Amor Vincit Omnia
1 Parte 1
Notas iniciais
No começo de Fevereiro, o inverno ainda abraçava as ruas londrinas. Enquanto isso, as lojas pareciam ter sido tomadas por decorações de corações entrelaçados e anjinhos. O Dia dos Namorados estava próximo, mas para Sherlock Holmes efemérides sentimentais eram irrelevantes, quando o Trabalho era uma constante que sobrepunha qualquer outra preocupação.
Dessa forma, John Watson foi obrigado a cancelar o encontro com uma professora de balé chamada Penny, quando seu amigo recebeu um telefonema do Inspetor Lestrade. Ele pedia que fossem com urgência ao necrotério e Sherlock precisava de um ajudante…
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“Nós não queremos que a mídia faça um estardalhaço.” Lestrade explicou, apertando brevemente a mão dos dois homens, enquanto Molly Hopper os conduzia até a gaveta correta. Pouco tempo depois, Sherlock estava debruçado sobre o corpo guardado nas geladeiras do necrotério de St. Bart's. Com a mão enluvada, ele cutucou um furo no peito do cadáver. Sexo masculino, cerca de 25 anos, corte de cabelo contemporâneo, apenas as unhas da mão esquerda cortadas, tatuagens coloridas cobrindo os braços, do pulso ao ombro.
“Músico, toca em uma banda de rock indie.” Sherlock disse, piscando os olhos para o morto como se ele tivesse cometido alguma ofensa.
“Ele foi encontrado com uma…,” Molly começou a dizer, entregando uma prancheta a John.
“Flecha no peito, vinda pela janela de sua casa, nenhum suspeito. O terceiro nos últimos sete dias.” Lestrade completou, braços cruzados e seguindo a movimentação de Molly com o olhar.
Sherlock ignorou os dois e olhou para John, que estava lendo o laudo obituário. O médico tinha as sobrancelhas arqueadas e os lábios franzidos, da maneira que sempre fazia quando estava concentrado com algo.
“Ahem.” Molly pigarreou.
Sherlock retornou ao cadáver. Pele morena clara, barba por fazer, nenhum desenho na miríade de tatuagens associado a ideologia política ou organização que pudessem motivar assassinato. A flecha havia atravessado o coração do homem, provocando uma morte quase instantânea. Ele certamente necessitava de mais dados. Examinou a mão esquerda, onde encontrou calos específicos de quem lida com instrumentos de corda. Seria ele um terrível músico que fora assassinado por um justiceiro da afinação? O rapaz possuía calos o suficiente para denotar prática prolongada.
Três pares de olhos acompanharam seu movimento ao redor da gaveta aberta. Minutos se estenderam.
Até mesmo Sherlock notou o silêncio.
“John!?” ele exclamou, aborrecido.
“Hm,” o médico o encarou. “Flechadas na semana do dia dos namorados, você não acha que isso é uma pista?”
Molly e Lestrade explodiram em risadinhas silenciosas, ao mesmo tempo em que Sherlock olhava para John com uma expressão desconfiada. Ele assistiu a reação dos outros dois, intrigado.
John riu.
“Sherlock, por acaso você deletou o dia dos namorados?”
“Claro que não!” Sherlock respondeu, um pouco ofendido. Ele puxou o smartphone do bolso do sobretudo e começou a digitar rapidamente, ignorando os risos do policial e da legista.
“Não, você não precisa de google. Ouça, é uma conexão simples, não é? Cupido, flechadas, dia dos namorados? Qualquer pessoa teria percebido isso.”
Rapidamente, a expressão de Sherlock adquiriu um ar carrancudo. Fazendo o sobretudo agitar-se de maneira dramática, ele deixou a sala de medicina legal, encaminhado-se ao corredor do hospital em passos pesados.
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“Sherlock!” John chamou. “Vamos lá. Nós só sabemos que há um padrão relacionado com a data, fora isso, não temos mais nada. Por isso que precisamos de sua ajuda.”
Sherlock bufou em resposta.
“Ninguém é onisciente. Bom, talvez seu irmão seja. E não acredito que você está aborrecido quando temos um assassino em série para prender.” John reconsiderou as próprias palavras, ele realmente havia acabado de dizer isso? O médico ainda ficava surpreso em como uma pessoa autossuficiente e narcisista como Sherlock podia por vezes ter esses surtos nos quais ele requeria as mais estranhas conversas motivacionais. Talvez faça parte quadro psicológico, ele ponderou.
O detetive deu uma longa tragada de ar, em seguida estreitando seus olhos felinos e ajeitando a postura de forma a parecer a pessoa mais alta no prédio.
“Ah sim, para que gastar espaço do Palácio com trívia inútil, quando se tem uma legista, a Scotland Yard e um médico do exército para isso?” ele alfinetou.
“Não seja tão dramático, o Greg não é toda a NSY.” John retrucou e, antes que Sherlock pudesse continuar o jogo de provocações juvenis, mudou o assunto: “Acredito que, segundo seus métodos, seja a hora de recolhermos informação sobre a vítima. Vítimas. Céus, três pessoas mortas e nós aqui fazendo essa cena!”
John considerou seriamente suas escolhas ao longo da vida, quando retornaram ao necrotério para encontrar um Lestrade muito constrangido, convidando Molly para um café após o expediente. Um cadáver sendo testemunha. Pelo menos os dois passariam o feriado acompanhados, ele pensou com uma certa amargura.
“Lestrade! Se você quer esse caso resolvido antes que os tabloides caiam a dentadas nele, vou precisar de algumas informações.” Sherlock sabia ser teatral quando necessário.
John anotou depressa os nomes das vítimas e seus endereços. As três pessoas foram mortas da mesma maneira, por um arqueiro invisível. As mortes haviam ocorrido em intervalos de cerca de um ou dois dias. Faltavam quarenta e oito hora até o Dia dos Namorados, e era impossível determinar como o criminoso agiria nesse ínterim.
“Contenha-se” John disse a Sherlock, quando esse considerava animadamente várias hipóteses sobre o crime. “Ao menos não pareça tão alegre.”
“Nós vamos primeiro ao apartamento do arquiteto.” Sherlock decidiu, enquanto caminhavam pela rua. “Há mais alguma obviedade que você queira apontar?”
“Na verdade, observei duas coisas. Como que você soube que o garoto tocava especificamente em uma banda de rock indie, ou como você chama isso, e ao mesmo tempo você não tem ideia de quando é dia dos namorados?”
Sherlock olhou para John com a expressão de alguém que não se dignaria a responder. Sherlock cuidaria do caso, e o médico de uma investigação para satisfazer curiosidade pessoal.
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