Amor, Verdadeiro Amor...
1 Capítulo 1
Faltavam menos de uma semana para meu casamento. Isso não me animava nem um pouco, mas eu não tinha outra escolha a não ser me casar com Takumi. Estava grávida, e ele disse que assumiria esse filho, ou filha. Para ser sincera, amo outro homem, mas creio que feri bastante seus sentimentos, afinal, ele não me procura e nem fala nada comigo quando nos encontramos. Estava perdidamente apaixonada por Nobu, mas ele não me ama, não mais... Prazer! Eu sou Nana, ou como meus amigos costumam me chamar, Hachiko. Para eles eu sou uma cachorrinha que gosta de ficar perto das pessoas e também faz tudo para agradá-las, o que não deixa de ser verdade. Tenho vinte e um anos e fazem mais ou menos um ano que me mudei para o Japão. Muitas coisas aconteceram desde então. E a mais difícil de aceitar é meu casamento com alguém que não amo.
Estava deitada em minha cama, até que ouvi meu celular tocar. Havia recebido uma mensagem de Nana, uma mulher que conheci no metrô quando vim para o Japão, e minha grande amiga, vocalista da banda Blast, que se tornou recentemente, uma das melhores bandas em todo o país. A mensagem era a seguinte:
“Yo Hachi! Todos os membros da banda vão se reunir aqui em casa e eu tive a brilhante ideia de convidar a mascote do Blast. Você quer vir?”
Não hesitei um só minuto e logo respondi àquela mensagem:
“Claro Nana! Me deixa muito feliz com o seu convite. Estarei no apartamento 707 às seis da noite.”
Assim que a enviei, me levantei de minha cama e arrumei algumas coisinhas básicas (N/H: Celular, maquiagem, roupa extra, etc...) dentro de uma bolça, sai de meu quarto no hotel e segui para a recepção.
Recepcionista: Nana-sama, o que desejas? –Sorriu o rapaz
Hachi: Poderias chamar um táxi para mim, por favor? –Peguei um papelzinho dentro de minha bolsa e disse o endereço para onde queria ir.
Recepcionista: Claro, só um momento. –Pegou o telefone e discou um número. Logo que terminou a ligação falou: Seu táxi chegará em quinze minutos. Importa-se de esperar?
Hachi: Claro que não. –Sorri-lhe: Poderia entregar isso ao Takumi-kun? –Entreguei o papelzinho a ele.
Recepcionista: Claro Nana-sama. –Pegou o papelzinho e sorriu.
Depois me sentei em um dos sofás que tinham lá na recepção. Não demorou muito para o táxi chegar e para me levar até o apartamento onde morei por seis meses, os melhores de minha vida. Eram cinco e cinquenta e cinco quando cheguei ao prédio, e logo caminhei até o quarto 707 (N/H: Minha vontade era correr, mas como estava grávida, não podia fazer muito esforço.), batendo em sua porta. Quem me atendeu foi Shin, que eu logo abracei bagunçando seus cabelos. Ele havia crescido um pouco e tinha parado de fumar nesse um mês que ficamos sem nos ver. Logo que o soltei, ele abriu espaço e eu entrei na casa, logo avistando Yasu e Nobu. Quando meus olhos se cruzaram com os do loiro, senti minhas pernas ficarem bambas e meu coração bater mais rápido... Minha intenção era correr até ele e o abraçar fortemente, tocar seus lábios em um beijo apaixonado, e passar o resto de nossas vidas juntos e nos amando... Mas como estava comprometida, me limitei em dizer um simples “Olá Nobu-kun, Yasu!” logo desviando o olhar daqueles olhos que tanto me atraiam. Logo Nana sai do quarto em que estava e eu a abracei fortemente... Ela parece ter lido minha mente, pois logo retribuiu o abraço e acariciou meus cabelos.
Nana: Pontual como sempre, né Hachi? –Caminhou até a mesa perto da janela onde todos já estavam sentados.
Hachi: Ah Nana! Já pedi para não me chamar assim. –Disse fazendo a banda rir.
Shin: Bom, vamos comemorar? –Caminhando até a geladeira, retirando uma garrafa de vinho.
Hachi: Qual o motivo da comemoração minna? –Perguntei confusa me sentando ao lado de Nana.
Yasu: Nossa banda vai lançar seu primeiro CD. –Respondeu sério enquanto fumava seu cigarro Black Stone.
Hachi: Uau! Que demais! Parabéns pessoal! –Shin pegou cinco copos e os colocou na mesa, abrindo a garrafa de vinho.
Nana: Arigatou Hachi! Conseguimos graças a você também. –Sorriu.
Shin: É! Você sempre esteve lá torcendo por nós. –Me beijou no rosto sentando-se em uma cadeira, bebendo um gole da bebida.
Hachi: Parem gente, estão me deixando sem jeito... –Já devia estar vermelha por que eles sorriram.
A noite correu tranquilamente bem. Me diverti bastante... Às vezes sentia que Nobu olhava para mim, só não consegui perceber de que forma... Quando deram onze horas da noite desci para o térreo e chamei um táxi que parou na mesma hora. A banda continuava lá no quarto, mas eu não podia chegar tarde em casa, não muito pelo menos. Quando cheguei ao prédio, parei na recepção para perguntar algumas coisas...
Recepcionista: Nana-sama! Se divertiu no passeio? –Sorriu
Hachi: Oh! Sim sim! Todos os meus amigos estavam lá... Quer dizer, a maioria estava. –Sorri amarelo para o rapaz a minha frente.
Recepcionista: Que bom! Deseja alguma coisa? –Perguntou-me
Hachi: Uhum... Gostaria de saber se Takumi-kun já chegou.
Recepcionista: Já sim. Quer que eu avise que a senhorita já chegou?
Hachi: Não não. Quero fazer uma surpresa. –Sorri
Recepcionista: Certo... Então liberarei sua subida até seu apartamento.
Hachi: Arigatou! –Me dirigi a uma porta de segurança que logo foi destravada e eu pude abrir e entrar, caminhei até o elevador entrando no mesmo que estava aberto. Programei para subir até o décimo andar. Quando cheguei sai do elevador e fui até meu apartamento, batendo em sua porta. Passou algum tempo e ninguém veio para abrir, decidi então pegar minhas chaves, para destrancar a porta, porém ela já estava aberta...
Hachi: Takumi? –O chamei novamente sem receber uma resposta.
O procurei em todo o apartamento, menos no quarto. “Deve estar dormindo...” Pensei comigo mesma. Abri a porta de nosso quarto, e o que vejo é algo que nunca esperava ver... Takumi estava na cama... Com outra... Com Reira. Ambos estavam sem roupas se beijando... Certo que eu não o amo, mas como estava sendo fiel, queria que ele também fosse, mas acho que esperei de mais de um “pegador”. Quando me viu o moreno se levantou da cama e correu em minha direção tentando se explicar, mas eu não quis o escutar... Tudo que eu queria era sair daquele lugar. E era o que eu iria fazer. Peguei as malas que eu tinha trazido quando me mudei para cá, guardei minhas roupas e liguei para a recepção, pedindo para alguém vir buscar minhas malas e para chamarem um táxi para mim. Takumi tentava se explicar a todo momento, mas eu não ouvia uma só palavra do que o mesmo falava. (N/H: A essa altura a Reira já tinha se vestido e ido embora.) Quando bateram à porta, logo fui atendê-la e disse onde estava o que ele deveria pegar. Logo sai do apartamento deixando o apartamento, juntamente de um Takumi preocupado. Ainda lembro-me de minhas últimas palavras a ele: “Sayonara... Takumi!”.
Não tinha para onde ir... Então decidi pedir à Nana para que me deixasse ficar lá por um tempo, até conseguir um local para ficar. Quando cheguei ao prédio, pedi ajuda ao homem que dirigia para ele levar minhas malas até o quarto 707, e assim ele fez. Bati na porta do quarto desesperadamente, torcendo para que minha amiga ainda estivesse lá, afinal, ela poderia ter ido para a casa do noivo dela, Ren. Passados alguns minutos, a porta se abre e eu logo a abraço chorando, o que a deixou sem saber o que fazer. O taxista deixou minhas malas no chão e foi embora.
Nana: Hachi? O que houve? –Perguntou preocupada
Hachi: N-Nana... Eu posso dormir aqui, por favor? –Falava em meio a soluços
Nana: C-Claro... Eu coloquei móveis novos no quarto que você costumava dormir. –Me olhava sem entender nada.
Hachi: A-Arigatou!... –Peguei uma das malas e entrei.
Nana pegou a outra mala e entrou junto comigo, trancando a porta. Me sentei na mesa que antes estava com ela e o restante da banda. A rockeira sentou-se na cadeira a minha frente.
Nana: Quer um copo de água? –Parecia muito preocupada.
Hachi: H-hai... –Apoiei meus braços na mesa, entrelaçando meus dedos, apoiando minha testa neles, abaixando a cabeça.
Ela colocou água em um copo de vidro, e voltou para mesa me entregando.
Nana: Quer falar o que aconteceu Hachi? Colocou os braços na mesa, apoiando-se nos cotovelos.
Hachi: Agora não Nana-chan... Preciso dormir... Quem sabe assim consigo esfriar minha cabeça... –Ela apenas assentiu e me entregou a chave do quarto. Me levantei da mesa e caminhei para o mesmo desejando boa noite para Nana e entrando no quarto, trancando a porta. Não dormi muito bem como era de se imaginar... Antes de pegar no sono, imagens de Takumi na cama com Reira me vinham à cabeça, fazendo-me rolar na cama, ou abrir os olhos novamente. Dessa forma passei grande parte da noite sem conseguir dormir.
Acordei às sete da manhã. Havia dormido somente três horas... Sai do quarto ainda sonolenta. Nana já havia acordado e estava sentada na mesa bebendo uma xícara de café.
Nana: Quer contar o que aconteceu agora Hachi? –Olhou-me preocupada.
Hachi: Uhum... –Sentei-me no banco da mesa à sua frente.
Nana: O que houve? O Takumi brigou com você?
Hachi: Não fala mais esse nome Nana-chan! Eu quero esquece-lo o mais rápido possível... –Comecei a chorar novamente.
Nana: O que ele fez? –Segurou minha mão a pousando na mesa.
Hachi: E-Ele... Ele me traiu... Com a Reira... –Fitei a paisagem pela janela do lado da mesa.
Nana: O que? Ele fez isso mesmo Hachi?! –Eu assenti- Ah eu vou quebrar a cara dele! –Disse revoltando-se e levantando-se bruscamente da mesa.
Hachi: Nana-chan! Não precisa fazer isso tá? –Segurei seu braço.
Nana: Mas Hachiko... –A interrompi.
Hachi: Esta tudo bem... Eu não quero mais olhar na cara dele. –Estava distante.
Nana: Mas... E a criança? –Olhou para meu ventre.
Hachi: Eu a criarei sozinha... Como minha mãe me criou. –Tentei sorrir, mas não adiantou.
Nana: Você não esta sozinha Hachi. Você a mim, ao Yasu, ao Shin... Você tem ao Nobu. Nós estaremos aqui sempre que você precisar Hachiko. –Sorriu para mim, o que me fez derramar uma lágrima, não de tristeza, mas sim, de felicidade.
Depois de tudo que aconteceu saber que ainda posso contar com eles faz o meu coração saltar de alegria. Queria fazer tudo que estivesse ao meu alcance para ajuda-los, mas não sei o que fazer, mesmo assim eles continuam ao meu lado, me animando, torcendo por mim. E além do mais... Mais do que nunca, eu preciso falar com o Nobu agora... Não sei o que ele vai dizer, e tenho até medo de pensar... Mas eu nunca saberei se não tentar.
Neste momento nós escutamos batidas na porta e Nana foi lá abri-la. Eram Nobu e Shin. Eles sempre a visitavam pela manha antes do loiro ir trabalhar.
Shin: Hachi? Veio visitar a Nana também? –Perguntou confuso.
Hachi: E-Eu... –Ia falar, mas fui interrompida por Nana.
Nana: Ela vai voltar a morar aqui comigo. –A morena sorriu.
Nobu: N-Nani? –Me olhou confuso, e pude notar um fio de felicidade e esperança em seus olhos.
Hachi: O Takumi... Ele... Me traiu... –Abaixei o olhar.
Shin: Então você... –Nana o interrompeu.
Nana: Hachi deu um pé na bunda nele. –Riu –Quer dizer... Ela terminou com ele.
Nobu: Hachi... Isso é verdade? –Perguntou-me esperançoso.
Hachi: Uhum... –Assentindo o olhando.
Nobu abriu um largo sorriso e correu até mim se ajoelhando em frente ao meu banco na mesa.
Nana: Ei Shin, a Nana ainda não arrumou as coisas dela no quarto. Quer vir me ajudar?
Shin: Claro. –Entendendo ao “plano” da Nana, a seguiu até meu quarto.
Nobu: E-Eu também p-posso ajudar... –Disse levantando-se.
Hachi: N-Não... Nobu... Eu preciso falar com você... –Segurei seu braço e ele me olhou.
Nana: Bom, vamos Shin? –Disse entrando no meu quarto.
Shin: Vamos. –Seguiu os passos da líder.
Nobu: O-O que foi Hachi?... –Sentou-se ao meu lado no banco.
Hachi: N-Nobu-kun... Eu gostaria de pedir desculpas por tudo que aconteceu... Eu não queria me casar com o Takumi, mas eu não tinha escolha... Sabia que tinha te magoado e não conseguia falar com você, por mais que eu quisesse. Você era tudo para mim, o único homem que eu sinto que amei de verdade, o que eu queria ao meu lado para todo sempre... Na verdade, não era... –Dei uma pequena pausa vendo seu rosto entristecer um pouco me fazendo sorrir –Você ainda é esse homem Nobu-kun. Eu ainda te amo com todas as minhas forças... E ain... –Não pude terminar, pois Nobu havia me beijado envolvendo um de seus braços em minha cintura e o outro em meu pescoço. Nosso beijo foi muito profundo e intenso, senti lágrimas rolarem por minha face, lágrimas de felicidade. O loiro fora muito carinhoso, pois enquanto me beijava, acariciava meus médios fios castanhos, arrancando-me leves sorrisos. Nos separamos por falta de ar.
Hachi: N-Nobu... –Ele me interrompeu
Nobu: Hachi, eu ainda te amo... Nesse tempo todo que passamos separados, não houve um só dia que eu tenha tirado você da minha mente... Para ser sincero esse sentimento... Esse amor que eu tenho por você só cresceu cada vez mais... É por isso que eu... Eu gostaria de perguntar... Hachi volta para mim? Eu prometo, novamente, que te farei a mulher mais feliz desse mundo inteiro! –Olhou-me apreensivo e cheio de esperanças.
Hachi: N-Nobu... Claro que eu volto! Eu te amo... Te amo! –Sorri e o abracei fortemente, logo sendo retribuída.
Tornamos a nos beijar, aproveitando cada segundo daquele momento que até hoje considero inesquecível. Nobu e eu estamos casados agora, e fora a filha que tenho do Takumi, eu e meu loirinho tivemos dois filhos aos quais amamos infinitamente. Nunca mais vi o baixista da Trapnest desde aquele dia... Mas quem se importa? Afinal agora estou casada com o homem que realmente amo e é ao lado dele que quero passar o resto dos dias de minha vida...
Notas finais
Arigatou e até a próxima ^=^
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