui as minhas intenções quanto a esses emails.
Naquela sua primeira resposta, você me acusou de estar tentando conquistá-lo. Aquilo não era verdade.
Você não sabe quem eu sou, e prefiro que continue assim. Tenho meus motivos para me manter no anonimato.
Eu sou invisível, Edward. E já estou acostumada com isso.
Tudo o que eu quero é saber que você está bem, e quero que você saiba que tem alguém com quem conversar sinceramente. Não mais, não menos.
Se puder aceitar isso e continuar a ser meu amigo, eu ficaria muito feliz.
Da sua e somente sua,
Marie.
PS: Sim, eu sei.
Enviei o email, sentindo meu estômago se revirar. Edward aceitaria ficar sem saber quem eu era? Ele parecia ser do tipo que gostava de estar no controle. Será que agora ele definitivamente me daria o fora?
Nem me dei ao trabalho de tentar voltar a estudar. Sabia que não iria conseguir me concentrar em nada depois daquilo. Fiquei apenas batucando com os dedos na mesinha do computador, atualizando a página compulsivamente.
Os cinco minutos que Edward demorou para responder me pareceram uma eternidade. Abri o email seguinte com receio.
Cara Marie,
Sua resposta realmente me decepcionou.
Fico imaginando o porquê de você, que diz que me ama, não querer conversar comigo pessoalmente.
Você diz que é invisível, e me arrisco a dizer que se realmente o é, isso é culpa única e exclusiva sua. Mas não quero voltar a brigar com você.
Já estou farto de brigas.
É tudo o que ouço dia e noite aqui em casa.
Não sei até quando vou suportar tudo isso, Marie. Minha cabeça parece que vai explodir. Queria apenas poder fugir, estar em qualquer outro lugar que não aqui.
E queria poder conversar com você de outra forma, que não por esses emails idiotas.
Edward.
Meu coração pulava tanto que parecia querer sair pela minha boca. Edward estava confiando em mim. Estava se revelando. Nunca, nem em mil anos, eu podia imaginar que meus emails teriam aquele efeito nele. Respondi rapidamente, tomando uma decisão um tanto quanto impensada.
Querido Edward,
Sinto tanto saber que você está triste.
Eu quero tanto ajudá-lo, mas não consigo imaginar como. Tudo o que posso fazer é dizer que quando quero fugir da realidade, leio um livro, vejo um filme ou ouço música. Não há nada mais eficaz.
Posso, no entanto, fazer algo por você.
Darei meu número de celular, mas não me ligue, não irei atender. Podemos trocar torpedos e, assim, estar mais perto, se você quiser.
Da sua e somente sua,
Marie.
Escrevi meu numero de telefone por ultimo, com certo receio. Com um frio no estômago, cliquei em enviar.
Poucas pessoas tinham o numero do meu celular e nenhuma fazia parte do grupo de amizades de Edward, por isso duvidava que ele fosse descobrir de quem era.
Mas a partir de hoje manteria meu celular sempre no silencioso.
Não sabia o que havia dado em mim para dar o numero do meu telefone a ele tão facilmente. Talvez viesse a me arrepender no futuro, mas agora, tudo o que eu conseguia sentir era felicidade.
Notas finais
Bj, bj
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