Amor Universitário
41 Capítulo 40 - O início do fim.
Notas iniciais
POV TERCEIRA PESSOA
A noite para Midorima e Takao passou sem mais nenhuma emoção, contrastante com a de Kagami que já fora liberado do hospital e estava na universidade, Kuroko estava deitado ao seu lado, um curativo mediano chamava a atenção na testa do ruivo, não fora um ferimento realmente significativo, não ocorreu nenhuma concussão, a saúde física dele estava perfeita, diferente da sua psicológica, ele estava esgotado, já tinha sofrido demais por causa de Midorima, a loucura dele a muito tempo já havia passado dos limites, tudo que queria era poder deitar a cabeça no travesseiro e ter a certeza que tudo acabasse bem, que não seria sequestrado, ou que levasse um tiro, o menor remexeu-se ao seu lado, dormia tranquilamente, coisa que Kagami não conseguia fazer a um bom tempo.
–x-
O dia amanheceu, despertando o moreno que encarou aquele que tanto amava, recordando-se da conversa que teve com Kagami antes de apagá-lo.
“Quando desligou o celular, estava pronto para machucar gravemente Kagami, quando o mesmo fez uma pergunta tão simples:
– Você o ama mesmo? – Seus olhos transmitiam seu terror, porém estes se mantiveram firmes.
– O amo mais do que tudo. – Parou seu movimento com a faca, incitando Kagami a falar.
– Você sabe no que consiste o amor? – Ele transmitia mais calma do que realmente tinha.
– No que consiste o amor? – Perguntou zombando.
– Consiste em fazer tudo o que é necessário pela pessoa amada, tenho certeza que quando conheceu Midorima, ele não era desta forma, maníaco e louco. Amar é fazer o que for necessário pela pessoa amada, quando esta se corrompe, livrá-la deste mal com suas próprias mãos, para uma ultima vez ver o resplandecer daquele que se ama e não deixá-lo sofrer ainda mais. – Em poucas palavras, ele estava incitando Takao a matar seu grande amor, este se encheu de raiva, ergueu a faca novamente.
– Eu nunca mataria meu Shin-chan! – Rosnou enquanto usava o cabo da faca para desacordar Kagami.”
Encarou o outro que ainda dormia, naquele instante entendera o que o ruivo falou, aquele não era mais o Midorima por quem se apaixonou, era nem mesmo a sombra do que fora um dia, seu coração doía por ver aquele que tanto esmerava totalmente corrompido pela vida e por si mesmo. Este despertou tateando a sua volta atrás dos seus óculos, quando o colocou encarou-me com um sorriso.
– É hoje, terminaremos hoje e então viveremos juntos para sempre! – Sorriu, no fundo o moreno sabia que não era isto que aconteceria, sabia que estava sendo enganado, porém era a única coisa que queria acreditar, apesar de que fosse uma mentira.
– Sim. – Praticamente sussurrou sem animo.
Midorima agarrou o celular de Takao, usou para mandar uma mensagem para Kagami, escreveu somente o necessário para que este fosse ao seu encontro. Releu as poucas palavras que continham o local e a hora, e também escreveu seu nome, mandou a mensagem, alguns segundos depois receberam a confirmação da entrega, levantou da cama pegando as duas mochilas, jogando uma delas em direção do moreno que a agarrou.
– Vamos. – O outro apenas o seguiu para fora do quarto, seus pensamentos estavam confusos.
–x-
O celular apitou indicando que tinha uma nova mensagem, interrompeu o pequeno sono de Kagami que entre resmungos agarrou o celular, o número era desconhecido, estranhou, mas mesmo assim abriu a mensagem, suas mãos tremeram, lá estava o endereço de um antigo galpão, acompanhado do nome de Midorima, com certeza este era um convite claro para que o ruivo estivesse neste endereço às nove da noite. Kagami pensou muito, se era sensato ir, com certeza não era, mas ele iria, contrariando todos seus instintos, mas ele iria. Queria dar um basta a tudo, não avisaria a Kuroko, não queria colocá-lo em risco novamente.
O certo a se fazer seria chamar a policia, mas o ruivo não se importava com o certo e errado, o que mais poderia acontecer com ele? Já levara dois tiros, uma coronhada na testa, achava que uma hora o repertório teria de acabar, mas tinha um objetivo, se algo desse errado chamaria a policia, mas só se algo saísse completamente de seu controle.
Passara o dia com Kuroko, falando de coisas banais e como se nada estivesse fora do comum, daria um jeito de sair sem ele ficar preocupado.
– x — POV KAGAMI – x –
Perto das oito da noite, sai da universidade, falei para Kuroko que precisava tomar um ar e que iria me encontrar com o detetive para passar algumas informações sobre o sequestro, ele insistiu que queria ir junto, porém o convenci que era melhor eu ir sozinho, mentir para ele acaba comigo, mas eu sei que era necessário.
Segui pelas ruas com pouco movimento, como era de costume, me locomovia com ajuda das muletas, algo que já venho me acostumando, querendo ou não, ainda estava preso a elas.
O galpão não era muito distante, ficava na entrada da área industrial, era bem conhecido por ter sido palco de muitas festas e grande parte delas eu estive presente, ao chegar, a porta lateral estava entre aberta, com a muleta a empurrei, enquanto me escondia atrás da parede, cuidado nunca é demais.
Ao ver que nada voara pela porta, atreveu-se a entrar, em uma cadeira no meio do galpão estava Midorima, ao seu lado o homem que me sequestrou estava de pé, ele parecia distante, com os olhos cravados no chão, o outro abriu um sorriso.
– Olá Kagami, quanto tempo não? Parece que não te vejo a uma vida! – Levantou-se abrindo os braços, como se fosse me abraçar, porém não se moveu.
– O que você quer? – Conferi com a mão que meu celular estava no bolso, a qualquer momento eu chamaria a policia aquilo não daria pra ser resolvido sozinho.
– Nada demais... Apenas quero finalizar de vez algo... Acho que já chega de palavras, certo? – Bateu palmas, ele poderia facilmente interpretar um vilão maluco em alguma revista de quadrinhos da Marvel. – Takao, agora é com você. – Virou-se, esperando a ação do moreno.
O garoto saiu de seu transe, seus olhos estavam vazios, inexpressíveis, levou lentamente a mão até a cintura, arrancando dali uma arma 9 mm, destravou a mesma, encarou um pouco a arma, como se não soubesse usá-la, suspirou, e todo o resto foi rápido demais, sangue, um grito agoniado, uma dor agonizante.
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